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Friday, 28 March 2014

Um ano da morte de Achebe. Literatura, sociedade e o mundo "pós-colonial"


Na semana passada, dia 21 de março, cumpriu-se um ano da morte do escritor nigeriano Chinua Achebe, o "pai da literatura africana"(...). Em homenagem a esse autor e a essas literaturas africanas, ainda tão pouco difundidas no Brasil, a vontade foi de compartilhar, em respeitosa deferência, um recente e muito  breve ensaio que escrevi dentro minhas obrigações doutorais  para a disciplina de Sociologia da Literatura, na UFPE, sob responsabilidade da excelente professora Eliane Veras, onde tive a oportunidade de ler e estudar um pouco  Achebe. Deixo parte da introdução, e se a alguém interessar, por favor entre em contato.
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O escritor camaronês Mongo Beti afirma em seu Dictionnaire de la négritude que: “O primeiro, e até o momento, o único escritor africano que atingiu um grande público no mundo inteiro é um anglófono nigeriano, Chinua Achebe. Ninguém melhor que ele descreveu a agonia da cultura tradicional confrontada com uma civilização conquistadora”.  (Beti, M. apud Pereira, 2012). Quase 60 anos depois da publicação de O mundo se despedaça,  a obra ainda é vista como um dos principais trabalhos literários sobre o período colonial. O livro é comumente apontado pela mídia como o primeiro romance africano a ganhar reconhecimento mundial e seu autor como o “pai da moderna literatura africana” (The Guardian, 2010; The Independent, 2013).

A popularização de tal título atribui-se à manifestação sobre Achebe da escritora Nadine Gordimer (Prêmio Nobel de 1991), em 2007, quando juíza do prestigioso Prêmio Internacional Man Booker do qual o nigeriano foi vencedor naquele ano. Mas o próprio Achebe rejeitou fortemente o rótulo por considerar que isso obscurecia o papel de muitos outros escritores: "It's really a serious belief of mine that it's risky for anyone to lay claim to something as huge and important as African literature ... the contribution made down the ages. I don't want to be singled out as the one behind it because there were many of us – many, many of us," (The Guardian, 2009)

Pensando isso, busquei  realizar uma breve reflexão sobre o lugar que este livro de Achebe ocupa entre as grandes obras da literatura mundial, tendo por base as apreciações sobre crítica literária africana e dimensões dos significados do pensamento pós-colonial na destacada pesquisadora Inocência Mata, e as ponderações sobre a relação literatura e sociedade em renomados teóricos do campo como Terry Eagleton e Roberto Schwarz.

Nosso intento, portanto, é, fixando essas discussões sobre reconhecimento, valor e legitimidade segundo enunciados teóricos que problematizam tais noções, analisar brevemente como O mundo se despedaça aborda a determinante questão do encontro colonial no país de origem do autor, a partir da analogia à crítica teórica sobre relações centro/periferia. Ou seja, perceber as linhas de força ideológicas utilizadas por Chinua Achebe nesse seu romance para compor uma obra esteticamente eficaz para expressar o impacto colonial na Nigéria – uma obra que se converteu em evidencia cabal da forma que o literário assumiu a respeito das dinâmicas do colonialismo na África.

 

 

Wednesday, 11 January 2012

Crazy and Saints

I choose my friends not by their skin or other archetype, but by the pupil.
They have to have questioning shine and unsettled tone.
I'm not interested in the good spirits or the ones with bad habits.
I'll stick with the ones that are made of me being crazy and blessed.
From them, I don't want an answer, I want to be reviewed.
I want them to bring me doubts and fears and to tolerate the worst of me.
But that only being crazy.
I want saints, so they dount doubt differences and ask for forgiveness
for injustices.
I choose my friends for their clean face and their soul exposed.
I don't just want a man or a skirt, I also want his greatest happiness.
A friend that doesn't laugh together doesn't know how to cry together.
All my friends are like that, half foolish, half serious.
I don't want foreseen laughter or cries full of pity.
I want serious friends, those that make reality their fountain of
knowledge, but that fight to keep fantasy alive.
I don't want adult or boring friends.
I want half kids and half elderly.
Kids, so they don't forget the value of the wind blowing on their
faces and elderly people so they're never in a hurry.
I have friends to know who I am.
Then seeing them as clowns and serious, crazy and saints, young and
old, I will never forget that 'normalcy' is a sterile and imbecile
illusion.
(Oscar Wilde)

