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Friday, 2 January 2015

entrevistas a TeleSur

Em 2014 eu tive a oportunidade de pela primeira vez, por conta da jornada acadêmica em que embarcamos, ser o entrevistado e não quem entrevista, comentando as eleições presidenciais brasileiras.
 E toda a minha falta de experiência na inversão de papéis se manifesta nos links abaixo, que deixo aqui em registro, de todo modo, neste meu arquivo pessoal online, para que não os perca na rede e me acrescente ao aprendizado.
Foram dois comentários ao vivo para o canal TeleSur, da Venezuela, meio de comunicação latino-americano e latino-americanista cujo trabalho respeito, e assim foi um realmente um privilégio a oportunidade.

1- entrevista ao final do 1 turno: http://multimedia.telesurtv.net/web/telesur/#!es/video/disputa-cerrada-para-segunda-vuelta-electoral-en-brasil-analista

2- entrevista logo do 2 turno, com vitória da Dilma: http://multimedia.telesurtv.net/web/telesur/#!es/video/reeleccion-de-rousseff-respaldo-de-brasilenos-a-lulismo-analista


Monday, 27 October 2014

Esqueça as eleições, agora faça politica!

Texto publicado no portal O SOPAPO

Dilma se reelegeu nas eleições presidenciais brasileiras 2014 e isso representa um alivio, embora muitos, legitimamente, não concordem com o adjetivo. O voto nulo tem fundamento e é respeitado, mas mesmo como posição tática ainda me é difícil pensar como sustenta-lo em termos de luta institucional. Mais fácil quando abdicamos totalmente da disputa nessa esfera em nome de outras onde, provavelmente aliás, as energias são canalizadas para fins políticos melhores. Mas hoje não foi esse o caso.

Na reeleição de Dilma e do PT e de suas alianças ainda prevalece a tese do mal menor, sabendo-se qual era a outra opção que tínhamos - um PT em vez de um PSDB ainda é boa notícia para o Brasil e talvez principalmente para a integração, e não apenas a comercial, da América Latina.

 No entanto, a sensação de alivio do “terror” tucano é um exagero quando, baixado o calor do processo eleitoral, confrontarmos concretamente nossos desafios e formos capazes de ver que política não é só festa. Por isso recém acabada a eleição, como primeiríssimo ponto de análise,  pra quem se preocupa em superar o maniqueísmo binário embrutecedor, já  é preciso reafirmar que os setores progressistas do Brasil não podem apenas celebrar a vitória de Dilma sem estabelecer uma reflexão-ação crítica sobre a conjuntura política do Brasil, sem exercitar imaginação emancipatória sobre os desafios sociais que o país possui e que, em larga medida, não são enfrentados pelo PT, e menos por suas alianças partidárias.

Essa eleição foi, em larga medida, uma disputa entre os legados de Lula (pacto social: neodesenvolmentismo que facilita algumas conquistas sociais mas sem a existência de um vigoroso movimento popular, ou dito de outra forma, crescimento com distribuição de renda, em que os ricos ficam mais ricos e os pobres, menos pobres) e de FHC (neoliberalismo pesado: monetarismo que sacrifica a redução da pobreza para garantir estabilidade ).

Não podemos apenas insistir em afirmar o suposto talento político de Lula, que incidiu no novo protagonismo brasileiro na cena internacional, no caráter bem-sucedido de seu capitalismo de Estado. E tampouco podemos negar conquistas desses governos lulistas, ou dizer que foram simples consequências naturais de decisões tomadas por governos anteriores, ou que a corrupção teria tido, apenas agora, um nível superior, portanto deslegitimador.

O lulismo definiu-se por promover, ao mesmo tempo, um tipo de Estado propulsor de processos de crescimento com ampliação de sistemas de proteção social, do aumento real do salário mínimo e incentivo ao consumo, (sim, o consumo! Sempre o consumo... ao invés da distribuição da riqueza para atacar radicalmente a desigualdade), e ser um  facilitador da reconstrução do empresariado nacional em seus desejos de globalização. Vê-se ai, como bem apontou certa vez Vladimir Safatle, que se consolidou a função do BNDES como grande financiador do capitalismo nacional.

Ainda assim, e por isso mesmo, a vitória de Dilma é uma consagração do lulismo e do partido de governo. 1ª manifestação do discurso de Dilma reeleita: saudar a Lula (“militante número 1 das causas do povo brasileiro”). O PT de Lula, porém, tornou-se o partido executor da versão atenuada de modelo econômico da direita, aliviando as dificuldades materiais sem mudar a ordem social desigual e injusta. Mas o que vem agora que é quando começa a política de verdade?

“Hacia adelante”

Confirmou-se que esta foi a mais disputada e polarizada eleição presidencial brasileira, talvez mais que o emblemático pleito de 1989, da redemocratização do país, quando o PT e o Lula eram outros.

A derrota de Aécio em MG, estado em que foi duas vezes governador, e a vitória forte de Dilma em todo os estados do NE são tópicos importantes das características desse pleito.

E vale a pena destacar a marcada degradação do PSB como um partido que, ao tentar deixar de ser uma linha auxiliar do PT, moveu-se parece que em definitivo para a direita.

Também tivemos um considerável número do “não-voto” (30% no 1º  turno e 28% no 2º turno) mas num quadro não muito diferente das eleições de 2010, embora esses números demonstrem, isso sim, que há pelo menos um alto grau de desconfiança por parte do eleitorado brasileiro em relação à classe política.

Mas fundamentalmente importa pensar que nesse modelo petista de Estado, o aumento da renda dos trabalhadores, a formalização do trabalho, com o desemprego mantido em patamares historicamente baixos, e os programas sociais a partir de instrumentos econômicos tradicionais provocaram a badalada redução da pobreza nos últimos anos, mas há uma desaceleração do crescimento que gera dilemas.

Nesse modelo a ordem é crescer como se não houvesse amanhã (literalmente, porque ignora os limites ambientais do país) e produzir, ao invés de cidadãos, consumidores, entre os desafios neste campo está o de aumentar a participação indústria no PIB, que vai baixando nos últimos dez anos (19% 2004 e 13% 2013). E para o PT manter uma meta da inflação de 4.5%, que o tucanato já considera alto, será difícil não reajustar preços administrados, como combustíveis e energia. É possível que ajustes fiscais tenham impacto sobre o “sagrado” emprego. Dilma vai precisar implantar medidas estruturais na infraestrutura produtiva brasileira.

A retórica de que o Brasil saiu desta eleição mais dividido é contestada, mas as dificuldades de conciliação entre polarizados projetos de elites é real. Dilma fez o conhecido discurso de conciliação na comemoração da vitória. A margem de manobra para composição do governo, contudo, será pequena, e enfrentará grande oposição. A própria a proposta de plebiscito para uma reforma política, que Dilma apontou como “a primeira e mais importante” já foi apresentada pelo governo e o congresso recusou.  Um dos grandes paradoxos do PT, por conta das opções políticas que fez ao longo das suas gestões e em nome da governabilidade, é que hoje ele tem menos condições de promover grandes reformas.

