Tuesday, 25 March 2014
Textos Curtos para Ítaca XXXII
Um futuro-presente projeto literário. “Textos curtos para Ítaca” é a primeira materialização de uma das várias e extensas ideias em literatura, essencialmente em prosa, mas com flertes em verso, colecionadas ao longo da jornada até Ítaca. Em fato, os projetos para contos e novelas e outras literaturas de longo fôlego, ainda estão em fase sketch, talvez nem maquete, e irão tomando forma ao ritmo das circunstâncias que, sim, podem tardar como já tardam, mas ainda virão. Enquanto isso, num dia e momento aleatório, curiosamente com menos atraso, vão tendo agenda as mini-experiências em poesia e verso, do qual, lenta e despretensiosamente, faço um laboratório neste blog (único espaço onde o critério editorial é totalmente meu... ). Algum dia também ganharão forma impressa, sempre ao ritmo das possibilidades e, no dizer de Konstantinos Kavafis, do rogar por uma rota longa. Mas em textos curtos.
UM BANHO
E agora eu
vou me lavar de ti
Á meia-luz,
que é pra evitar o desgosto de notar o que é que escorre pelo ralo
Esfoliando,
que é pra lembrar de não lembrar das minhas supostas preferências.
A ferida
finalmente vai fechando! (não, sua atrevida! Não falo de ti com tamanho cliché.
Me refiro ao corte de fato), que coincide como um sinal.
Claro, sinal.
Todo cristão aprecia um sinal
No ombro
direito, bem atrás da nuca, na parte superior das costas à esquerda, estavam
todos ali.
E eu não os
vi.
Tu tampouco
vistes, mesmo com a olho de peixe, a mirada proba, nem ouvistes, mesmo que
escutara, a cantilena franca.
Decerto vens
de Vetusta. De errado fostes, de Rodrigues, que é o Nelson, a Dorotéia
Do soturno
luto, teu vermelho, dileta herege
Deixo a
malandragem, o espasmo, a fada, o suor, e até o gato.
Eu me seco.
Te lambuze
com teus óleos, teus diálogos e teus direitos.
Arguidos,
reprocháveis, demagogos.
Tudo depende
do que deixaremos de fazer bom proveito.
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Textos curtos para Ítaca
Sunday, 23 March 2014
Participo de e-book sobre Honduras post-golpe, y el libro está disponible en linea!
Participo con honor de esta publicación (y agradezco a la invitación del organizador, Esteban De Gori), con un artículo sobre el rol de Brasil en Honduras "no jogo que ainda não acabou" y hago mias las palabras de la colega Carmen Elena Villacorta Zuluaga:
"Éste... libro es resultado del trabajo de un grupo de centroamericanistas de diferentes países y procedencias disciplinarias que, impulsadxs por el sociólogo argentino Esteban De Gori, procuramos iluminar diferentes aristas de la problemática de Honduras, desde el golpe de Estado de junio de 2009 hasta las últimas elecciones presidenciales de noviembre de 2013. La obra constituye un aporte a los estudios latinoamericanos, a la comprensión de la actualidad de América Latina y reviste significado especial de cara a la embestida desestabilizadora que las fuerzas de derecha impulsan actualmente en Venezuela, Argentina y El Salvador, procurando minar la legitimidad de sus gobiernos democráticamente electos."
Para descargalo, pulsa el enlace:
http://grupoamericacentral.wordpress.com/livro-honduras-2013/
"Éste... libro es resultado del trabajo de un grupo de centroamericanistas de diferentes países y procedencias disciplinarias que, impulsadxs por el sociólogo argentino Esteban De Gori, procuramos iluminar diferentes aristas de la problemática de Honduras, desde el golpe de Estado de junio de 2009 hasta las últimas elecciones presidenciales de noviembre de 2013. La obra constituye un aporte a los estudios latinoamericanos, a la comprensión de la actualidad de América Latina y reviste significado especial de cara a la embestida desestabilizadora que las fuerzas de derecha impulsan actualmente en Venezuela, Argentina y El Salvador, procurando minar la legitimidad de sus gobiernos democráticamente electos."
