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Saturday, 7 August 2010

Yamandú Costa: nos tempos do Projeto Casulo


Em 2002 e 2003 um grupo de estudantes do último ano do curso de Comunicaçao Social da Universidade Católica de Pelotas planejava dominar o mundo até 2012.


Naquela época, a maioria das pessoas nem sabia o que era um blog. O YouTube, Orkut e Facebook ainda não existiam.


Neste contexto, nós, que éramos amigos de corredores da faculdade, contemporâneos de curso, e bem antenados, tivemos um insight: “gurizadinha desse curso que gosta de cultura e sabe escrever bem, uni-vos”.


Depois de uma primeira reuniao, em lugar super formal, como a foto oficial acima indica, ali na Sorvesucos na frente do Campus II (existe ainda?) nasceu o Projeto Casulo. Um website de jornalismo cultural, totalmente independente, desbravando o espaço editorial de internet (especialmente na região de Pelotas) numa época em que muita gente não tinha email. Sim, pessoas com menos de 25 anos, esse tempo existiu!


Nós éramos todos estudantes e fazíamos tudo: definição de pautas, edição, entrevistas, fotografia, arquitetura da informação do site, tudo.


Havia os mais ligados, desde sempre, em tecnologia e internet, os mais nerds, que controlavam a questão “servidor” e arquivamento das matérias. E eram realmente muito bons!


Com isso, por pouco mais de um ano, ganhamos certa notoriedade e credibilidade, pois o site era bastante profissional, e algo único na época, na região de Pelotas. Entrevistamos gente como Gilberto Gil, quando era ministro da cultura, Tom Bloch, e o homenageado desta sessão remember, Yamandu Costa.


Yamandu tinha apenas 23 anos quando tocou em Pelotas naquele ano. Nós também andávamos por ali. Guilherme Curi e eu fomos sedentos e famintos por uma entrevista com ele. Conseguimos o papo durante um almoço, ir ao impressionante show no Sete de Abril e, de quebra, uma madrugada trovando com ele nos bons tempos do Joao Gilberto, quando aquilo ainda era um bar.


Ando escutando Yamandu ultimamente, e mexendo dali e daqui nos arquivos digitais, encontrei a entrevista que fizemos com ele. Fico curioso para saber como seria sua postura ao dar uma entrevista hoje. Naquela época, talento recém descoberto, ele era extremamente espontâneo e aparentemente despreocupado com as críticas. Sua música, no entanto, certamente está igual ou melhor.


Erico Assis, Gisele Honscha, Leonardo Tissot, Bruno Maestrini, Alex Cabistani, Tati Guimaraes, Guiga Curi, Ana Paula Penkala e demais membros do Projeto Casulo que porventura não lembro, parabéns, vocês conquistaram o mundo, e antes de 2012!


Reproduzo entao, ai abaixo, a entrevista de Yamandú Costa para a Projeto Casulo, em Pelotas, em 2003. Memória histórica...


“O que tenho não é técnica, é liberdade de expressão”

*Aleksander Aguilar e Guilherme Curi

“O que tenho é liberdade de expressão” | Não só entrevistamos Yamandú Costa, mas também passamos uma madrugada virando copos e trovando com o fenomenal violonista


Há um paradoxo sobre o fenômeno Yamandú Costa. E isto incide, logo de inicio, sobre a própria palavra fenômeno. Apesar do "boom" do seu reconhecimento ter ocorrido há dois anos, com o prêmio do Festival Visa de MPB e o convite para o Free Jazz Festival, para alguns ele ainda é um fenômeno porque com apenas 23 anos (completados em janeiro) faz parcerias e é respeitado por nomes como João Bosco, Lúcio Yanel, Guinga e Paulo Moura. Para outros, fenômeno explica-se porque Baden Powell acertou em sua previsão quando conheceu Yamandú quando este tinha apenas 16 anos: "Você vai ser grande, você vai ser importante, sua música tem muito a fazer pela música brasileira."


A Projeto Casulo fez uma entrevista exclusiva com a profecia acertada de Powell e foi conhecer o dono da técnica "d´Yamandú" para violão. Num rápido encontro depois do almoço no Restaurante Trem Bão, em Pelotas, com jeito despojado e bem gaúcho de ser, ele falou a nossa equipe sobre harmonia, críticas, Mariana, atitude e Rio Grande do Sul.

“Técnica d`Yamandú”. Alguns músicos de formação erudita definem assim o teu estilo. Se alunos de conservatório tentassem fazer o que tu fazes com o instrumento certamente seriam reprimidos pelos professores. Então, nos parece que no ato da execução de uma obra a tua consciência musical fica em detrimento do teu sentimento e virtuosismo que expressas. Que avaliação tu fazes disso?


Tu já falou tudo aí. É isso mesmo. É uma maneira completamente liberta. Meu pai era um cara muito estudioso, gostava de violão clássico e tal. Ele me ensinou as primeiras técnicas, as primeiras coisas de violão, aquelas coisas mais convencionais. Eu quase não usei isso. Minha formação é meio "baileira", meio da noite. Eu toquei música brega, toquei vanerão, toquei rock n`roll, fiz baile, fiz carnaval, de paleta mesmo. Então isso aí veio a chegar nessa história que eu faço hoje. Essa mistura de influências que tenho não é técnica, é liberdade de expressão. Tocar da maneira que pode, procurando o melhor. É claro que no meio do caminho o cara resbala.


Apesar desse reconhecimento no meio erudito e popular, existe a crítica ao teu trabalho desse próprio virtuosismo. Tu achas que isso é ranço de quem possui formação de conservatório ou procede mesmo?


Procede (enfático). É muito chato chegar em casa tocando violão e às vezes debochando das coisas, no bom sentido. Então é uma coisa que mexe com os caras. Eles ficam meio assim e tal. E têm razão. Quer dizer, sou um cara muito novo, tô cagando e andando pra essas conversas. Toco do jeito que eu quiser, sou um guri, posso fazer cagadas.


Então tu achas que isso então não tem muita relevância?


Eu fico muito feliz e leio todas as críticas. Acho que tá certo. Eu sei dos defeitos que tenho na parte musical. Não são eles que vão descobrir isso. Agora, de repente tem defeitos que eu gosto. É mais ou menos por aí a história.


Como a boemia influencia teu trabalho?


Total. Desde o improviso do cantor "borracho" que te pede para acompanhar. Tudo. Toda a relação da noite mesmo, a improvisação.


