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Tuesday, 21 July 2015

Pernambucanos que são ...

--------------. Voltar ou não a Pernambuco é tanto uma certeza, momentânea, quanto um uma questão em aberto, a longo prazo. Porque desde essas poderosas terras de vulcões, cheias de provocações identitárias, centro-americanas, que estou agora, penso contudo e cotidianamente nesse lugar úmido e em brasa nordestino que também se tornou meu, onde hoje me dá terreno para minhas referências - neste jogo permanente de construção/desconstrução dos próprios sentidos.  

























Neste 15/07 estou em El Salvador, logo de uns sete anos sem visitar o lugar paterno, a família descendente dos povos originários pipiles desse centro-periférico do mundo E isso certamente me resultará em outro texto particular e aberto. Mas ainda quero fazer uma última homenagem a esses quatro anos de vivências cheias de aprendizado com a gente e a cultura  de Pernambuco, com tudo o que tem de bom e de ruim neste "maior-Estado-em-linha-reta" do páis ;).  Vai aqui um post único com esses registros que publiquei em separado nas últimas semanas, e mais algumas com outros personagens tão importantes quantos que não tive tempo de fazer um post individual. Essas fotos são a representação, entre super famosos e menos conhecidos, da minha tietagem, admiração, carinho, respeito, e muita, muita mesmo, gratidão ao povo pernambucano. -------------------

Friday, 12 December 2014

"para que não se esqueca, para que nunca mais aconteça"

Apesar das lacunas, criticadas até por militantes históricos de Direitos Humanos no Brasil, a entrega do informe da Comissão Nacional da Verdade (CNV), no dia 10 de dezembro de 2014, é um marco inconteste do processo de democratização do país, especialmente diante da conjuntura presente, logo de mais de três décadas de obscurantismo.

  Logo de uma eleição federal complexa, polêmica e polarizada em larga medida, vê-se cidadãos, de percepção política atrasada ou de deliberada má-fé, que... vão às ruas brasileiras pedindo pateticamente uma intervenção militar na condução política nacional. Por isso trazer à luz agora, oficialmente, as denúncias dos abusos e atrocidades realizadas nos períodos de regimes autoritários é essencial. 

 Como disse o presidente da CNV, Pedro Dallari, "o informe da Comissão acaba com qualquer nostalgia da ditadura"; explica principalmente aos mais jovens, e de todxs aqueles que não vivemos diretamente, onde me incluo, as violências do autoritarismo institucional no país, os malefícios do seu legado, que nos afeta a todxs no Brasil.

  O informe da CNV deve dar terreno para um novo período de lutas contra a impunidade e a favor da justiça no Brasil, baseada na denúncia das dívidas históricas do Estado brasileiro. A agenda de uma profunda reforma política, através de uma Constituinte, ganha força, e já há rumores de que inclusive no Supremo Tribunal Federal há margem para afastar, por fim, os obstáculos jurídicos à penalização dos violadores dos Direitos Humanos e da democracia no Brasil, como a própria Lei da Anistia.

Ao longo dos anos, pelo menos desde 2008, tenho acompanhado as discussões sobre Memória Histórica e Justiça de Transição, principalmente em El Salvador e no Brasil, nos meus dois países onde, igualmente, a lei de anistia é uma grande barreira. Tenho desde então escrito algo sobre os temas, deixo aqui e nos comentários alguns links de exemplos dessas pequenas contribuições:


Thursday, 30 January 2014

Bruno Maranhão, presente!


Novo texto meu no NOTA DE RODAPÉ, onde publicamos uma homenagem ao lutador social Bruno Maranhão, que faleceu no dia 25 de janeiro deste ano.
Pode também ser acessado aqui

 
Teimoso, polêmico, dedicado, afetuoso, louco, aberração. De todos os muitos adjetivos usados para descrever Bruno Maranhão esse último, que pode ser visto como o mais curioso e pesado, é paradoxalmente o que dá o melhor sentido para justificar a celebração da sua vida, pela qual lutou, como fez em toda sua trajetória política, até o dia 25 de janeiro deste ano.

Bruno, filho de usineiros de açúcar por parte de mãe e de pai, um herdeiro típico da alta burguesia tradicional pernambucana, legada diretamente da relação Casa Grande/Senzala, fez-se aberração suficiente para deixar o chicote opressor e lutar pelas emancipações dos oprimidos ao lado dos mais destacados comunistas da época das revoluções guerrilheiras no Brasil, e seguir lutando ao longo de toda sua existência. De sucessor da estrutura de dominação social pela terra, passou a vida em militância por reforma agrária.

