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Tuesday, 12 July 2011

Parabéns IMA pela realização do seu primeiro Seminário de Planejamento Estratégico!

**Texto publicado no blog do Instituto Mário Alves, no dia cinco de julho.

Planejamento Estratégico: Mais um passo para o avanço do IMA


No marco de seus 10 anos, o Instituto Mário Alves realizou no último final de semana, o Seminário de Planejamento Estratégico, convocando membros, sócios e colaboradores para a participação ativa nas oficinas que buscaram incitar o debate e a reorganização do Instituto, a partir de temas como sustentabilidade, identidade, profissionalização e mobilização de recursos.


Organizado pela iniciativa do colaborador Aleksander Aguilar no ano de 2009, a proposta de pensar algumas ferramentas de gestão que facilitassem na organização do IMA, firmou-se na parceria com a internacionalista Juliana Vitorino, sendo concretizada na realização do Seminário, nos dias 2 e 3 de julho deste ano.


De acordo com Juliana Vitorino - facilitadora que esteve presente na condução do Seminário, e que, através de sua trajetória, possui experiências em ONGs e planejamentos de gestão, administração e mobilização de recursos de terceiro setor - os principais benefícios de um processo de planejamento consistem na existência da “possibilidade de promover uma consciência coletiva sobre a situação da instituição e o grau de comprometimento necessário para encarar os desafios, além de dar visão de conjunto, sempre e quando o processo é construído coletivamente entre todos os níveis da organização”.


O Seminário de Planejamento Estratégico teve a presença de 27 participantes que, durante os dois dias de oficinas, buscaram a sistematização do debate no avanço da melhor forma de associar recursos financeiros e humanos disponíveis com as necessidades da instituição e na busca de construção dos objetivos e direções a serem seguidos nos próximos anos pelo IMA.

Saturday, 2 July 2011

IMA: 10 anos de lutas, momento estratégico




O Instituto Mário Alves (IMA) completou, neste mês de maio, 10 anos de atividades. E eu faço parte dessa história.


O debate sobre a ululante necessidade de se pensar e de se efetivar estrategicamente o Instituto de Estudos Políticos Mario Alves, no Rio Grande do Sul, ganhou espaço entre a direção e simpatizantes da organização a partir de 2008 e desde então vem gradativamente tomando corpo na agenda da entidade. Conversas informais sobre questões estruturais e estratégicas urgentes passaram a ter mais presença a partir daquele ano em face dos desgastes e das dificuldades organizativas que se enfrentavam.


Diante disso uma longa, lenta, mas assertiva discussão sobre a possibilidade de se realizar um Planejamento Estratégico, divisor de águas na história do Instituto, foi pautada e paulatinamente construída.


E esse momento, finalmente, chegou! Neste fim de semana certamente muito frio nos pampas gaúchos, na cidade de Pelotas, um valoroso coletivo, de antigos e novos militantes, está reunido para pensar e construir estrategicamente o Instituto Mário Alves. O Seminário de Planejamento Estratégico do IMA está sendo facilitado pela companheira Juliana Vitorino, que se jogou nesta empreitada para compartilhar sua experiência de gestão no Terceiro Setor e foi enfrentar o Minuano!


10 anos de lutas...


Um grupo de pouco mais de uma dezena de nomes, no final dos anos 90, num grupo do qual eu fazia parte, que pertencia a uma corrente política de um partido situado no dito âmbito da esquerda da política brasileira, veio a fundar em maio de 2001 uma organização denominada Instituto de Estudos Políticos Mario Alves, em homenagem ao intelectual e militante comunista brasileiro assassinado pela ditadura militar brasileira em 1970.


Nestes 10 anos, vários foram os desafios enfrentados para transformar o Instituto em referência para os movimentos sociais de Pelotas, do Rio Grande do Sul e viabilizá-lo financeiramente.


O IMA fez-se uma organização regional consolidada no Rio Grande do Sul, promovendo atividades como: seminários de pensamento político e de memória de eventos políticos latino-americanos, ministrando cursos em temas sociológicos e filosóficos, proporcionando espaços de reunião para movimentos sociais, apoiando iniciativas ativistas anticapitalistas, construindo arquivos de documentos audiovisuais e de livros de memória política latino-americana (essencialmente sobre ditaduras sul-americanas do século XX e de literatura de esquerda), organizando video-debates sobre conjuntura política nacional e latino-americana e gestionando uma pequena livraria especializada em literatura sócio-política.