Como no bar Semente, nos Arcos da Lapa. Em relação a isso nós vimos uma entrevista do Nicolá, músico francês, contando da vez em que ele falava sobre o encanto com a musicalidade do local e o respeito que todos lá têm por você. Existe um grande respeito, não?


Muito, graças à Deus. E de minha parte com eles todos também. Mas nesse caso não é nem tão boêmio. Ali é um palco. A Lapa, como a maioria dos movimentos cariocas da música é muito Zona Sul. Tem toda uma gurizada que tem grana e tal e se apaixonou pela música e estuda a música por paixão e que já virou profissão. Agora, a boemia a que eu tava me referindo antes é aquela nega véia mesmo, aquela das antigas.

Mas esse negócio do Sementes é muito legal. O respeito que eles têm por mim, eu tenho também. Todos eles lá são grandes músicos. Uma geração inteira de músicos. Genial, cada vez melhor.


Quando e onde tu compuseste a canção Mariiana (segunda faixa de seu primeiro disco solo)?


Ah...Isso é engraçado. Essa música eu fiz há uns três ou quatro anos atrás, aquela primeira parte só (aí Yamandú solfeja o trecho incial da canção). Mariana é o nome da minha mulher. Eu fui ensaiar com o Armandinho, nós tínhamos uma proposta de gravar um disco ao vivo em Brasília no Clube do Choro. Aí eu fui lá na casa dele, ficamos ensaiando uma semana, pegando temas novos e ele gostou dessa introdução. E falou 'olha que bonito isso aí, você tinha que fazer alguma coisa'. Daí ele foi no banheiro, baiano, meio lerdo, demora pra fazer as coisa. Nesse meio tempo eu fiz a música. Falei, vou matar isso ai agora. E saiu.


Para ajudar a derrubar o muro entre a música popular e a erudita nos parece que tu, por vezes, recusas uma maior complexidade harmônica como uma forma de atrair ouvintes leigos. Isso é verdade?


Não, não é verdade (enfático novamente). Não tenho intenção de derrubar. Esse muro nunca vai se quebrar. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. A música erudita a gente tem que respeitar. Nunca me meti a tocar violão erudito, eu não tenho nada a ver com isso. Quem me dera tocar como Julian Bream, John Williams. Mas eu não tenho essa veia. Eu toco músicas de concertos às vezes, como Radavés Gnatalli . De vez em quando eu meto um Vila Lobos lá no meio. Mas o meu trabalho não é direcionado, em matéria da intenção. É uma coisa que flui. Se não flui me deixa preso.

Essa tua postura performática revela algum outro tipo de influência além das já evidentes?


Isso aí eu não sei te explicar. Há pessoas que acham que eu ensaio...


Tu escutas rock?


Não escuto rock, mas gosto do bom rock eu gosto. Gosto do Iron Maiden, dessas coisas. Tem uma idéia ali, uma concepção, faz parte deles aquilo, é uma verdade aquele troço. Se o cara não tiver verdade...


O reconhecimento da música do Rio Grande do Sul no resto do Brasil é, de certo modo, polêmico. Isso suscita vários tipos de expressão musical no Estado que não necessariamente, na posição de alguns, só essa do gaúcho tradicional. Qual é a tua avaliação com relação a isso?


Acho que cada um faz o que pode. É um Estado muito delicado em matéria de cultura, para tu mexer com isso. Eu tava comentando isso ontem, é uma tradição muito grande. Cidade urbana mesmo é Porto Alegre, o resto é tudo bagual, o interior todo é gaúcho. O problema que eu sinto é o preconceito do ser gaúcho é ser grosso. É ser mal informado. Eu fui pra Barranco, no Festival da Barranca, lá em São Borja, só pra convidados e tal. Tem um cara que mora na beira do Rio Uruguai, sozinho, parece um animal. A cultura que esse cara tem em geral, de música, de arte, é uma coisa absurda. Então, às vezes tem esse preconceito do campo e da cidade que ficam meio que se faqueando. Quer dizer, o urbano acha que o grosso é grosso e o grosso acha que o urbano é viado. Isso é uma bobagem bárbara. Cada um faz a música que pode fazer.


Tragueando com Yamandú

*Aleksander Aguilar

Sexta-feira estava sendo um bom dia. Entrevista - suada - mas realizada. Uma brecha à tarde para estudar. Show à noite e, pra terminar, churrasco da turma de formandos em Jornalismo com carne bem assada, conversa frouxa e cerva bem gelada.


Será que ainda pode melhorar? E não é que sim? A boemia se encarregou de traçar a devida rota. Coincidência, é verdade, mas não importa. Yamandú Costa já havia feito valer sua fama de boêmio na noite de quinta-feira quando chegou a Pelotas. Depois do seu show na sexta os chorões da cidade se encontraram com ele e puderam ouvir Yamandú e Avendano Júnior juntos.


Depois foi a vez dos mortais. Em outro bar, já pelas 4h da madrugada, encontramos o próprio mostrando suas habilidades agora não com o violão, mas com um(ns) copo(s) de cerveja. "Borrachera" geral do repórter e do entrevistado, mas como nenhum dos dois iria dirigir depois...


Na mesa do bar tem espaço para todas as pautas. Daí, desde o quão fdp pode ser um jornalista sensacionalista que se aproveita de falsas polêmicas até filosofias etílicas como "o bairrismo é o comunismo que deu certo". Era o nativismo e a cultura do Rio Grande em discussão. As criticas aos milongueiros de última hora permaneceram, mas na franqueza se esclareceram supostas grosserias. Tudo bem regado por descontração, risadas e, é claro, copos cheios.


Que baita tragueada! Que grande oportunidade de escavocar e dissecar vários assuntos polêmicos sobre criticas, causos e contos... Não! Nada disso! Confiança, ética e uma boa conversa informal valem mais. Além disso, cumprir a função de fã (com autógrafo e tudo) e ter a história de um trago com Yamandú vão ficar para além de uma matéria.

Friday, 25 June 2010

Algumas fotos (e uma introspecçao)












No mês passado estive no Brasil pela terceira vez em cinco anos. É sempre intenso observar essa grandeza curiosa que o tempo assume quando percebo a peculiaridade do trajeto. Nem tudo foi planejado, mas sempre tentei não desperdiçar nenhuma oportunidade – ou pelo menos nada daquilo que eu julguei ser oportunidade. Sou um fascinado pelo tempo, um admirador respeitoso e intrigado por essa dimensão onipresente e todo-poderosa da existência. Supreeendo-me com ela e comigo, um espectador de mim mesmo, agarrado com força ao tempo e tentando extrair tudo o que ele pode me dar, mas também o vendo passar desgringoladamente. Hoje tenho varias referencias, e não sei realmente qual possuo. O lar, a estrada, o não-estar, o estar demasiado, a impermanência, o querer, o dever, a escolha, o legado, o sentido; todos estão relacionados, todos convergem, todos reclamam, todos se perdem, no tempo, e talvez no espaço.