 E por isso deveria ser preocupante especialmente para o PT o esgotamento desse tipo de crescimento brasileiro. Porque nesse contexto, em que vai depender ainda mais das alianças mais reacionárias que já lhe são caras, como latifúndio, agrobusiness, empreiteiras, bancada neopentecostal, pode haver um ataque especulativo contra o país, jogado nos braços do “mercado financeiro” e diminuindo, no curto prazo, os espaços para demandas sociais urgentes. Vai ficar para as ruas conquistarem a agenda social restante.

Não há indicio de que nenhuma das pautas sociais sairá de iniciativas do Planalto e sim das bases sociais que estão para além da tal da governabilidade. O Partido dos Trabalhadores em 12 anos de governo sequer tentou mudar os marcos institucionais e constitucionais dos governos neoliberais que o antecederam – a exemplo do que fizeram outras nações latino-americanas com governos progressistas. Diz ter feito o que podia nas condições que encontrou, nas regras do jogo, mas fez quase nada para transformar essas regras. E por isso mesmo seu espaço de manobra se reduziu a medida que aumentou sua adaptação à ordem que supostamente quereria alterar.

No movimento popular brasileiro, por sua vez, há uma crise de projeto, pois não aderem plenamente ao lulismo e tampouco parecem querer rompem com o mesmo governo. Mas é cada vez mais evidente, também, que a construção dessa outra ordem, elaborada enquanto se a faz, dependerá ainda mais das conquistas ruas, com ou sem o apoio da esquerda oficial.

Para reais lutadores sociais a pauta emancipatória é conhecida: saúde e a educação públicas como prioridade, ampla reforma política descriminalização das drogas e do aborto, defesa dos direitos LGBT, promoção de igualdade e autonomia das mulheres, ampliação do direito à moradia e à cidade, reforma agrária, democratização da comunicação, demarcação das terras indígenas e ampliação do controle social e da participação popular nas decisões políticas. É assim que se muda mais, é assim que se veste vermelho.

 

Tuesday, 21 October 2014

Desse vermelho


 Não me diga que conheces esta cor.

 Se queres vista-a, calce-a, enrola-te em bandeira,

 faça fotos, poses e publique-as na rede com essa cor que pretendes,

 cobre-te o calvo pelas conveniências que te esgueiras.

 Mas não te atrevas a dizer que a conheces.

 Porque é sangue, poeira da terra, queimadura do sol, queimadura de gelo, vergonha, digna raiva.

 É tudo o que ouvistes contar, e não entendes.

É triste hoje te ver pela rua

 com essa estrela que em ti não brilha, decora; essa cor que em ti é fantasia, revolta.

 Fiques certo: essa cor que vestes, assim, é quase escárnio.

 Essa cor que vestes não é tua.

 

Primeira coisa: “Voto na Dilma é veto contra o Aécio”, parafraseando o deputado federal Marcelo Freixo (Psol). Um mote que deve ser levado muito a sério na atual conjuntura, mas sem descuidar da reflexão cuidadosa que se exige sobre esta eleição 2014 no Brasil – a mais disputada e interessante dos últimos anos, de forma a amenizar os perigos do maniqueísmo construído na narrativa desse pleito e a falta de juízo crítico diante das estripulias, digamos assim, do Partido dos Trabalhadores (PT).

“Tá serto”, PT. Votaremos em vocês outra vez, mas entenda este voto-veto como um marco, definitivo, porque também é preciso humildade para o reconhecimento e autocrítica para a ação. A esquerda do país, mesmo a de discernimento e principalmente a deslumbrada, fisiológica ou acrítica, considera que o senador Aécio Neves (PSDB) na condução do Estado hoje representaria um dos maiores retrocessos da história da república brasileira, e por isso, pese a existência e o fundamento da campanha pelo voto nulo, há uma aliança tácita entre alguns, e barulhenta entre muitos, para apoiar mais um mandato petista, em que se cria uma atmosfera de terror maniqueísta, supostamente justificada, novamente, pela urgência eleitoral, que tergiversa nossa conjuntura. No entanto, a realidade deve ser, inadiavelmente, pontuada de forma assertiva e clara.

Felizmente entre os críticos esse apoio não se dá sem polêmicas ou desconfianças, algo que se entende observando três grandes traços do pleito e da dinâmica política do país que se arrasta há anos sobre os quais podemos apontar:

1-     O crescimento da direita e da bancada ruralista no congresso nacional no primeiro turno – a chamada Frente Parlamentar da Agroindústria, como aponta o professor Nildo Ourique, da UFSC, tem hoje 257 deputados e senadores, metade do parlamento, e está comprometida com as estruturas atrasadas da propriedade da terra e do latifúndio. Um quadro conservador que fez relevo e expressa os extraordinários benefícios que esse setor obteve nos governos petistas, notoriamente amarrado a suas contradições. Ao ponto de uma das principais lideranças desse grupo, a senadora Katia Abreu (PMDB), figura notória da direita do país, ter declarado apoio a Dilma, além, claro, do apoio de outros personagens esdrúxulos da política brasileira, como Fernando Collor, ex-presidente por impeachment, que nunca deveria ter saído do ostracismo, mas que o PT acolhe sob a empáfia retórica do aclamado pragmatismo político.

2-     O discurso entre o bem e o mal – o maniqueísmo com que foi construída a narrativa do processo eleitoral, supostamente representado, respectivamente, pelo PT e pelo PSDB, que ignora, convenientemente, as bizarras contradições políticas, principalmente petistas, e a difusão ideológica que caracteriza os partidos políticos brasileiros atualmente, encarcerados, com gosto ou não, pela pressão da governabilidade. Essa é uma reflexão fundamental para evitar o voto acrítico em Dilma, impulsionado pela retórica dos militantes, ou dependentes, do partido que propositalmente deixam de lembrar que o atual modelo não consegue fugir da equação que associa qualidade de vida e crescimento econômico segundo a lógica do capital.

3-     Os atuais desafios do PT e da esquerda – ganhando ou perdendo estas eleições, o PT terá que se reavaliar. Durante vários anos os governos do PT tiveram índices elevados de popularidade, e houve acomodação do partido. Depois das “jornadas de junho de 2013”, o quadro se alterou, deixando várias perguntas em aberto e tensão no debate eleitoral. Se ganhar, o partido será pressionado a não mais se contentar com sua ortodoxia econômica com alguma preocupação social, e deverá avaliar seus compromissos com a classe trabalhadora, deverá se esforçar mais para sair do modelo de capitalismo de mercado. Se perder, haverá uma interessante e pesada avaliação do seu papel, e erros, na experiência democrática brasileira com importante repercussões na reorganização das forças políticas de esquerda do país.

OS PROJETOS EM DISPUTA - Mesmo considerando essas generalizações, pode-se ainda afirmar que há, guardadas suas grandes e inegáveis semelhanças, dois projetos brasileiros em disputa: um social-desenvolvementista, baseado em alguma preocupação com inclusão social e distribuição de renda; e outro neoliberal, baseado em ajuste fiscal, redução do papel do Estado e radicalização do tripé macroeconômico liberal (meta de inflação, superávit fiscal e câmbio flutuante).

O primeiro projeto é incompatível em larga medida com o modelo macroeconômico exercido pelo PT, que é, essencialmente, o mesmo desde o governo Fernando Henrique Cardoso. De modo que o PT, aferrado a sua tese de gradualismo, usa, em uma forma especifica, o mesmo slogan de governos autoritários do passado do Brasil de “ transformação lenta e gradual”, agora, porém, em lugar do objetivo de democratizar as instituições nacionais sem afetar a ordem nem apontar culpados, busca avançar em políticas públicas que favoreçam os mais pobres, mas mantendo e ampliando o poder do capital.