O IMA construiu um patrimônio cultural e político bastante importante e como resultado de tudo isto há um reconhecimento dos movimentos sociais e a conquista, no final do ano passado, do Projeto Pontos de Cultura do Ministério da Cultura, em parceria com a FURG. Nele se está reconstituindo as memórias do Movimento Estudantil gaúcho na luta contra a ditadura militar e pela redemocratização do país.


... momento estratégico!


Porém, várias são as dificuldades que persistem na trajetória do IMA, podendo-se destacar principalmente as relativas às questões organizacionais e financeiras, sendo que esta última por várias vezes praticamente colocou a necessidade de encerramento das atividades. Em temos organizacionais o Instituto tem problemas graves, o que limita enormemente as possibilidades de efetivação de suas propostas.


É absolutamente fundamental uma profunda mudança na forma de organização do IMA, bem como a atualização do debate sobre nossos objetivos e nossa vocação.


É nesse contexto que se dá o processo de debates internos e a realização de Seminário de Planejamento Estratégico, nos dias 2 e 3 de julho, que busca uma organização e sustentabilidade trabalhadas na institucionalidade e identidade, profissionalização e mobilização de recursos.


O IMA ao longo de sua trajetória, da qual com muito orgulho faço parte, com mais ou menos consciência, se especializou em recuperar e promover memória política, notória e especificamente dos países do entorno Cone Sul. O aprofundamento da delimitação do seu campo de atividades é condição sine qua non para sua profissionalização. Com missão e objetivos próprios construídos com base na sua própria experiência, o IMA deverá ser primordialmente um empreendedor de Memória Histórica e um Centro de Referências de Lutas Políticas no Extremo Sul.


Parabéns ao Instituto de Estudos Políticos Mário Alves, seus membros e militantes!


Companheiro Mário Alves, presente!

Friday, 17 June 2011

I am having my work exhibited in Cyprus: See Memory



I am delighted to have been invited to release some of my work – which is the result of my academic and artistic research in the field of one of my main interests – to take part in such symbolic and interesting exhibition in the cultural institute Apotheke, in Cyprus, curated by Demetris Taliotis and Evi Tselika.


Being given this opportunity to showcase a few results of my efforts in researching historical memory and conflict transformation in that fascinating and exciting “Eurasian” island was both a surprise and a honour - especially coming alongside the renowned artist Victor Cartagena.


Thank you very much.


SEE, MEMORY

Victor Cartagena / Aleksander Aguilar

16-25th June 2011



...As a first instalment of a programme of exchange and collaboration between APOTHEKE and The Museum of Art of El Salvador (MARTE), APOTHEKE presents 'See, Memory', an exhibition of works by the Salvadorian artist Victor Cartagena and the Brazilian-Salvadorian media artist-activist Aleksander Aguilar.


Exploring notions which have an ever-present and privileged position in Cypriot discourses, such as that of political memory, of the iconography of the traumatic, as well as that of the aesthetic and visual configuration of post-traumatic elucidations of the personal and the local, 'See, Memory', more than an exhibition is also the inauguration of an extensive research process into all the above, amongst artists, cultural agents, collective and organisations from Cyprus and El Salvador.


  • Victor Cartagena, one of the most important Central American contemporary artists, was born in El Salvador but abandoned it in the late 1980's, in the midst of the country's long running civil war (1980-1992) to move to San Francisco. Through this highlighted spatial distance, Cartagena's multifaceted artistic practise has been shaped into a continuous commentary on the past, a critical re-appraisal of memory as a violent absence, of remembrance as the present relic.

  • Aleksander Aguilar is a Brazilian-Salvadorian artist-activist who creatively researches and actively participates in social conflict resolution processes in both countries. At ‘See, Memory’ Aquilar presents a series of images, which are the result of his collaboration with Salvadorian ex-guerrilla fighters as well as of his research at the historical memory archive at the Museo de la Palabra y la Imagen (MUPI). In acute awareness of the political significance of montage, Aquilar's work exposes and juxtaposes various images that playfully probe the memory of civil war and explore how the visual narrates the procedure of conflict and remembrance. Aquilar's work has been exhibited in Brazil, Spain, the U.K. and, of course, El Salvador.


