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Tuesday, 1 August 2017

Textos curtos para Ítaca XCVaaIII??´~´???


A gosto

Sou Peixes cujo elemento é fogo. 
Sou de Oxum, mas quem me toca é Ogum. 
Meu ascendente é Áries, mas caminho sobre água. 
Da capo al fine, desejo tudo sem esperar nada. Minha adjuntó Yemanjá me acaricia com palmas afiadas.
Não é em vão que meu ano é o do Macaco. É grave meu sussurro, eu não grito. A alfaia do coco e o sopapo dos pampas retumbam ad infinito. Meu naipe é o baixo, minha voz é o tímpano. O que eu falo é soturno, mas límpido, e vivo.
Reverbero no escuro com os ventos. 
Eu gosto dos ventos. Eu quero os ventos. Eu, somos, os ventos.

Thursday, 24 September 2015

A idade do meio – ou Old horse with young heart flies across the sky (3)

“Não, não. Entenda. Dessa faixa dos 20-e-poucos tens que sair correndo!”. E eu não entendi. Sorri, mas não entendi. Hoje imagino que o ex-guerrilheiro salvadorenho me falava justamente da idade do meio, da idade do medo, “la edad aquella en que la certeza caduca”. Intertextualidades talvez seja uma marca, e por isso vou me permitir enormes excentricidades hoje. E porque não há certezas, é público.

Em um conceito simples: estamos entre 15 e 15. No meio, entre dois vértices cronológicos, diametralmente distantes de duas representações sociais, via de regra, inconciliáveis; convencionados e tipificados de acordo à narrativa mainstream que exige, que é naturalizada e, em sentidos opostos, igualmente nos demanda. Perplexo ou assombro – para um lado o jogo aberto, permitido, licenciado, perdoado; para o outro o caso dado como encerrado, estereotipado, julgado, cobrado. O mesmo período de tempo, precisamente aos 35, nos separa de dois forçadamente alheios “eu´s e minhas circunstâncias”. É o meio e o medo que o pendor conforma. Numa ponta dessa sincronia/diacronia, aos 50, apenas deves saber. Na outra, aos 20, saber é uma petulância. Mas estar ao meio é um fim.

Muitos de nós, dessa esquizofrênica última geração que fez o Segundo Grau sem Google (que se demarca só por ser “segundo grau”), aqui estamos, nessa faixa, ou precisamente neste ponto, ou inclusive mais além dele. Nem todos dão reflexão. Já eu, um fascinado pelo tempo, um admirador respeitoso e intrigado, apesar de ignorante, por essa dimensão todo-poderosa da existência, insisto em não abandonar a crítica e, como um bom espectador de mim mesmo, agarro-a com força tentando extrair tudo o que me dá, ou pode me dar, esse senhor Cronos (e/ou Kairos). Mas também o vejo passar desgringolada e abusadamente, fazendo escárnio da nossa estupefação e nossa pequenez, e só por vezes logro responde-lo com o mesmo dar de ombros.

Estou ao meio, e este é um fim. Dessa idade do meio/medo sobre a qual pensava em escrever desde o último aniversário, como o fiz ao cumprir os famosos 30 anos, deixei para tratar agora quando o período coincide com os dez anos à Ítaca, justamente neste setembro. Naquele mês de 2005 teve início esse período singular pra mim, nunca acabado, e que reverbera com insistência em um troço de chumbo derretido que se solidificou em forma de uma pena associado a uma mensagem: “change is your home”.

A capital britânica, um “monstro de escuridão e rutilância” próprio, é uma espécie de marco zero, depois da cidade natal, aquela “mais úmida do mundo depois de Londres”. De uma maneira estrambolicamente pessoal, de fato elas encontram alguma coincidência. Essas suas umidades, tão polissêmicas, as converteram em pontos equidistantes em uma jornada de cartografia contínua. Nesses dez anos, por sorte, torpeza, teimosia e aflição, obtive a possibilidade de viver em cinco países distintos, possível a partir daquela babilônia cosmopolita de milhares de sotaques e de encontros determinantes aos quais sou em um-sem-palavras agradecido. Àquela cidade-força somaram-se Recife, San Salvador, Barcelona, Heredia. Privilégio e amargura, caminho de eternas despedidas, ausências materiais e pessoais e sensação, simultânea, de tempo mal aproveitado e extraordinariamente utilizado. Definitivamente são lindos os paradoxos. A minha rota até Itaca é prolongada, tola e temerosa, tal qual imagino que foi o sonho de Kavafis.

É análoga à queda-livre. Já me atirei de um avião para descobrir que soluções não caem de paraquedas e, coincidentemente ou não, por exatos 35 segundos estive em total queda-livre, o que para mim foi como se apenas cinco tivessem passado. E era o final de um ano que foram cinco, como sempre deveriam ser, como um dia desejei que sempre fossem. A lona aberta que veio à sequência foi uma brincadeira, foi como estar numa roda-gigante em escassos minutos de recomposição, olhando a paisagem, desejando que assim que pousasse fosse possível subir de novo, como uma criança que desce pelo escorregador e corre para deslizar novamente.  O que não aprendi a esta idade foi o conselho de uma coisa de cada vez, mas ainda o tenho como um objetivo. Entendi, contudo, e desarmado, o clichê do presente, do não-futuro. E aceito.

