- · Sou doutor em Ciência Política, com ênfase em Relações Internacionais, pela Universidade Federal de Pernambuco, como bolsista CAPES e como participante do PSDE na Universidad Nacional de Costa Rica; mestre em Estudos Internacionais, pela Universidade de Barcelona, como bolsista da Fundação Carolina; bacharel em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, pela Universidade Católica de Pelotas, como bolsista FIES; e Licenciado em Letras, com habilitação em linguística e literaturas de língua portuguesa, pela Universidade Federal de Pelotas.
- · Pesquiso na interface das áreas de Relações Internacionais e Estudos Culturais, com foco em identidades políticas e em formas de organização cultural e sociopolítica na América Latina. Tenho dupla nacionalidade, sou brasileiro-salvadorenho, e minha formação multidisciplinar foi desenvolvida, além do Brasil, na Inglaterra, na Espanha, em El Salvador e na Costa Rica, países em que residi como migrante laboral entre os anos de 2005-2011 e também em 2015 e conformam os lugares onde tive a oportunidade de construir experiência nas áreas de docência, jornalismo, pesquisa acadêmica e social, elaboração, gestão e execução de projetos de cooperação internacional e de projetos artísticos, assessoria política e organização de eventos internacionais de alto nível, inclusive diplomático.
- · Dedico-me, especialmente, além do atinente a esses temas sobre o Brasil, às sociedades e países da chamada América Central. Destaco minha atual função de coordenador-geral da rede-plataforma de análises, pesquisas e mobilizações sociopolíticas e culturais sobre/na região centro-americana: O Istmo (www.oistmo.com), da qual sou o idealizador e parte do grupo fundador. Atuei e atuo junto a diversos coletivos de luta política, de pesquisa artística, de Ong´s e de movimentos sociais nas áreas de Democratização da Comunicação, Reforma Agrária, Participação política de mulheres, Culturas populares e organização comunitária local urbana, tais como Colectiva Feminista para el Desarrollo Local, (El Salvador); One World Action, (Inglaterra); Re-Aphrodite, (Chipre); Rádio Comunidade FM 104.5 (Brasil); Movimento de Libertação do Sem-Terra, (Brasil). Sou atualmente, além de 'O Istmo', parte da equipe da Casa Coletivo, espaço comunitário de culturas e comunicação (Olinda-PE); colaborador do Instituto de Estudos Políticos Mário Alves (Pelotas-RS), que trabalha com formação política e memória histórica das lutas populares nas América Latina; e consultor da Consultplam, consultoria de projetos no setor de turismo, meio ambiente e cultura.
- · Em jornalismo, entre uma variedade de trabalhos como repórter, editor, assessor e colunista em meios digitais, impressos e radiofônicos, (Brasil de Fato, Caros Amigos, Retrato do Brasil, JungleDrums, ContraPunto, Asuntos del Sur) destaco as entrevistas realizadas com personalidades intelectuais e ativistas de renome na política e na cultura como Slavoj Zizek, Tariq Ali e Ernesto Laclau.
- · De organizações acadêmicas participo do Instituto de Estudos da América Latina (IAL\UFPE); do Núcleo de Estudos e Pesquisas Regionais e do Desenvolvimento (D&R/CNPQ-UFPE-PPGCP); da Rede-plataforma O Istmo, e do Grupo de Trabalho do Conselho Latino-americano de Ciências Sociais ‘El istmo centroamericano repensando los centros’ (GT-CLACSO 2016-2019). Tenho diversas publicações em revistas e livros nacionais e internacionais em questões como migrações, integração regional, Estado-nação, democracia, buen vivir, memória histórica, relações e cooperação sul-sul, territórios e regiões. Minhas perguntas e interesses intelectuais atravessam o problema da construção de hegemonias e de identificações e pertencimentos em variados graus e dimensões – simbólicas e geopolíticas – na ordem social. Teoricamente estou informado principalmente por reflexões que buscam articular o Pós-Estruturalismo, da Teoria do Discurso de Ernesto Laclau, e o Pós-Colonialismo, da Teoria Descolonial.
Wednesday, 12 July 2017
Aqui sendo
Do
que eu consegui dizer contingentemente sobre mim, em cinco
pontos, no exigido esforço de organizar/atualizar Lattes, Linkedin e
plataformas afins: (é, com riminha... pra no futuro ser mais fácil eu lembrar
do que é que eu fazia em 2017...)
Endereço para acessar o famigerado (tem que copiar e colar): http://lattes.cnpq.br/4003447916779203
Tuesday, 11 April 2017
Textos curtos para Ítaca (XCIVXX?)
Hellcife
Ficava curioso sobre aquele outro cartaz, num posto de gasolina antes do trevo da Federal, que dizia: “proibido entrar sem camisa”, e agora eu sei.
(Também me intrigava; não, me indignava! a razão pela qual aquele prato ótimo e suculento estava cheioooo de coentro, mas isso eu ainda não sei...)
Recife não é lugar para andar com as mãos no bolso. Isso agora eu também sei.
- E é o quê, então, boy?
É concreto.
São camadas largas e ardentes em extensas avenidas sem árvores que bufam bafo queimante, e vertem vapor de cimento.
É ilha.
São incautos habitantes dum relevo de depressão absoluta rodeada por fluxos de miséria por todos os lados, buscando arquipélagos de torres envidraçadas, que refletem e reaquecem aquela luz de dar dó.
Aquela luz toda rodeada de barrancos urbanos cobertos por lona plástica, sustentando suores de dores, e pó.
É nóia.
Cidade que se deve ver olhando pra cima, cuidando pra não cair numa armadilha.
E te mandam subir o vidro ali na próxima esquina que é onde luta, raiva e luto se empilha.
É agonia.
São patas biomecânicas riscadas nos seus muros e na minha pele. De Janga à Jangada as vejo onipresentes.
É, Recife é pegajosa, afiada, e quente.
É dura.
São muitos calores pontiagudos naquelas mesmas linguas longas e cinzas onde fervem dois meninos tão pequenos que nem alcançam o vidro do carro, mas querem lavá-lo por 25-e-qualquer-centavos.
Não, não tem cura.
É mangue que fede.
Vai indo sem ganhar um xero,
sem o amarelo-capim das quatro da tarde,
sem variar a luz sobre Capibaribe, vistas do último andar da Mamede.
Caranguejo eu só vi em restaurante, e um ali na rua, gigante, no meio da multidão.
“Foda-se Recife, você tem fodido o meu coração”*.
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*A última frase é uma alusão, em licença poética sem licença formal,à obra de Daaniel Araújo:
Monday, 20 March 2017
Porque o assunto é muito importante, e a entrevista é muito boa
E porque 'hegemonia' é mesmo, ainda, uma palavra-chave, e de enorme complexidade.
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Poder, religião e preconceito. A ascensão política dos evangélicos
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Poder, religião e preconceito. A ascensão política dos evangélicos
por
redação A Pública | 20 de março de 2017
Entrevista aborda o crescimento dos
evangélicos no mundo político e discute seus significados
Criou
polêmica nas redes sociais no final de semana uma denúncia do colunista do
Jornal O Dia, Cid Benjamin, de que o Bispo Marcelo Crivella, prefeito do Rio de
Janeiro, teria pedido a demissão do colega de jornal, Caio Barbosa, por conta
de uma reportagem sobre a situação de postos de saúde em meio ao medo da febre
amarela. Crivella negou. “É falsa a informação divulgada”, disse em nota.