 “Origem de classe não tem a ver com consciência de classe”, me disse em uma das inúmeras reuniões que tivemos no seu escritório no bairro Casa Amarela, em Recife. Bruno fez muitos amigos e amigas em sua história política, de tão longa data como da clandestinidade na ditadura e do exilio no exterior. Eu, porém, tive apenas a oportunidade de conviver com ele durante os últimos seis meses do vigor da sua militância, em 2011, quando nos reuníamos quase que diariamente, em Pernambuco e outros estados, para organizar a “Marcha da Reforma Agrária do Século XXI”, do Movimento de Libertação do Sem Terra (MLST), do qual ele foi um dos principais coordenadores.

Bruno tinha uma inquietude otimista motivadora, e gostava muitas vezes de desafiar as “condições objetivas”, acreditava que só lançando-se aos projetos poderia faze-los realidade.

- Vai ser muito difícil conseguir a condição ideal pra caminhar 250 km com quase 1000 militantes, Bruno, em tão pouco tempo, argumentava-se.

-  Nem sempre há tempo para conseguir o ideal, companheiro, mas ao fazermos já vencemos, respondia.

Levamos 20 dias naquele ano, de agosto até o 7 de setembro, para caminhar da capital do Estado de Goiás, até Brasília. “Aperte a mão de quem o alimenta!” foi o lema, e a Marcha promoveu pelas cidades onde passou seminários para evidenciar a importância e a necessidade da reforma agrária para a superação da pobreza no Brasil. Essa atividade idealizada pelo Bruno foi sua última grande articulação de movimentos populares. Ele infelizmente não pode conclui-la, pois justamente ali se iniciou a manifestação da doença que levou o lutador. As fotos que fiz durante a Marcha (http://picasaweb.google.com/107212933358361519768) são suas últimas imagens em plena militância, no ato de lançamento da jornada, em que o vimos pela em punho levantado e de microfone à mão, como o foi na sua história de lutas por emancipação.

Em plena ditadura militar brasileira, aos 20 e poucos anos ingressou no Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR) e integrou o Comitê Central ao lado de lendas como Apolônio de Carvalho, Jacob Gorender e Mário Alves. Foi exilado político, e no retorno ao país ajudou a fundar o PT, tendo sido membro da Executiva nacional, e já com mais de 50 anos fui fundador do MLST, onde militou até a sua morte, aos 74 anos de idade.

Sua capacidade de liderança era inegável e era tão destacada quanto o seu carisma. Bruno ensinou gerações de militantes, do campo e da cidade, de movimentos sociais e de partido, aquelas particularidades do comportamento político, do trato com o adversário, da hora de ser firme, de negociar, de flexibilizar, que só a experiência forjada em muitos anos de prática podem dar.  Desde a roda de camponeses em um galpão de pouca cobertura no interior do Nordeste até o gabinete do governador do Estado, pelos assentamentos e acampamentos sem-terra à reuniões ministeriais no Distrito Federal, via-se aquela postura e leitura sociopolítica inabalável da realidade. Era o que lhe motivava a apostar e entregar-se a necessidade de transformações estruturais no país que, vista como uma grande excentricidade por parte de muitos, foi justamente o que lhe garantiu o respeito e um lugar certeiro na história da esquerda brasileira; uma coerência e chama sempre acesa por justiça social que fez de Bruno um militante revolucionário na juventude, na idade adulta e mesmo na terceira idade.

Bruno Maranhão foi um brasileiro que teve uma história particular. Na dedicatória do livro Os Colares e as Contas (2012), a síntese poética de uma experiência política, segundo seu próprio autor, o jornalista Marcelo Mario de Melo, que também foi militante do PCBR, aparece a homenagem a Bruno entre aqueles “que se mantém socialistas e de esquerda depois dos 60 anos”. E Bruno ainda depois dessa idade não apenas manteve suas ideias como as expressou constantemente desde caixotes improvisados em assembleias e reuniões camponesas nos campos desse Brasil.  Só se pode respeitar uma trajetória assim. O sonho e a luta por reforma agrária permanecem vivos na memória de Bruno Maranhão.

 

*Aleksander Aguilar é jornalista, doutorando em Ciência Política e Relações Internacionais, candidato a escritor, e viajante à Ítaca, especial para o Nota de Rodapé

Friday, 19 April 2013

Fazendo a cachola trabalhar, de derivações pra outros fins, extrai:


ENTRE PERNAMBUCO E RIO GRANDE DO SUL – CONSIDERAÇÕES SOBRE O “MULTICULTURAL” QUE NÃO SE CONHECE

Uma das características mais celebradas do Brasil que se orgulha de ter em si mesmo tantos Brasis, no limiar de ser estereotipada, é “a imensa diversidade multicultural da nação”. É já quase uma marca em sim mesma, um rótulo, a linha-mestra de um discurso cada vez mais introjetado e repetido para definir o país de uma forma que soe ampla e conectada, da qual muitos governos se servem fartamente, ainda que nem sempre esteja acompanhado da reflexão, e da ação, que o legitime.