SEE, MEMORY


Victor Cartagena / Aleksander Aguilar

Opening Hours: 17:00-21:00, Monday-Saturday,17-25th June 2011 or by appointment

Info: 99764816 / www.apothekecontemporaryarts.com

APOTHEKE, 23 Kleanthis Christofides Street, Nicosia, 1011, Cyprus

Saturday, 16 April 2011

Fin de la Ley de Caducidad de Uruguay – más una dictadura hacia el banquillo de reo

En el pasado miércoles los senadores uruguayos derogaron la Ley de Caducidad que permitió por décadas la amnistía de represores acusados de delitos de lesa humanidad durante la última dictadura militar (1973-1985).


  • 'Es una ley manifiestamente incompatible con las convenciones internacionales'
  • La Justicia uruguaya ya ha procesado a más de 20 militares por crímenes durante la dictadura
  • En mayo del 2009, la ONU solicitó la anulación de la Ley de Caducidad


La polémica norma fue enviada para su ratificación, en el inicio de mayo, ante la Cámara de Diputados, que también debe aprobar la derogación y permitir el inicio de decenas de juicios reclamados por organizaciones de derechos humanos.


El proyecto de ley interpretativo fue una iniciativa de la coalición de izquierda, Frente Amplio, que busca dejar sin efecto tres artículos de la Ley de Caducidad aprobada por el Parlamento en 1986.


El intenso debate por la ilegitimidad de la Ley de la Pretensión Punitiva del Estado, conocida como Ley de Caducidad, se reflejó en la ajustada votación de 16 votos a favor y 15 en contra que tuvo en el Senado tras 12 horas de discusión.


El debate dividió al gobernante Frente Amplio, el bloque izquierdista que impulsó la llegada al poder del presidente José Mujica, un ex guerrillero, también aprisionado y torturado durante la dictadura.


La Ley no pudo ser derogada mediante dos plebiscitos realizados en 1989 y 2009.


Luego, las opiniones de centro-derecha del país ya están apresuradas en afirmar que “la ciudadanía mayoritariamente se sintió desautorizada y con el sentimiento de que el país deberá soportar horas muy severas de desbordes y divisiones”


Por esto, dos senadores gubernistas polemizaron: Fernández Huidobro votó a favor por obediencia al Frente Amplio, pero luego renunció a la bancada oficialista. En tanto que el senador Jorge Saravia fue el único legislador del partido gobernante que votó en contra en el pleno.


Pero la Justicia uruguaya procesó a más de 20 militares por crímenes cometidos durante la dictadura, entre los que se encuentran el ex dictador Juan María Bordaberry y el entonces comandante del Ejército Gregorio Alvarez.


En mayo del 2009, la ONU solicitó la anulación de la Ley de Caducidad. En enero de este año, la Comisión Interamericana de Derechos Humanos falló contra el Estado uruguayo por la desaparición forzada de María Claudia García de Gelman.


La Ley de Amnistía brasileña, y salvadoreña, siguen vigentes, impidiendo investigaciones de los crímenes de tortura y desaparecimientos por motivaciones políticas durante la dictadura militar y la guerra civil.

Monday, 11 April 2011

Impunidad en El Salvador: El grito de Ávila

“La situación de la violencia, de la corrupción, de la delincuencia y de la credibilidad en la justicia salvadoreña deriva precisamente de que hemos querido en El Salvador IMPONER mecanismos, y sistemas teóricos que funcionan bien, pero en otros países, o aun peor, que no funcionan en lugar alguno.”


En este brillante tipo de razonamiento el ex director de la Policía Nacional Salvadoreña (PNC) y candidato derrotado a la presidencia de la Republica, Rodrigo Ávila, basa su argumentación para oponerse a la creación en El Salvador de una Comisión Internacional Investigadora del Crimen Organizado, al estilo de la Comisión Internacional contra la Impunidad en Guatemala (Cicig).