Bispo
da Igreja Universal do Reino de Deus e senador pelo Partido Republicano
Brasileiro (PRB), o agora prefeito Crivella foi um dos assuntos da primeira
entrevista realizada na Casa Pública neste ano, que tratou da ascensão dos
evangélicos ao poder.
A
atual legislatura conta com 87 deputados federais e três senadores evangélicos.
Os dados, que são parte de um levantamento do Núcleo de Mídia, Religião e
Política da Universidade Metodista, também indicam que mais da metade dos 90
parlamentares pertencem a três igrejas: a Assembleia de Deus, a campeã; Igreja
Universal do Reino de Deus, em segundo; e Igreja Batista, em terceiro. Os
demais parlamentares estão distribuídos em 23 denominações diferentes.
Munida
desses dados, a repórter especial da Pública, Andrea Dip, entrevistou o pastor
Henrique Vieira, a pesquisadora Christina Vital, da Universidade Federal
Fluminense (UFF), e o jornalista da CBN Fernando Molica. Os principais trechos
você lê a seguir.
Andrea Dip
– Henrique, como você enxerga essa bancada evangélica, a sua atuação, essa
aproximação dos políticos evangélicos com a direita e se é possível ser
evangélico e lutar por pautas progressistas.
Para
concluir, tem uma contradição que a gente precisa entender e é de difícil
compreensão: a religião evangélica, salvo engano, cresce especialmente nas
camadas mais populares. Esse é um dado curioso. Então vou dar um exemplo.
Acompanhei como parlamentar uma ocupação do MTST em Niterói, e a primeira noite
de ocupação foi muito tensa, com risco de violência policial. O movimento
conseguiu se manter. Eu acompanhei como membro da Comissão de Direitos Humanos
todo o processo de negociação e voltei lá no outro dia de manhã para conversar
com as pessoas, que estavam já se assentando e organizando o processo de
assembleia. Enfim, porque estou contando essa história? Porque encontrei uma
senhora e perguntei: “Vem cá, como terminou a noite?”. E ela me respondeu assim:
“Glória a Deus, irmão, a gente conseguiu ficar”. Uma mulher que encontra na sua
fé em Deus um elemento de empoderamento para fazer uma luta urbana por acesso a
moradia. Isso não é um dado casuístico. Quando eu acompanhei o processo de
ocupação, praticamente todas as assembleias tinham grande presença feminina,
negra e evangélica. Aí você tem desde o protofascismo à luta por moradia. Tem
que saber entender essa complexidade para furar os bloqueios e dialogar.
Andrea Dip
– Cristina, gostaria que você contasse um pouco sobre a sua pesquisa para o
livro Religião e política: medos sociais e extremismo religioso, eleições 2014.
Entrevistei o Guilherme Boulos e também o pastor Ariovaldo Ramos. Ambos me
disseram que a esquerda deixou de lado o trabalho político nas bases, nas
comunidades pobres, e que quem ocupou esse vácuo foram as igrejas evangélicas,
que se aproximam mais de um pensamento conservador.
Cristina Vital
– Quando se fala dos evangélicos na sociedade, é de um grupo que está no poder,
seja o poder eletivo, político ou midiático. Até 2014 era uma estratégia muito
de ocupação dos Legislativos e, a partir de 2014, se torna uma estratégia bem
direcionada de ocupação também dos Executivos. Isso ficou claro numa carta
chamada “Antes pedintes, hoje negociadores”, do pastor Rodovalho, que é da
igreja Sara Nossa Terra. Ali ele falava de uma passagem dos evangélicos na
sociedade de ovelhas a players. Há uma distinção entre perfis evangélicos na
sociedade. Houve uma pesquisa do Datafolha, em 2014, entrevistando evangélicos
na sociedade em relação a determinadas pautas, que tinham a ver com LGBT,
aborto, armas, redução da maioridade penal. Posteriormente se ouviu os
deputados que compunham a frente parlamentar evangélica no Congresso sobre
esses temas. É interessante ver os momentos de aproximação entre esses grupos,
os que estavam no Congresso e os que estavam na sociedade, e era justamente
nessas temáticas LGBT e das mulheres, digamos assim, que havia um encontro
muito grande entre a base evangélica na sociedade e o que defendiam os
parlamentares na Câmara. Em relação às armas, em relação à maioridade penal,
tinha uma distinção: eles não estavam falando com a base. Mas tinha uma
estratégia importante de articular as bases a partir dessas temáticas.
Fernando Morais:
“A única coisa que tenho é minha independência” Lúcio de Castro e Vinicius
Konchinski debatem a cobertura jornalística nos megaeventos esportivos Sakamoto
e Pedro Doria destrincham a intolerância política
Fernando Molica
– Crivella foi fundamental na implantação da Igreja Universal do Reino de Deus
na África. Na sua estratégia de convencimento de ocupação de espaços, a
Universal é muito agressiva. Depois de muito esforço, achei dois livros do
Crivella, Evangelizando a África, em inglês, e outro que ele fala de cem
pensamentos do bispo Edir Macedo. Eu tomei um susto quando li, porque é um
negócio assustador o grau de reacionarismo, de preconceito, de exclusão que ele
manifesta no livro, não somente em relação às religiões de matriz africana, que
ele chama de “feitiço”, como também em relação à Igreja Católica, ao hinduísmo.
É tudo muito barra-pesada dentro de uma lógica que é a lógica da Universal.
Agora,
se você me pergunta quem é o Crivella, não sei. É uma boa pergunta. Agora,
quando você lê o que ele escreveu… Depois o Crivella tentou se explicar, falou
que era um jovem pastor, mas ele tinha 40 anos naquela época. Para mim, aquilo
que li sintetiza a visão da Universal, que é uma disputa de mercado. Você vê
claramente uma luta entre o bem e o mal. Não é uma visão de integração, é uma
lógica de separação: ou você está aqui ou você está com os demônios, porque
você não pode ter uma lógica ecumênica se está disputando o mercado.
Andrea Dip
– Eles têm um exército.
Fernando Molica
– Eles têm um exército, mas é sempre essa lógica do obreiro, então todo o resto
é inimigo. A ideia da idolatria faz parte da mesma lógica infernal, da mesma
lógica do mal. Numa reportagem que fiz eu conto de um pastor que disse. “Se o
seu filho fuma maconha, se seu marido bebe; a culpa não é dele; a culpa é do
demônio”. Então isso dá um alívio, dá uma solução. Agora, eu nem gosto muito de
misturar a Universal com as demais, porque ela é muito liberal na questão dos
costumes. O Edir Macedo já falou várias que é favorável à legalização do
aborto, pelo pior motivo do mundo: ele diz que, se a mãe tem um filho
indesejado, ele vai virar bandido.