Apontar o Brasil assim, celebrando seus universos multiculturais, busca abranger um todo que, paradoxalmente, ainda define pouco. Em entrevista recente a um website brasileiro de notícias, o professor pernambucano de sociologia Fábio Medeiros, falando sobre a pluralidade cultural de Recife, afirma que um dos méritos do multiculturalismo é provocar a interação e gerar a tolerância e o respeito na sociedade.

Como discurso, a importância da expansão do reconhecimento do viés multidentitário brasileiro é fundamental para a consolidação de um projeto de país que se veja, se questione, se respeite. As políticas federais brasileiras nos últimos anos, de fato, tem buscado promover a percepção da multiculturalidade através da afirmação do “local” em relação e com conexão ao “global”.  O estabelecimento de ações como os Pontos de Cultura, valorizando experiências dos mais inusitados recônditos do país e que neste momento está em plena execução, permitiu a potencialização de iniciativas culturais existentes através de redes orgânicas de gestão.

 Mas se hoje somos capazes de começar a perceber os brasis dentro desse universo, não entendemos, por outro lado, sua emergência e sua condição. Prevalece entre os extremos de um país de dimensão continental a observação de sua simples existência e não-raro a isso limita-se e, portanto, se faz  tão exótica do norte para o sul quanto vice-versa.

As pontes entre esses brasis ainda são escassas. O uso da expressão “diversidade multicultural brasileira” parece apresentar-se como um conceito suficiente para muitos e, assim, ignora-se que essa condição deveria servir como provocação para que essa pluralidade de brasis se conheça. Algo que pode se dar a partir de conexões de redes de ativistas e grupos culturais, sim, mas também de política pública formulada e com recurso e estrutura alocada para que o paradigma também seja o das trocas local-local. Hoje, ao mesmo tempo que começamos a nos ver multicultural, não enxergamos os significados e as possibilidades disso.

Quem percebe a importância de, concomitantemente ao discurso, avançar também em iniciativas que efetivamente façam tais conexões? Por que falar em cultura negra do Rio Grande do Sul é vista com olhos de surpresa pela a maioria do cidadão médio pernambucano? O que é o sopapo em Pernambuco? O que é a alfaia no Rio Grande do Sul? As culturas locais são entendidas como nacionais? As singularidades de um país de diversidade cultural devem ser tão particulares ao ponto de gerar em um gaúcho tanto estranhamento ao ritmo e a dança do coco quanto um pernambucano à música nativista? O que é meu como Brasil-local não pode também ser compartilhado e entendido pelo Brasil-nacional?

 Há muito esforço para o reconhecimento e valorização do local e pouca reflexão e ação sobre o que fazer com isso. Entender a si mesmo é entender sua posição em relação ao outro. Hoje, o outro, no mesmo solo nacional, é distante.

No Rio Grande do Sul faz frio, em Pernambuco faz calor. O Brasil que se projeta globalmente limita, entre seus próprios nacionais, sua noção de si mesmo tanto quanto o faria um estrangeiro; que tem o álibi de ser, justamente, um estrangeiro. Entender-se brasileiro não é só entender o Brasil-local, senão imprescindivelmente este local e sua interação, coincidências e diferenças com o Brasil-nacional. Analogamente, trata-se de uma espécie de reprodução em escala nacional interna da posição do país ao continente, pois somos da América Latina, mas grosso modo na consciência identitária brasileira latinos são os outros. Para que os locais assumam sua condição de global não basta apenas valorizar-me pernambucano ou gaúcho e ESTAR, desse modo, brasileiro. É necessário o SER brasileiro, apoiado no espaço local, mas projetado num fim de compreensão integral que só pode se realizar através da experiência concreta, estendendo-se pontes, promovendo trocas e entendimentos das relações de poder e socioculturais.

Se o trinômio sol-samba-futebol ainda é o que povoa o imaginário da percepção cultural-identitária estrangeira sobre o Brasil, qual seria a equação pela qual o próprio país se entende? Ou essa conforma um clichê do qual muitas vezes o próprio país não quer se afastar? Como se procuram, se trocam e se relacionam, por exemplo, o rural, o sertanejo, o bucólico, os pampas e o litoral? Assim como o Brasil de fronteira se caracteriza em sua realidade, (por exemplo, o Brasil sulista com os povos castelhanos do Rio Del Plata) quais são as intersecções e intercâmbios que o Brasil faz ou quer fazer consigo mesmo?

Pensar o mundo não é uma abstração, e deve iniciar-se pela compreensão da pertença a uma unidade nacional, isto é, um todo que se estabelece pela interação das partes; abrir-se para o mundo e dialogar com o global começa trazer o Brasil para cada parte que o compõem e tornar-se cada vez mais parte dele.

Há a necessidade urgente de explicitar o espírito do Brasil através do engajamento em um processo de conhecimento mutuo dos diferentes espíritos dos vários “brasis” – que coexistem no mesmo corpo territorial – e que a partir de permanentes sessões de sincretismo cultural fazem dessas partes um todo consolidado. 