El miedo de la derecha salvadoreña de que sean reveladas sus involucraciones en el estado deprimente de algunas de las instituciones del país es casi patético. O no, ya que, al fin y al cabo, esta reacción seria un mecanismo de defensa. Está construido sobre el esfuerzo de tejer argumentos que son como mínimos cuestionables y que, desvergonzadamente, estos sectores nacionales han estado intentando hacer reverberar a través de entrevistas en los medios de comunicación – y lo logran, siempre con el apoyo descarado del monopolio de los intereses de los “poderosos” de El Salvador.



Parece muy claro que uno de los principales temores de los grupos políticos que Ávila representa es que con la creación de esta comisión se quiera, en sus propias palabras, “comenzar con un tema eminentemente político y revivir situaciones políticas”. Es decir, anteviendo, por puro miedo y sin fundamento concreto, que los temas de la guerra de los años 80 aparezcan en una investigación internacional, la derecha desespera y ya empieza a gritar.


La experiencia regional


El presidente Mauricio Funes presentó la idea de crear la Comisión ante la Asamblea General de las Naciones Unidas en septiembre del año pasado. Basado en la experiencia guatemalteca, Funes planteó la necesidad de valerse de la cooperación internacional en la lucha regional contra el crimen organizado que complemente los esfuerzos que ya realizan la Policía y la Fiscalía. Un borrador técnico debe ser concluido hasta el próximo mes. “Estoy creando una comisión que no está investida de poderes especiales sino que de un respaldo especial porque es asesorada por Naciones Unidas y por gobiernos que cooperaron en la creación de una comisión similar en Guatemala”, dijo Funes.


En un comentario de aclaraciones legales, las cuales no deberían ser necesarias si el nivel del debate sobre el tema no fuera tan rebajado, vale mencionar que la Comisión no tendrá carácter vinculante para la justicia salvadoreña, sino lo de promover resultados que la Fiscalía y el Ministerio Publico podrán, o no, tomar en cuenta para abrir un expediente y presentar incriminaciones ante los tribunales nacionales.


Las Naciones Unidas y el Gobierno de Guatemala firmaron el acuerdo relativo a la creación de la Cicig, a finales de 2006, el cual, tras la opinión consultiva favorable de la Corte de Constitucionalidad en Mayo de 2007, fue ratificado posteriormente por el Congreso de la República en agosto del mismo año.


La Cicig es un órgano independiente de carácter internacional, cuya finalidad es apoyar al Ministerio Publico, la Policía Nacional Civil y a otras instituciones del Estado tanto en la investigación de los delitos cometidos por integrantes de los cuerpos ilegales de seguridad y aparatos clandestinos de seguridad, como en general en las acciones que tiendan al desmantelamiento de estos grupos.


En El Salvador, el plan nace de la necesidad de contar con una institución que esté a la altura de las circunstancias, dado que en el país, aparte de haber sido el país más violento de América en los últimos cinco o seis años, enfrenta el embate del crimen organizado. Como prueba de la necesidad de una articulación internacional independiente está el hecho de que cuando le llegó el turno de mostrar sus resultados en la lucha contra el crimen organizado, el Fiscal General de El Salvador, Romeo Barahona, solo pudo exponer la desarticulación de una clica.


Pero, aún así, este mismo señor se declaró contrario a la creación en el país de un organismo similar a la Cicig y habla en intentar impugnarla legalmente. Barahona también ya había se negado a recibir a una misión de la ONU que estuvo en El Salvador para discutir las posibilidades de creación de la comisión internacional. El Fiscal afirma, al igual que Ávila, que el tema sería inconstitucional, y se dice preocupado con el riesgo de “instalar organismos y juicios paralelos que pueden menoscabar la inconstitucionalidad del país” y opina que la realidad salvadoreña es muy diferente a la guatemalteca.


Pero que el tema de seguridad, violencia y corrupción en Centroamérica es cada vez mas regionalizado y demanda acciones regionales no es novedad, y experiencias en los países del istmo deben ser compartidas – incluso es en esta base que todos aplauden las inversiones de los Estados Unidos “contra el narcotráfico” en la región. Además levantar una presunta inconstitucionalidad para la creación de una comisión investigadora internacional no es coherente con la existencia de otras comisiones establecidas en el pasado, como la Comisión de la Verdad o la que investigó los escuadrones de la muerte, el Grupo Conjunto.