Thursday, 10 November 2011

Fui selecionado para o Livro Prêmio Alt Fest ! Poesia - Patrocínio Fliporto

O grande homenageado da Festa Literária Internacional de Pernambuco (Fliporto) deste ano é Gilberto Freyre que viu a matriz oriental no Brasil e anteviu a ressurgência do islamismo no mundo atual com suas relações, nem sempre óbvias, com o Brasil que se constrói hoje. Um Brasil mestiço e com uma maior tolerância na convivência racial e cultural – um dos maiores paradigmas para o mundo no século XXI.


De 11 a 15 de novembro acontece na caprichosa e sedutora cidade de Olinda, que este ano completa 30 anos como patrimônio cultural da humanidade, a sétima edição da Fliporto com o tema “Uma Viagem ao Oriente”. Durante cinco dias os diálogos entre autores, mediadores e públicos tentam criar pontes entre culturas e civilizações em choques aparentes ou reais. Com uma expectativa de público de 100 mil pessoas, a Fliporto caminha para ser o principal festival de literatura do Brasil.


Entre os escritores confirmados estão Tariq Ali (editor da New Left Review) , Abdel-Bari Atwan (entrevistou longamente Bin Laden), Joumana Haddad (“Eu matei Sherazade – confissões de uma árabe enfurecida), Silio Boccanera, Alice Ruiz, além de do prêmio Nobel de Literatura: Derek Walcott.


E EU COM ISSO


Claro que essa é uma chamada retórica. Por natureza, antes de pautar qualquer trabalho relacionado ao evento, eu já estava me coçando (e não falo das manchas decorrentes da dengue que contrai na semana passada...) para ver todo o possível desse instigante e apaixonante evento. E de fato vou assistir (e entrevistar) muita coisa boa, já garanti minha credencial de imprensa.


Mas aí descobri o Alt Fest! Fliporto, um evento colaborativo de literatura e artes integradas a Fliporto que surge da inspiração do poeta pernambucao S.R. Tuppan que, junto com os coletivos Poética Século XXI, Fliporto, Prefeitura de Olinda entre outros, organiza um evento de intervenções artísticas e poéticas em Olinda durante a Fliporto e e I Prêmio Alt Fest! Poesia – Patrocícinio Fliporto.


Eu que até aqui tenho colecionados idéias e textos para “Ítaca”, que tenho feito pequenas, despretensiosas e bobas experiências de publicação de alguns poemas no meu blog e que começo, timidamente, a ver possíveis espaços de mais visibilidade para essas experimentações, resolvi, por primeira vez, inscrever um poema meu num concurso.


E tive um texto selecionado, entre os 500 trabalhos que o concurso recebeu, para compor os 20 classificados na edição do livro Prêmio Alt Fest Poesia, sob a chancela do parceiro-editor, a Fliporto!


Isso mesmo, um dos meus “textos curtos para Ítaca” foi selecionado para compor a coletânea de poemas vencedores de um concurso relacionado com um dos maiores festivais de literatura do país! Para um iniciante em escrever literariamente pensando de fato em publicação, acho que é um muito bom começo. E uma ótima notícia para ajudar na recuperação da dengue (sim, é verdade, contrai dengue semana passada, mas já estou quase bem).


Podem conferir a divulgação dos selecionados, e todos os poemas (inclusive o meu, número 17) aqui no blog da Alt Fest ! Fliporto.


O poema “Estas são memórias de outros tipos” já tinha aparecido aqui no blog, mas agora merece ser republicado. E agora é aguardar a edição do livro pra divulgar meu primeiro poema publicado!


Estas são memórias de outro tipo

enche minha mão, respira

tua terra de cobre, amarela,

deste lado da rua de Ledra,

depois da praça Eleftheria

cruzamos barricadas, repara

nas línguas vindas de Ankara

no mesmo mapa, no mesmo muro

que separa a minha primeira vez

do teu primeiro absurdo.

(Sim, eu estava errado.

A tua cor é o amarelo.)

Monday, 25 July 2011

As funções da literatura

Crítico literário, professor, sociólogo, militante. Um adjetivo sozinho não consegue definir a importância de Antonio Candido para o Brasil, considerado um dos principais intelectuais do país, e do qual, novamente, destaco abaixo um trecho de um dos seus mais conhecidos e importantes trabalhos.