Wednesday, 6 June 2012

O "cheiro", carícia nordestina


Ainda é vulgar entre o povo do Nordeste brasileiro dizer-se cheiro em vez de beijo. O “cheiro” é uma aspiração delicada junto à epiderme da pessoa amada, crianças em maioria. As narinas sorvem o odor que parece ao enamorado perfume indizível. As mães humildes pedem sempre aos filhinhos o “cheiro” tradicional. Dê cá um cheirinho pra mamãe!… Um cheiro, filhinho, para mamãe.

Naturalmente, gente grande não desaprende a técnica e apenas muda a orientação. Eu ainda dou um cheiro no cangote daquela malvada…

Pereira da Costa, Vocabulário pernambucano, explica no verbete “Cheiro”: – “Cheirar carinhosamente alguém: Dar um cheiro. “Recebe somente um cheiro/ No cogote extraordinário,/ Pelo teu aniversário.” (Jornal do Recife, nº 205, 1912). “Deram um punhado de abraços e cheirosem Arlequim, e se foram na maciota.” (idem, nº50, 1914).

Moraes não registrou. No Pequeno dicionário brasileiro da língua portuguesa, 2ª edição, 1939, está: “Cheiro (Bras. Nordeste) – Aspiração voluptuosa.” Qual será a origem desse cheiro popular no nordeste brasileiro?

O beijo é asiático. Veio com os cultos orgiásticos de Vênus. Da Fenícia para Pafos e Citera. Chipre e Citera foram os santuários irradiadores para a Grécia. A Fenícia espalhara a sua Astarte lunar para as ilhas, Ásia Menor, Mar Negro. O beijo popularizou-se devagar. Como cortesia ou homenagem, divulgou-se com a conquista macedônica. Os macedônios de Alexandre Magno estavam devotos do cerimonial persa.
Da Grécia o beijo viajou para Roma, onde foi um soberano. Maior documentação poética despertou o beijo entre os romanos do que entre os gregos. Não existe poema na Grécia, como este Ad Lesbian, de Caio Valério Catulo, nascido em Verona no ano de 87 antes de Cristo e falecido depois em 47:


Da mi basia mille, deinde centum;
Dein mille altera, dein secunda centum;
Dein usque altera mille, deinde centum;
Dein cum milia multa fecerimus;
Conturbabimus illa, ne sciamus,
Aut ne quis malus invidere possit,
Cum tantum sciat esse basiorum.

“Dá-me mil beijos, em seguida cem, depois mil outros, depois outros cem, ainda mil, ainda cem; então, depois de milhares de beijos dados e recebidos, confundimos tão em o número que, ignorada dos invejosos e de nós mesmo a conta exata dos beijos, não possa excitar a sua inveja”.
Não teve o philhema grego o prestígio do osculum romano.
De sua velhice como saudação, há o gesto de Judas beijando Jesus Cristo no horto de Getsemani.
Não sei se os negros africanos conheciam o beijo. Creio que não antes dos árabes ou os negros setentrionais, pela expansão de Cartago e das águias de Roma.
O indígena brasileiro não beijava. Langsdorff ensinava que o tambetá, o adorno labial, impossibilitava o ósculo. Dezenas e dezenas de povos não sabiam o que era o beijo, no Taite, Nova Zelândia; papuas, tasmanianos, os aranda do centro da Austrália, os semangda península malaia, os hotentotes namáquas da África sul-ocidental. O maori da Nova Zelândia esfrega o nariz no nariz da namorada. A moça aino do norte do Japão dá dentadinhas amorosas nos dedos, braço, orelha e lábios do seu noivo ou candidato.

No nheengatu não há correspondência verbal para o beijo. Stradelli escreveu Piteresaua, que é verdadeiramente chupamento, ato, ação de sorver, chupar, de pitera, chupar (Batista Caetano de Almeida Nogueira). Nos vocabulários recentes há Pitera nas duas acepções, chupar e beijar (Tastevin). Podia existir o cheiro entre os tupis mas não encontro rasto em livro e conversa. A sinonímia da “boa-língua” não permite a suposição. O tupi conhecia como sinônimos de cheirar ou especificações do cheiro, odor, ocetum, sakena, genéricos, a catinga, cheiro de seres animados, o pixê, dando a sensação enjoativa, repugnante, o inema, o mau olor, o fedor, de podre. Como afago, nada diz.