O Partido dos Trabalhadores em 12 anos de governo sequer tentou mudar os marcos institucionais e constitucionais dos governos neoliberais que o antecederam – a exemplo do que fizeram outras nações latino-americanas com governos progressistas – e se contentou em fazer o que chama de “governo do possível”. Mesmo com a retórica progressista, o PT nunca prescindiu do capital transnacional que lhe dá suporte e acesso a mercados, e em troca o Estado facilita créditos e recursos a grandes empresas em detrimento de investimento social, algo que Frei Betto chamou de “processo exportador-extorsivo”. Esses recursos são de ordem energética, agrária e financeira e caracteriza a contradição desse modelo neodesenvolvementista que, ao fim e ao cabo, anula as diferenças estruturais entre esquerda e direita, fazendo com que o chamado processo pós-neoliberal, em tese em curso, aceite a hegemonia capitalista.

Mas o segundo projeto, representado por Neves, é ainda pior, porque a economia funcionará atendendo ainda mais os interesses do capitalismo financeiro, diminuindo, por exemplo, o papel dos bancos públicos no funcionamento da infraestrutura social em favor de bancos privados. O condicionamento fiscal que se dará para atender promessas de redução da meta de inflação restringirá o gasto público em políticas sociais, gerando desemprego e recessão, aumentando as desigualdades. E as desigualdades são o centro nevrálgico dos problemas de um Brasil que não precisa focar em fazer mais riquezas, senão distribuir a existente, radicalmente.

CAMINHOS DA JUSTIÇA SOCIAL – Para realmente mover-se em direção a um futuro focado na libertação dos nossos povos e na conquista de uma sociedade pós-capitalista verdadeiramente emancipada, dois pressupostos básicos sãos necessários: separar crescimento de igualdade e reinventar a democracia.

O primeiro exige superar o estruturalismo econômico, ir além dos instrumentos econômicos tradicionais que, por vezes, quando combinados com vontade política, permitem redução de assimetrias.  A luta por igualdade não pode depender de crescimento econômico, porque crescer hoje significa aumentar também o uso de energias poluidoras, como petróleo e carvão, que está concretamente extinguindo o planeta. O crescimento não é infinito porque os recursos e o planeta são finitos. O crescimento, sem ser pensando criticamente, produz e reproduz pobreza. De forma que a transição social é inseparável da transição ecológica.

As desigualdades aumentaram em todo o mundo nos últimos 30 anos com a hegemonia neoliberal, e esse tipo de capitalismo destruiu a capacidade humana de viver como iguais, e força-nos a viver como consumidores. O neoliberalismo destrói nossas liberdades e nos deixa refém de um sistema financeiro que capta a renda produzido pelo trabalho. Igualdade já não pode ser entendida apenas como uma questão de distribuição de riquezas, mas como uma filosofia de ação social, como afirma o intelectual francês Pierre Rosanvallon.

O segundo pensa a democracia, como regime, que tem progredido em todo o mundo, mas degradando-se como forma de vida em sociedade. Ou seja, cresce o sufrágio universal e a liberdade liberal, mas se retrai a ideia de bem-viver comum. A democracia liberal foi capturada pelo poder econômico e distanciou-se da cidadania. A democracia está descolada das aspirações da sociedade e, no caso do Brasil, o sistema eleitoral vigente impõem um presidencialismo de coalizão que gera alianças de interesses fisiológicos, e degradação ideológica, portanto descolada de real emancipação social, em nome da governabilidade.

A reforma política, assim, é um tema essencial desta eleição brasileira porque nos dá uma chance, mesmo que institucional, de “democratizar a democracia”, que deveria passar não apenas por tópicos eleitorais, mas por aumento da participação cidadã na gestão pública, garantia do acesso público à informação, extinção do Senado, reavaliação do sentido de representação e discussão da relação justiça versus controle democrático.

UM CRITÉRIO CLARO –  Entre o jogo das semelhanças/diferenças, o projeto de política externa é o que deixa mais claro marcações entre Dilma Roussef e Aécio Neves. Enquanto a maioria dos analistas internacionais sérios defendem a continuidade da integração latino-americana que o Brasil promoveu na última década, o programa de Aécio fala em “flexibilizar o Mercosul”, ou seja, atacar uma das mais importantes iniciativas de integração na América do Sul, e que não se limita ao comércio.

O PSDB, defendendo a velha lógica da integração apenas pela via comercial, quer se alinhar com a Aliança do Pacífico, de países com governos atualmente de orientação conservadora, e regressar ao alinhamento assujeitado às potências tradicionais como Estados Unidos, Japão e União Europeia, que não deixa margem para o questionamento da arquitetura internacional, que deve fortalecer os relacionamentos Sul-Sul. O Brasil precisa aprofundar o seu compromisso político e econômico com a região e sua presença no Sul Global e não ignorar as relações Norte-Sul, relacionar-se com esses países como igual.

Já o PT pretende avançar na projeção internacional “ativa e altiva”, como definiu certa vez o ministro Celso Amorim, e isso se expressa na promoção de uma identidade terceiro-mundista, mas com participação entre grandes atores emergentes, como o BRICS, a defesa do multipolarismo, a reforma do multilateralismo, a ênfase na Unasul e na Celac – opções contra as quais o PSDB e seus seguidores se manifesta reiteradamente.

AVANÇAR É SUPERAR - De modo que há hoje no Brasil, mais do que nunca, uma disputa entre elites, com a diferença que no PT, por conta do seu DNA , ainda há quem queira continuar expandindo salários reais, direitos sociais e bens públicos, enquanto que o PSDB considera que o “peso” democrático gera irracionalidades econômicas que acabam prejudicando o cidadão.
Um dos grandes traços problemáticos é que governo viável, segundo o que as lideranças petistas e seus seguidores não cansam de repetir e executar, só se dá quando assentado nessa ladainha monotemática que celebra o “pragmatismo”, e a “governabilidade”, relevando, propositalmente, sua indisposição para que o parâmetro da universalização da cidadania que, a melhor juízo, tentam promover, não fosse apenas o do cidadão-consumidor, que acaba introduzindo na sociedade valores de mercantilização de diversas dimensões da vida e da natureza e, em última análise, reforçando o conservadorismo. Concretamente é isso o que ocorre hoje, em lugar de projetar alternativas ao capitalismo, em largo prazo e, em curto prazo, ao menos combinar certas medidas inegavelmente assistencialistas em vigência – necessárias porque urgentes – com processos de formação e organização políticas que evitassem a acusação de má-fé com a criação de redutos eleitorais que reforçam esse ciclo vicioso.

Na lógica histórica da esquerda latino-americana nunca se materializou a ideia de superação etapista do capitalismo. Essa suposta realidade de hoje exige muito cuidado para impedir que os avanços, tímidos mas reais, sejam revertidos pela restauração conservadora e para que a desesperança não se imponha definitiva e irreversivelmente. O PT, como governo, tem mais uma oportunidade de fazer valer o seu vermelho, mas o desafio também abrange outros partidos e movimentos sociais, no jogo da pressão, e comprometidos com a ampliação da nossa imaginação emancipatória.