Andrea Dip
– Eu queria falar um pouco do Partido Republicano Brasileiro (PRB), que em 2004
nem existia oficialmente, em 2012 emplacou 78 prefeitos e 1.204 vereadores e em
2016 elegeu o prefeito do Rio e quase elegeu o Russomanno em São Paulo. Ele não
é oficialmente um partido da Universal. O Edir Macedo não assume, mas todas as
pessoas do topo do partido são pessoas ligadas à Universal, o próprio Marcos
Pereira [atual Ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços] é
braço-direito do Edir Macedo, é um cara muito importante na história da
Universal.
Cristina Vital
– Há uma disputa importante no Congresso Nacional entre o PSC e o PRB, e de
algum modo uma disputa entre Assembleia de Deus e Igreja Universal do Reino de
Deus, que têm projetos e inserções distintas em termos teológicos,
doutrinários. A Igreja Universal do Reino de Deus tem um modelo episcopal que é
mais centralizado e parecido até com a Igreja Católica. Vocês podem observar
que o Crivella, no pronunciamento de posse, não faz uma fala típica de um
pastor pentecostal ou neopentecostal cheio da força do espírito santo, de
manifestações.
Eles
tinham um plano em 2014 de ter um crescimento percentual da bancada deles do
PRB, e o PSC pretendia dobrar a bancada, e a gente viu que o PSC em 2010 elegeu
17 deputados e em 2014 conseguiu eleger 12. O PRB, por conta da eleição do
Russomanno, levou um número grande de parlamentares, o que fez com que a
bancada do PRB no Congresso Nacional mais do que dobrasse. Então são 21
parlamentares. Segundo os dados do IBGE, a Assembleia de Deus tem, segundo os
dados de 2010, quase 3 milhões de pessoas vinculadas à igreja. A Universal teve
um decréscimo de 2000 para 2010, então são 1 milhão e 800 pessoas vinculadas à
Universal do Reino de Deus. Então, o Crivella ganhar no Rio significa uma
vitória da Universal? Significa a vitória de uma estratégia político-religiosa.
Fernando Molica
– Apenas para fazer uma observação que o Brasil já teve um presidente
evangélico. O Geisel, se eu não me engano, era luterano, e isso rendia, no
máximo, uma piada de que o presidente do Brasil era um pastor alemão. Mas o
Geisel não alardeava isso como valor, pois não representou para os evangélicos
ou protestantes uma lógica de ocupação de espaços de poder.
Mariana Simões
– Recebemos várias perguntas pelo streaming. O Israel Moretoni perguntou para o
Henrique qual seria a melhor maneira de ser um chefe do Poder Executivo de fé
evangélica. Como governar uma cidade sem deixar a sua fé interferir na forma de
governar e nas políticas sociais?
Henrique Vieira
– Ninguém vai atuar a partir do nada. A experiência da fé é uma experiência
muito fundacional da formação de um indivíduo. O que é possível é ter um
conteúdo de fé que dialoga com a vida plena para todas as pessoas com garantia
dos direitos individuais e coletivos, com a celebração da diversidade, com a
promoção da justiça e com o respeito ao outro tendo o outro não como diferente
que sofre o estigma, mas que tem o seu direito de existir garantido. Então, é
incompatível para quem tem uma fé de conteúdo fundamentalista e/ou extremista.
Para quem tem a fé não como uma doutrina, mas como uma experiência que te abre
ao mundo e te abre ao outro, é uma possibilidade muito genuína, singela e
realmente factível. Acho que a incompatibilidade se dá quando você olha o
Estado como uma extensão da igreja, quando você olha o Estado como uma extensão
da doutrina. E essa é uma característica de fé de setores fundamentalistas e/ou
extremistas. Então dá para governar uma cidade sendo cristão respeitando as
diferenças, a diversidade, compreendendo a dinâmica da democracia, da República
e dos direitos humanos, e por aí vai. Não há neutralidade dentro e fora da
experiência religiosa. Todo mundo vai governar a partir de algum lugar.
Andrea Dip
– “Ninguém, nenhum deputado evangélico vai ser a favor da descriminalização do
aborto, ponto”, me disse a Dilma numa entrevista no ano passado. Por isso,
quero saber de vocês o que pensam.
Henrique Vieira
– Dentro do setor evangélico, nós também vamos encontrar teólogos, teólogas,
frentes que vão defender a descriminalização, a regulamentação, a devida
legalização do aborto. Então, é importante registrar isso para mais uma vez
vencer o discurso de que todos vão ser contra. Concordo que é uma maioria, mas
não é uma unanimidade. A criminalização do aborto é uma das principais causas
de morte de mulheres no país, e com um recorte social e racial gravíssimo.
Mulheres ricas vão abortar com algum grau de segurança. Mulheres pobres,
majoritariamente pretas, vão morrer. Então eu quero olhar para a vida concreta
e perceber que a operação de preservação da própria vida passa pela
descriminalização para tratar isso pelo viés da assistência da saúde e do
respeito. Então, dá para teologicamente reajustar a tradição porque a tradição
não aprisiona a experiência de Deus. Porque a experiência de Deus se manifesta
na vida concreta. E quem fez isso e foi crucificado por isso? Jesus Cristo de
Nazaré.
Andrea Dip
– O que esperam os evangélicos da política?
Fernando Molica
– Os evangélicos querem o poder, como qualquer ator político. Tem um livro do
Edir Macedo, muito bem estruturado, que é o Plano de poder. Ele traça ali, se
coloca, e isso está até na sua matéria que deixa claro que a Universal do Reino
de Deus é a primeira a estruturar esse discurso político-partidário de uma
forma organizada. Acho que a grande questão é discutir como é este poder. E em
que medida a sociedade acha justo você entrar nessa briga levando Deus. Acho
que a disputa política tem que ser no argumento político, inclusive defendendo
teses conservadoras, contra a descriminalização das drogas, contra a
legalização do aborto, mas que esse debate seja feito entre mulheres e homens,
e não com Deus. Agora, por último, o Crivella é um prefeito que vai se adequar
à lógica política, ele foi eleito com três vereadores do partido dele, são 51
vereadores no Rio. O PMDB não está ativamente no primeiro escalão de governo,
não está representado. Passa que ele se preparou para ganhar a eleição e
demonstra não ter se preparado para governar, a quantidade de bola fora que já
deu é impressionante, de besteiras que secretários andaram falando, de pessoas
que foram nomeadas e ele teve que desnomear por uma série de problemas na vida
pregressa. A lógica da igreja serve para sustentar o discurso eleitoral, serve
até para que tenha uma tolerância em relação a ele; em momentos maiores de
crise, ele vai dizer “ah, isso é preconceito, porque eu sou evangélico, porque
eu sou cristão”. Ele vai usar isso, mas isso tem um limite. Ele não pode ficar
quatro anos só segurando na mão de Deus e indo. Ele vai ter que administrar, e
acho que vai ter uma dificuldade maior do que o Eduardo Paes, que era do PMDB e
tinha uma grande bancada na Câmara.
Cristina Vital
– A gente tem um debate aí para enfrentar em torno da laicidade porque a
laicidade virou o patamar da salvação nacional. A defesa da laicidade implica
obstacularizar a presença do religioso no espaço público ou na política? Como
se isso fosse salvar a nação do conservadorismo? A gente está falando aqui dos
evangélicos, mas não sei se vocês viram a nota que a Associação de Magistrados
Espíritas colocou contra a ação de juízes que estavam lutando na política de
redução de danos na questão do aborto. A gente está falando de uma população
majoritariamente cristã que tem uma leitura dessa questão da vida, e mesmo
entre os kardecistas, católicos e evangélicos, os católicos sempre foram os maiores
opositores nessa questão do aborto. A Frente pela Vida é uma frente comandada
pelos parlamentares católicos.