E uma ótima entrevista com o “mestre” realizada este mês pode ser lida no website do jornal Brasil de Fato, AQUI.



Quando se trata de estudar manifestações literárias, a concepção de Lévy-Bruhl seduz pelo que tem de favorável à exaltação das faculdades poéticas, dos elementos irredutíveis da fantasia, que nela parece estender-se sobre a vida do espírito como um estofo transfigurador. Mas mesmo sem pressupor diferenças essenciais entre a nossa literatura e a dos povos primitivos, é evidente que os problemas suscitados por ambas são diversos. E talvez a meditação sobre tais diversidades ajude a compreender certos aspectos da criação literária, tanto dos primitivos quanto, em certa medida, dos grupos rústicos iletrados nas sociedades civilizadas.


(...) Para entender a função da literatura oral é preciso não perder de vista a sua integridade estética. E é preciso começar distinguindo, nela como na literatura escrita, - função total, função social e função ideológica.


A função total deriva da elaboração de um sistema simbólico, que transmite certa visão do mundo por meio de instrumentos expressivos adequados. Ela exprime representações individuais e sociais que transcendem a situação imediata, inscrevendo-nos no patrimônio do grupo. Quando, por exemplo,encaramos a Odisséia, o aspecto central que fere a sensibilidade e a inteligência é esta representação de humanidade que ela contém, este contingente de experiência e beleza, que por meio dela se fixou no patrimônio da civilização, desprendendo-se da função social que terá exercido no mundo helênico. A grandeza de uma literatura, ou de uma obra, depende da sua relativa intemporalidade e universalidade, e estas dependem por sua vez da função total que é capaz de exercer, desligando-se dos fatores que a prendem a um momento determinado a um determinado lugar. Esta função é aparentemente menos acentuada na literatura oral, que parece limitar-se ao âmbito restrito dos grupos em que atua e que a produziram. Todavia, quando surgem possibilidades de comunicação entre os grupos, a sua universalidade pode afirmar-se, e até mais do que sucede com as obras da literatura erudita, - pois se de um lado ela radica em experiências peculiares ao grupo, de outro encarna certos temas da mais acentuada intemporalidade, como os de alguns mitos, análogos em vários povos. Daí o encanto e a emoção que as lendas e canções primitivas despertam em nós, mesmo precariamente traduzidas e arrancadas ao seu contexto.


A função social (ou “razão de ser sociológica”, para falar como Malinowki) comporta o papel que a obra desempenha no estabelecimento de relações sociais, na satisfação de necessidades espirituais e materiais, na manutenção ou mudança de uma certa ordem na sociedade. Assim, os episódios da Odisséia, cantados nas festas gregas, reforçavam a consciência dos valores sociais, sublinhavam a unidade fundamental do mundo helênico e a sua oposição ao universo de outras culturas, marcavam as prerrogativas, a etiqueta, os deveres das classes, estabeleciam entre os ouvintes uma comunhão de sentimentos que fortalecia a sua solidariedade, preservavam e transmitiam crenças e fatos que compunham a tradição da cultura. Na literatura dos grupos iletrados, talvez esta função prepondere, pesando mais do que na literatura erudita dos nossos dias, feita para a leitura individual e voltada antes para a singularidade diferenciadora dos indivíduos, do que para o patrimônio comum dos grupos.


Considerada em si, a função social independe da vontade ou da consciência dos autores e consumidores de literatura. Decorre da própria natureza da obra, da sua inserção no universo de valores culturais e do seu caráter de expressão, coroada pela comunicação. Mas quase sempre, tanto os artistas quanto o público estabelecem certos desígnios conscientes, que passam a formar uma das camadas de significado da obra. O artista quer atingir determinado fim; o auditor ou leitor deseja que ele lhe mostre determinado aspecto.