Una Comisión Internacional contra la impunidad no es solo una oportunidad para El Salvador tratar con seriedad el problema del crimen y corrupción en el país, sino contribuir ejemplarmente para la interiorización del Derecho Internacional - una lección que tantos países necesitan aprender. No debe ser desperdiciada por cuento de los miedos de los sectores que tendrán sus intereses revelados y se esfuerzan en conformar un ambiente de intimidación. La cooperación internacional debe estar atenta, denunciante y actuante.

Monday, 4 April 2011

Filha da Anistia


Filha da Anistia é uma peça séria. E excelente! Tive o prazer de assistir esse belo e pertinente exemplo do teatro brasileiro ontem à noite aqui na capital pernambucana.


Recife é uma das seis capitais do Brasil com o privilégio de receber esse trabalho digno de todos os elogios realizado conjuntamente pelo projeto “Marcas da Memória” – uma iniciativa da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça – e pela Caros Amigos Cia de Teatro. O objetivo principal do Marcas da Memória é estimular práticas que dêem visi­bilidade ao processo de transição brasileiro, a luta pela anistia com foco especial na memória pela perspectivas dos perseguidos políticos.


Um dos grupos de ações do projeto é o Fomento a iniciativas da Sociedade Civil, por meio de Chamadas Públicas, e através disso a Comissão selecionou projetos de preservação, de memória, de divulgação e difusão advindos de Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) e de Entidades Privadas Sem Fins Lucrativos, entre eles, a peça Filha da Anistia. ATENÇAO: todas as apresentaçoes da peça sao gratuitas!


SINOPSE: "Filha da Anistia" conta a história de Clara, uma advogada que procura refazer sua história e esclarecer seu passado, uma jovem que parte em busca do pai que nunca conhecera e acaba descobrindo um passado de mentiras e omissões, forjado durante os anos de chumbo no Brasil. Suas certezas caem por terra diante das descobertas sobre seu passado familiar e sobre um período da história de nosso país que poucos conhecem - e que a maioria prefere esquecer. "Filha da Anistia" provoca no espectador a reflexão sobre esse período, usando como metáfora os desencontros de uma família despedaçada pela ditadura.


A tensão dos diálogos é a própria materialização da violência, fugindo de fórmulas prontas, como cenas de tortura, por exemplo. Todos os artifícios e recursos foram eliminados, e para compor o cenário apenas algumas caixas de papelão foram espalhadas pelo palco, “ilustrando o desnudar dos personagens a cada passo em busca do esclarecimento”, explica o press release da peça.


“O jogo cênico é o mais importante. O confronto entre os personagens, as perspectivas que surgem e a visível reação da platéia não permitem aqui diálogos que explorem o didatismo ou mesmo uma mão pesada no discurso político.”


Para escrever o trabalho, Carolina Rodrigues e Alexandre Piccini, co-autores e atores da peça, mergulharam em três anos de pesquisa em arquivos públicos e bibliotecas, selecionando documentos, jornais, livros, teses e biografias. Foi imprescindível conhecerem o olhar e a experiência de pessoas que viveram e lutaram na resistência ao regime autoritário. Construíram, assim, uma ficção que busca apropriar-se deste período, desvendar seus mitos, elucidar e questionar a história, incitando no espectador o surgimento da consciência crítica. “Buscamos produzir algo que vasculhe o inconsciente coletivo e, fora da racionalidade incapacitada pela conjuntura histórica, torne esse trauma mais nosso, mais visível, mais elaborável.” – sintetiza Carolina.


Um objetivo dessa montagem, certamente atingido, é desfazer a sensação de que o que aconteceu só diz respeito aos diretamente envolvidos. Olhar o passado para construir o futuro, como diz o texto, funciona!


AGENDA: Confira as datas de apresentações em cada cidade AQUI. As capitais que recebem "Filha da Anistia" são Fortaleza, Recife, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Teresina, e Brasília. As apresentações são seguidas de debates com a participação do público, do elenco e de convidados locais que participaram da resistência à ditadura implantada com o golpe de Estado de 1964, com curadoria do Núcleo de Preservação da Memória Política.