Henrique Vieira
– Acho que a expectativa é de um tempo de muitas lutas e tensões. Procurei aqui
identificar a minha tristeza, a minha vergonha, o meu lamento, por conta dessa
referência evangélica conservadora, que é contrária à democracia e aos direitos
humanos. Mas eu também quero fazer um registro importante. Os tempos são
difíceis não apenas por isso. Os gerentes do capital podem, inclusive, se
utilizar disso para continuar promovendo um país injusto. Então, o Temer não é
evangélico, e eu estou preocupadíssimo com a reforma da Previdência, com a
flexibilização das leis trabalhistas. Continua no Brasil uma criminalização da
pobreza terrível, extermínio da juventude pobre, preta, periférica, e favelada,
extermínio da população quilombola, indígena, ribeirinha e camponesa, e tudo
isso gerenciado por esse sistema, por esse modelo. O governo do Crivella não
vai ser ruim só porque ele é um evangélico conservador, mas porque ele vai
reproduzir um modelo de cidade relacionado ao interesse dos empresários de
ônibus, da especulação imobiliária. Ele vai ser um gerente desse modelo de
morte, o que é o Estado hoje na minha opinião. É importante combater o
fundamentalismo religioso, mas também entender que, enquanto ele for
convincente e interessante para esse modelo geral, inclusive outros agentes
desse modelo vão continuar se alimentando dele. E o que os evangélicos querem?
Essa pergunta eu vou refazer, porque tem evangélicos e evangélicos, têm Martin
Luther King e Silas Malafaia. Eu sou evangélico e o meu projeto de sociedade
tem muito a ver com o de Rosa Luxemburgo: um mundo onde sejamos socialmente
iguais, nem ricos nem pobres, humanamente diferentes, respeitados nas nossas
singularidades e, finalmente, totalmente livres para que possamos aproveitar
esse dramático, frágil e potente espetáculo que é a vida.
Saturday, 18 March 2017
"Ano passado eu morri, mas este ano eu não morro"
Há nove dias eu aqui, novamente, pelas terras do não-triste-trópicos cumpri mais um
aniversário, ou ciclo, ou girar em torno a dilemas da existencialidade... Não é
intencional nem programado, mas noto que me passa, ainda, de pensar nas voltas
do famoso/famigerado tempo quando assumo o calendário gregoriano para enmarcar esses
supostos parâmetros de etapas.
Nesse
exercício quase involuntário, me lembrei desse texto que reescrevo neste
momento, que fiz pela mesma ocasião ao recém haver regressado a Recife logo de um fantástico período de nove meses de PSDE-Capes na Costa Rica, no já velho 2016, e que não havia
publicado nesse meu arquivo pessoal online (que nos próximos meses , by the
way, cumprirá dez anos de yo y mis circunstancias...).
Fiz,
então, um enjambement, e o (re)utilizo, especialmente porque o ordinarismo tipicamente
cotidiano com que a data tem se passado pra mim nos últimos anos encontrou
naqueles 360-e-picos-dias-imperfeitos do ciclo anterior a coincidência de ter
sido o mesmo dia em que o quase-sagrado músico pernambucano Naná Vasconcelos
morreu, ou regressou ou cumpriu sua passagem, tendo, portanto, merecidamente sido
o grande homenageado neste carnaval 2017. Naná, que com todo o talento e força cultural encarnava não
só a alma (é, falemos em jargão cosmogênico...) de Pernambuco mas talvez de todo
o Brasil, conduzia o poderoso encontro de Maracatus de Nação na abertura
oficial da festa em Recife, sempre com mais de 500 instrumentistas e seus
tambores, num espetáculo já tradicional e delicioso que desta vez fez-se para o
mestre.
Se
concreto, ilha, paranoia, coco, grafiti, dura, estridente, quente são palavras-chave
de um pouco do que Recife e Olinda é pra mim, também há que se destacar, claro,
que aqui é lugar de boa capoeira. Desde sempre onde eu vou a capoeira, que
comecei a praticar no longínquo 1996 (sim!...), vai junto, ou eu vou buscá-la.
E em lugar de bolo e parabéns, passei meu começo de novo ano no ano passado em mais um treino
com o grupo que nestas me acolheu , o Chapéu de Couro, do Mestre Corisco.
Em
meio a energia, suor, ancestralidades e comunitarismo de sempre, Corisco aproveita o ensejo da morte de Naná para
relembrar a anedota do dia em que ele foi fazer uma visita ao Chapéu de Couro. O
mestre conta – e lhe é típico contar histórias e fazer reflexões aos finais dos
treinos – que lá no clube Barrozo, espaço que fica na Rua da Aurora, uma via
parte do cartão postal da cidade, às margens do rio Capibaribe e um dos lugares
onde o grupo pratica a capoeira há mais de 30 anos, Naná aparece sem aviso
prévio, a convite de um amigo que também treinava ali. Toca à porta, e quem lhe atende é um capoeirista do grupo
que desceu as escadas, incauto, a pedido do mestre Corisco. Ao abri-lá, não
esconde a surpresa de ser Naná em pessoa a sua frente.
Mais
surpreendente ainda foi a reação do artista que, venerado e admirado por muitos,
imediatamente se ajoelha, faz uma saudação com os braços e a cabeça ao chão, e dispara: “Mestre! Muito obrigado pela
capoeira! Por esse trabalho maravilhoso de preservação da nossa ancestralidade,
pela força do nosso sangue africano expressa nessa arte!”, e etc, etc, ali,
saudando, ajoelhado, o companheiro de
treino.
Perplexo
e intimidado, o capoeirista tenta, gaguejando, esclarecer a situação: “Na-não,
eu não, sou mestre, não. O mestre tá lá em cima”, e aponta para o alto. E Naná
responde rápido ao gesto de humildade do companheiro: “Eu sei, mestre. O grande
mestre tá nos céus, mas eu aqui quero saudar o senhor, mesmo, pela importância
de ajudar a manter a capoeira viva”, sem entender que aquele se referia a
Corisco, quem estava conduzindo o treino no primeiro andar do Barrozo, lá em
cima...
Que
bom ouvir histórias de Naná contadas por Corisco! Que bom a capoeira poder
jogar! Que bom, eu mesmo, ‘vivir para contarla’... Agradeço.
E
que bom, ainda, os amigos! Saindo daquele treino, no caminho de casa,
que passa pelo não menos icônico Pátio de Santa Cruz, do ‘meu’ bairro da Boa
Vista, tive outro privilégio: por acaso ali estão um time de hermanos, seleção de poetas, de
artistas da ciência das ruas e da força das palavras, que tal como “murro
guardado no punho”, admiro e respeito: nada menos que Miró, Fred Caju, e
Adilson. Agradeci novamente, pelas coincidências dos grandes encontros que
renovam o espírito da rebelião.