Wednesday, 27 August 2014

Novo artigo em novo livro! "Palante y masna"!

 
Na nota do blog O ISTMO: "Editado pelo costarriquenho Willy Soto, professor da Universidad Nacional de Costa Rica, o livro é uma rica contribuição de professores e pesquisadores latino-americanos, que aborda assuntos pertinentes às novas conformações da política e geopolítica latino-americana, bem como seus modelos de integração, aqui evidenciados a partir do Sistema de Integração Centro-americano (SICA), Aliança do Pacífico, Mercado Comum do Sul (Mercosul) e União de Nações Sul-americanas (Unasul). Dentro desses dois grandes temas, o livro traz artigos sobre segurança regional, migrações, comércio internacional e as relações internacionais da América Latina com a China e a Europa.
 À convite de Soto, que também é colunista no blog O ISTMO, vários brasileiros publicam neste livro. A contribuição vinda da Universidade Federal de Pernambuco é de Aleksander Aguilar, doutorando do Programa de Pós-graduação em Ciência Política, membro do Núcleo de Estudos Regionais e do Desenvolvimento (D&R) e do Grupo de Estudos Subalternos, Periféricos e Emergentes (GESPE), de onde coordena a rede de centro-americanistas O ISTMO.
A partir de suas pesquisas focadas na América Central, Aguilar participa da publicação com o artigo América Central entre dos Chinas: de la historia al pragmatismo”.

Disponível abaixo diretamente pra download :)
 

Tuesday, 15 July 2014

Ainda bem que tivemos "los ticos"





* Publicado também no blog O ISTMO  e no blog NOTA DE RODAPÉ


Ah, Costa Rica! O que teria sido de nós, brasileiros, nesta Copa sem ti. Pensar na tua história neste Mundial, especialmente depois do trauma do Brasil na semifinal “Mineiraço”, é um alento e uma inusitada forma de olhar a toda nuestra América. Exemplo, sim, que futebol mistura-se com política, que só aumentou o imprevisto, mas merecido, reconhecimento da tua seleção por parte desta “impávida” nação sul-americana – e por extensão do teu país, e por ampliação de toda a região da América Central.
 
Para mim, filho de salvadorenho, a Costa Rica era, sim, a América Central no Mundial! Admito que cada vez que eu ouvia a massa gritar em coro, meu orgulho centro-americano silenciosamente se manifestava: "¡oé-oé-oé-oé, ticos, ticoooos!". Eram os anfitriões, nas ruas durante as partidas costarriquenhas, entoando o nome, com tanta empolgação e carinho quanto com sotaque brasileiro, que para eles é o apelido da seleção costarriquenha – a equipe de um país da América Central! Mas não, não, compatriotas. Ticos é um gentilício coloquial para todo o povo da Costa Rica, algo que ocorre com vários países centro-americanos. Os hondurenhos são os Catrachos, os salvadorenhos são os Guanacos, os guatemaltecos são os Chapines, e cada um desses apelidos possui uma explicação sociohistórica.

 Quem no Brasil, além de um grupo muito específico como aqueles que estudamos esta região quase invisível do mapa-mundi, saberia disso ou se importaria? No Brasil, nação onde a paixão por futebol não é apenas um simples cliché, a seleção desse país centro-americano tornou-se um xodó nesta Copa, pelo incontestável brilhantismo do seu desempenho, deixando o campeonato de forma invicta após enfrentar, e vencer a maioria, grandes potências do esporte mais popular do planeta. Ao derrotar Uruguai e Itália, empatar com Inglaterra, eliminar a Grécia e levar a Holanda para a decisão nos pênaltis numa quarta-de-final, a imprensa mundial aborrecidamente insistiu que ninguém imaginava que a seleção deste pequeno e “exótico” país iria tão longe num campeonato de grandes potências esportivas. E para a maioria da mídia aqui no Brasil, o importante era justamente esse feito. E só. Ao ponto de para muitos a Costa Rica ser uma seleção “caribenha” (afinal, América Central e Caribe é tudo igual, tudo perto por ali no mapa...)

 Ocorre que o significado da participação da Costa Rica neste Mundial nunca fez tão evidente a oposição ao adágio popular de que política e futebol não se discutem. Na América Latina discutem-se, inclusive e de preferência, conjuntamente. Importa mesmo é constatar que importantes meios de comunicação no Brasil destacam de repente a história e os índices de desenvolvimento deste país da América Central. Surpresa mesmo, e satisfação, é ver os brasileiros pela primeira vez curiosos com fatos como a Costa Rica não ter exército (mais de 60 anos de sua extinção) mas ter um ganhador do Prêmio Nobel. O Brasil, via futebol, desenvolveu quase sem querer um sentimento de latino-americanidade, expresso neste caso precisamente pela invisibilizada região centro-americana, e demonstra ter mais interesse em saber quem são esses países do istmo.

 Muito futebol, muita política

 E por isso o atual futebol da Costa Rica fez-se uma dupla metáfora nessa fronteira futebol/política: enfeixa por um lado o paralelo das relações geopolíticas centro-periferia no mundo com o das disputas dos grandes atores globais do futebol no contexto – quadrado – dos meganegócios desse esporte na globalização hipercapitalista; e por outro o paralelo dos imbricados debates entre nacionalismos e identidade nacional com a questão da integração regional centro-americana e a projeção internacional dessa região.

 A Costa Rica é um país da América Central. E enquanto através desse momentum no esporte demarcou para si mesmo uma janela de visibilidade e presença nas cartografias geopolíticas desse mundo cada vez mais multipolar – em que a articulação entre países do chamado Sul Global torna-se uma via para um sistema internacional mais igualitário – trouxe a reboque para uma pequena, mas importante, vitrine toda a região deste istmo socialmente convulsionado. Aos poucos, os centro-americanos passaram a ver o país Tico, que deixava mais e mais potências esportivas boquiabertas, como um representante de todos, permitindo o mundo ver que nem só de terremotos e guerras civis vive uma região. Devagar, porque, claro, internamente na América Central há rivalidades, ranços, já que historicamente as relações no istmo viram-se em altos e baixos, com divisões por conflitos políticos e limítrofes.
Entende-se. Em nome de uma suposta identidade regional, um gaúcho colorado torceria para o Grêmio durante uma Libertadores, e vice-versa? Um pernambucano torcedor do Sport apoiaria o Náutico num campeonato brasileiro, e vice –versa? De sociologia do futebol deixa-se para os especialistas, mas não se pode negar a força desse esporte em todo o continente como fator de unidade. No caso da Costa Rica, o país verdadeiramente possui diferenças enquanto Estado democrático de direito bem marcadas de vizinhos como os do chamado grupo CA-4. El Salvador, Nicarágua, Guatemala e Honduras, o que coloca o próprio debate sobre centro-americanidade e integração regional do istmo como questão.

 A América Central hoje
Designada por uma espécie de destino geográfico, uma das especificidades da América Central no contexto latino-americano é justamente a de uma região de trânsito entre os dois oceanos, posição que marcou sua história sociopolítica no passado e lhe influencia no presente, dando-lhe peso geopolítico e características identitárias que a colocam em condições particulares para converter-se em um âmbito que merece análise especifico. Mesmo na América Latina, contudo, esse istmo é frequentemente abordado de forma marginal ou omissa, tangencial ou superficialmente, deixando-se de tratar, precisamente, seus singulares problemas e especificidade sociopolítica no continente. É a situação que levou o crítico literário guatelmateco Arturo Arias a caracterizá-la como “una región marginal dentro de la marginalidad”.