Eu só queria, na verdade, compartir algumas fotos, das poucas que tirei ou tiraram de mim (e sempre são poucas) quando vou ao Brasil (home?). Ainda espero, sobretudo, as fotos das Bodas de Vinho dos meus avós, 70 anos de matrimônio, razão (ou excusa) central da minha ida até lá/aí nesse período. Aqui seguem algumas do Painel que pude apresentar sobre minha pesquisa numa atividade na UCPel, organizada pelo IMA e de uma conversa com antigos amigos no sempre necessário Café Aquários. Quando eu tiver as do vô e da vó, eu adiciono.

Saturday, 22 May 2010

Estou no Brasil, palestro e exibo fotos na minha cidade

(Uma das imagens que serão exibidas na exposição: De la guerra a la paz. Acervo MUPI)

“Memória Histórica e Transformação de Conflitos em El Salvador e a Cooperação Sul-Sul brasileira” é o tema da conferência e da exposição fotográfica que será realizada pelo jornalista Aleksander Aguilar no auditório do Campus II da Universidade Católica de Pelotas (UCPel), às 19h15, no dia 27 deste mês. A promoção é do Instituto de Estudos Políticos Mário Alves (IMA) em parceria com o Diretório Acadêmico de Comunicação Social e com o Diretório Central de Estudantes da UCPel.

A atividade aborda alguns dos resultados da pesquisa do mestrado recentemente concluído em Barcelona pelo jornalista e coloca em evidência a crescente influência do Brasil no istmo centro-americano, além de analisar as semelhanças dos processos por Memória Histórica nos dois países.

Aguilar realizou estudos de campo durante quase um ano na América Central. As pesquisas envolveram entrevistas diretas com atores da guerra, ex-combatentes e autoridades acadêmicas salvadorenha; revisão bibliográfica de documentos oficiais de organizações internacionais e participação em organizações não governamentais do país.

El Salvador, o menor país do continente americano, vive ainda hoje a reconstrução das conseqüências do violentíssimo fratricídio de 12 anos (1980-1992) que deixou um saldo de 75 mil mortos e centenas de desaparecidos. (na época a população do país era estimada em 4,5 milhões, o que significa dizer que mais de 2% dos habitantes perderam suas vidas no conflito).

El pulgarcito de America (o pequeno polegar da America) como é carinhosamente chamado pela população, tenta, há 18 anos, virar páginas de dor, mas o país continua ignorando-se e sendo ignorado. Semelhantemente ao Brasil pós-ditadura militar, setores poderosos da sociedade, aqueles envolvidos com massacres, esquadrões da morte, torturas e desaparecimentos, querem incentivar o esquecimento em lugar da toma de consciência critica e isso faz com que, como nação, o lugar se mantenha olvidado.

A MUDANÇA SALVADORENHA E O PAPEL DO BRASIL

Em março do ano passado uma inédita vitoria eleitoral causou alvoroço na história política do país. Pela primeira vez desde os Acordos de Paz de 1992 que deram fim a uma das mais sangrentas guerras civis da América Latina, a FMLN (Frente Farabundo Marti para la Liberacion Nacional), ex-frente de guerrilha convertido em partido político através dos Acordos, ganhou a presidência do país.

O novo presidente salvadorenho, Mauricio Funes, há muito anos mantém uma próxima amizade com Luiz Inácio Lula da Silva. No seu discurso de posse, Funes afirmou que Lula “seu amigo pessoal” faz o governo que é a referencia e o modelo seguido por El Salvador em sua nova fase política. Funes foi apresentado a Lula por sua esposa, a brasileira naturalizada salvadorenha Vanda Pignato, militante fundadora do PT e uma das principais organizadoras da Secretaria de Relações Internacionais do partido, representante deste na America Central por vários anos.

A relação com o Brasil converteu-se em uma estratégia chave da política salvadorenha. Alem disso, as semelhanças brasileiras pós-ditadura com o processo salvadorenho pós-guerra para a reconciliação nacional e construção de paz são evidentes: a negação da memória, a tentativa de “borrón y cuenta nueva” e a falsa consolidação da democracia, pois se embasa no medo de enfrentar o passado. O conflito salvadorenho não foi unicamente a erupção da violência armada no país e persiste ainda hoje nos aspectos pendentes dos Acordos de Paz, especialmente em Memória Histórica e marcados pelos arrepiantes níveis de criminalidade e falta de segurança publica no país.

IMAGENS INÉDITAS DA GUERRA SALVADORENHA

Partindo do pressuposto de que promoção de Memória Histórica pode ser entendida como um fator chave de Transformação de Conflitos, a atividade faz uma aproximação analítica da relação entre Brasil e El Salvador no âmbito da Cooperação Internacional ao Desenvolvimento que possa se configurar como um elemento de impulso a construção duma cultura de paz

A exposição fotográfica é uma exibição conjunta de fotos do arquivo pessoal do autor e do acervo do Museu da Palavra e da Imagem de El Salvador (MUPI). “De la guerra a la paz” apresenta mais de 20 imagens inéditas sobre o país durante e depois do conflito armado.

Esta será a primeira vez que o MUPI expõe no Brasil. O Museu é o resultado de uma idéia que nasceu nas montanhas do oriente salvadorenho em plena guerra civil quando Carlos Henrique Consalvi (mais conhecido pelo pseudônimo guerrilheiro, Santiago) fundador e locutor da legendaria radio guerrilheira Venceremos, iniciou a conservação de fotos, manuscritos e transmissões. A rádio transmitiu durante todos os 12 anos da guerra e era a voz oficial do FMLN, sendo alvo de inúmeros ataques e bombardeios por parte do exército. Ao longo dos anos, e especialmente depois dos Acordos de Paz de 92, o MUPI consolidou um arquivo audiovisual de quase 40 mil fotografias, vídeos, documentos e algumas armas. É a organização salvadorenha com o mais completo acervo sobre a memória da guerra civil e uma das principais articuladoras de projeto neste campo.