Aceito, não sem essa melancolia que para mim é tão obrigatória quanto frequentemente desdenhada e rotulada, que estamos sós. Lamento as ausências, mas entendo que somos resultado delas. Tantos e tantas que nunca nos ocorreria que poderiam meramente ir-se, foram-se. Não porque morreram. Que se foda a morte! Falo dos que se ausentaram por vontade – ou circunstância, diriam – própria. Não importa se são falsos, patéticos, ingênuos ou de má-fé. Dá igual. Falam tanto em amor, arrogam-se exerce-lo, senti-lo, e não verdade são ratos de laboratórios. E que não se confunda ratos com camundongos. Quem dera fossem como os camundongos de Dostoievsky... São reféns de mediocridades assumidas, para os sagazes; e não percebidas, para os estúpidos, e de todo modo reféns, banalizados em nome de um suposto status quo. Não há paz, há trégua, egoístas.  

Recupero textos que escrevi nessa jornada e faço retentivas e adaptações “Y quién soy yo a final? Un periodista, un romancista, un anarquista?” escrevia em espanhol, sob o encanto da primeira visita ao país paterno, El Salvador, buscando sentido para a distância de casa, as horas de solidão, a autoimposição de disciplina, as inumeráveis facetas de mundos em descoberta de um despreparado adolescente que se aventurava a viver só na capital pra prestar vestibular. Tudo em mim era esperança – com uma incerteza e segurança em mim mesmo, simultaneamente; lindo paradoxo novamente. Misto de pragmatismo e utopia, fé honesta e ceticismo inquisidor, e música, sempre muita música. Uma eclética e sem-fim trilha sonora durante todo o caminho com cada cena encontrando seu som correspondente. E o eterno horizonte do ir, “hay que irse, salir, abrir y ver, hay tanto para ver”.

Eu hoje sou estúpido o suficiente para acreditar não ter sonhos, mas tinha esperanças. Há pouco tempo, contudo, uma amiga me entrevistou para um projeto audiovisual e não soube responder sobre esperanças, senão sobre o sonho, idílico, que é o voar, além de o de um metabolismo naturalmente mais lento que nos permitisse chegar aos 80 com corpo de 30. Continuo, instável, continuo buscando não-sei-o-que. Não vejo horizonte de terra firme, nem oásis. Naquele cruzamento em algum espaço-tempo entre a primavera e o outono, minhas realidades e passados, tão entremesclados como tais, se visitam sob o mesmo gris, vento, e persistente chuviscar que abaixo da Linha do Equador limpa os céus para a chegada do calor, mas no Hemisfério Norte anuncia o clássico contrassenso do começo do fim. Algo começa por lá. Algo termina aqui. Ou mais bem o contrário, eu já não sei.

Hoje, aliás, me é muito mais fácil e difícil ao mesmo tempo afirmar que não sei. Hoje o que mais me impressiona é o realizar que tudo permanece em poderosa tensão, tudo ainda brilha, transpira, fede, reclama, suspira e se joga, mas, honestamente, não com o mesmo pulso de vida como quando voltava do fim de semana em Pelotas para o “autoexílio” em Porto Alegre, carregando o afeto familiar expresso em biscoitos de aveia feitos pela minha mãe junto a uma alma constantemente inquieta.

Aquela inquietude era apenas criativa, hoje também é perturbada. Antes era apenas aquela que me faz entender a obsessão por filmar a própria sombra pelo Barrio Grácia, buscar placas de aviso entre Hackney e Islington, fotografar tags nas ruas de Atenas, de Recife, de Barcelona; colar adesivos sobre rios suecos congelados em Södermalm, desafiar a ressaca numa subida de um morro no sul da França, atirar-me de rochas ao mar do Chipre em Cavo Greco, torcer para que não acabem as horas em Chaputelpec, chegar até El Mozote na traseira de um caminhão. Hoje, “se ha roto el encanto, las burbujas se van reventando, hay cosas que duelen tanto, prefiero desangrarme en armonías de llanto y organizo mi rabia en métricas de espanto”.

Não trato o corriqueiro de um lugar como exótico e surpreendente só porque não é o "meu" corriqueiro. Nunca busquei, tampouco, a forçação de barra da integração, tentando fazer do estranhamento algo usual, artificializando-o por conta do desejo e/ou necessidade da adaptação. Tampouco porém estabeleci relações alienígenas, daquelas que não apenas apontam todas as supostas diferenças como também correm atrás delas por conta também do desejo e/ou necessidade de demarcar-se, buscar pertença. Um viajante não busca marcar diferenças - como o colecionador de curiosidades de antigamente para serem exibidas num circo de excentricidades. Busca antes encontrar as semelhanças na diversidade, busca a articulação no conflito. Em considerável medida sem querer, a palavra de ordem tornou-se desestabilizar. E a dinâmica de existência que resulta dessa instabilidade é angustiante e perturbada. 

Essas adaptações parecem, porém, novamente cada vez mais fáceis e mais difíceis ao mesmo tempo. A esta altura o sentir que ainda não se aprendeu nada é sólido, e "tudo que é sólido desmancha no ar". Abro mão de certezas em nome da suposta sabedoria para constatar. Se sou firme, confiante e opinativo, sou arrogante, autoritário e pretensioso; se sou inconstante, modesto, e ouço-mais-do-que-falo, sou hesitante, fraco, inconfiável. E por isso lembro-me, ou vou cada vez mais tentando aceitar, não sem indignação, um outro lugar. Este lugar de dualidades em que vige coragem x irresponsabilidade / humildade x insegurança. “Seja marginal, seja herói”.