A chamada América Central, a que o poeta Pablo Neruda denominou “la dulce cintura de América” tem pouco mais de 500 mil km² (o Brasil sozinho tem mais de oito milhões de km²) abrigam sete Estados – (Belize, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua e Panamá) com uma população de quase 50 milhões de habitantes. Atualmente, cerca de 47% dos centro-americanos vivem em condição de pobreza e 18.6% em pobreza extrema. Mais de quatro milhões de centro-americanos e descendentes moram fora do istmo, especialmente nos Estados Unidos. Ditos emigrantes enviam anualmente cerca de US$ 13 bilhões aos seus familiares nos países de origem, o que no caso de El Salvador, por exemplo, chega representar 17% do total do PIB do país.
Ao longo da história centro-americana, e depois da declaração de independência em 1821, o tema da integração regional – primeiro em suas manifestações unionistas e mais tarde nos esquemas comerciais, econômicos, políticos e institucionais – tem sido uma constante. No entanto, nas últimas décadas, especialmente depois do estabelecimento do Sistema de la Integración Centroamericana (SICA), em 1991, o interesse pelo processo integracionista aumentou e tem chamado a atenção de um número crescente de setores sociopolíticos e econômicos no istmo. Hoje a violência e as migrações, conforme entende o acadêmico da Guatemala radicado na Costa Rica, Rafael Cueva Molina, são grandes e poderosos traços que caracterizam a região e que tem como uma de suas causas primordiais as guerras civis dos anos 1980, embora certamente não a única. As guerras civis centro-americanas conformam uma fase arrebatadora da história sociopolítica do istmo cujas consequências constituíram-se como o principal marco contemporâneo para os sentidos de centro-americanidade.

Essas diversidades de sentidos expressam-se nessa diferença da Costa Rica do seu entorno. Os ticos queixam-se das deficiências dos seus serviços sociais básicos, como saúde e educação, das má-condições das suas estradas, persistência da desigualdade e da pobreza e, mais recentemente, igualmente a outros países centro-americanos, da crescente força do narcotráfico internacional no seu território. Ainda assim, a Costa Rica é um país chamado de renda média, como o Brasil, e tem alguns melhores índices econômicos e sociais do istmo e de todo o continente, com uma expectativa de vida alta de 79,4 anos (a do Brasil é de 74,6) e uma média de homicídios baixa de 8,9 por 100.000 habitantes (a de Honduras é dez vezes maior). O país atrai pela sua estabilidade política, tendo recebido diversos exilados políticos das ditaduras anos 70 e 80, tanto da América do Sul como dos vizinhos da América Central que efervesciam em guerras. Foi classificado em 2011 como o de maior liberdade de imprensa da América Latina, ocupando a posição 19 em nível mundial, de acordo com o ranking da Organização Repórteres Sem Fronteiras, e impressiona até hoje aqueles que ainda desconhecem que aboliu o seu exército em 1948, em nome de uma proposta, fruto de anos de trabalho, de aumentar a participação cidadã e evitar golpes militares de estado.

 Contudo, a Costa Rica ainda não conseguiu articular respostas para alterar a tendência dos últimos anos de lentos e incertos progressos em desenvolvimento humano. Como lembra, entretanto, a acadêmica e analista política salvadorenha, Carmen Elena Villacorta, chama a atenção sobre o atual contexto político centro-americano que os partidos das chamadas esquerdas em vários países da região, como El Salvador, Nicarágua, Costa Rica, algumas antes guerrilhas e agora no poder pela via eleitoral, movam-se cada vez mais ao centro ao verem-se confrontadas por sociedades civis cada vez mais plurais e diversas, mais politizadas e exigentes, e menos leais em termos ideológicos, conscientes do poder político do voto.

No momento, por cima das limitações, sua seleção de futebol, “os filhos prediletos da nação”, como foram chamados no país, mantem ainda mais por cima a autoestima dos ticos, e de toda a América Central. Porém, acima ainda do futebol, a Costa Rica, e todo o istmo, veem-se hoje num lugar em que, como assevera o jornalista e acadêmico costarriquenho Andrés Mora Ramirez, nunca, desde a sua independência da Espanha, a região teve que enfrentar uma necessidade tão marcada de seguir por entre diferentes padrões de crescimento e de desenvolvimento para buscar sua inserção internacional.

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Aleksander Aguilar é jornalista, doutorando em Ciência Política e Relações Internacionais, candidato a escritor, e viajante à Ítaca, especial para o Nota de Rodapé

Sunday, 18 May 2014

O jogo que não termina em Honduras e a participação do Brasil


A colaboradora do Centro-américa em foco (nome provisório), acadêmica e articulista salvadorenha, Carmen Elena Villacorta, resenhou o livro “Honduras 2013: golpe de Estado, elecciones y tensiones del ordem político”, com edição e organização do sociólogo argentino Esteban de Gori, publicado em março deste ano (publicação disponível para download aqui).
São artigos de 16 centro-americanistas, de diferentes nacionalidades, e um dos capítulos é o texto com que tive o privilégio de participar da obra, sobre o “jogo” do Brasil com o país centro-americano. No conjunto o trabalho reúne diferentes visões, análises e inquietações com o presente e os rumos de Honduras pós-golpe de 2009 e de toda a América Central.  A resenha de Carmen Elena, que também participa do livro juntamente com o Esteban, ambos colaboradores do blog sobre aAmérica Central que editamos, faz um excelente apanhado de todos os artigos e resulta numa excelente contribuição ao debate.

A resenha completa pode ser lida aqui, e meu texto foi resenhado assim:

“El libro está compuesto por 16 ensayos breves y consta de 153 páginas. El primer artículo es del periodista brasileño-salvadoreño, Magíster en Estudios Internacionales y doctorando en Ciencia Política en la Universidad Federal de Pernambuco (Brasil), Aleksander Aguilar. Escrito y publicado en portugués, el texto ofrece una radiografía de la realidad hondureña, particularmente a raíz de la crisis iniciada por el golpe de Estado de junio de 2009, y expone la controversia respecto de la intervención brasileña en el conflicto. El autor presenta a Honduras como uno de los países más pobres y violentos de América Latina, cuya tasa de homicidios cuadriplica la cantidad de asesinatos contabilizados en Brasil, al ascender a 86 por cada 100 mil habitantes.

Según Aguilar, Honduras es, también, el país centroamericano con menos movilidad en las élites políticas y con mayor injerencia de las élites económicas en las instituciones del Estado. Tras explicar que fue el retorno clandestino del presidente hondureño depuesto, Manuel Zelaya a Honduras, en septiembre de 2009, el hecho que otorgó protagonismo a Brasil en la crisis del país centroamericano, Aguilar cuestiona a los críticos del apoyo ofrecido por el presidente Lula Da Silva a Zelaya. Dichos críticos aseguraron que Centroamérica no ha sido históricamente una región de interés ni de influencia brasileña, lo cual desvirtuaría la participación de Brasil en la crisis de 2009. A juicio de Aguilar, tal argumento se alinea con el espíritu de la Doctrina Monroe y de la Doctrina de Seguridad Nacional, las cuales asumen a Centroamérica como zona geoestratégica en función de los intereses de Estados Unidos. Por su parte, el empresariado hondureño mostró su insatisfacción ante la actitud de Brasil en Honduras, toda vez que no repercutió en millonarios negocios bilaterales. El autor se apoya en evidencia empírica para mostrar que la relación entre Brasil y Honduras no reviste importancia por razones económicas, sino políticas, y considera coherente con el interés brasileño de afianzar su liderazgo en América Latina hacerse partícipe en salvaguardar la democracia en la región.”