Se não tivemos o cheiro cariciante dos indígenas nem dos negros africanos (ignorando se usavam o beijo antes dos árabes), resta o português como portador do mimo.
Há, entretanto, dois povos que empregam o cheiro, a aspiração, como uma meiguice. Há o esquimó, cheirando a moça e vice-versa, como carícia. Assim registrou Mrs. R. E. Peary no My Artic journal (New York, 1893). E há o chinês.
Não traria o português o uso desse dengue dos inuit das margens da América ártica ou da Groenlândia. Lógico é que o fizesse dos chineses, povo muito seu conhecido e freqüentado, desde o século XVI.
Há um depoimento vivo do velho Venceslau de Morais, o solitário de Tokushima, apaixonado pelo Japão, devoto do Oriente, onde ficou e morreu. Venceslau de Morais foi o Lafcadio Hearn de Portugal.
Venceslau de Morais registra em Traços do Oriente (19-21, Lisboa, 1895) a origem do “cheiro”: – “os chineses não dão beijos… Não dão beijos, ou dão-nos de uma maneira muito diferente da nossa, sem o uso dos lábios, mas aproximando a fronte, o nariz, do objeto amado, e aspirando detidamente… O china beija o filhinho tenro, beija a face pálida da esposa, como ele é nós beijamos as flores, aspirando-lhes o perfume; a assimilação é graciosa… Tendo agora por conhecida, e é coisa que não se contesta, a extrema agudeza olfativa dos chineses (os negociantes cheiram as moedas de ouro que julgam falsas, e assim conhecem o grau maior ou menor da liga de cobre), podemos talvez conceber uma vaga idéia do prazer da mãe, respirando sobre a carne fresca do filho um ambiente que ela não confunde como outro; o prazer do mandarim apaixonado, conquistando à brisa o perfume de uns cabelos negros, que ele aprendeu a adorar.”

Não sei de outra fonte e de outro povo para a presença do cheiro dengoso do nordeste. Não creio forçar a lógica etnográfica imaginar que o português, tradicional sabedor e vivedor na terra sagrada da China mandarina, tenha reunido aos múltiplos e sabidos processos de acariciar mais esta forma delicada e voluptuosa do beijo sem lábios.
Resta-me saber é se o português, que trouxe esta carícia chinesa para o nordeste do Brasil, deixou o cheiro nalgum recanto de Portugal.


Cascudo, Luís da Câmara. Superstição no Brasil. São Paulo, Editorada Universidade de São Paulo, 1985, p. 208

Wednesday, 4 April 2012

Video nas Aldeias comemora 25 anos com críticas ao governo federal


“Para os índios, o governo Dilma é um belo retrocesso”. A declaração é do cineasta e indigenista Vincent Carelli (foto), fundador da prestigiosa organização Vídeo nas Aldeias, durante atividade na noite de ontem, em Recife, do lançamento do livro-video que celebra os 25 anos do projeto. Vídeo nas Aldeias se dedica a formação de cineastas indígenas em mais de 120 aldeias brasileiras e, com sede em Pernambuco, é referencia internacional de trabalho com audiovisual indígenas.


Nascido em Paris, mas criado em São Paulo, Carelli se dedica há mais de 40 anos às temáticas indígenas com trabalhos junto a Fundação Nacional do Índio (Funai), universidades e ONGs. É o diretor de “Corumbiara”, premiado como melhor filme no Festival de Gramado em 2009, e com o Vídeo nas Aldeias obteve reconhecimento por colocar o vídeo como um instrumento da expressão da identidade indígena e refletir as visões de mundo de 37 povos de 127 aldeias do Brasil, com apoio sobretudo da cooperação internacional de instituições da Holanda e da Noruega. Além treinar e equipar as comunidades com equipamento de vídeo, o projeto estimulou a troca de informações e de imagens entre as nações indígenas.


Um livro-vídeo bilíngue, com depoimentos, ensaios críticos e fotográficos e mais de seis horas de filme, celebra os 25 anos do projeto. A publicação, patrocinada pelo banco Itaú e pela Natura através da Lei Rouanet, com apoio do programa Cultura Viva do Ministério da Cultura, foi apresentada no Cinema da Fundação em Recife, com a projeção do filme Guarani "Bicicletas de Nhanderu". Carelli, que conversou com o público após a projeção, foi duro nas criticas às posições governo federal sobre as questões indígenas. “O espírito desenvolvimentista do governo Dilma bate de frente com os direitos indígenas. Há muito dinheiro para a construção de hidroelétricas, mas investimentos em áreas indígenas só ocorrem quando há necessidade de negociações geopolíticas, as outras áreas estão abandonadas. O deputado federal Aldo Rebelo, que já foi secretário de coordenação política do governo e hoje é ministro dos Esportes, chegou a declarar que a presença de índios em áreas de fronteira é uma afronta a segurança nacional”, apontou.


Carelli considera que hoje a autoridade da FUNAI é “decrépita”, mas acredita que, paradoxalmente, essa ausência foi salutar para a organização dos povos indígenas. “Os índios passaram a buscar formas alternativas de organização, romperam com uma relação paternalista e dependente de apenas três mil funcionários de um único órgão e foram atrás de outras formas de associação”, avalia. Atualmente os temas tangentes as comunidades indígenas, como saúde e educação, são tratados por outros órgãos governamentais que não apenas a Funai. “É isso que os índios querem, mais interlocutores, mais canais para serem ouvidos”, afirma Carelli.