Cenas e personagens aleatórios assim inusitadamente permanecerão nessa memória, tão abarrotada, e se misturam com outros indispensáveis e determinantes. Eu sempre quis viver realidades e não-sonhos e agora pago o tal preço. Eu já quis descarregar. Deixar de acumular, de absorver. Os olhos estão cheios, a mente está lotada, é tanto vermelho, tantas folhas, tanta inundação. Eu já fugi do sol com nostalgia pela neve, e voltei e gritei por ele, para depois me pegar saudando com uma respirada funda cada um dos escassos dias nublados encontrados. Agora livre porque vivo fugindo, numa viagem que não acaba nunca, esse meu escudo, calado, é tudo que sempre quero, é minha própria anátema.

Na nostalgia das pequenas convivências, na exotização do que está longe, no meio dessa opressora ordinarização de tudo, seeming like an eternal inbetweens life, entre idiomas, não-lugares e meios/medos, sigo fazendo questão de cisões e maldizendo-as. Não são apenas identidades cindidas, são também as identificações. Tudo é sempre só agora, tudo é despedida, tudo é finalmente. Mas é mentira, logo tem mais. Tento enganar a mim mesmo porque ninguém mais por mim cairia. Não há paz, há trégua.

Mas você não dá a mínima, ou sorri com o sorrisinho cretino dos pretensiosos, simplórios e rotuladores. Eu te mostro o dedo médio e dou boas-vindas a mim mesmo ao clube dos eternos insatisfeitos e inconformados, cuja filiação, apesar de emitir uma carteirinha atraente e brilhantes ás vezes é mais maldição do que benção. Eu sei que não participo solitário desse círculo marcado pelo paradoxo, mas estamos demasiadamente espalhados e nossas reuniões são muito eventuais. Por isso valorizamos tanto o encontro – e cada vez mais os reencontros em particular – e fazemos dele o bálsamo que cura a ferida dos constantes adeuses.

Não deixo nunca de pensar no lugar, nem nas ideias, nem nas ideias fora de lugar. Nem sempre sei aonde vou, mas costume saber onde estou. This eternal contradiction between the love and hatred I feel for this feeling of estrangement that always prevent me from really staying where I am, while at the same time makes me tired to be always going”. Nem tudo foi planejado, mas sempre tentei não desperdiçar nenhuma oportunidade – ou pelo menos nada daquilo que eu julguei ser como tal. Hoje das minhas várias referências, não sei realmente qual possuo. O lar, a estrada, o não-estar, o estar demasiado, a impermanência, o querer, o dever, a escolha, o legado, o sentido; todos estão relacionados, todos convergem, todos reclamam, todos se perdem, no tempo, e talvez no espaço, aquelas duas dimensões que alguns julgam inexistir, mesmo que nos venham como paredes contrapostas esmagando-nos, e onde “sobre a frágil base da realidade, a imaginação tece sua teia e desenha novas formas, novos destinos”.

Uma das coisas que imagino me quis dizer aquele salvadorenho é que entre tantos traços bons da juventude um ruim é afirmar-se sobre terrenos que se creem fixos e estáveis, tomando assunções aprioristicamente, crendo no que se reveste de irrefutabilidade – de novo um paradoxo - porque daí tem-se a própria necessidade de construção identitária, que lhe permite dizer o que "sou" e o que "não sou,", tendo como consequência a exigência de uma "solução", ou "resposta" - como se estas existissem num horizonte a se chegar, e basta trabalhar para alcança-las. Assume-se que um tipo de conhecimento é legitimo porque está dado pelo paradigma falseabilidade/comprovação que fazemos questão de entender como superior, e as consequências são graves, das mais socioestruturais às mais intimas. As mais intimas.

 “Es bueno abrir su corazón, es bueno pensar y preguntar pero si nunca sabes contestarte quizás es mejor hacerte otras preguntas”. Despedir-se faz com que tudo seja mais intenso. Sonhar e/ou fugir faz com que vida não alcance uma rima com tranquila. Em um tempo chegará a nostalgia e talvez a sua prima desgraçada, a insatisfação, ambas nos empurrando e empurrando a um beco sem saída. E ali em uma parede, embaixo de onde se lê “la beleza es tu cabeza” escreveremos para acrescentar com nossa cerveja, nosso sangue ou nossa merda: e que mal havia em não fugir?

Tuesday, 21 July 2015

Pernambucanos que são ...

--------------. Voltar ou não a Pernambuco é tanto uma certeza, momentânea, quanto um uma questão em aberto, a longo prazo. Porque desde essas poderosas terras de vulcões, cheias de provocações identitárias, centro-americanas, que estou agora, penso contudo e cotidianamente nesse lugar úmido e em brasa nordestino que também se tornou meu, onde hoje me dá terreno para minhas referências - neste jogo permanente de construção/desconstrução dos próprios sentidos.  

