SERVIÇO:

“Memória Histórica e Transformação de Conflitos em El Salvador e a Cooperação Sul-Sul brasileira”

Local: Campus II da UCPel

Conferência: 27 de maio, 19h15

Exposição Fotográfica: A partir do dia 24 de maio

Tuesday, 4 May 2010

Resposta da Dani

"Oi Aleks,

Queria te dizer que... é claro que eu erro. Não estou acima do bem e do mal, não sou a dona da verdade. Na verdade nem sei o que é verdade! Eu erro e errei muito. Já tive muitas vezes que pedir perdão pelos meus erros e, outras vezes, não tive coragem de pedir desculpas, tamanha era a vergonha que meu erro havia me causado, tamanho o ferimento que se fizera no meu orgulho. Outro erro grave para quem crê na Doutrina Espírita e busca a evolução espiritual. Meu caso, já esclareço, para não parecer que confundi as coisas ou endoidei de vez.


E, mesmo não achando que cometi um erro com meu post, te peço desculpas e te agradeço de coração, porque me fizeste repensar as coisas que escrevi e defendi naquele texto. Não retiro o que escrevi porque não concordo com o pagamento de indenização para ex-militantes ou militares. Discordo principalmente porque, aqueles, pobres que não podem fazer como o Chico Buarque fez, de abrir mão, não são os mesmos que recebem valores exorbitantes, pelo ressarcimento e pelos cargos que ocupam, como deputados, senadores, ministros e etc. Estes que não podem abrir mão recebem indenizações mirradas.

O terreno é perigoso e escorregadio, a queda pode ser grande e as fraturas inúmeras, não só pela falta de perspectivas, mas, também, por estarmos numa situação de apontar uma falha.


Não considero que tenha misturado as coisas ou confundido. Sei que cada um é uma coisa diferente, embora tenha ligação. Como disse no texto, defendo a revisão da lei da anistia. Mas vejo que não podemos olhar apenas pelo lado de que torturadores devam ser punidos. Defendo que as mortes e desaparecimentos sejam esclarecidos. Não concordo com a tortura, tampouco que torturadores sejam inocentados simplesmente. Minha opinião não foi formada pela mídia, pelo contrário, discordo do que vejo por aí. E sempre que vou escrever sobre algum assunto do qual não tenho conhecimento, e são muitos, busco me informar. Falei no Chico, porque já o ouvi falando em entrevistas que considera uma vergonha isto. O pagamento é tipo um cala-boca. Recebe e deixa quieto o passado. É feito um depósito e as coisas ficam assim, não há esclarecimento, não há abertura de arquivos, não há admissão de culpa de parte nenhuma, nem de ninguém. Sei que não expus tudo isto e sei que peguei as coisas de forma superficial.


Acredito que havia escolha política sim. Assim como os ex-guerrilheiros argumentam que defendiam uma causa para o país, os torturadores podem dizer que prendiam, quebravam, torturavam em defesa do país, cumprindo ordens superiores. Aliás, é exatamente isto. As prisões eram feitas em defesa da Segurança Nacional. Que segurança? De quem? Os guerrilheiros defendiam a liberdade, mas também prendiam pessoas, seqüestraram, mataram. Efeito colateral? Pode ser, mas foi justo? Questiono ambos os argumentos que defendem parte a parte. Não pretendo defender lado nenhum, embora tenha uma tendência.


Obrigada, por me fazer enxergar meu orgulho e minha vaidade e me fazer refletir sobre minhas opiniões. O maior aprendizado é não deixar de fazer as coisas por medo de errar, é admitir os erros e aprender com eles."

Friday, 30 April 2010

A Dani também erra

A minha amiga Dani é uma pessoa bem informada, bem educada, e inclusive, de bom gosto. Carinhosa e sensível, ela é certamente um orgulho na lista de amizades de qualquer pessoa. Ela é ainda, no entanto, um exemplo da capacidade humana de resvalar no periculosamente escorregadio piso da falta de perspectiva que, muitas vezes mosaicamente construídos por poderosos interesses, pode significar doloridas quedas de opinião mesmo para espíritos esclarecidos.

O debate sobre a Lei da Anistia Brasileira (1979) e sobre a Arguicao de Descumprimento de Preceito Fundamental ADPF 153 (veja relatorio completo aqui) não é uma discussão sobre indenizações, Dani. Esse é um aspecto forçosamente ampliado do tema, por esses mesmos setores que comparam torturadores a guerrilheiros, para desqualificar a exaustiva luta de milhares de cidadãos do nosso país por justiça, por real democracia e por proteção dos Direitos Humanos. E antes que se pergunte sobre os “tais” Direitos Humanos – patrimônio da humanidade que ainda enfrenta preconceitos no Brasil – já que não é o tema per se deste post sugiro que se leia o simples, mas formidável artigo “E cadê os Direitos Humanos”, publicado na Carta Maior, de autoria de Roberto Efrem Filho.

Ainda assim, se fosse para se ater a este aspecto, a resposta, com fins amigáveis, creia-me, ao teu texto ("Sou contra") poderia começar apontando-se a existência de um vicio de origem, para usar uma expressão jurídica. Desaparecimentos políticos da época da ditadura militar não podem ser indenizados porque as pessoas em questão estão tcham-tcham-tcham, desaparecidas. Ou mortas, mais provável, como bem lembras. Então a questão é: quem as fez desaparecer? Ou como morreram? Quem as matou?

Agentes do estado é a resposta. Isto é, o Estado brasileiro. O Brasil é um dos vergonhosos países do mundo em que a próprio aparelho militar e de inteligência da nação foi usado contra seus próprios cidadãos de maneira violenta e sistemática. Estes cidadãos muitos dos quais pegaram em armas, sim, o fizeram porque não podiam ser cidadãos plenos dentro do seu próprio país, o fizeram porque todas as suas liberdades civis, humanas ao final, foram rasgadas tais como seus membros, solas dos pés e das mãos quando caiam nas celas da própria policia do país que os deveria proteger e zelar. Havia funcionários públicos, pagos com impostos de trabalhadores, para empalar gente, para promover terror psicológico, afogar-los em latrinas, sangrar-los até a morte.