Uma câmera na mão e uma cabeça aberta -


A extensiva produção resultante de 25 anos de oficinas – num total de 7 mil horas de vídeo – começou a atingir um circuito maior em 2009, com o lançamento da série de DVDs Cineastas Indígenas, disponíveis em livrarias. Organizados por etnia, os DVDs trazem os principais filmes de um grupo de realizadores com legendas opcionais em várias línguas (Português, Espanhol, Francês, Inglês, e alguns em Italiano) e são acompanhados de um livreto com textos e fotos.


No mês de julho o Vídeo nas Aldeias deve fazer o lançamento do seu terceiro trabalho para o IPHAN, com um filme realizado por índios guaranis que conta as histórias das reduções jesuíticas e das guerras guaraníticas no território que vai do Paraguai, passando pelo Rio Grande do Sul até o Espírito Santo. Todo realizado em Guarani, o nome provisório é Tava, a casa de Pedra. “Simbolicamente, é muito importante o governo reconhecer que há a versão dos vencidos”, pondera Carelli.

Monday, 2 April 2012

Livro-vídeo celebra 25 anos de "Vídeo nas Aldeias"


Um livro-vídeo bilíngue, com depoimentos, ensaios críticos e fotográficos e mais de seis horas de filme, celebra os 25 anos do projeto Vídeo nas Aldeias, que apóia e fomenta a produção de vídeo entre aldeias indígenas no Brasil desde a década de 1980.


Lançamento em Recife


Criado pelo fotógrafo, cineasta e indigenista Vincent Carelli, diretor de Corumbiara (melhor filme no Festival de Gramado em 2009), o Vídeo nas Aldeias pôs as primeiras câmeras VHS a serviço de uma ideia inovadora: apresentar às aldeias um instrumento acessível de expressão e preservação de memória, apoiando-as na criação de um jeito próprio de lidar com o meio.

Uma câmera na mão e uma cabeça aberta

Thursday, 29 March 2012

O sangue de quem luta pela terra



Folha de São PauloOs dois líderes do MLST (Movimento de Libertação dos Sem Terra) mortos no Triângulo Mineiro no último sábado (24) participaram no começo deste ano de um protesto que pedia rapidez no julgamento dos suspeitos do caso que ficou conhecido como chacina de Unaí (MG), em 2004.


Milton Santos Nunes da Silva, 51, e Clestina Leonor Sales Nunes, 47, foram mortos com tiros na cabeça em uma estrada em Miraporanga, distrito de Uberlândia (556 km de BH).


Além dos dois, outro integrante do MLST --Valdir Dias Ferreira, 39-- foi assassinado com as mesmas características.


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Transformar a vigente primitiva estrutura agrária brasileira é essencial para finalmente levar o país a um estado socialmente justo.


O ódio do latifúndio e do agronegócio contra os movimentos sociais que buscam essa transformação segue manchando a mesma terra em questão de sangue; o sangue daqueles que são vitimas desse atraso, mas não aceitam esse anacronismo e agem pela mudança.


O assassinato de militantes do MLST é uma vergonha para a "sexta economia do mundo"; retratos de barbárie e da enorme contradição de um estado com uma condição cidadã ainda degradante, de um estado que não dá garantias de livre expressão, de segurança, pela reinvidicaçao de direitos básicos dos seus nacionais.


Quem possui a terra e defende a atrasada estagnação possui poder, possui influência, possui a arrogância e o desprezo pelos seus compatriotas, possui a capacidade de desumanizar e se sujar com a morte.


O MLST quer justiça, o Brasil quer um país de verdade, a humanidade quer libertação.

Tuesday, 13 March 2012

No Recife somos todos de esquerda


Eu não sei quem é César Melo, suposto autor do texto abaixo, e uma rápida busca no Google não me mostrou tampouco. Mas este é o melhor texto sobre Recife que já li. Curto, quase pragmático, visceral, real e apaixonante. Recife completou 475 anos ontem, e eu, há um ano aqui, aprendendo.


Recife. Quando Manuel Bandeira era menino viu uma moça bonita tomar banho "nuinha" no Rio Capibaribe, lá na altura da Caxangá. O menino João Cabral se assustou ao perceber que havia um morto boiando no mesmo Rio. Eu via moça nua só no carnaval da Globo e a Caxangá pra mim é um corredor de ônibus infindável. Já não via mais o rio, nos meus tempos de criança. Eu ia pra Boa Viagem, onde, antes dos tubarões aparecerem, tomava-se muito banho por lá. Também por lá, a gente via os gringos com as moreninhas de peito de pitomba, andando de mãos dadas na orla marítima.


Recife e seus bairros de nomes filosóficos. Para alcançar as Graças, é preciso que nós, Aflitos, morramos Afogados nas incertezas de nossa Encruzilhada existencial. Se Camus e Kafka fossem recifenses, morariam nos Aflitos. Se as putas arrependidas fossem ricas morariam na Madalena. Se os intelectuais fossem coerentes, viveriam na Torre (de Marfim).