Todo este lado voluntário da criação e da recepção da obra concorre para uma função específica, menos importante que as outras duas e freqüentemente englobada nelas, e que se poderia chamar de função ideológica, - tomada o termo no sentido amplo de um desígnio consciente, que pode ser formulado como idéia, mas que muitas vezes é uma ilusão do autor, desmentida pela estrutura objetiva do que escreveu. Ela se refere em geral a um sistema de idéias. O autor dirá, por exemplo, que tencionou mostrar como a vida é enganadora e como a virtude é uma questão de aparência, - coisas que poderíamos imaginar Machado de Assis falando das Memórias póstumas de Brás Cubas. Do seu lado, o público dirá se a obra lhe mostrou ou não esta concepção. Neste caso, a obra pode ser dita interessada, no sentido próprio, e não sectário, embora geralmente a função ideológica se torne mais clara nos casos de objetivo político, religioso ou filosófico. Esta função é importante para o destino da obra e para a sua apreciação crítica, mas de modo algum é o âmago do seu significado, como costuma parecer à observação desprevenida.


Só a consideração simultânea das três funções permite compreender de maneira equilibrada a obra literária, seja a dos povos civilizados, seja, sobretudo, a dos grupos iletrados. Se naquela os aspectos propriamente estéticos sobressaem de maneira a realçar a função total, nesta a função social avança para o primeiro plano, tornando-a ininteligível se não for levada na devida conta.


Estímulos da Criação Literária 54-57, Literatura e Sociedade, Antonio Candido

Wednesday, 6 July 2011

Não, mestre. O senhor é um homem transcendental


O crítico literário, professor, mestre de todos nós, Antonio Candido, faz nesta quarta-feira a conferência de abertura da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty). Foi sua amizade com Oswald de Andrade que o fez aceitar o convite para participar do encontro.


A nona edição da festa literária homenageia Oswald (1890-1954), intelectual ícone do modernismo brasileiro, a quem o mestre chamava de "Oswaldo".


(Entrevista completa do mestre na Folha Ilustrada aqui.)


"Considero minha vida intelectual completamente encerrada. Sou um sobrevivente. Não dou entrevista, não dou curso, não publico mais nada. Revelo aqui se vocês não contarem para ninguém, mas ainda escrevo a máquina. Sou um homem do passado, encalhado no passado. Não tenho computador, não tenho e-mail”, declarou.



Eis um brevíssimo exemplo das reflexões que provoca esse “homem do passado”, entre o lógico e o mágico:


Nos quatro ou cinco séculos que decorreram da entrada mais ou menos direta dos povos primitivos para o convívio dos povos civilizados, eles têm sidos considerados pendularmente como brutos e como seres privilegiado, através de concepções que assumem diversos matizes. Há cerca de meio século apareceu um modo renovado de encará-los como bichos, com todas as ressalvas da ciência e da filosofia. É a teoria famosa de Lévy-Bruhl, segundo a qual a mentalidade do primitivo seria, por assim dizer, qualitativamente diversa, na medida em que subordina a visão do mundo, não princípios lógicos, como nós, mas a uma espécie de indiferenciaçao entre sujeito e objeto, entre as categorias e os corpos, de modo a definir um espírito “pré-lógico”, incapaz de abstrair e de observar o princípio da contradição.


Esta concepção é sedutora. Permite interpretar fenômenos aparentemente obscuros, conserva em torno do primitivo um halo de mistério, e não há dúvida que contribuiu para investigar os aspectos alógicos da mente humana. Mas, pouco depois do seu êxito, Malinowksi, ao invés de compulsar relatos de viagem ou repositórios de folclore, foi viver dois anos numa aldeia de melanésios, e os seus trabalhos fizeram ver que, relacionada ao quotidiano, a bela construção era falaciosa. Os povos primitivos distinguem, essencialmente como nós, o lógico e o mágico, embora na sua mente ambos formem configurações diversas, e o mágico sobressaia proporcionalmente mais do que o lógico no tecido da sua existência.


Quando lança ao mar uma canoa, como toda sorte de esconjuros para que os espíritos da flutuação a façam sobrenadar contra os espíritos da submersão, o artesão de Sinaketa não supõe que ela navegue por obra e graça deles. Conhecendo empiricamente os princípios da flutuação e os processos adequados para os utilizar, jamais lhe passaria pela cabeça pegar um tronco e jogá-lo na água, confiado em que apenas a força dos espíritos o manteria emerso. Ele aplica rigorosamente a técnica, mas crê também na eficácia indispensável do ritual mágico. Forçando a nota, diríamos que, de modo parecido, o engenheiro moderno levanta cientificamente a sua ponte e pede a um santo que a mantenha de pé. E talvez (como já foi lembrado), o historiador do ano 3000 venha a dizer que os civilizados do século XX lançavam os seus navios com a bênção de um sacerdote e a quebra ritual duma garrafa de vinho, acreditando que boiavam graças a estas práticas. No homem de hoje, perduram lado a lado o mágico e o lógico, fazendo ver que, ao menos sob este aspecto, as mentalidades de todos os homens têm a mesma base essencial. Num livro recente, diz Lévi-Strauss, com exemplos sugestivos, que em muitos casos o primitivo revela uma capacidade de racionalização e de observação sistemática maior do que a do civilizado. O que a muitos pareceu incapacidade de generalizar pode ser requinte analítico, e certas formas em que realmente ele dissolve o particular numa aparente indiferenciaçao manifestam a capacidade generalizadora de cunho ideológico, que lhe foi contestada.