Sunday, 23 March 2014

Participo de e-book sobre Honduras post-golpe, y el libro está disponible en linea!

Participo con honor de esta publicación (y agradezco a la invitación del organizador, Esteban De Gori), con un artículo sobre el rol de Brasil en Honduras "no jogo que ainda não acabou" y hago mias las palabras de la colega Carmen Elena Villacorta Zuluaga:

 "Éste... libro es resultado del trabajo de un grupo de centroamericanistas de diferentes países y procedencias disciplinarias que, impulsadxs por el sociólogo argentino Esteban De Gori, procuramos iluminar diferentes aristas de la problemática de Honduras, desde el golpe de Estado de junio de 2009 hasta las últimas elecciones presidenciales de noviembre de 2013. La obra constituye un aporte a los estudios latinoamericanos, a la comprensión de la actualidad de América Latina y reviste significado especial de cara a la embestida desestabilizadora que las fuerzas de derecha impulsan actualmente en Venezuela, Argentina y El Salvador, procurando minar la legitimidad de sus gobiernos democráticamente electos."

Para descargalo, pulsa el enlace:
http://grupoamericacentral.wordpress.com/livro-honduras-2013/

Saturday, 1 February 2014

Eleições 2014 na América Central: o que está em jogo

- outro texto meu publicado no Nota de Rodapé, sobre as eleições deste 2 de fevereiro em El Salvador e na Costa Rica.

Também pode ser acessado aqui, no blog do Núcleo de Pesquisas D&R.

 


"Amanhã, 2 de fevereiro, é uma data de extrema relevância para a América Central. Dois países do pequeno istmo entre o Norte e Sul do continente, situado na periferia do sistema pese estar no centro geográfico e ter uma importância estratégica em política internacional, realizam suas eleições gerais: Costa Rica e El Salvador. Novo período de eleições livres e universais é sem dúvida um momento de celebração das liberdades civis para toda a região, dado o amplo retrospecto de crises e autoritarismo dos países que a compõem, mas também uma ocasião para a reflexão, que deve ser exercido com o voto de cada cidadão, sobre projetos políticos que efetivamente contribuam para fazer avançar Centroamérica em emancipações, autonomias e bem-viver.
De forma geral veem-se duas grandes linhas na atual conjuntura política centro-americana: o espaço para governos vistos como progressistas e a tendência a polarização partidária.
Estão em jogo nessas eleições concepções diferenciadas sobre relações estatais, mercado e sociedade, em que se confrontam projetos, insistentes e impertinentes, de corte neoliberal, e outro de cunho nacional-popular, mais comprometidos em tese com o social.  
Na década de 90 as forças políticas ligadas a esquerda enfrentaram um panorama desencorajador, com o avanço forte do receituário neoliberal no istmo; uma situação que se via por toda a América Latina, mas particularmente sentidas em Centroamérica em função dos contextos das recém finalizadas revoluções populares que não alteraram a estrutura profunda do status quo do poder.
Essa ordem começou mudar, porém, a partir dos anos 2000 na América do Sul, mas na América Central ainda um pouco mais tarde, com as posições reformistas de Manuel Zelaya em Honduras, com a vitória da esquerda em El Salvador em 2009, com o retorno dos Sandinistas ao governo da Nicarágua. O golpe de Estado em Honduras, aliás, também em 2009, pode ser visto como um alerta para essa reorganização progressista na região de que as forças da elite dominante não permitiriam medidas muito avançadas no campo social, caso isso mexesse com as arcaicas e excludentes estruturas de poder dos seus países, por parte dos novos governos que conquistaram espaço nas frágeis democracias eleitorais a pouco estabelecidas.
Há agora uma renovação das oportunidades para o progressismo. Em Honduras, nas polêmicas e ainda debatidas eleições do final de 2013, o partido LIBRE dos Zelaya rompeu o tradicional e perverso bipartidarismo elitista do país e influi nos rumos do governo. Na Nicaragua, apesar de posturas impopulares e muitos questionamentos, o atual governo sandinista de Daniel Ortega ainda conta com altos índices de aprovação. Em El Salvador a disputa se dá entre as duas forças consolidadas depois dos Acordos de Paz de 1992, o do retrógrado conservadorismo e neoliberalismo da Alianza Republicana Nacionalista (ARENA) e aglutinação de esquerda Frente Farabundo Martí para la Liberación Nacional (FMLN), que ainda reúne forças da sociedade civil e de movimentos sociais. E na Costa Rica a coalizão progressista do Frente Amplio gera expectativas e esperança de vitória.
O FMLN salvadorenho tem vantagem nas pesquisas eleitorais e disputa a reeleição, pois conseguiu uma vitória histórica nas eleições de 2009 com Mauricio Funes, um jornalista sem militância na antiga organização guerrilheira mas com capacidade gerencial e que reivindicou uma gestão de estilo do ex-presidente brasileiro Lula, amigo e conselheiro, permitindo uma aproximação inédita também do Brasil no istmo.
Funes foi muito criticado por não ter atendido com intensidade as expectativas de “cambio” proposto por sua campanha, pese ter feito um governo mais socialmente avançado do que as duas décadas de neoliberalismo arenista que o antecederam.  O atual candidato da FMLN, Salvador Sanchez Ceren, é um líder histórico da Frente, foi um dos comandantes da guerrilha, e trabalha uma proposta de governo em três eixos: aprofundar as mudanças iniciadas por Funes, consolidar a democracia e o Estado constitucional, social, democrático e de direito, e acelerar a integração regional para avançar a união centro-americana.
Na Costa Rica as forças progressistas também levam vantagem, pequena, nas pesquisas eleitorais. A disputa se dá entre um modelo neoliberal representado pelos partidos de direita, Partido Liberación Nacional, e Movimiento Libertario, e uma proposta mais socialmente orientada, preocupada em combater a pobreza e a desigualdade social, representada pelo Frente Amplio, e Partido Acción Ciudadana, tendo à frente o jovem candidato José María Villalta.
O clima nos dois países é de incertezas e os cenários estão abertos. Centroamérica necessita justiça social, já que as características mais tristes e evidentes da região, como migrações, pobreza, desigualdades e violência são consequências da injustiça vigente. Muitas instituições dos países do istmo funcionam a serviço de elites, e não a serviço de todos e todas, menos ainda preocupados com os mais vulneráveis. O crescimento econômico é importante para se obter recursos para investimentos sociais, mas quando este não vai acompanhado de um desenvolvimento inclusivo, os problemas aprofundam-se. Centroamérica merece um desenvolvimento social equitativo que ofereça possiblidades de cultivar plenamente suas capacidades humanas e políticas."