Recife tem morenas de todas as cores. Das morenas cor de leite às morenas jambo, há morenidade para todo gosto na terrinha de Gilberto Freyre. Há também as branquinhas, descendentes dos flamengos, que no entanto, torcem pelo "ixxport" e são de "ixxquerda". No Recife, somos todos de esquerda, inclusive os usineiros, como Bruno Maranhão. Recife é uma cidade de revolucionários. Fazemos uma revolução tão permanente que, mui dialeticamente, até os raças entraram na onda. Ah, Recife!


Recife. Conde da Boa Vista. Capital mais africana do Brasil. Som alto. Locutores de lojas - no Recife tem muito disso - anunciando promoções da calcinha e sutiã. Recife: Rua da moeda - Mangue-beat e cheiro de maconha. Minha boemia esmagada pelo calvinismo tropical que pulsa nesse sangue instável. No meu Recife já não há mais puteiro como antigamente. Há os decadentes, na Visconde de Suassuna. As putas agora são on line. E dizem as boas línguas, elas até beijam. Ah, Resífilis.


Recife, Universidade Federal de Pernambuco. Laguinho da Universidade. O jardim da perdição, localizado entre o CFCH e o CAC, é o centro nevrálgico do lirismo universitário. Lá as arquitetas, artistas plásticas e jornalistas, com aquele charme de hippie de butique, atiçam as imaginações dos sociólogos revolucionários. O CFCH e suas discussões pseudo-filosóficas. Grandes amizades. Marx e Weber discutidos com tapioca e cafézinho na cantina do CFCH. Depois de muita prosa e tapioca, resolvemos os problemas do mundo. Mas não entendemos porque os meninos pedem dinheiro no estacionamento da faculdade.


Recife na parada de ônibus. Ceasa-Casa Amarela era o ônibus da utopia. Alguns diziam que essa linha nem sequer existia. Eu acreditava muito e ela às vezes aparecia pra mim. Recifense que é recifense tem muita fé e, como bom brasileiro, não desiste nunca. O Rio Doce-CDU era um ônibus patrocinado pelo Museu do Homem do Nordeste, pois simulava com todo rigor historiográfico o sofrimento dos escravos na travessia do navio negreiro. Cada viagem era um aprendizado. Recife também é cultura.


Recife. Cada parada num sinal é um suspense. Um medo. Um calafrio. O pedinte se aproxima. O vidro elétrico sobe. Quanta miséria, meu deus! Pra onde estamos indo? A luz verde acende. Primeira marcha. O estacionamento do shopping é logo ali. Preciso comprar o que mesmo? Recife e seus orgulhos cheios de relevância: temos o maior shopping da América Latina. E, claro, também temos a maior avenida em linha reta do mundo: A gloriosa Caxangá. Recife capital da megalomania: o Capibaribe e o Beberibe se encontram pra formar o oceano atlântico. Ah, e claro, Nova Iorque não passa de uma filial do bairro de Santo Antônio.


O mundo começa pelo Recife, é verdade. Mas também termina nele. No Recife temos nosso apocalipse caótico e carnavalesco, alegre e violento, cheio de beleza e aberração.

BY CESAR MELO.


Tuesday, 29 November 2011

Curta Peixinhos - o mangue na fita




Todas as cinco localidades de Peixinhos onde acontecem os eventos já foram ou são áreas de mangue: Rua do Condor, Rua da Azeitona, Jeriquiti, Caixa D´agua e o Nascedouro. E o que é o movimento mangue? E qual a relação de Peixinhos com o manguebeat? O CineArte Curta Peixinhos, uma parceria entre o Nascedouro Cineclube e os produtores culturais NK Cumbia e Beto Ferrari, ocorre este ano em sua segunda edição levantando essas necessárias questões para a identidade do bairro, promovendo cinema, música, poesia e grafite com “o Mangue na fita”.


Dia 03/12, sábado, a partir das 17h, no Nascedouro Cultural de Peixinhos


São filmes selecionados pelo Nascedouro Cineclube, que desde dezembro de 2009 promove sessão semanal de cinema no Centro Tecnológico de Cultura Digital, no Complexo Nascedouro, oficinas de grafitagem - e muita música. Atividades realizadas diretamente nas localidades mais pobres de um bairro socioeconomicamente excluído da região metropolitana de Recife/Olinda.


Pernambuco é um dos epicentros musicais do Brasil e uma das representações mais ativas da mistura de ritmos e tradições sonoras que dá ao estado esse status é o bairro de Peixinhos, o berço do manguebeat. Nessa comunidade periférica, caracterizada pela pobreza e pela confusão geográfica entre Recife e Olinda, é que a profusão de gêneros como o funk com o maracatu, o hard core com o coco de roda, os toques guturais dos rituais afro-brasileiros com a emergência da batida eletrônica deu a Chico Science a inspiração e o espaço para fundar a Nação Zumbi e movimento Mangue.