Neste 15/07 estou em El Salvador, logo de uns sete anos sem visitar o lugar paterno, a família descendente dos povos originários pipiles desse centro-periférico do mundo E isso certamente me resultará em outro texto particular e aberto. Mas ainda quero fazer uma última homenagem a esses quatro anos de vivências cheias de aprendizado com a gente e a cultura  de Pernambuco, com tudo o que tem de bom e de ruim neste "maior-Estado-em-linha-reta" do páis ;).  Vai aqui um post único com esses registros que publiquei em separado nas últimas semanas, e mais algumas com outros personagens tão importantes quantos que não tive tempo de fazer um post individual. Essas fotos são a representação, entre super famosos e menos conhecidos, da minha tietagem, admiração, carinho, respeito, e muita, muita mesmo, gratidão ao povo pernambucano. -------------------

Thursday, 26 June 2014

Sobre mais uma ida

Há algo cada vez mais estranho, e que só vai piorar. Não me acostumo, nem quero me acostumar. Estranhamento, no campo da autorreflexão paradoxal, é na verdade um desejo, um requisito, dizem. ]Então talvez não caiba pensar como pior. Mas imaginar que seja melhor... Seja como seja, seja qual for a geometria que tenham, essas dimensões do tempo e do espaço, se é que são dimensões, elas corroem. Já dei adeus às referências, de lá, daqui, do outro lado, e elas seguem corroendo. Corroendo-se, corroendo-me. Neste caso em particular, que é tão particular, cada vez mais me convenço que cada ida é cada vez mais estranha. E nostálgica, sempre, porque a nostalgia é essa eterna fiel companheira. Para muitos, porém e tristemente, indiferente. Ou pelo menos querem que assim seja ou pareça. Mas o estranhamento, em todo o lugar, mesmo ali, é mesmo requisito, dizem. Cada vez que vou eu penso em, "desta vez", não procurar nem avisar a ninguém. Mas porque me importo, repenso, faço. Talvez sejam só as circunstancias, sempre tão voláteis. Tão daquilo que chamamos de jornadas e suas, muitas vezes cruéis e segregantes, diferenças. O que eu sei, eu acho, é que eu me importo. Importar-me faz-me sentir vivo, acho que o faz a todos. O que eu não sei, eu acho, é o que foi o melhor, nem o que é o melhor. Mas me importo. Sobre esta vez, com alguns desses, incríveis, membros dessa finíssima lista que chamamos amigos, conseguimos! Lamento não ter visto outros que também se importam, nem ter registro com outros que vi que também se importam, ou termos nos limitado a eventuais cruzadas pela rua, ou combinações que ficaram pendentes. Aprendo, infelizmente, que o presencial é fundamental. O tempo e a distância corroem. Mas eu sinto e me importo.

Thursday, 17 April 2014

Laclau e Garcia Márquez


São duas mortes esta semana. Duas perdas de referências de reflexão, de magia, de realidade. Dois latino-americanos da mesma geração que ganharam o mundo por seu talento e ideias, idolatrados e referenciados, que de tão importantes me faz urgir, na minha pretensão pessoal, um convite a um registro em deferência, perdido, neste espaço tão intimo quanto público que cultivo com prazer.
 
Explicitar e homenagear o que se conhece na jornada é parte obrigatória dela.


Politica e lirismo sempre se misturam, tal como Laclau e Garcia Márquez. Tive a oportunidade de conversar com o primeiro no ano passado, e fazer a posteridade com orgulho; nunca tive o mesmo privilégio e sorte
de conhecer a Gabo.

Obrigado, mestres. Seus respectivos legados, em campos paradoxalmente tão distantes quanto próximos, seguirão perenes, pra nossa admiração e inspiração.

Monday, 16 September 2013

Oito anos de jornada à Ítaca

Hoje faz oito anos que iniciei a "jornada a Ítaca", chegando a Londres num curioso e aventureiro setembro de 2005, logo após os atentados do metrô. Nesse caminho desde então as paradas tem sido além de Londres, Barcelona, San Salvador e Recife. "A viagem não acaba nunca". Deixo o poema-lema inspirador de Kavafis.


ÍTACA (Konstantinos Kavafis)

Cuando salgas en el viaje, hacia Ítaca

desea que el camino sea largo,

pleno de aventuras, pleno de conocimientos.

A los Lestrigones y a los Cíclopes, al irritado Poseidón no temas,

tales cosas en tu ruta nunca hallarás,

si elevado se mantiene tu pensamiento,

si una selecta emoción tu espíritu y tu cuerpo embarga.

A los Lestrigones y a los Cíclopes ,y al feroz Poseidón no encontrarás,

si dentro de tu alma no los llevas, si tu alma no los yergue delante de ti.

Desea que el camino sea largo.

Que sean muchas las mañanas estivales en

que con cuánta dicha, con cuánta alegría entres a puertos nunca vistos:

detente en mercados fenicios, y adquiere las bellas mercancías,

ámbares y ébanos, marfiles y corales, y perfumes voluptuosos de toda clase,

cuanto más abundantes puedas perfumes voluptuosos;

anda a muchas ciudades Egipcias a aprender y aprender de los sabios.

Siempre en tu pensamiento ten a Ítaca.

Llegar hasta allí es tu destino. Pero no apures tu viaje en absoluto.

Mejor que muchos años dure: y viejo ya ancles en la isla,

rico con cuanto ganaste en el camino, sin esperar que riquezas te dé Ítaca.

Ítaca te dio el bello viaje.

Sin ella no hubieras salido al camino.

Otras cosas no tiene ya que darte.

Y si pobre la encuentras, Ítaca no te ha engañado.