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Aleksander Aguilar é jornalista, doutorando em Ciência Política e Relações Internacionais, e coordenador do Grupo de Estudos América Central (GEAC) do Núcleo de Pesquisas Desenvolvimento e Região (D&R), da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)

Thursday, 30 January 2014

Bruno Maranhão, presente!


Novo texto meu no NOTA DE RODAPÉ, onde publicamos uma homenagem ao lutador social Bruno Maranhão, que faleceu no dia 25 de janeiro deste ano.
Pode também ser acessado aqui

 
Teimoso, polêmico, dedicado, afetuoso, louco, aberração. De todos os muitos adjetivos usados para descrever Bruno Maranhão esse último, que pode ser visto como o mais curioso e pesado, é paradoxalmente o que dá o melhor sentido para justificar a celebração da sua vida, pela qual lutou, como fez em toda sua trajetória política, até o dia 25 de janeiro deste ano.

Bruno, filho de usineiros de açúcar por parte de mãe e de pai, um herdeiro típico da alta burguesia tradicional pernambucana, legada diretamente da relação Casa Grande/Senzala, fez-se aberração suficiente para deixar o chicote opressor e lutar pelas emancipações dos oprimidos ao lado dos mais destacados comunistas da época das revoluções guerrilheiras no Brasil, e seguir lutando ao longo de toda sua existência. De sucessor da estrutura de dominação social pela terra, passou a vida em militância por reforma agrária.

 “Origem de classe não tem a ver com consciência de classe”, me disse em uma das inúmeras reuniões que tivemos no seu escritório no bairro Casa Amarela, em Recife. Bruno fez muitos amigos e amigas em sua história política, de tão longa data como da clandestinidade na ditadura e do exilio no exterior. Eu, porém, tive apenas a oportunidade de conviver com ele durante os últimos seis meses do vigor da sua militância, em 2011, quando nos reuníamos quase que diariamente, em Pernambuco e outros estados, para organizar a “Marcha da Reforma Agrária do Século XXI”, do Movimento de Libertação do Sem Terra (MLST), do qual ele foi um dos principais coordenadores.

Bruno tinha uma inquietude otimista motivadora, e gostava muitas vezes de desafiar as “condições objetivas”, acreditava que só lançando-se aos projetos poderia faze-los realidade.

- Vai ser muito difícil conseguir a condição ideal pra caminhar 250 km com quase 1000 militantes, Bruno, em tão pouco tempo, argumentava-se.

-  Nem sempre há tempo para conseguir o ideal, companheiro, mas ao fazermos já vencemos, respondia.

Levamos 20 dias naquele ano, de agosto até o 7 de setembro, para caminhar da capital do Estado de Goiás, até Brasília. “Aperte a mão de quem o alimenta!” foi o lema, e a Marcha promoveu pelas cidades onde passou seminários para evidenciar a importância e a necessidade da reforma agrária para a superação da pobreza no Brasil. Essa atividade idealizada pelo Bruno foi sua última grande articulação de movimentos populares. Ele infelizmente não pode conclui-la, pois justamente ali se iniciou a manifestação da doença que levou o lutador. As fotos que fiz durante a Marcha (http://picasaweb.google.com/107212933358361519768) são suas últimas imagens em plena militância, no ato de lançamento da jornada, em que o vimos pela em punho levantado e de microfone à mão, como o foi na sua história de lutas por emancipação.

Em plena ditadura militar brasileira, aos 20 e poucos anos ingressou no Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR) e integrou o Comitê Central ao lado de lendas como Apolônio de Carvalho, Jacob Gorender e Mário Alves. Foi exilado político, e no retorno ao país ajudou a fundar o PT, tendo sido membro da Executiva nacional, e já com mais de 50 anos fui fundador do MLST, onde militou até a sua morte, aos 74 anos de idade.

Sua capacidade de liderança era inegável e era tão destacada quanto o seu carisma. Bruno ensinou gerações de militantes, do campo e da cidade, de movimentos sociais e de partido, aquelas particularidades do comportamento político, do trato com o adversário, da hora de ser firme, de negociar, de flexibilizar, que só a experiência forjada em muitos anos de prática podem dar.  Desde a roda de camponeses em um galpão de pouca cobertura no interior do Nordeste até o gabinete do governador do Estado, pelos assentamentos e acampamentos sem-terra à reuniões ministeriais no Distrito Federal, via-se aquela postura e leitura sociopolítica inabalável da realidade. Era o que lhe motivava a apostar e entregar-se a necessidade de transformações estruturais no país que, vista como uma grande excentricidade por parte de muitos, foi justamente o que lhe garantiu o respeito e um lugar certeiro na história da esquerda brasileira; uma coerência e chama sempre acesa por justiça social que fez de Bruno um militante revolucionário na juventude, na idade adulta e mesmo na terceira idade.

Bruno Maranhão foi um brasileiro que teve uma história particular. Na dedicatória do livro Os Colares e as Contas (2012), a síntese poética de uma experiência política, segundo seu próprio autor, o jornalista Marcelo Mario de Melo, que também foi militante do PCBR, aparece a homenagem a Bruno entre aqueles “que se mantém socialistas e de esquerda depois dos 60 anos”. E Bruno ainda depois dessa idade não apenas manteve suas ideias como as expressou constantemente desde caixotes improvisados em assembleias e reuniões camponesas nos campos desse Brasil.  Só se pode respeitar uma trajetória assim. O sonho e a luta por reforma agrária permanecem vivos na memória de Bruno Maranhão.

 

*Aleksander Aguilar é jornalista, doutorando em Ciência Política e Relações Internacionais, candidato a escritor, e viajante à Ítaca, especial para o Nota de Rodapé

Saturday, 22 June 2013

Um retorno a Lênin? Organizaçao e espontaneismo em tempos de “tecnopolítica”

  • foto: fanpage "Manifesto Recife" - 20/06/2013

  • Por Aleksander Aguilar
Repetição, de acordo com Hegel, joga um papel crucial na história: quando alguma coisa acontece apenas uma vez, isso pode ser desdenhado como um acidente – algo que poderia ter sido evitado se tivéssemos tratado diferentemente a situação; mas quando o mesmo evento se repete, isso é um sinal de que um processo histórico mais profundo se desdobra. 
(Slavoj Zizek[1])

Desde 2011, com a surpresa da Primavera Árabe e subsequentes séries de revoltas e manifestações que atravessam vários e distintos países, o tema da organização popular, ou de massa, ou militante, tem estado na ordem do dia em inúmeros debates e produção intelectual. Há na era da Web 2.0 um momento de reconfigurações sociopolíticas, intimamente ligada à essa influência da incontrolável velocidade das novas tecnologias, que geram ondas de impacto em reverberação. Ocorrem no contexto europeu, em contra de medidas de austeridade fiscal; ou levantes, no contexto do Oriente Médio, em oposição aos velhos regimes de governos autoritários, e agora no Brasil, com uma indignação latente nas ruas por demandas de justiça social que ainda se buscam compreender e ter formato.  Há lutas que elencam muitas dúvidas e inúmeras posições de um suposto dualismo entre novas e antigas formas de organização.

Entre essas perguntas estão: Como remediar, ou prevenir, que níveis de massa de mobilização se dissipem ou sejam subaproveitadas?  Como canalizar a força difusa do desejo por mudanças sociopolíticas em uma luta efetivamente capaz de proporcionar transformações sociais emancipatórias?  Os temas da organização e do espontaneismo são centrais no corrente cenário e a reflexão conceitual na busca de respostas envolve nomes contemporâneos do pensamento social e político com renomado trabalho nesses assuntos e merecem ser citados.