A diversidade e a efervescência cultural de Peixinhos, porém, são tão tradicionais quanto contrastantes com sua realidade socioeconômica e indissociáveis da sua história junto aos ganidos e gemidos de gado e gente que eram mortos e/ou desovados às margens do rio Beberibe, que corta a localidade. Ao lado da falta de pavimentação das ruas, energia elétrica e saneamento, também concorre a carência de espaços culturais e de lazer, grande defasagem no acesso à informação - uma enorme parcela da população de Peixinhos nunca entrou numa sala de cinema. Para muitos artistas pernambucanos, para a história de um dos mais importantes movimentos artísticos do Brasil, o manguebeat, Peixinhos é uma referência e uma inspiração. Há quem se recicle em Peixinhos, há quem descubra Peixinhos. Mas como é que a música e a cultura podem transformar a comunidade? O CineArte Curta Peixinhos – o Mangue na fita é o começo dessa reflexão.


Tuesday, 23 August 2011

No lançamento da Marcha “Aperte a mão de quem o alimenta”, presidente nacional do INCRA anuncia o Fórum Nacional de Reforma Agrária




O governo federal quer discutir mais amplamente o papel do INCRA na reforma agrária e são as organizações dos trabalhadores que dirão o que o Instituto deve fazer. É o que afirmou o presidente nacional do instituto, Celso Lacerda, no ato público de lançamento da “Marcha da Reforma Agrária do Século XXI”, no último domingo. Desde ontem (22/08) mais de mil trabalhadores e trabalhadoras rurais, de dez estados da Federação, caminham mais de 200 km sob o forte sol do Estado de Goiás, saindo da capital, Goiânia, rumo à Brasília, para chamar a atenção da sociedade para a necessidade de recolocar a reforma agrária na agenda política nacional.


A atividade promovida pelo Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST) afirma a importância de se dar mais peso ao eixo da Inclusão Produtiva do programa “Brasil Sem Miséria” da presidenta da república Dilma Roussef através da valorização da agricultura familiar e dos assentamentos de reforma agrária. Segundo o coordenador nacional do MLST no Rio Grande do Norte, Edmilson Lima, “trata-se de uma estratégia de superação da pobreza no país, implementando um reordenamento da questão agrária no Brasil através de uma reforma agrária do século XXI”.


O presidente do INCRA reconheceu a importância da manifestação e garantiu que nas próximas semanas o debate para institucionalizar um fórum oficial com a participação dos movimentos sociais sobre a reforma agrária no governo federal será concluído. “O caráter que esse fórum terá é o que definirá a sua importância e por isso o papel dos movimentos sociais é fundamental. A minha vontade é que ele seja um fórum deliberativo”, afirmou Celso Lacerda que também adiantou que a coordenação do fórum estará a cargo do secretário geral da presidência da república, ministro Gilberto Carvalho.


Lacerda ainda destacou que a Marcha da Reforma Agrária do Século XXI contribui muito para o debate com vários segmentos da sociedade sobre as reivindicações do trabalhador rural que “são pauta de toda a sociedade brasileira”. Segundo o presidente do Instituto, “o INCRA ainda falha em divulgar os dados que revelam o quão positivo a reforma agrária tem sido para este país, mas logo apresentaremos também uma pesquisa que apresenta o quanto se produz e quantidade de renda gerada pela agricultura família”, anunciou.


APERTE A MÃO DE QUEM O ALIMENTA –


Além do presidente do INCRA, o ato público de lançamento da Marcha no domingo, dia 21, contou com a presença da deputada federal Marina Sant’Anna, e dos deputados estaduais de Goiás, Izaura Ramos e Mauro Rubem. Junto dos trabalhadores estiveram ainda a representante da coordenação nacional da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Isolete Wichinieski, e Antonio Chagas, representando a CUT. A prefeitura de Goiânia também participou da mesa oficial através do secretário de educação, Péricles de Castro, bem como os superintendentes regionais do Incra de Goiás e do Distrito Federal, Jorge Tadeu Jatobá e Marco Aurélio Bezerra da Rocha, respectivamente. O MLST foi representado pelo seu coordenador nacional e um dos fundadores do movimento, Bruno Maranhão, e pelo coordenador do MLST em Goiás, Aparecido Ramos.


A Marcha já percorreu quase 60 km em apenas dois dias. O grupo de mais de mil trabalhadores e trabalhadoras rurais está hoje em Anápolis (GO), onde permanece por duas noites. Da Escola Municipal Professor Lorenzo, em Goiânia, se deu a partida na manha de ontem até a localidade de Teresópolis, e mais sete cidades do estado de Goiás receberão a visita dos militantes da reforma agrária do século XXI antes da Marcha chegar à capital federal, no dia 6 de setembro.


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