Sabio así como llegaste a ser, con experiencia tanta,

ya habrás comprendido las Ítacas qué es lo que significan.

Thursday, 16 May 2013

Whoever has travelled is jealous of Ithaka


"all those on land are eaten up by the vrilletes 
but whoever has travelled is jealous of ithaka

to you i will always return
and if it is not enough
become a boat
so that i can become a port

let us see who will last
and who will play his role best

since you never understood
that you have always been my shield, my bow and my arrow"

Friday, 19 April 2013

Fazendo a cachola trabalhar, de derivações pra outros fins, extrai:


ENTRE PERNAMBUCO E RIO GRANDE DO SUL – CONSIDERAÇÕES SOBRE O “MULTICULTURAL” QUE NÃO SE CONHECE

Uma das características mais celebradas do Brasil que se orgulha de ter em si mesmo tantos Brasis, no limiar de ser estereotipada, é “a imensa diversidade multicultural da nação”. É já quase uma marca em sim mesma, um rótulo, a linha-mestra de um discurso cada vez mais introjetado e repetido para definir o país de uma forma que soe ampla e conectada, da qual muitos governos se servem fartamente, ainda que nem sempre esteja acompanhado da reflexão, e da ação, que o legitime.

Apontar o Brasil assim, celebrando seus universos multiculturais, busca abranger um todo que, paradoxalmente, ainda define pouco. Em entrevista recente a um website brasileiro de notícias, o professor pernambucano de sociologia Fábio Medeiros, falando sobre a pluralidade cultural de Recife, afirma que um dos méritos do multiculturalismo é provocar a interação e gerar a tolerância e o respeito na sociedade.

Como discurso, a importância da expansão do reconhecimento do viés multidentitário brasileiro é fundamental para a consolidação de um projeto de país que se veja, se questione, se respeite. As políticas federais brasileiras nos últimos anos, de fato, tem buscado promover a percepção da multiculturalidade através da afirmação do “local” em relação e com conexão ao “global”.  O estabelecimento de ações como os Pontos de Cultura, valorizando experiências dos mais inusitados recônditos do país e que neste momento está em plena execução, permitiu a potencialização de iniciativas culturais existentes através de redes orgânicas de gestão.

 Mas se hoje somos capazes de começar a perceber os brasis dentro desse universo, não entendemos, por outro lado, sua emergência e sua condição. Prevalece entre os extremos de um país de dimensão continental a observação de sua simples existência e não-raro a isso limita-se e, portanto, se faz  tão exótica do norte para o sul quanto vice-versa.

As pontes entre esses brasis ainda são escassas. O uso da expressão “diversidade multicultural brasileira” parece apresentar-se como um conceito suficiente para muitos e, assim, ignora-se que essa condição deveria servir como provocação para que essa pluralidade de brasis se conheça. Algo que pode se dar a partir de conexões de redes de ativistas e grupos culturais, sim, mas também de política pública formulada e com recurso e estrutura alocada para que o paradigma também seja o das trocas local-local. Hoje, ao mesmo tempo que começamos a nos ver multicultural, não enxergamos os significados e as possibilidades disso.

Quem percebe a importância de, concomitantemente ao discurso, avançar também em iniciativas que efetivamente façam tais conexões? Por que falar em cultura negra do Rio Grande do Sul é vista com olhos de surpresa pela a maioria do cidadão médio pernambucano? O que é o sopapo em Pernambuco? O que é a alfaia no Rio Grande do Sul? As culturas locais são entendidas como nacionais? As singularidades de um país de diversidade cultural devem ser tão particulares ao ponto de gerar em um gaúcho tanto estranhamento ao ritmo e a dança do coco quanto um pernambucano à música nativista? O que é meu como Brasil-local não pode também ser compartilhado e entendido pelo Brasil-nacional?

 Há muito esforço para o reconhecimento e valorização do local e pouca reflexão e ação sobre o que fazer com isso. Entender a si mesmo é entender sua posição em relação ao outro. Hoje, o outro, no mesmo solo nacional, é distante.

No Rio Grande do Sul faz frio, em Pernambuco faz calor. O Brasil que se projeta globalmente limita, entre seus próprios nacionais, sua noção de si mesmo tanto quanto o faria um estrangeiro; que tem o álibi de ser, justamente, um estrangeiro. Entender-se brasileiro não é só entender o Brasil-local, senão imprescindivelmente este local e sua interação, coincidências e diferenças com o Brasil-nacional. Analogamente, trata-se de uma espécie de reprodução em escala nacional interna da posição do país ao continente, pois somos da América Latina, mas grosso modo na consciência identitária brasileira latinos são os outros. Para que os locais assumam sua condição de global não basta apenas valorizar-me pernambucano ou gaúcho e ESTAR, desse modo, brasileiro. É necessário o SER brasileiro, apoiado no espaço local, mas projetado num fim de compreensão integral que só pode se realizar através da experiência concreta, estendendo-se pontes, promovendo trocas e entendimentos das relações de poder e socioculturais.

Se o trinômio sol-samba-futebol ainda é o que povoa o imaginário da percepção cultural-identitária estrangeira sobre o Brasil, qual seria a equação pela qual o próprio país se entende? Ou essa conforma um clichê do qual muitas vezes o próprio país não quer se afastar? Como se procuram, se trocam e se relacionam, por exemplo, o rural, o sertanejo, o bucólico, os pampas e o litoral? Assim como o Brasil de fronteira se caracteriza em sua realidade, (por exemplo, o Brasil sulista com os povos castelhanos do Rio Del Plata) quais são as intersecções e intercâmbios que o Brasil faz ou quer fazer consigo mesmo?