Escolha política? Não, não houve escolha dos que combateram a ditadura, houve necessidade, houve reação contra uma desenfreada caça às bruxas promovida pelos paranóicos e ridículos generalecos brasileiros dos anos 60 e 70. Esse contexto nos foge ao entendimento quando vemos ou lemos sobre esse debate apenas através das noticias da grande mídia nacional, que se aferra a discussão medíocre dos ressarcimentos financeiros e cria expressões de causar ojeriza como “bolsa-ditadura”. Uma absoluta falta de respeito com o cidadão desse país que teve que sair do território nacional para não morrer, que teve que abandonar sua vida, SUA VIDA, sua família, trabalho, porque se reuniu com um grupo de cinco numa faculdade. Ou nem isso, ou nada, apenas tinha um Bertold Brecht na estante de casa, apenas usava uma camiseta vermelha num dia qualquer e teve sua casa revirada, seu pai levado à força, seu irmão espancado, seus amigos humilhados. Essa gente, que não ganha tanto como o Chico Buarque, merece sim ressarcimento, merece ser reconhecida como cidadãos brasileiros para quem o Estado falhou, o Estado perseguiu, violentou.

Comparar o uso dos recursos do Estado para promover a repressão doentia e “tarada”, como classificou o ministro Carlos Ayres Britto durante o seu voto a favor da revisão da Lei da Anistia (projeto lamentavelmente derrotado no dia 29 de abril no STF) com os meios usados pelos próprios filhos da nação para denunciar a falta de liberdade e o terrorismo de Estado é no mínimo leviano. Aliás, os que se aventuraram na luta armada urbana e na guerrilha rural (Araguaia) são tão ignorados pela nossa história oficial que nem estudamos isso no colégio. Reproduzir a ladainha que compara militantes de esquerda com torturadores profissionais pagos pela nação é – nada pessoal, Dani, mas tem que ser dito – uma insensatez.

Sim, houve seqüestros e assaltos por parte dos grupos de esquerda. Mas onde estão os militantes de esquerda que torturaram? Se existem, processo, vergonha publica e cadeia neles! Tortura é crime de lesa-humanidade, não é crime político ou conexo.

Não, Dani, quem lutou pela liberdade nesse país não é um criminoso vil e nem mesmo pegando em armas pode ser comparados, minimamente, aos que torturaram e assassinaram recebendo pagamento dos impostos dos nossos pais e avós. Aquele Estado foi uma vergonha e nós não somos iguais a ele. Mas essa vergonha continuará latente enquanto permaneça vigente a constrangedora lei da anistia para os torturadores.

Esquecer é impossível. E indevido. Deixo o texto de Federico Mayor Zaragoza, ex-diretor da Unesco, recém publicado no seu blog, como reflexão:


“Olvidar es imposible. E indebido. El recuerdo, sobre todo después de tantos años, no conlleva sentimientos de venganza ni animadversión. Las víctimas saben que, a estas alturas, el conocimiento de la verdad les permitirá condenar el hecho delictivo pero ya no al delincuente. Sin embargo, podrán participar en la construcción de democracias en las que las ideas y actitudes que llevan a estos desmanes no puedan repetirse, y quienes hoy mantienen posiciones de esta naturaleza deban rectificar su comportamiento.

Descubrir lo que sucedió exactamente y sin fronteras, para paliar el dolor de las familias y amigos de las víctimas, para que "sepan" lo acaecido y obtengan las compensaciones a que haya lugar.

Sólo con memoria, con el conocimiento en profundidad del pasado, sabremos construir un futuro apropiado a nuestro destino común. Memoria del porvenir. El pasado ya está escrito. Debe describirse fidedignamente. Pero el por-venir (me gusta repetirlo) está por-hacer. Y sólo podremos hacerlo con memoria sin fronteras, con justicia sin fronteras.

Una justicia que aplique leyes progresivamente perfeccionadas con imparcialidad, con la mayor objetividad posible... y que no vuelva a repetirse el espectáculo incomprensible y bochornoso de leyes interpretadas según la ideología y pertenencia partidista del juez.

Justicia sin fronteras para una memoria sin fronteras, imprescindible para la convivencia armoniosa que todos anhelamos.

Como científico, sé que el futuro es lo único que importa y no puede diseñarse desde la bruma, la ambigüedad, la mentira, la simulación... Sólo habrá democracia genuina --sépanlo bien quienes acusan a los que piden memoria y justicia de ponerla en riesgo- cuando todos podamos mirar hacia atrás y hacia adelante libremente, conjuntamente.”

Saturday, 3 April 2010

Ao meu amigo Clarman

Clarman, sei que agora não podes ler esta mensagem. Eu, com um nó na garganta, penso onde estas e decido registrar aberta e emocionadamente o quanto acredito em ti. Faz alguns anos que não nos vemos, mas vez que outra me chegam noticias, sempre boas, tuas. Hoje leio incrédulo um email do Buchle sem poder disfarçar a tristeza. (Acidente com viatura deixa policial em estado grave). Busco toda a fonte de informação possível sobre ti, anão, e logo me lembro de orar. Já não é mais um dos meus hábitos, mas peço a Deus que ele faça chegar a ti toda a força da nossa amizade que tento emanar com a lembrança de tantos anos, tantas aventuras nos Desbravadores, tanta solidariedade e aprendizado na infância e na adolescência. Eu sei quem tu es, meu amigo, sei da tua garra e vontade, e mesmo de longe no tempo e no espaço eu estou contigo hoje em pensamento e fé. Em breve este ano estarei ai e fica marcado nosso encontro desde já! Força e paz, Clarman! Forte abraço!


Saturday, 30 January 2010

"Isso é Brasil!"

(Foto: Liza Gutierrez)

(*O titulo do post recorda o "famoso" Paulinho Bem Brasil, figurissima da cidade de Pelotas e absoluto VIP da saudosa boate do Direito...)


Recebi o correio abaixo da jornalista Josiane Maciel. Como um admirador da cultura popular e fã da Várzea pelotense, fiquei animado com a idéia do evento. A possibilidade da perspectiva nos permite explorar e perceber a riqueza de certos temas. Não sou adepto de nenhum tipo de credo, denominação ou manifestação espiritual, porém, estando fora do pais há algum tempo, tendo a reconhecer mais o enorme valor antropológico das expressões afrobrasilerias nesse sul do sul do Brasil.

Alias, segundo o IBGE só no Barro Duro (localidade da praia do Laranjal de Pelotas) há mais de 50 casas candomblé e/ou umbanda. É um patrimônio que costumamos a "take for granted" quando não relativizamos um contexto que tem cara de universal só no seu ambiente, mas deveras fascinante quando ampliado.

A festa de Iemanjá é sem duvida um desses admiráveis patrimônios, e uma celebração dessas ali, nas Doquinas, no “meu” "Quadrado", vale a pena!

Deixo a mensagem de Vera D'Yansã, organizadora do evento, buscando colaborações. A naturalidade da linguagem tão cheia de singularidades do local e do contexto é fantástica! Some-se a isso a vibrante lista de pedidos de colaboração.
O Quadrado vai girar no dia dois!