Isso retifica as teorias da mentalidade pré-lógica, mas pode reconduzir de maneira algo simples ao velho postulado do espírito humano igual em toda parte. Ora, ambas as posições são modalidades da falácia antropocêntrica – seja por verem no primitivo um bicho quase de outra espécie, seja por quererem reduzi-lo mecanicamente à nossa imagem, dispensando o esforço de penetrar nas suas singularidades. A verificação de que as culturas são relativas leva a meditar em tais singularidades, que seriam explicadas, não à luz de diferenças ontológicas, mas das maneiras peculiares com que cada contexto geral interfere no significado dos traços particulares, e reciprocamente, - determinando configurações diversas. Assim, a atitude correta seria investigar a atuação variável dos estímulos condicionantes, pois se a mentalidade do homem é basicamente a mesma, e as diferenças ocorrem sobretudo nas suas manifestações, estas devem ser relacionadas às condições do meio social e cultural. Isso explicaria por que os comportamentos, as soluções, as criações variam tanto no primitivo e no civilizado, sem que se possa falar em mentalidade pré-lógica.


Trecho de “Estímulos da Criação Literária”, páginas 51-53, em Literatura e Sociedade, de Antonio Candido

Friday, 10 June 2011

Aprendizados de São João

Na “Caminhada do Forró” na noite desta quinta, abertura oficial das festividades de São João em Recife, ouvi esses versos declamados no meio de um dos forrós que animava a Praça do Arsenal. Não sabia de quem eram, mas fui atrás. E descobri Rogaciano Leite.


Sorrir e Cantar


Cantar é sempre o que a fazer eu ando

Sorrir é sempre o meu prazer infíndo

Se canto e rio, é porque vivo amando

se amo e canto e porque vivo rindo

Se o pranto morre quando nasce o canto

Eu canto e rio pra matar o pranto

E gosto muito de quem canta e rí

Logo bem vês por esses dotes meus

Que quando canto estou pensando em Deus

E quando rio estou pensando em ti



Friday, 11 February 2011

Textos curtos para Ítaca XIII

Much rush, changes, travelling, re-adaptation and inner perceptions have lately prevented me from keep this blog up-to-date. It may not be a coincidence I am writing this post in English .

The text below was written by me last October and was published originally in a zine edited by a friend in London, “Climb the Wall”(# 3). It may have references which are appropriate in the current period.



Escape or construction? Oh, dear human condition.


This is our history:


all these elements and moments of dislocation,


our hypes on a project of cultural reclamation,


and now this post- post 21st century way of living,


coping to the aspiration of a world citizenship while asserting particular social identities.


The movement from the homeland was occasioned by: comfort, fulfilment, an abuse of the concept of freedom.


And despite the pretentious privileged perspective, beyond the supposedly critical insights - “achievements are undermined by the loss of something left behind”.[1]


At the end of the journey, the grim reality: “stand at the gates as a stranger and outsider.”[2]


Alienated, having no place they can actually call theirs: “we are in London as though we were not at all”.[3]




[1] Edward Said, on “Reflections on Exile”

[2] Oyeniyi Okunoye, on “A song of Exile”

[3] Odia Ofeimum, on “Lagoon”

Saturday, 9 October 2010

Nobel para Llosa, Tributo a Salarrué

El escritor y destacado intelectual peruano Mario Vargas Llosa obtuvo el pasado jueves, al fin y a los 74 años, el premio para el que fue eterno candidato año tras año desde la década de 1980.


El premio Nobel de Literatura fue galardonado por la sexta vez en la historia a un latinoamericano

.