Pensar o mundo não é uma abstração, e deve iniciar-se pela compreensão da pertença a uma unidade nacional, isto é, um todo que se estabelece pela interação das partes; abrir-se para o mundo e dialogar com o global começa trazer o Brasil para cada parte que o compõem e tornar-se cada vez mais parte dele.

Há a necessidade urgente de explicitar o espírito do Brasil através do engajamento em um processo de conhecimento mutuo dos diferentes espíritos dos vários “brasis” – que coexistem no mesmo corpo territorial – e que a partir de permanentes sessões de sincretismo cultural fazem dessas partes um todo consolidado. 

Tuesday, 19 March 2013

Una reproducción *


"Tu “falas” lo mismo amigo.

Es bueno abrir su corazón, es bueno pensar y preguntar pero si nunca sabes contestarte quizás es mejor hacerte otras preguntas.

Un eterno océano de sueños y las coincidencias paralelas: al momento que concluyes con Lubitsch termino de mirar la 38ta Ceremonia de los Cesar.

¿Y sabes que me digo viendo esta gente tan bien vestida que sube y baja para recoger sus premios?

Que un día estaré ahí. Si en dirección! Y tu Clarisse de guionista y tu Zoé en fotografía.

Te sorprenderé quizás, pero ahora como Tiempo y Calma han entrado en mi vida, no me presiono corazón y me pongo una fecha bien lejana: la 52da ceremonia!

En 14 años talvez…

Luego te leo y me pregunto ¿por qué necesito desafiarme así? Así como te preguntas porque necesitas moverte siempre.

Tomo en serio tu reflexión sé que el no entender te vuelve aún más loco pero no puedo impedirme sonreir al leer que tienes saudade del frío cuando yo cada mañana sufro de los – x grados que acompañan mis pasos.

Una vez si, una vez no, así que…¿nos sentamos para tomar un açaí?



Despedirse hará que todo sea más intenso,

Soñar y/o fugar hará que vida no rima con tranquila.

Un tiempo… luego llegarán Nostalgia y quizás su prima la jodida Insatisfacción, ambas empujando y empujando en un callejón sin salida

Y ahí escrito en la pared a bajo de La belleza es tu cabeza

Podremos quizás añadir con nuestra bira, nuestra sangre o nuestra mierda “¿y que mal tenía la normalidad?”"

* que será contestada :)

Tuesday, 12 March 2013

"(...) um filme Nacional chamado "O Homem que desafiou o Diabo", é um conto Nordestino, muito bom. Saberás do que estou falando!

"E Ojuara caiu no oco do mundo, único caminho para a terra de São Saruê, onde o pé-de-vento dá água, os rios são de leite e as montanhas são de rapadura." 

(...)

Te cuida onde estiveres, Ojuara, opssss..."

Friday, 22 February 2013

Old horse with young heart flies across the sky (2)*


* (2) porque houve um primeiro (...) em fotos apenas:  http://deiticos.blogspot.com.br/2011/07/old-horse-with-young-heart-flies-across.html


Vou me permitir enormes excentricidades hoje. Já que é quase amanha, e não tenho mais saco nenhum para escrever mais nada que não sejam essas expressões de vontades patéticas de sei-lá-o-que e que, mesmo assim, urgem e se acumulam. Entre fumaças, doces regionais e refrigerantes de cola (a essa hora!) dá até vontade de fazer coro ao burburinho lá de baixo, mas entre a falta de companhia presencial e a certeza de que tal combinação de glicoses em tal momento da vida já pode ser visto como uma extravagância, lembro-me, ou vou cada vez mais tentando aceitar,  um outro lugar. Este lugar.

      O de ponderações preocupadas. (ir, vir, ficar, me deixem dizer “não sei”!)
      O das alterações gastroesofágicas (não sabia que omeoprazol era tão comum e conhecido; não quero fazer endoscopia)
      O de dualidades coragem x irresponsabilidade; limites entre humildade x insegurança. (Se sou firme, confiante, opinativo sou arrogante, pedante, pretensioso; se sou inconstante,  modesto,  ouço-mais-do-que-falo sou hesitante, fraco, inconfiável).

A esta altura e ainda não aprendi nada!
Abro mão de certezas em nome da sabedoria e me tacham.
Estou me deixando moldar/determinar pelo lugar?

      O do uso do verbo voltar. (Se ao menos eu pudesse me lembrar de todas as músicas que nos mandamos; Eu “voltei”? Aqui me faz sentir mais dúvida do que nunca?  Do que nunca? Hmm, não sei, talvez não...).
      O do lugar de se poder beber à vontade nas ruas, em contraste com aquele que te multam em 80 pounds – agora deve ser mais! – em caso de vômitos públicos.
      O da valorização mais dos reencontros do que os encontros (alguém falou isso antes de mim, e sim, exemplos de reflexoezinhas que compartilhamos).

Eu me desespero num silêncio vergonhoso. O burburinho diminui (mas vai ter gente embaixo da minha janela até às 3h da madruga...). Minhas tantas histórias que ninguém sabe, minhas tantas fotos que ninguém viu.