Friday, 1 April 2011

Dia da mentira da “revolução”



**UPDATE (02/04): A jornalista Niara de Oliveira, conterrânea do” fim do fundo da América do Sul,” tomou a iniciativa de puxar uma campanha de ativismo online, que agora já está em sua terceira edição, através de um chamamento por uma blogagem coletiva coordenada: DesarquivandoBR


Em janeiro de 2010, blogueiros brasileiros foram convidados por Niara– e muitos aderiram a idéia – para durante um período determinado publicar um post em seus blogs com referência a Memoria Historica do período da ditadura militar brasileira, criando assim uma campanha conjunta na internet pela abertura dos arquivos secretos da ditadura militar e pela punição aos torturadores.


Entrei na iniciativa e este post, feito simplesmente para marcar o dia do aniversário do golpe, agora se inclui na campanha virtual Desarquivando o Brasil, a partir do uso do banner da campanha: a charge do cartunista Ton Noise que insta a presidenta Dilma Roussef a reclassificar os arquivos secretos militares como públicos e tome um passo determinante para o empreendimento de memória no Brasil.




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Há 47 anos, precisamente no dia dos bobos, se iniciava uma das maiores mentiras da história do Brasil – instaurava-se o regime ditatorial militar no país sob a nauseante e patética afirmação de que havia começado uma “revolução democrática”, como os generais tentavam ( e alguns ainda tentam) vender o golpe para a nação e para a história.


O conjunto de eventos de intervenção das Forças Armadas na ordem política democrática-institucional do país é normalmente narrado como ocorrido no dia 31 de março, mas alguns historiadores apontam que o movimento dos militares iniciou na noite do dia 31 e se concretizou já madrugada adentro do dia primeiro de abril. É pertinente considerar, como este autor, que para o regime era menos constrangedor que os antigos livros de “Educação Moral e Cívica” apontassem a data da “revolução” no dia 31 – afinal não seria adequado ligar o movimento ao dia 1º de abril, conhecido como o dia da mentira


Mas todos os 21 anos de terror que decorrem daí foram sérios, sangrentos, tristes e mancham e envergonham até hoje a história do Brasil. Mais vergonha ainda deveriam (deveriam...) sentir certos meios de comunicação que possuem esse editorial abaixo, como se vê na reproduçao da imagem, nos seus arquivos. Vexatório!



Editorial de “O Globo” do dia 02 de abril de 1964:

“Ressurge a Democracia”


"Vive a Nação dias gloriosos. Porque souberam unir-se todos os patriotas, independentemente de vinculações políticas, simpatias ou opinião sobre problemas isolados, para salvar o que é essencial: a democracia, a lei e a ordem. Graças à decisão e ao heroísmo das Forças Armadas, que obedientes a seus chefes demonstraram a falta de visão dos que tentavam destruir a hierarquia e a disciplina, o Brasil livrou-se do Governo irresponsável, que insistia em arrastá-lo para rumos contrários à sua vocação e tradições.


Como dizíamos, no editorial de anteontem, a legalidade não poderia ser a garantia da subversão, a escora dos agitadores, o anteparo da desordem. Em nome da legalidade, não seria legítimo admitir o assassínio das instituições, como se vinha fazendo, diante da Nação horrorizada.


Agora, o Congresso dará o remédio constitucional à situação existente, para que o País continue sua marcha em direção a seu grande destino, sem que os direitos individuais sejam afetados, sem que as liberdades públicas desapareçam, sem que o poder do Estado volte a ser usado em favor da desordem, da indisciplina e de tudo aquilo que nos estava a levar à anarquia e ao comunismo.


Poderemos, desde hoje, encarar o futuro confiantemente, certos, enfim, de que todos os nossos problemas terão soluções, pois os negócios públicos não mais serão geridos com má-fé, demagogia e insensatez.


Salvos da comunização que celeremente se preparava, os brasileiros devem agradecer aos bravos militares, que os protegeram de seus inimigos. Devemos felicitar-nos porque as Forças Armadas, fiéis ao dispositivo constitucional que as obriga a defender a Pátria e a garantir os poderes constitucionais, a lei e a ordem, não confundiram a sua relevante missão com a servil obediência ao Chefe de apenas um daqueles poderes, o Executivo.