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Parodiando a Daaniel Araújo:
"Foda-se Pelotas, você tem fodido o meu coração"
Isso relatado acima, como dito, foi no ano passado. Neste, foi outra história, de 15 whatsapp´s, duas msgs no Skype
e três e-mails. O único telefonema, isto é, contato viva-voz pela
data, foi o da minha mãe. Eu contei. Porque achei/acho curioso as implicações
dessa ordem, das lembranças e importâncias atribuídas a datas pessoais, ao não
se estar no facebook. Pois desses números, apenas seis pessoas eu conheço há
mais de doze anos, ou seja, são da minha vida pré-jornada a Ítaca, são da minha
cidade natal.
Além
de dar o que pensar, claro, sobre o papel crescente das redes sociais como um
tipo de memória externa também para relações interpessoais – dado que são elas
hoje quem nos avisas quem cumpre mais um aniversário e, portanto, a depender da
nossa relação com a pessoa em questão, mandamos uma saudação (mesmo que as
vezes quase mecanicamente) – esse levantamento juvenil me chamou a atenção em
particular pelos perfis desses amigos que lembraram e se deram o gentil trabalho
de manifestar-se. O fato de eu ter acabado de regressar de um período de
alojamento, sentindo o toque de se encolher, de seis meses, seiscentas emoções-atribulações,
seis milhões de reflexões-decisões e obrigatórias produções em terra natal nos
pampas, logo de onze anos sem estar por lá por mais de 30 dias, sim me fez
pensar...
Isto é, vi e revi muita gente de primeiras
experiências, primeiros trabalhos, primeira formação universitária, primeiras
saídas boemias, primeiros debates políticos e etc que hoje dão de ombros pra se
estás ou não estás, fostes ou ficastes, cumpristes mais um aniversário ou
morrestes. Não é por mal, talvez, mas é mal, me parece, pois revela as ressignificações
desumanizantes, ou então simplesmente a insignificância que atingistes, o que é o mais provável...
Talvez,
também, valorizemos demais as “primeiras” coisas da vida, o que também é provável. Mas
é no mínimo curioso observar quem, e porque, se lembra, sem Facebook pra
avisar, do aniversário de alguém. Deveria ficar lisonjeado ou entristecido ou
blazé com precisas 20 msgs de lembrança (destaco de novo, sem facebook!) pela
data, sendo que a grande maioria desses é de quem está na minha vida apenas nos
últimos cinco anos? O ‘real’ e o ‘virtual’ não tem fronteiras tão porosas
ainda, como se tem dito ultimamente? A mediação virtual das relações ainda não
dá conta de presença, intimidade e intercâmbios diários físicos-diretos? Ou
simplesmente segues caindo no abismo do esquecimento, e é melhor aproveitar a
queda-livre (que aliás mucho me gusta!) e, como a maioria, não olhar pra trás?
Ainda mais provável é que isso seja uma reflexão/comentário inútil, né? Mas é
inevitável que essas pessoas, do “passado distante”, que se lembram qual é o
dia em que nascestes e param um minuto do seu cotidiano veloz e opressor (o
qual sempre destacamos pra tudo, usando-o de justificativa pra tudo...) pra te
mandar um “felicidade-parabéns”, simples ou cheio de intimidade, sejam vistas/lembradas
com sentidos particulares. Também, de
novo, agradeço, bem como a todxs demais, mais recentes na jornada, que aqui estão. ☆★
Tuesday, 27 December 2016
2017 (no) volver a los 17
Escrevi aos 17 em 1997. Aliás, esse é um dos primeiros poemas que lembro de ter escrito. Eu lembro do dia, lembro do contexto. Um ano depois, publicaram-no num pé de página de um jornal local. Encontrei-o este ano, apenas a fotocópia, entre vários arquivos pessoais que estavam armazenados na casa dos meus avós, na minha cidade natal. Enfrentamos o famoso"quartinho dos fundos" este ano, para colocar um projeto importante para a família em pé, e ali reencontrei, revisitei e reorganizei várias caixas e pastas de histórias e nostalgias. 'Arte e questionamento', sim, mas hoje também alguma outra certeza, por favor.
Volver a los diecisiete después de vivir un siglo
Es como descifrar signos sin ser sabio competente
Volver a ser de repente tan frágil como un segundo
Volver a sentir profundo como un niño frente a dios
Eso es lo que siento yo en este instante fecundo
Tuesday, 29 November 2016
!Es la articulación y no la unidad, estúpido! O el mar de los dos demonios y el dilema del puercoespin en Brasil, nuevamente...
Mantendo o registro nos alfarrábios, texto publicado originalmente em Asuntos del Sur em 12 de outubro de 2016.
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La cuestión más
relevante para el contexto político brasilero actual, y que ha llamado la
atención y la dedicación de la mayoría de los análisis preocupados por las
posibilidades y límites de las transformaciones y emancipaciones sociales del
Brasil post-PT, es el dilema de la organización. Son diversas en número y en
fundamentos las opiniones entre militantes de los movimientos sociales,
intelectuales y cuadros partidarios de la izquierda sobre cómo enfrentar el
momento: recomposición, reinvención, rescate, transición.
Tal tarea exige
reflexiones verdaderamente de fondo: ¿Cuál es el “ser” de izquierda? ¿Cuál es
la lógica y la naturaleza de la formación de las identidades colectivas?
¿Cuáles son los límites/posibilidades del hacer político por la vía no
institucional? ¿Cuáles son en verdad las instituciones estatales?
Ninguna de estas
preguntas tienen respuestas evidentes, fáciles o exclusivas, pero el actual
espacio para su formulación es también una invitación a la acción. Las
instituciones, por ejemplo, claramente nunca son entidades neutras; al
contrario, representan la cristalización de las relaciones de fuerza entre
agentes políticos, una situación de equilibrio temporario entre ellas. Esa
afirmación es casi palpable: cuando un proyecto de transformación social
comienza a ser implementado, este entrará en choque con el orden institucional
vigente, y tendrá que ser modificado tarde o temprano.
Esa modificación
puede ocurrir de varias formas y en varias dimensiones, de acuerdo al tiempo
histórico y a la geografía en cuestión. Los gobiernos de Chávez, Morales y
Correa en Venezuela, Bolivia y Ecuador, respectivamente, (los “piratas del
Caribe”, apodado por Tariq Ali) en el auge del “progresismo” suramericano al
comienzo de los años 2000, tuvieron éxito en las reformas constitucionales que
permitieron que los avances sociales fueran llevados a cabo y se consolidaran.
Sin embargo, para
el final de aquella década y el comienzo de la que vivimos, los gobiernos de
Zelaya, en Honduras y de Lugo, en Paraguay, sin la misma capacidad de
movilización de sus pueblos, transitaron el mismo camino y acabaron, por
reacción- agrupación de sus fuerzas conservadoras nacionales, viendo a sus presidentes
electos por el voto popular destituidos de sus cargos, a través de un mayor o
menor grado de coerción y uso directo de la fuerza, inaugurando lo que
comúnmente ha sido llamado “golpe de Estado de nuevo tipo”.