Festa de Iemanjá do Quadrado




"Vimos por meio deste solicitar a vossa ilustríssima senhoria apoio a Primeira Festa de Yemanjá do Quadrado, que realizar-se-á a partir das 22 horas do dia primeiro de fevereiro, constituida por giras e passes nas quatro linhas da Umbanda: Caboclos, Pretos-Velhos, Ciganos e Exus.

O evento espiritual visa reunir às margens do Canal São Gonçalo cerca de 3.000 fiéis que participarão entre mediuns e assistência, comandados por diversas casas de religião afroumbandistas da Várzea, entre elas Amigos da Cigana Alzira e Reino de Yansã e Rainha das Sete Encruzilhadas, este último responsável pela gira de ciganos.

Tradicionalmente, a linha de ciganos reparte o seu axé através da distribuição de alimentos, jogando flores e perfumes em devoção a Rainha das Águas, mãe Yemanjá, regente de 2010.

Deste modo, listamos a seguir tudo que vamos necessitar para o bom funcionamento deste evento, em especial da linha de Ciganos, a qual somos os responsáveis, para que vossa senhoria possa colaborar com o que for de seu agrado e recursos:

1. 4 porcos inteiros;

2. 40 sacos de carvão;

3. 300 melancias;

4. frutas diversas;

5. 1 peça de TNT azul;

6. 1 peça de TNT branco;

7. 80 vidros de perfume;

8. 2 mil copos descartáveis;

9. guardanapos de papel;

10. 1 bolo grande ou vários bolos pequenos;

11. Sucos artificiais;

12. Açúcar;

13. pétalas de rosas;

14. Flores diversas; (hortências azuis)

15. Foguetes

16. Equipamento de iluminação;

17. 40 pacotes de velas azuis e brancas;

18. 2.000 pães.


Para vossa senhoria entoaremos nossos pontos, cânticos e rezas, afim de implorar a Grande Mãe Yemanjá prosperidade, felicidade, saúde e muitas vibrações positivas para a vossa ilústissima senhoria e familiares, também disponibilizaremos espaços para a colocação de banners e faixas, se assim o nosso apoiador quiser, contando que não sejam distribuidos materiais comercias como panfletos e similares com promoção de pessoas, empresas, bens e ou serviços, festas e concorrências de preços, já que este evento tem por fim um caráter religioso.

Tudo o que conseguirmos será distribuído gratuitamente aos fiéis, não comercializaremos nada. Gostaríamos também de impedir a ingestão e comercialização de bebidas alcoolicas, contudo não temos poderes para impedir a venda destes nos bares e afins que se encontram na região, haja visto que o nosso objetivo é homenagear o Orixá Yemanjá na linha de ciganos enviando boas energias a todos os presentes. "

Vera D'Yansã (53)32793190 – (53)81173123

Diretora Espiritual do Reino de Yansã e Rainha das Sete Encruzilhadas

Thursday, 3 December 2009

Caravana de la Amnistía de Brasil en la ciudad de Pelotas



La ley de amnistía brasileña fue el resultado de un conjunto de luchas sociales contra la dictadura que ocurrieron durante aquel periodo. En Brasil y en el exterior fueran creados comités de madres e hijos de presos políticos que defendían una amnistía amplia, general e irrestricta. La ley aprobada en 1979 no atendió todas las expectativas de la sociedad civil. Fue excluido del indulto los condenados por “prática de crimes de terrorismo, assalto, sequestro e atentado pessoal” . En realidad, la medida tenía como objetivo evitar la amnistía para los participantes de la lucha armada.



Asi como en El Salvador post Acuerdos de Paz, la lucha por memoria, verdad y justicia en el Brasil post dictadura militar ha estado siendo llevado a cabo por la sociedad civil organizadas y por las familias de los muertos y desaparecidos. Desde la redemocratización del país, ningún gobierno ha enfrentado con seriedad la cuestión hasta la llegada del Partido dos Trabalhadores (PT) al gobierno federal.

Entre las principales iniciativas gubernamentales para Memoria Historica, reparación de las victimas y aplicación de la justicia transicional puestas en práctica a partir del gobierno Lula merecen destaque:



  • Memorial de la Amnistía Política






Caravana de la Amnistía en la ciudad de Pelotas- RS



"A última edição da Caravana da Anistia de 2009 acontece nesta sexta-feira (4) em Pelotas, no Rio Grande do Sul. Na ocasião, serão julgados cerca de 150 processos de gaúchos de todas as partes do estado que foram perseguidos politicamente durante o regime militar (1964-1985).

Em sua 32ª edição, a Caravana contará com a presença do ministro da Justiça, Tarso Genro (foto), do presidente da Comissão, Paulo Abrão, dos reitores das universidades Católica e Federal de Pelotas, Alencar Proença e Cezar Borges, do presidente da OAB da cidade, Marco Aurélio Fernandes, do Procurador da República em Uruguaiana, Ivan Marx.

A abertura está marcada para as 9h, no auditório da Faculdade de Direito da Universidade Federal, quando acontecerá sessão de memória em homenagem aos perseguidos políticos do estado. Os julgamentos, que serão realizados simultaneamente por cinco turmas, começam às 10h30.

Segundo o presidente da Comissão, Paulo Abrão, com esta Caravana da Anistia espera-se promover um amplo resgate da memória política do Rio Grande do Sul, através do relato de aproximadamente 150 casos de perseguição política praticados no Estado ou contra seus cidadãos. “A Caravana permite à sociedade conhecer melhor seu passado e, ainda, conferir de perto os trabalhos e critérios de julgamento da Comissão de Anistia”, avalia

Esta não será a primeira vez que o projeto da Comissão de Anistia passará pelo Rio Grande do Sul. Em outubro de 2008, a Caravana da Anistia realizada na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul,em Porto Alegre, anistiou o ex-governador gaúcho Leonel Brizola e o ex-prefeito porto alegrense Raul Pont, por exemplo.

Antes, em julho de 2008, a Caravana esteve em Caxias do Sul, no âmbito do 29º Encontro Nacional de Estudantes de Direito (ENED). Cerca de 1,5 mil pessoas participaram do evento, que anistiou perseguidos políticos de membros do “Grupo dos Onze”, organização criada em 1963 por Leonel Brizola cujo objetivo central era a promoção da reforma agrária no país. Também aconteceram edições do projeto em Charqueadas e São Leopoldo.