As Forças Armadas, diz o Art. 176 da Carta Magna, “são instituições permanentes, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade do Presidente da República E DENTRO DOS LIMITES DA LEI.”


No momento em que o Sr. João Goulart ignorou a hierarquia e desprezou a disciplina de um dos ramos das Forças Armadas, a Marinha de Guerra, saiu dos limites da lei, perdendo, conseqüentemente, o direito a ser considerado como um símbolo da legalidade, assim como as condições indispensáveis à Chefia da Nação e ao Comando das corporações militares. Sua presença e suas palavras na reunião realizada no Automóvel Clube, vincularam-no, definitivamente, aos adversários da democracia e da lei.


Atendendo aos anseios nacionais, de paz, tranqüilidade e progresso, impossibilitados, nos últimos tempos, pela ação subversiva orientada pelo Palácio do Planalto, as Forças Armadas chamaram a si a tarefa de restaurar a Nação na integridade de seus direitos, livrando-os do amargo fim que lhe estava reservado pelos vermelhos que haviam envolvido o Executivo Federal.


Este não foi um movimento partidário. Dele participaram todos os setores conscientes da vida política brasileira, pois a ninguém escapava o significado das manobras presidenciais. Aliaram-se os mais ilustres líderes políticos, os mais respeitados Governadores, com o mesmo intuito redentor que animou as Forças Armadas. Era a sorte da democracia no Brasil que estava em jogo.


A esses líderes civis devemos, igualmente, externar a gratidão de nosso povo. Mas, por isto que nacional, na mais ampla acepção da palavra, o movimento vitorioso não pertence a ninguém. É da Pátria, do Povo e do Regime. Não foi contra qualquer reivindicação popular, contra qualquer idéia que, enquadrada dentro dos princípios constitucionais, objetive o bem do povo e o progresso do País.


Se os banidos, para intrigarem os brasileiros com seus líderes e com os chefes militares, afirmarem o contrário, estarão mentindo, estarão, como sempre, procurando engodar as massas trabalhadoras, que não lhes devem dar ouvidos. Confiamos em que o Congresso votará, rapidamente, as medidas reclamadas para que se inicie no Brasil uma época de justiça e harmonia social. Mais uma vez, o povo brasileiro foi socorrido pela Providência Divina, que lhe permitiu superar a grave crise, sem maiores sofrimentos e luto. Sejamos dignos de tão grande favor.”

Wednesday, 30 March 2011

Amar a Marcela en la guerra es otra guerra

Definitivamente estou morrendo por ti. Cai na emboscada dos olhos e da boca e de tudo de lindo que tens, Marcela. Há dias invento todos os pretextos para estar contigo, janto na mesma hora para ver como a fogueira ilumina o teu cabelo que passa da cintura, estremeço quando me sento ao teu lado e roço os teus músculos. Sobre o muro de pedra, confessei ontem que gosto de ti, e me disseste que não acreditavas. Parece que não há menina mais teimosa que tu em todo o mundo. Trinta vezes te convidei para irmos juntos ao rio, e trinta vezes me disseste não, quem sabe amanha. Se soubesses da vontade que tenho de ter-te.


Releio um poema escrito por Marvin ao chegar a Morazán, com o qual me identifico:


Marcela y la guerra

Amar a Marcela em la guerra

es meterse em los bolsillos uma mancuerna de estrellas

amar a Marcela en la guerra

es irse cinco abajo

y dejarse emboscar por la rareza.


Amar a Marcela en la guerra

es avanzar fuego y maniobra hacia lo extraño

amar a Marcela en la guerra

es atizar a pija a la costumbre

y explorar la locura más extrema

es firmar un parte de amor

y retirarse ordenadamente sin ningún poema

despozolarce el corazón a punta de besos de contacto.


Amar a Marcela en la guerra

es odiar a los relojes

como se odia a los cuilios.

El olor del cuello de Marcela

es como levantarse a tomar café de palo

a las cuatro de la mañana.


Los ojos de Marcela

son como cuando se van los dragonfly

después de haberle tirado 16 bombas

a Guarumas

sin haber jodido a nadie.