En Brasil, cuyos
gobiernos de la era del PT deliberadamente se amarraron a la forma tradicional
y decadente de hacer política (siempre invocando la famosa gobernabilidad de la
realpolitik y la culpabilidad del sistema de presidencialismo de coalición para
buscar justificarse a sí mismo) siquiera se intentó incluso algo parecido a
esos cambios institucionales para que se disputase efectivamente la hegemonía
(en el sentido gramsciano) de la sociedad, y los resultados, para este partido
que presumía de ser el centro de la órbita de las izquierdas, fueran horribles
no solo por la brecha que se abrió para el “golpe” que se consumó en
septiembre, si no también véase las elecciones locales de octubre.
Entre Escila y Caribdis
Se puede decir,
entonces, que la era del PT fue marcada por dos límites: su certeza petulante
en la negación por buscar cambios estructurales (que necesariamente pasaría por
las reformas constitucionales) y su anclaje (algo común en experiencias
gubernamentales de izquierda en regímenes de democracias liberales) en la
burocracia y el meandro de poder (falso) del Estado –una combinación que
inevitablemente deja de lado la movilización por mecanismos de presión social
sobre las instituciones.
En ese sentido, la
característica más original de los gobiernos nacionales y populares de América
Latina, como analiza Ernesto Laclau, fue realmente el calibre entre una
dimensión horizontal de autonomía y una dimensión vertical de hegemonía, y como
se observa, en el Brasil post-PT, en este país se operó un efectivo equívoco de
esa dosis. En el prefacio, de 2013, de su último libro publicado, “La razón
populista”, el cientista político es preciso: “Dar énfasis exclusivo a la
dimensión hegemónica conduce a regímenes burocráticos que no se alimentan de
una movilización maciza de base. En este caso, el resultado solo puede ser el
retroceso del proceso transformador y su progresiva absorción por el viejo
establishment”.
Lo más importante
en el aporte laclauniano al debate político, principalmente el que está dado en
Brasil hoy, es el entendimiento de que un ideal libertario supuestamente “puro”
que rastree sus objetivos totalmente por fuera del espacio estatal también es
una receta para la amargura del fracaso (al menos en cuanto el Estado como tal
se mantiene como la esfera regulatoria de la vida social).
La lucidez de esa crítica se destaca en este tramo:
La lucidez de esa crítica se destaca en este tramo:
Lo peor que le puede acontecer a un proceso incipiente de transformación es quedar paralizado entre Escila y Caribdis, esto es, entre dos demonios: o seducido por una perspectiva puramente liberal, que acepta las formas institucionales existentes como el único marco posible de accionar el público, o estimulado por una política de pura protesta, que se agota en su autorreferencia.
Sin embargo, independientemente de si es correcto pensar que es la razón populista (en el sentido en que Laclau analiza la categoría) el fundamento mismo de la política –y por tanto también del rompimiento con esas dos racionalidades, esos dos demonios, que, al fin y al cabo, presuponen o el fin de la política como tal (esto es, de aquella que pregona una reconciliación total de la sociedad entera) o a su reducción tout court (o sea, la mera administración pública)–, es urgente, al menos para la izquierda, el enfrentamiento del problema de la organización. E irremediablemente comprenderemos: no habrá unidad, solamente articulación.
El enemigo ausente y el puercoespín
El primer paso
para enfrentar este problema, y en un sentido general la propia lucha política,
es entender las necesidades del corte antagónico; necesitamos saber nombrar al
enemigo. Hemos en Brasil, por las razones descritas arriba, y que
irremediablemente traspasa los límites (deseados) del Lulopetismo, fallado en
eso. Los gobiernos del PT, por temor a los costos políticos-electorales de
determinados y determinantes enfrentamientos, no hicieron el nombramiento del
enemigo.
Pero cuando una
sociedad es confrontada por una anomia radical, la necesidad de algún tipo de
ordenamiento, de cualquier tipo, se torna más importante. El orden del
Leviatán, en el clásico de Tomas Hobbes, es el ejemplo extremo y seminal, pero
puede explicar también, en cierta medida, por qué ciertos grupos sociales
prefieren (y convocan, como se vio en algunas manifestaciones brasileras en los
últimos tiempos) el autoritarismo y el control extremo.
Esa falta de
nominación se vuelve fundamental porque si el enemigo para el cual fuimos
convocados a luchar se vuelve, por conveniencia electoral de una elite
partidaria, el amigo “táctico”, pero luego, porque traicionó a esa elite que lo
alineó, vuelve a ser apuntado como nuestro antagónico (los “golpistas”),
obviamente el juego del toma y daca es percibido y las desconfianzas se
exacerban, los actores políticos combativos se atrincheran en sus diferencias,
sin disposición a nuevas propuestas de unidad.
Es ahí que el
actual dilema de la organización de izquierda en Brasil se asemeja a los
puercoespines de Schopenhauer a quien Freud, y después también Laclau, hacen
referencia: si estuvieran muy distantes unos de otros, sienten frío; si se
aproximan de más para calentarse, se acaban perjudicando con sus espinas. Y de
ahí también el sentido de parodiar, nuevamente, la célebre frase de James
Carville que se volvió “snowclone” (una frase que se hace cliché en que uno o
más elementos pueden ser sustituidos, y es popularmente repetida hasta el
cansancio con múltiples usos).
El estratega de
campaña de Bill Clinton a la Casa Blanca en 1992 sabía que George Bush (padre)
era virtualmente imbatible en la elección de aquél año, principalmente por
cuenta de una política exterior considerada exitosa. Carville sugirió enfocar
las preguntas más directamente relacionadas con la vida cotidiana y las
necesidades más inmediatas de la ciudadanía, y colocó carteles en las sedes de
campaña con tres frases: “Cambios versus Más de lo mismo”; “No se olvide de la
salud”; “La economía, estúpido”. Lo que se suponía que era sólo un recordatorio
para los equipos de trabajo de campaña se volvió un slogan nacional no oficial,
y contribuyó definitivamente para cambiar la correlación de fuerzas en las
elecciones, y permitir la victoria, improbable, de Clinton. En nuestro caso:
¡no es la unidad, es la articulación, estúpido!
Hegemonía de nuevo tipo
Si tomáramos como
hecho que la izquierda, de forma global, todavía no tiene un discurso que la
pueda volver una alternativa institucional al capitalismo neoliberal, dado que
en la práctica, como se ha visto en la experiencia brasilera reciente, esta
supuesta izquierda para asumir el
gobierno está dispuesto a aliarse con quienes otrora eran los enemigos (siempre
en nombre de la “realidad” de la política de “verdad”) es prácticamente
imposible concebir un común positivo compartido: el enemigo no está dado.
Por su
constitución biológica los puercoespines no pueden evitar sus espinas, y
herirse unos a otros, por más que deseen aproximarse con el objetivo de
calentarse, por mayor que sea el frío que les aflige. Para alcanzar ese
objetivo, vital, su cooperación deberá ser por articulación, y no por
unificación.
Siguiendo a Rosa
Luxemburgo, la unidad de la clase obrera (la que esta autora consideraba el
sujeto histórico privilegiado) no está determinada a priori por la primacía de
lo económico, sino por los efectos acumulados de la división internacional de
la movilización social – todas las variedades de luchas son vistas como
vinculadas entre sí no porque sus objetivos concretos estén intrínsecamente
ligados, sino porque esas variedades equivalen en su confrontación con el
régimen opresor.