Leio agora na entrada da loja de conveniências de um posto de beira de estrada o cartaz de “Proibido entrar sem camisa” com a obviedade de quem tem como natural que o sol já é forte às 6h da manhã. E onde é o natural? Qual parâmetro aceitar? Por que as adaptações parecem mais difíceis dois anos depois?

Som, som som. Em todos os lados o barulho do centro de um Recife que já me basta. Mas onde é que eu me basto? Because my soul will be the song of the deser that will be following you”
Essa nostalgia das pequenas convivências, essa exotização do que está longe; Recife me faz sentir saudades do que está longe. Londres também fazia. Aliás, só se tem saudades do que está longe.

Livre porque vivo fugindo, a viagem não acaba nunca; esse é o teu escudo, calado. Mobilidade, mobilidade, és tudo que sempre quero, és toda minha maldição.

No meio dessa opressora ordinarização de tudo, seeming like an eternal inbetweens life, entre idiomas, “parece um soldadinho do jogo War, querendo conquistar território”, releio meus textos pessoais no blog, principalmente os de despedida da Inglaterra: “mesmo desse breu que comeca as 16h eu sentirei falta (...). Tudo eh despedida, tudo eh finalmente. Mas logo tem mais. Eh soh mais uma viagem, sempre eh soh mais uma viagem”.

 É, de fato, só mais uma viagem? Há pouco me disseram: “parabéns pela invenção que tu fez da tua vida!”. E assim o vício pelo estranhamento vai tendo o mesmo destino daquele hábito inicial de ver tudo pitoresco.

“A lo largo del mes de febrero, luego ya de tres pesados meses, hubo cinco días parcialmente soleados. Otros tres días fueran de nieve, menos intensa que la de enero y tan gris cuanto los demás veinte nublados o de lluvia. Y de frio.”
Ah, o frio! Em fevereiro! Esse foi em 2010. E antes vários outros com reclamações dos most miserables monhts of the year. Eu que gritei tanto pelo sol, me vejo agora saudando com uma respirada funda cada um dos escassos dias nublados que encontro.

Hegemonias, discursos, identidades, construtivismo, política externa, linguística, memória histórica, regras de formatação, resumos de até 900 caracteres, você que me quer tachar, vão tomar no!

Ah, tá bem! Já que é uma noite de excentricidades vou acabar com uma citação:
"We're just like other people: We love to sing, we love to dance, we admire beautiful women. We are human, and sometimes very human." Professor Siletsky in: TO BE OR NOT TO BE (film 1942)

Monday, 10 December 2012

Pra Pelotas


Estar em Pelotas é sempre intenso, previsível e apavorante; decepcionante, amável e incurável.

Um permanente encontro e reencontro naquela desertidão de luzes foscas , mais ainda nas ruas do Porto, onde rostos ou perdidos, ou renovados, ou esquecidos-e-logo-lembrados, são dispostos a provar-se importantes, sabidos, descolados, eloquentes e indispensáveis. Perturba. Desconforto com surpresa.


tanto amor! Se a minha letra continua feia? Se eu larguei o Conservatório? Se algum chapéu é moda em Londres? Ah, meus metros “Quadrados” de desinteresse misturados com expectativas positivas e desejos genuínos!

Diante de vozes com presunçosas assunções, criticáveis quando diametralmente opostas, me senti mal. E sinto mal as nostalgias. Sinto tão bem o inusitado frio de novembro, e todos seus ventos gélidos noturnos, mas tão mal tantos outros estares.
Tem algo de errado. É esse paradoxo do meu afeto e meu desprezo. Ignoro tua ridícula insolência insustentável, e celebro tua ingenuidade, travestida de arrogância, e tua presença, úmida, no fim da lagoa no mapa.

Te desconheço, me surpreendo e te vejo igualmente tão repetitiva. O Centro Histórico está lindo, o Laranjal está reformado, o mercado imobiliário se expande, os doces seguem perfeitos, há grupos de resistência e criação, inovações gastronômicas, algumas ousadias artísticas, coloquialismos próprios, alguns novos bares e tantos e tantos universitários tão cheios de ideias, quanto de reclamações, apatias, hipocrisias e mediocridades.

Teus olhos branquicentos quanto a fumaça que sai da respiração nos antigos invernos vigiam, enrubescem, dão pena. Mesmo tão blasé sempre queres algo que não sabes exatamente o que é, nem como alcança-la , e quase não nos reconhecemos em meio a essas diferenças entediadamente idênticas. Logo eu, que te sentia tão lar.

Teu sabor, doce é claro, contrasta com tua amargura semi-urbana, altiva não se sabe como, que goteja vagarosa e depressivamente entre os vãos dos paralelepípedos resistentes.

Me assustas. Não sei se te reconheço enquanto te vejo tão igual. Te deixo solene, ao sol que não queima, a sós entre esperanças. Faz frio em Pelotas em novembro. Teu nome é umidade.