Los labios de Marcela

son como el silbido

de Obus 105mm

que cae pero deja escalofrío en la espalda.

Acariciar a Marcela

es como tomar agua en plena retirada

consciente que hay que seguir caminando todavía.


Marcela es un signo cielo arriba

es gata negra silenciosa.

Marcela es bajar la cuesta del río Torola

a la carrera.

Amar a Marcela en la guerra

es - a veces –

otra guerra.


** Trecho do livro La Terquedad del Izote, de Carlos Henriquez Consalvi (Santiago) sobre a revolução salvadorenha, que está sendo traduzido por mim ao português.

Friday, 25 March 2011

"El Ghandi de América Latina"



(foto: El País / extracto de texto de: El Faro, El País)

Ayer, jueves, miles de salvadoreños y extranjeros conmemoraron los 31 años del asesinato del arzobispo de San Salvador Óscar Arnulfo Romero.


--------------------- "El acto culminante del viaje de Barack Obama a El Salvador fue, sin duda, la visita el martes por la noche a la tumba de monseñor Óscar Arnulfo Romero.

Después de escuchar durante varios minutos las explicaciones del arzobispo de El Salvador, Obama permaneció un momento en silencio con las manos entrecruzadas en señal de respeto ante la cripta de un verdadero símbolo universal de los derechos humanos. Antes de salir, encendió una vela en su honor. Monseñor Romero es el Ghandi de América Latina, una poderosa fuente de inspiración que merecería en la historia de este continente el mismo lugar de gloria que ocupa en EE UU Martin Luther King." LEA EL TEXTO COMPLETO EN EL SITIO DE EL PAIS. --------------------------


La conmemoración incluyó la primera celebración del Día Internacional para el Derecho a la Verdad en relación con las Violaciones Graves de los Derechos Humanos y para la Dignidad de las Víctimas, un homenaje de la Organización de Naciones Unidas al arzobispo salvadoreño, que ahora está en proceso de beatificación en el Vaticano.


El 1 de diciembre de 2010, la Asamblea General de la ONU proclamó el 24 de marzo como Día internacional para el Derecho a la Verdad como un tributo a todas aquellas personas que sacrificaron sus vidas para promover y proteger los derechos humanos. (Ver resolución completa)


“Reconociendo en particular la importante y valiosa labor de monseñor Óscar Arnulfo Romero, de El Salvador, quien se consagró activamente a la promoción y protección de los derechos humanos en su país, labor que fue reconocida internacionalmente a través de sus mensajes, en los que denunció violaciones de los derechos humanos de las poblaciones más vulnerables”, reza la resolución, en la parte en que justifica la designación.


El secretario general de Naciones Unidas, Ban Ki-moon, recordó este jueves, por medio de un comunicado, que el prelado "fue asesinado mientras oficiaba misa en una iglesia. La intención era evidente: Silenciar a un fervoroso opositor de la represión". Con este día internacional, aseguró Ban Ki-moon, "se rinde homenaje a la labor de monseñor Romero y a la de todos los defensores de los derechos humanos del mundo”.


Un informe de la Comisión de la Verdad de Naciones Unidas, publicado en 1993, determinó que el autor intelectual del crimen fue el mayor Roberto D´Aubuisson, fundador del partido Arena, que gobernó el país durante entre 1989 y 2009. En una entrevista exclusiva con El Faro, el capitán Álvaro Saravia, una de las personas que participó en la operación que terminó con el asesinato de Romero, confirmó el involucramiento de D´Aubuisson en la conspiración y que el autor material fue contratado por Mario Molina, hijo del ex presidente Arturo Armando Molina.


Sin embargo, los responsables del crimen no serán castigados debido a una Ley de amnistía general, promulgada por el gobierno de Arena horas antes de que fuese divulgado el informe de la Comisión en 1993. Aun con el cambio de partido en el poder, el gobierno de Mauricio Funes, a pesar de las recomendaciones de organismos internacionales, ha manifestado no estar interesado en promover su derogación, alegando primero que no hay que reabrir heridas del pasado, y en segundo lugar, porque esa es tarea de pertinencia exclusiva de la Asamblea Legislativa. LEA EL TEXTO COMPLETO EN EL SITIO DE EL FARO.