La “unidad” de esa
variedad se establece, por tanto, no por algo positivo que ellas compartan,
sino por la identificación con lo negativo, por la articulación de sus
diferencias en una cadena de equivalencias en oposición a un enemigo común.
Es preciso,
entonces, tener como base de nuestra nueva organización una reconfiguración de
la noción de hegemonía. En el caso del PT, en particular, esto para por la
asunción real de que no existe la menor posibilidad de que el “partido de Lula”
(expresión a la que tristemente se redujo la sigla, en lugar de la poderosa
articulación de masas de la que formaba parte en los años ‘80 y ‘90) se
reconfigure como partido hegemónico de las izquierdas brasileras. La ausencia
de un partido hegemónico (en el sentido clásico), por otra parte, tal vez no
sea la principal barrera que debemos superar, como se limita a analizar Tarso
Genro, uno de los más importantes cuadros del PT, ex gobernador de Rio Grande
del Sur, el estado más al Sur de Brasil, y ex ministro de Estado, y que se ha
comprometido con aparente seriedad en una reflexión autocrítica que vale su
nombre.
Tarso también ha
hablado, siguiendo el análisis de Roberto Amaral, histórico político brasilero,
en un “frente político de nuevo tipo”. Son comentarios que demuestren
reconocimiento de que la sigla, aunque siga teniendo una gran base social
orgánica anclada en los movimientos sociales tradicionales que nunca se apartan
de la esfera del Partido de los Trabajadores (CUT y MST), redujo definitivamente
su capacidad de movilización. Pero al sugerir este frente de nuevo tipo, no se
arriesgan más allá de lo normal-conocido, o no son capaces de pensar la
transición de las izquierdas más allá de la creación de un nuevo partido
hegemón –o lo que es peor, proyectan el viejo PT recauchutado, con una
identidad “rescatada”, lo que sería una apuesta infeliz e inocua.
Podríamos, así,
comprender lo que sugiere el filósofo político Rodrigo Nunes por composición
“multitudinaria”, esto es, no sólo una diversidad de tácticas entre grupos
organizados, sino una presencia masiva de gente que no se define necesariamente
como “activista” o “de izquierda”. En el caso de la política de las calles,
hablando metafórica y literalmente, la defensa de una identidad supuestamente
estable y estática es un equívoco; nuestro hacer político debe precisamente
construir articulaciones que puedan colocarnos en equivalencias, sin eliminar o
anular diferencias, en relación a un antagónico. Para eso, como afirma Nunes,
“Tenemos que estar abiertos a ser como cualquiera, justamente para que
cualquiera pueda ser como nosotros”.
La paradoja es que
esto no invalida la idea de una hegemonía, sino nos insta a entenderla de esa
otra manera. Cuanto más extendida sea nuestra cadena de equivalencias, menos
será la capacidad de que cada lucha concreta se encierre en sí misma, en una
identidad diferencial que sea exclusiva de ella.
La operación, en
que una particularidad asume una universalidad cuya plenitud es necesariamente
imposible, siempre incompleta, es lo que se entiende aquí por hegemonía – la
totalidad por la cual debemos luchar para constituirnos como un “bloque
histórico” es un horizonte, no un fundamento. Nuestras equivalencias se darán a
partir de nuestras diferencias, y no a la inversa, y para eso necesitamos
nombrar al enemigo, sin afecciones, sin histerias, y sin conveniencias
electorales pseudo-justificadas.
Aquí Ernesto
Laclau nos arroja luz nuevamente: “Un grupo es considerado hegemónico cuando no
se cierra en una estrecha perspectiva corporativista, pero se presenta para la
más amplia masa de población como el director de objetivos más extensos, como
la emancipación o la restauración del orden social”.
El propio autor
problematiza la noción de “objetivos más extensos” y “más amplia masa”. La
lucha hegemónica por la cual nos debemos engranar no es simplemente un acuerdo
negociado o la imposición de un principio organizador preexistente, y sin algo
que emerja de la propia interacción política entre los grupos. Generar una
posición capaz de conseguir un máximo de adhesión en un momento dado es,
entonces, el desafío, que permite la acción transformadora. Y esa
transformación socio-estructural, de la cual depende el pensar y el construir
nuestra nueva organización, nunca es producida por un único actor pero es
resultante de una serie de articulaciones, que a veces se combinan de modo
inesperado.
Nuestra nueva
organización política, por lo tanto, no se debe pensar en la vanguardia en su
sentido leninista clásico, comenzando, por razones obvias, por el PT. La
retaguardia, como afirma el ex secretario de Ciudadanía Cultural del Ministerio
de Cultura, Celso Turino, parece ser un mejor lugar, en cuanto soporte a los
movimientos sociales de hoy, sin buscar cooptarlos o controlarlos. Esa es una llave
para abrirse a una lógica de partido-movimiento, en una pluralidad de estilo de
un Frente en cuyo borde ya se prevé su desborde, un operar firme entre las
dimensiones de la autonomía y de la hegemonía; un navegar preciso, y no
temeroso, entre Escila y Caribdis en una travesía que no se termina, pero se
renueva.
Thursday, 15 September 2016
Thursday, 8 September 2016
Au Brésil, le Parti des travailleurs doit-il disparaître ?
Outro registro da circulação colaborativa de
publicações, desta vez no altereco+plus de artigo originalmente publicado, em
abril de 2016, na Asuntos del Sur.
Primeira vez que me vejo traduzido em francês :)
ALEKSANDER AGUILAR
- 22/04/2016
La procédure de
destitution de la présidente brésilienne Dilma Rousseff, qui s’apparente à un
coup d’Etat, sera menée jusqu’au bout par la coalition qui l’a lancée. Cette
coalition mêle des milieux d’affaires, des parlementaires, des médias et des
magistrats. Si la procédure aboutit, elle engendrera des conséquences graves et
durables pour l’Etat de droit démocratique du Brésil et pour toute l’Amérique du Sud. Pourtant,
face à cette crise politique profonde, certains espèrent encore «sauver »
l'identité du Parti des travailleurs (PT). Les identités politiques, cependant,
ne sont ni fixes, ni stables pour pouvoir être ainsi simplement « sauvées ».
Un front contre la
dictature
Le Parti des travailleurs, qui selon l’expression de
Luis Inacio Lula da Silva, son principal représentant se flatte d’être « la plus grande et la plus aboutie des
organisations de gauche latino-américaines » est né en février 1980 et a longtemps
fonctionné comme un vaste front au sein duquel ont cohabité des groupes de
différentes origines et orientations idéologiques, toujours assimilés au champ
politique présumé de la gauche. Un champ qui s’est constitué durant les dernières
années de la dictature et contre celle-ci.
Mais aujourd’hui, après 36 ans d’existence et quatre
victoires successives lors des élections présidentielles, le Parti des
travailleurs n’existe que parce Luis Inacio Lula da Silva lui-même existe. Des
récents sondages sur les intentions de vote désignent Lula comme le favori pour l’élection présidentielle de2018, confirmant que le parti dépend d’abord de son nom. Cette situation ne
découle pas simplement des circonstances, mais résulte de la volonté délibérée
du parti et de ses choix.