Por todo o Brasil

A Caravana da Anistia é uma ação educativa da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça. Desde abril de 2008, promove sessões por todo o país – já passou por 16 estados e julgou mais de 500 processos. O projeto pretende resgatar a memória política do Brasil e aproximar os jovens da luta pela democracia.

Em Pelotas, são parceiros da Comissão na realização da Caravana os seguintes órgãos: Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal de Pelotas, Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), Universidade Católica de Pelotas (UCP), Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) - secção Pelotas, União Nacional dos Estudantes (UNE), União da Juventude Socialista (UJS), Diretório Central dos Estudantes da UFPEL, União Estadual dos Estudantes (UEE) e Movimento de Justiça e Direitos Humanos (MNDH).
A Comissão de Anistia do MJ existe desde 2002, quando foi criada por lei aprovada por unanimidade no Congresso Nacional. O órgão recebeu 65 mil requerimentos de anistia política desde então. Cerca de 54 mil processos foram julgados – 35 mil foram deferidos. Em apenas um terço dos casos aprovados, houve reparação econômica por comprovados danos morais e/ou materiais.

Data: 04 de Dezembro de 2009.

Hora: 09h

Local: Faculdade de Direito da Universidade Federal de Pelotas"

Monday, 7 September 2009

Menus de Satolep 3 - "Só carne para levar"


Terceiro post da serie Menus de Satolep (veja 1 aqui, e 2 aqui), registrando as idionsincrassias dos cardapios da cidade natal, no sul do sul da America do Sul.


Essa é de um `venue´ também considerado clássico na Princesa, onde os croquetes constituem sua mais famosa iguaria. Como dizem os locais: "Vá toma no Cruz"!


Almoço nos pampas é assim, "só carne para levar".


Foto de Bernardo Vaz.

Friday, 10 July 2009

Menus de Satolep 2 -" Bife Simples Picado"


Da serie Menus de Satolep, em parceria com o indefectivel Bernardo Vaz (responsável pelas fotos), novo post com outra délicatesse satolepiana.

O "bife simples picado" que se ve no menu da imagem acima é servido no especialissimo, patrimonio cultural, classico da boemia da cidade onde todos os finais de semana toca o mestre Avendano e o seu Regional, "Liberdade".

Thursday, 4 June 2009

Menus de Satolep - "Meia porçao de bolacha"


Con el permiso, nuevamente, de los hispano-hablantes que eventualmente echan un vistazo por acá, voy a publicar, a medida que me lleguen, unas notas sobre el cuan peculiar son algunas ´délicatesse´ que se encuentran en la cartas de comedores, bodegas, cafés y asemejados en mi ciudad natal, en Brasil. Luego, con perdón del paréntesis, esta dirigido a registros “pelotenses” y es chistoso solo en portugués.

Lançamos hoje, fazendo eventuais parenteses sobre temas salvadorenhos, uma rápida serie de posts sobre curiosidades dos cardapios de Satolep. Sim, de Satolep, porque em Pelotas a gastronomia é outra. Esses pedidos só estao disponiveis na Pelotas ao revés.

As fotos sao do meu amigo oceonografo, doutor em piscicultura, experto em sistemas linux, e integrante da voz do timpano no Conservatorio de Musica, Bernardo Vaz.

A primeira é esta pérola, misteriosa e instigante, de um dos lugares mais clássicos de Pelotas, onde o destaque é o fabuloso “meia porçao de bolacha”. Alguém sabe de onde é esse cardápio?

Saturday, 4 April 2009

Churrasco e Chimarrao


Entre un mate y otro de una tarde de sábado de sol catalán, fijo en el cielo pero que aun no calienta lo suficiente, y unas canciones del Brasil sureño, chequeo mi correo para con sorpresa encontrar los textos abajo que me los enviaran desde aquella tierra natal. Buena coincidencia para alimentar una sana nostalgia de vez en cuando. Son colaboraciones de un residente en la ciudad de Pelotas para un blog local que, al comentar sobre su suegro, trata con propiedad de dos patrimonios de los gauchos brasileños del Rio Grande: chimarrao e churrasco.


En un portugués con varios matices gauderios, que ni muchos brasileños de otros estados son capaces de descifrar, dejo ahí un manifiesto de “saudade” a través de la descripción de esos dos elementos culturales a los cuales somos tan aferrados, y celosos.




No texto sobre o sogrão, na semana passada, ficou faltante falar do chimarrão - a que ele era chegado. Lembro que não gostava de rodas grandes de mate, onde um não ronca, o outro mexe na bomba e a outra se esquece da vida com a cuia na mão."Mate eu tomo", dizia, de manhãzinha, solito com meu pala e meio emburrado!

Particularmente não sou daqueles que toma chimarrão o dia todo. Aprecio com moderação, também não sou de rodas de assuntos cruzados, e nada de chimarrão de uruguaio, curto como coice de porco. Gosto de cuia grande, bomba que não entope e erva forte, sem jujo e gostos estranhos. Interessante saber que o chimarrão ou mate é uma bebida característica da cultura do sul da América do Sul, um hábito legado pelas culturas quíchua, aymará e guarany.

Os guarany, lá pras bandas do Paraguay, tomavam o chá de ervas em copos feito de taquara, (bambu) assim como a bomba, mais fina e com furos embaixo. Os desbravadores, nômades por natureza e os soldados espanhóis que andaram por aqui e acolá, nos idos 1500, saudosos do lar e das patroas, tomavam homéricas borracheiras. E observaram que, tomando o estranho chá de ervas utilizado pelos índios, o dia seguinte ficava bem melhor e a ressaca sumia por completo.

Tem ainda o causo do primeiro mate. Conta a lenda que os jesuítas, achando que o mate era afrodisíaco e, para evitar que os índios passassem a maior parte do dia mateando, criaram o mito entre os silvícolas cristianizados que Anhangá Pitã (diabo) estava dentro do mate.Mas os padres não se deram bem nessa tentativa.

O hábito salutar sobrepujou o temor que lhes fora impingido. Por isso, toda vez que o índio ia tomar mate com outros, tomava o primeiro como demonstração que Anhangá Pitã não se encontrava no mate.Lembrando que o chimarrão tem propriedades desintoxicantes e eficazes numa alimentação rica em carnes, fico com este singelo versinho:“Ceve o mate da felicidade com uma chinoca recatada e dona de si, e mate é como sabugueiro do campo: bom prá tudo.”