Tuesday, 11 September 2012

Calado



Esse é o teu escudo. Logo verás que estás pagando um preço alto pela tua liberdade. Aliás, foi por ela que renunciaste, não é? É em nome dessa liberdade, que acreditas que seja um bem precioso, que às vezes sentes que carregas também um peso. É por tanto pesar que a ela frequentemente renuncias, não raro em nome dela. Essa liberdade que tomou conta de ti e te transformou em um escravo voluntário. "Oh liberdade, quantos crimes se cometem em teu nome”. O dono dessa frase perdeu literalmente a cabeça, cortada pela guilhotina. Por ser tão imperiosa, convém frequentemente se valer dessa tão sonhada liberdade para mascarar muitos dos teus piores crimes. Será que és verdadeiramente capaz de realizar a tua tão sonhada liberdade sendo assim tão incoerente com teus sonhosXpensamentosXescolhas? Foi verdadeiramente em nome da liberdade que desististes de tantas coisas boas na tua vida? Se acreditas mesmo nisso, convém começar a afiar a lâmina da guilhotina.

Monday, 30 July 2012

A viagem não acaba nunca


« A viagem não acaba nunca. Só os viajantes acabam. E mesmo estes podem prolongar-se em memória, em lembrança, em narrativa. Quando o viajante se sentou na areia da praia e disse: “Não há mais que ver”, sabia que não era assim. O fim da viagem é apenas o começo doutra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na Primavera o que se vira no Verão, ver de dia o que se viu de noite, com sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados, para os repetir, e para traçar caminhos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre. O viajante volta já.»
(José Saramago)

Wednesday, 27 June 2012

Cinco anos de blog "livre porque vivo fugindo"

Hoje é dia 27 de junho. De 2012. Há cinco anos, num dia mais cinzento e chuvoso que hoje em Recife, pese ser primavera por lá, iniciava este blog em Londres. Faz um ano e quase meio que estou no Brasil agora, depois de quase seis anos fora entre Catalunya, UK e Centroamérica, e esse Brasil de hoje  não é o meu de origem, senão um que fica uns vários mil quilômetros de distância da cidade natal. Quero escrever neste "aniversário" sobre voltar, não-voltar, rejeições, impressões, violações, hipertensões, de forma avaliativa e reflexiva, e enquanto isso,  pra não deixar passar em branco, apenas lembro:

"Sou livre, porque vivo fugindo".



Sunday, 13 May 2012

Mae, nao há tempo...

Mothers´s day in Brazil today, and always in my heart.





Sunday, 11 March 2012

Pout-pourri de aniversario!

Na última sexta iniciei um ano-novo. Pelo menos é assim que muitas pessoas em Pernambuco cumprimentam o aniversariante, saudando ao seu novo ano, o que faz sentido.


E ao invés de fazer a costumeira "reflexao de aniversário" de todos os anos, deixo um pout-pourri de músicas que recebi de amigos e amigas de várias partes de lembrança e cumprimentos - diversidade de ritmos, mensagens e histórias que me deixa feliz e convicto de viver, intensamente. Obrigado!

"Nao quero morrer pois quero ver como será que é envelhecer."






Wednesday, 29 February 2012

Silvio Rodriguez bisiesto




Silvio Rodriguez solo existió una vez en El Salvador, en un día que solo existe a cada cuatro años. Es decir, hoy hace exactamente cuatro años de su concierto literalmente histórico en el completo, y casi en transe, estadio “Magico Gonzalez”, en San Salvador.


Yo estaba allí. Llevaba un par de días de haber llegado al país desde una de las principales capitales del mundo para ir a vivir, tomado por la decisión-guía de mis elecciones desde entonces, en la capital del pulgarcito de América, buscar comprehender más directamente de que está hecho la sangre de la cual he sido educado a enorgullecerme desde cipote y coincidir con legitimidad mi historia personal y profesional.


El primer y, hasta la fecha, único concierto de uno de los más grandes mitos de la música latinoamericana, Silvio Rodriguez, en El Salvador fue como una recepción de honor, una calurosa bienvenida a mi curiosa y decidida llegada. Las canciones del cubano animaron los sueños de tantos hombres y mujeres que admiro en el país, y en todo el istmo - este vigoroso trozo de tierra entre el Sur y el imperio de historias tan intensas como muchas veces olvidadas.


Lo he visto desde lejos, las mejores plazas son siempre las más caras, pero había un respeto en la atmosfera, mutuo, entre todos y todas que ahí estaban con el intuito de mirar y oír lo más atentamente posible el cantante. La gente actuaba como si supiesen del privilegio de ser testigo del evento, había una complicidad tacita, “si, aquí estamos, viendo a Silvio Rodriguez, lo de las canciones aquellas que cantábamos en la lucha, o para celebrar, o para recordar”.



Acompañé el concierto de hecho al lado de una imprescindible amiga, ex guerrillera, quien me ha invitado para el momento histórico. En aquel memorable concierto cantaron el público y también los caídos en la guerra, fue un tributo no solo a Silvio sino a las quimeras de una generación que hizo de su historia la característica identitária de una nación. Silvio rindió homenaje a Roque Dalton, el escritor más emblemático de El Salvador y uno de los más importantes de Centro América, a quien dedicó su concierto, con la canción “Expedición” y “Unicornio”. Roque Dalton aún sin tumba aún porque su cuerpo está desaparecido por la acción de sus victimarios.


Como ha recordado Juan José Dalton, periodista salvadoreño, hijo de Roque Dalton, en el concierto estaba prohibido filmar, pero “¿cómo prohibirles algo a los reyes de la clandestinidad y las conspiraciones?” Arriba el link de una canción en el espectáculo.


Han pasado cuatro años, y sin embargo no ha pasado ni un solo día.