Durant toutes ses années à la tête du pouvoir fédéral,
le PT s’est tellement consacré à bâtir sa fameuse « gouvernance », sans rénover
dans le même temps ses cadres et ses dirigeants, que tout son héritage en
matière de projet national s’est dilué. En cause, le manque patent
d’autocritique qui a marqué son exercice du pouvoir. Cette erreur risque aujourd’hui de provoquer sa
disparition.
Concessions
éthiques
Dans un exposé sinueux, André Singer, politologue,
journaliste, et porte-parole de la présidence durant le premier gouvernement de
Lula, confirme cette analyse quand il écrit que le lulisme est dans le coma,
mais qu’il n’est pas encore mort. Le PT semble en effet chercher une issue à
son affaiblissement chronique dans un nouveau recours à Lula, mais en retombant
dans la même erreur méthodologique que celle de ses seize années de
gouvernement. C’est-à-dire en évitant de mettre en oeuvre des réformes
structurelles et en continuant à faire des concessions, y compris (et même
surtout) éthiques.
Ces concessions, il les a faites dans le passé à
l'industrie agro-alimentaire et aux géants internationaux du bâtiment qui ont
diffusé la « culture de la corruption » et qui ont assuré la croissance
économique du pays à un coût social terrible. Il les a faites également aux
partis politiques néo-pentecôtistes, présents au Parlement, qui ont fait
reculer les droits humains et sociaux.
Le PT s’est également montré très accommodant avec les
grands groupes médiatiques (ceux-là mêmes qu’ils critiquent aujourd’hui à cause
des accusations portées contre lui). Des groupes auxquels il a concédé des
budgets publicitaires considérables pour esquiver le débat sur la nécessaire
démocratisation des moyens d’information. Enfin, plus récemment, le PT n’a pas
hésité à proposer sans vergogne de plus en plus de postes gouvernementaux à la
droite nouvelle et traditionnelle (son alliée depuis le premier gouvernement
Lula, en réalité) en échange de votes contre la procédure de destitution de
Dilma Rousseff.
Changement lent
André Singer reconnaît que Lula et le PT n'ont jamais
été préoccupés par la transformation des règles du jeu politique, mais qu’ils
ont cherché à tout prix à devenir un acteur pertinent dans ce paysage. A ses
yeux, l’idée que des réformes structurelles auraient pu être réalisées dans le
pays pendant le boom des matières premières qui a assuré le succès des
gouvernements Lula est une idée «abstraite » car le modèle défendu par le leader du PT a toujours prôné uneméthode de changement très lent, par la marge.
De manière délibérée, les gouvernements du PT n’ont
pas voulu créer les conditions matérielles qui permettent de forger un projet
national. Ils se sont transformés, aux côtés des élites traditionnelles, en otages
de leur propre succès. Le PT a bâti une présumée intégration sociale fondée en
réalité sur la consommation, et non pas sur une véritable citoyenneté,
convaincu que tout irai bien tant que les pauvres seraient de moins en moins
pauvres, mêmes si les riches devenaient de plus en plus riches.
Au lieu de
modifier l'équilibre du pouvoir au Brésil, qui penche à l’évidence du côté des
élites lesquelles maintiennent les inégalités et l'injustice sociale en
repoussant les réformes indispensables (propriété de la terre, loi électorale,
démocratisation des médias…), le parti a préféré continuer à jouer à « Games of
Thrones », un jeu dans lequel soit on vainc, soit l’on meurt.
Le Lulisme et PT
sont donc en train de mourir aujourd’hui. Le parti, en vertu de la fameuse «
habileté » politique de Lula, a préféré payer un prix absurde pour conserver
ses honteux alliés au nom d'une prétendue realpolitik, plutôt que de gouverner
avec le peuple, comme l’affirme LuizaErundina, députés fédérale et figurereconnue sur la gauche dit Brésil, c’est-à-dire en formant une alliance,
efficace avec la société civile.
L’aspect le plus
pathétique de ce choix est que ses « alliés » de près de 20 ans contre lesquels
il avait pourtant été mis en garde, y compris depuis l’intérieur du PT lui-même
montrent aujourd’hui, à travers la procédure de destitution, qu’ils n’ont
jamais vu dans le parti qu’un allié tactique qui leur a permis de garantir et
de maximiser leurs profits pendant la décennie de boom des matières premières.
Mais précisément
le capitalisme ne peut offrir une croissance économique stable, solide et
durable. La combinaison de la chute de l'économie mondiale et des lourdes
carences de la politique industrielle brésilienne ont mis un terme au cycle
néo-libéral de l’insertion internationale du pays. En n’étant plus utile aux
intérêts des élites et en ne bénéficiant plus par ailleurs de sa popularité
passée, le PT est devenu un outil obsolète, comme le montre la procédure de
destitution, aux allures de coup d’Etat, par laquelle les élites
traditionnelles cherchent à contourner l’Etat de droit.
C’est la leçon que
le PT doit encore apprendre : un parti politique ne constitue pas une fin en
soi. Et ces outils que sont les partis politiques s’usent, et du coup peuvent
ou même doivent disparaître.
Au centre-droit
En l'état, avec
son évidente orientation de centre-droit, le PT ne sert plus à personne aujourd’hui. Au vu de l’enfer que le
gouvernement vit en ce moment, le parti sait (ou devrait savoir) qu’il
n’obtiendra pas d’appui à droite. Et alors que le second gouvernement Dilma
Rousseff a clairement mis en œuvre une politique économique néolibérale, le
parti utilise maintenant la rhétorique du coup d’Etat mené contre lui pour
solliciter l'appui d'une "base" de gauche. Comme on l'a fait remarquer de manière critique Frei Beto, le PT ne
se souvient des mouvements sociaux que lorsqu’il doit éteindre un incendie…
Avec le même
réalisme dont il s’est tant glorifié ces dernières années, le gouvernement
devrait comprendre que c’est sur la gauche qu’il pourrait compter aujourd’hui
pour peu qu’il envoie des signaux montrant qu’il est prêt à mettre en œuvre un
programme progressiste, et même radical. Ce qui est en jeu au Brésil, ce n’est
pas le gouvernement du PT, ni son héritage. Les manifestations des 18 et 31
mars ont montré que les forces politiques de gauche, et pas seulement les
forces partisanes, sont prêtes à défendre le pays, à défaut de défendre le
gouvernement.
Ces défilés "
contre le coup d'Etat " ne sont pas historiques parce qu'elles étaient
favorables au PT, mais parce qu’ils ont regroupé les gauches brésiliennes
autour du slogan « A bas le réseau Globo » (NDLR : le plus grand groupe
brésilien de médias) ce qui ne s’était pas vu depuis trente ans, renforçant
ainsi leur revendication d’une démocratisation des médias de masse. Ce message
doit être respecté et compris.
Il reste peut-être
un dernier espace politique pour une réorganisation du PT en lien avec les
mouvements sociaux pour peu qu’il s’engage à réaliser au minimum le programme
qu’il avait mis en avant durant la campagne de l’élection présidentielle de
2014.
Dans le cas
contraire, le PT aura atteint ses limites. Par cohérence et par un sens minimal
de ses responsabilités, il devrait disparaître, devenir une référence du passé
et laisser germer la nouveauté.
Aleksander Aguilar
est journaliste et linguiste. Il coordonne la plateforme OISTMO
Cet article est
publié avec l’accord de Asuntos del Sur
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