Luiz Minduim, da equipe do blog www.amigosdepelotas.com

Saudades do meu sogro que estaria completando oitentinha, figuraça com quem tive o privilégio do convívio. Quem o conheceu sabe do que falo. Um gauchão típico, irreverente, balaqueiro e mandão - como todo Ariano.
No início foi difícil, ele desconfiado, não entendia porque a filha bonita e prendada tinha de se engraçar com um paulista, cabeludo e, ainda, artista plástico.Perguntava-me sempre: - Como é seu nome mesmo? Você faz o quê? É pintor... Ahhh! Mas era tudo jogo de cena, seu jeito característico de se exibir, marcar território e fazer troça.

Com ele aprofundei meu interesse pelas coisas do pampa. Usava muito as comparações: - Quieto como guri cagado em porta de rancho. - Tranqüilo com cozinheiro de hospício... (inspiração para desenhar um livro de adágios gaúchos).

Mas o principal aprendizado foi o do churrasco. Costumava afirmar: - Como churrasco oito vezes por semana!

Fim de tarde, um tio trazia meio capão ou uma ovelha de fora, assados sempre em churrasqueira de tonel, pedaços inteiros, costela, paleta e quarto. E enquanto a filharada (sete) trovava e cantava eu ficava ali de revesgueio, prestando atenção no preparo.

Aprendi a tirar as catingas, espetar, saber reconhecer borrego, boca cheia, ovelha, capão, usar o fogo como aliado.

- Não se mexe no fogo, só na carne! A carne era salgada com salmoura de sal grosso e água quente, quando já estava quase pronta.

O auge era tal de volta do Guerino, um corte em meia lua na lateral da paleta, sem tocar no osso: – Vou dar um talho que não tem doutor que costure!

A mesa era original: duas taboas de polegada com altura do joelho, onde a carne era servida, cortada e devorada, sem pratos, saladinhas e outras frescuras.

Com o tempo me formei assador, e nos últimos anos, já escolhia e comprava a carne dos assados domingueiros. Um paulista iniciado por um gaudério de Passo Fundo... mas, bah!

Hoje imagino o Hybirá na invernada das nuvens, fazendo anjo de mandalete: - Me traz uma carteira de róliu, piá, ligeiro...

Monday, 7 July 2008

Liberdade e Avendano. Spread the word!!




Embora fora de contexto das tematicas deste blog, esta novidade eh preciso registrar. Acabo de conhecer, atraves da blogsphere, o blog da produtora de cinema independente de Pelotas, Moviola. Entre varios projetos bons que tenho certeza estao sendo desenvolvidos, ha o anuncio na pipeline de um documentario sobre o bar Liberdade e sobre o mestre Avendano e seu grupo regional (na foto acima apareco "todo-bobo" ao lado do professor, e meia cabeca da Duca). O tema em si ja faz com que a iniciativa mereca os melhores elogios! Nostalgia e orgulho a flor da pele.
Um pouquinho do trabalho que a Moviola esta preparando sobre Avendano pode ser visto
aqui.

Friday, 10 August 2007

German Measles there, Foot and Mouth here

The english version of the latest post below will be posted as soon as the proof reading procedure is concluded.

Rubéola lá, Aftosa aqui


De bermuda, mas com os pés gelados. Parece que há mesmo semelhanças entre Londres e Pelotas. Não que isso seja novidade. Ao menos não o é para o pelotense modus vivendis que, ao fim e ao cabo, adora comparar a umidade do pantâno(!) do sul com a da babilônia da rainha, adora associar a murrinha de inverno com o tal do fog, adora pensar que já sabe tudo isso. Que já sabe tudo, aliás...
Este ano temos um mês de verão, apenas. Agosto, até agora, tem mantido-se com sol. Claro que nubla por vezes ao longo do dia. Claro que é preciso levar um casaquinho na mochila para o final da tarde. Claro que, dado isso, não se pode chamar o período propriamente de verão, mas há um azul no céu. Então há luz, mas não há calor. E assim, como em inicios de outuno pelotense, veste-se meias com bermuda (ao menos em casa) mas as semelhanças não terminam por ai.

Como Pelotas e Londres coincidem
Há duas epidemias ocorrendo simultaneamente em cada uma das pontas do açude Atlântico. Pelotas vacina – e hoje é o último dia – pessoas para evitar a rubéola e a Inglaterra sacrifica – e hoje foi descoberto um possível novo foco – vacas para evitar a aftosa. Que coincidência!
Na aftosa, o animal afetado apresenta febre que diminui em menos de uma semana, olhos lacrimejantes e lesões nas mucosas e pele.
Na rubéola, o animal afetado apresenta febre que diminui em menos de uma semana, vermelhidão nos olhos e manchas na pele que iniciam no rosto e evoluem até os pés.
Aftosa em inglês chama-se foot and mouth (pé e boca) e as manchas características da rubéola, como mencionado, evoluem da boca para os pés. Que coincidência!
Mato ou vacino?
O que não coincide são as atitudes diante da situação. Na semana passada, tão logo a suspeita de um foco de aftosa numa fazenda perto da cidade de Normandy, a 50 km de Londres, foi apontada, um plano emergencial foi imediatamente inicidado pelas autoridades britânicas. Proibiu-se os deslocamentos de gado e porcos em todo o território do Reino Unido e se estabeleceu uma área de controle de três quilômetros e uma zona de vigilância de dez quilômetros. Até agora, 576 animais foram sacrificados.
Já em Pelotas, ainda que os indícios de uma epidemia de rubéola tenham se manifestado em maio, foi somente no dia quatro de agosto que o governo de lá iniciou uma campanha de vacinação para evitar que o virus atinja mais do que as 107 pessoas já contaminadas.
Além disso, rubéola mata animal humano, febre aftosa não. Rubéola é, literalmente, doença de criança e por isso mesmo perigosa para grávidas que quando infectadas, transmitem o vírus para o feto e estão sujeitas a um alto risco de aborto. A aftosa não produz impacto direto na saúde pública. O consumo de carne contaminada pela doença praticamente não traz risco à saúde humana, porém afeta bolsos. O pessoal do Sindicato da Indústria de Carnes do Rio Grande do Sul já tinha ficado todo animadinho com um possível aumento da importação da carne brasileira pela Europa, mas a Comissão Européia já disse que não, embora a Rússia tenha confirmado que comprará carne do Brasil. (leia noticia aqui)
Por fim, uma outra coincidência, é que a aftosa não afeta eqüídeos. Logo, ainda que, respectivamente aqui e lá, matem-se vacas e vacinem-se gente, o que sobra mesmo (de novo, respectivamente, aqui e lá) são cavalos, asnos e mulas!