Llosa es un novelista formidable, y como tal merece felicitaciones, pero también un gran polemista político, que merece las críticas recibidas a lo largo de su historia.


El peruano tuvo un gradual paso de izquierda hacia un capitalismo de libre mercado con un credo entusiasta, ortodoxa y militantemente liberal.


Esas posiciones lo han puesto en desacuerdo con gran parte de la élite de intelectuales del hemisferio.


Nacido en la ciudad andina de Arequipa en una familia de clase media, fue miembro de una célula clandestina del Partido Comunista de Perú y que admiró y defendió la Revolución Cubana.


La ruptura se produjo en la década de 1970. En medio del despegue del "boom", dejó atrás "todo lo que significa dogma y exclusivismo ideológico". Criticó a Cuba, consideró al socialismo enemigo de la libertad y se apegó a ideas liberales de derecha.


Vargas Llosa ha peleado con el presidente venezolano Hugo Chávez y a menudo critica al mandatario cubano Fidel Castro.


En un famoso incidente en 1976 en la ciudad de México, Vargas Llosa le dio un puñetazo a su otrora amigo Gabriel García Márquez. Se dice que ambos no se han hablado en décadas. No hubo reacción al premio por parte de Gabo.


Vargas Llosa es ganador de premios como el Cervantes, el Príncipe de Asturias, y doctor Honoris Causa de universidades americanas, asiáticas y europeas. En su vitrina ya no falta ahora también el Nobel


El escritor dijo que el galardón es para la lengua en la que él escribe y para la región de la que procede.


De hecho, nunca un no hispanohablante ha ganado el codiciado premio.


En la corta lista de los “Nobeles” del continente, están:


Mario Vargas Llosa (Perú, 2010)

Octavio Paz (México, 1990)

Gabriel García Márquez (Colombia, 1982)

Pablo Neruda (Chile, 1971)

Miguel Ángel Asturias (Guatemala, 1967)

Gabriela Mistral (Chile, 1945)


Todos hispanohablantes. Y, si, un centroamericano. El guatemalteco Miguel Ángel Asturias escribió obras indispensables, como “Hombres de Maíz”.


Nunca un brasileño ha ganado un Premio Nobel. Tampoco un salvadoreño.


Pero en esta semana de alegrías para la literatura latinoamericana, hago mi registro de la conquista de Mario Vargas Llosa a través del homenaje a otro escritor del continente entre tantos que merecen reconocimiento.


Particularmente en Brasil, donde el promedio de conocimiento sobre Latinoamérica es casi ridículo, queda esta pista de uno de los monumentos de la literatura latinoamericana.


Cuentos de Barro, de Salarrué, es probablemente el libro más conocido por los lectores salvadoreños, y el que de alguna manera “representa” las letras de El Salvador en numerosas antologías de literatura latinoamericana.


Salarrué, supremo habitante del gran libro del trópico, cuyo centenario de nacimiento se conmemoró en 1999, merece dimensión universal para la que siempre estuvo señalado.



Tranquera

"Como el alfarero de Ilobasco modela sus muñecos de barro: sus viejos de cabeza temblona, sus jarritos, sus molenderas, sus gallos de pitiyo, sus chivos de patas de clavo, sus indios cacaxteros y en fin, sus batidores panzudos; así con las manos untadas de realismo; con toscas manotadas y uno que otro sobón rítimico, he modelado mis Cuentos de Barro.

Después de la hornada, los más rebeldes salieron con pedazos un tanto crudos; uno que otro se descantilló, éste salió medio rajado y aquél boliado dialtiro; dos o trés se hicieron chingastes. Pobrecitos de mis cuentos de barro… Nada son entre los miles de cuentos bellos que brotan día a día; por no estar hechos en torno , van deformes, toscos, viciados; porque, ¿qué saben los nervios de línea pura, de curva armónica? ¿Qué sabe el rojizo tinte de la tierra quemada, lakas y barnices?; y el palito rayador, ¿qué sabe de las habilidades del buril?...

Pero del barro del alma están hechos; y donde se sacó el material un hoyito queda, que los inviernos interiores han llenado de melancolía. Un vacío queda allí donde arrancamos para dar, y ese vacío sangra satisfacción y buena voluntad.

Allí van esa hornada de cuenteretes, medio crudos por falta de leña: el sol se encargará de irlos tostando."