O mais popular entre esses por enquanto, Slavoj Zizek, em diferentes ocasiões enfatiza que para a reorganização da vida social é preciso um corpo político firme o suficiente para realizar decisões rápidas que sejam implementadas também com a firmeza necessária.[2] No atual ambiente de despolitização das administrações pós-ideológicas – que, para Zizek, conforma uma dinâmica perigosa; humaniza e naturaliza o capitalismo e dá espaço para a organização de uma superdireita – o filósofo afirma que a democracia liberal não é suficiente e restabelece o horizonte do comunismo interpretado: “Quando debatemos com os liberais, não deveríamos dizer: 'ah, vocês são os inimigos burgueses, não discutimos como vocês!' Deveríamos, sim, alertá-los. 'Sim, nós também gostamos das suas liberdades, mas apenas uma esquerda bem estabelecida em longo prazo irá ajudar a salvar os aspectos dessas liberdades que valem a pena. Se não for assim se perderá cada vez mais espaço para a extrema direita'”.[3]

Outro filósofo caro a esse debate, Alain Badiou, na sua posição de reinventar a “ideia comunista” recebe críticas por parecer querer restringir à filosofia a tarefa de prover respostas que na verdade só podem ser construídas na prática. Um novo militante, uma nova organização e uma nova disciplina não são propostas necessariamente ligadas a uma nova hipótese comunista, nem a que o problema seja o de substituir os partidos, e corre o risco de pautar redefinições mais abstratas do que soluções.[4]

Teríamos assim uma divergência entre Zizek e Badiou, este cuja preferência seria a de uma política sem partido, organizada através da disciplina intelectual do processo político, e não de acordo a forma correlata à exercida no Estado. Mas há ao mesmo tempo um diálogo sobre os conceitos que permeiam o debate – como disciplina e capacidade de decidir e de agir de forma unificada, bem como estrutura e centralização – em relação direta com a forma do ativismo que se vê hoje.

Quando consideramos, então, o momento de manifestações de massa que se desenvolvem e se espalham desde 2011, as incertezas e inseguranças manifestam-se ao lado, porque sua natureza indeterminada, de significar qualquer coisa para quaisquer pessoas, pode atrair enormes contingentes de pessoas às ruas ao mesmo tempo que torna ações concertadas cada vez mais difíceis: qualquer intervenção decisória pode provocar dispersões e divisões e, logo, é no fazer as coisas acontecerem que se determinará quem está dentro e quem está fora.

Há, sobretudo, mesmo que se busque ser neutro sobre os significados desse novo militante, dessa nova organização e, portanto, dessa nova política, uma avaliação negativa do que existe hoje. O declínio da organização leninista não representou o seu desaparecimento; as ideias dos partidos não necessariamente representam sentido completo, mas a prática partidária sim, tal qual os Bolcheviques foram copiados, em termos pragmáticos, porque o formato funcionou. Dito isso, há certamente um espaço hoje para uma reavaliação teórica da noção de vanguarda da esquerda que deve se guiar pelo empenho em encontrar e sistematizar (o que seria bastante útil) noções não-vanguardistas de política ainda assim entendidas como radicais ou revolucionárias. Com isso seriamos capazes de pensar o problema do militante e da organização através do presente, da tecnopolítica (o uso tácito e estratégico das redes digitais para a organização, comunicação e ação política coletiva, que implica também em utilizar a rede para tomar o espaço urbano[5]) e combinar propositivamente a questão do “o que é” com o da “o que é preciso”.

Há espaço para que nos movamos mais adiante da polarização conceitual entre partidos vanguardistas, vistos como muito rígidos, e redes de articulação virtual, vistas como muito frouxas? É possível que os movimentos contemporâneos transcendam o espontaneismo pejorativo e sejam articulados como novas formas de criação e de organização?

A evolução desse debate, hoje mais do que nunca enraizado no prático, deve estar pautado num horizonte de emancipação social. O esvaziamento político daquilo que começou como atos propositivos, e agora tem como tom predominante o de paradas cívicas moralistas e conservadoras, precisa ser preenchido, com a construção de uma identidade coletiva que marque distância da direita e tenha uma projeção mais estratégica.  Propostas emancipatórias radicais precisam ser desenhadas, debatidas e massificadas de modo a se ter um objetivo sociopolítico estruturalmente transformador. Eis a reflexão chave, segundo Zizek: o espaço da sociedade como conhecemos está para terminar e é tempo para interpretações mais radicais.

*Aleksander Aguilar é jornalista e doutorando em Ciência Política e Relações Internacionais



[1] ŽIŽEK, Slavoj. “Shoplifters of the World Unite”. In: London Review of Books, 19/08/2011. http://www.lrb.co.uk/2011/08/19/slavoj-zizek/shoplifters-of-the-world-unite
[2] IDEM
[3] AGUILAR, Aleksander. “O fim dos tempos, segundo Zizek” In: Jornal Brasil de Fato, 15/09/2010. http://www.brasildefato.com.br/node/258
[4] Rodrigo Nunes, "Rethinking the Militant", in Shannon Brincat (Ed.). Volume III: The Future of Communism, Third volume of Communism in the 21st Century, 3 Volumes, Santa Barbara, CA: Praeger, (in-press, 2013).
[5] Ander Iñaki Oliden entrevista a JAVIER TORET. "La acción política va a estar cada vez más mediada por la tecnología" In: eldiario.es 21/06/2013. http://www.eldiario.es/turing/accion-politica-vez-mediada-tecnologia_0_145586203.html

Tuesday, 4 June 2013

Doutorandos do DCP/PPGCP publicam na Revista Jurídica da Presidência da República


*NOTICIA NO SITE DO PROGRAMA EM PÓS GRADUAÇÃO EM CIÊNCIA POLÍTICA DA UFPE (em 03/06/13): aqui


"Os doutorandos no Programa em Pós Graduação em Ciência Política da UFPE,  Aleksander Aguilar e Juliana Vitorino, publicam artigo na Revista Jurídica da Presidência da República, no atual número 105, que tem edição temática sobre a Comissão Nacional da Verdade (CNV).

No momento em que a CNV completa um ano de trabalhos realizados, a Revista Jurídica da Presidência contribui para os debates sobre a justiça de transição brasileira. No trabalho com o titulo “Retos y límites de las Comisiones de la Verdad de Brasil y El Salvador” Aleksander e Juliana fizeram interessante cotejo entre as comissões da verdade do Brasil e de El Salvador. Ambos alunos são pesquisadores do Núcleo de Estudos Desenvolvimento e Região (D&R), coordenado pelo professor Marcos Costa Lima, e organizam o Grupo de Estudos Centro-americanos junto a esse Núcleo.


A Revista Jurídica da Presidência é um periódico do Centro de Estudos Jurídicos da Presidência, com publicação quadrimestral, voltado à publicação de artigos científicos inéditos, resultantes de pesquisas e estudos sobre a atuação do Poder Público que forneçam subsídios para reflexões sobre a legislação nacional e as políticas públicas desenvolvidas na esfera federal."

acesso a integra da revista aqui
e
acesso ao artigo em particular aqui