Para descargalo, pulsa el enlace:
http://grupoamericacentral.wordpress.com/livro-honduras-2013/
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Saturday, 1 February 2014
Eleições 2014 na América Central: o que está em jogo
- outro texto meu publicado no Nota de Rodapé, sobre as eleições deste 2 de fevereiro em El Salvador e na Costa Rica.
Também pode ser acessado aqui, no blog do Núcleo de Pesquisas D&R.
Aleksander Aguilar é jornalista, doutorando em Ciência Política e Relações Internacionais, e coordenador do Grupo de Estudos América Central (GEAC) do Núcleo de Pesquisas Desenvolvimento e Região (D&R), da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)
Também pode ser acessado aqui, no blog do Núcleo de Pesquisas D&R.
"Amanhã, 2 de fevereiro, é uma data de extrema relevância para a América Central. Dois países do pequeno istmo entre o Norte e Sul do continente, situado na periferia do sistema pese estar no centro geográfico e ter uma importância estratégica em política internacional, realizam suas eleições gerais: Costa Rica e El Salvador. Novo período de eleições livres e universais é sem dúvida um momento de celebração das liberdades civis para toda a região, dado o amplo retrospecto de crises e autoritarismo dos países que a compõem, mas também uma ocasião para a reflexão, que deve ser exercido com o voto de cada cidadão, sobre projetos políticos que efetivamente contribuam para fazer avançar Centroamérica em emancipações, autonomias e bem-viver.
De forma geral veem-se duas grandes
linhas na atual conjuntura política centro-americana: o espaço para governos vistos
como progressistas e a tendência a polarização partidária.
Estão em jogo nessas eleições
concepções diferenciadas sobre relações estatais, mercado e sociedade, em que
se confrontam projetos, insistentes e impertinentes, de corte neoliberal, e outro
de cunho nacional-popular, mais comprometidos em tese com o social.
Na década de 90 as forças políticas
ligadas a esquerda enfrentaram um panorama desencorajador, com o avanço forte
do receituário neoliberal no istmo; uma situação que se via por toda a América
Latina, mas particularmente sentidas em Centroamérica em função dos contextos das
recém finalizadas revoluções populares que não alteraram a estrutura profunda
do status quo do poder.
Essa ordem começou mudar, porém, a
partir dos anos 2000 na América do Sul, mas na América Central ainda um pouco
mais tarde, com as posições reformistas de Manuel Zelaya em Honduras, com a
vitória da esquerda em El Salvador em 2009, com o retorno dos Sandinistas ao
governo da Nicarágua. O golpe de Estado em Honduras, aliás, também em 2009, pode
ser visto como um alerta para essa reorganização progressista na região de que
as forças da elite dominante não permitiriam medidas muito avançadas no campo
social, caso isso mexesse com as arcaicas e excludentes estruturas de poder dos
seus países, por parte dos novos governos que conquistaram espaço nas frágeis
democracias eleitorais a pouco estabelecidas.
Há agora uma renovação das
oportunidades para o progressismo. Em Honduras, nas polêmicas e ainda debatidas
eleições do final de 2013, o partido LIBRE dos Zelaya rompeu o tradicional e
perverso bipartidarismo elitista do país e influi nos rumos do governo. Na
Nicaragua, apesar de posturas impopulares e muitos questionamentos, o atual
governo sandinista de Daniel Ortega ainda conta com altos índices de aprovação.
Em El Salvador a disputa se dá
entre as duas forças consolidadas depois dos Acordos de Paz de 1992, o do retrógrado
conservadorismo e neoliberalismo da Alianza
Republicana Nacionalista (ARENA) e aglutinação de esquerda Frente Farabundo Martí para la Liberación
Nacional (FMLN), que ainda reúne forças da sociedade civil e de movimentos
sociais. E na Costa Rica a coalizão progressista do Frente Amplio gera expectativas e esperança de vitória.
O FMLN salvadorenho tem vantagem nas
pesquisas eleitorais e disputa a reeleição, pois conseguiu uma vitória
histórica nas eleições de 2009 com Mauricio Funes, um jornalista sem militância
na antiga organização guerrilheira mas com capacidade gerencial e que
reivindicou uma gestão de estilo do ex-presidente brasileiro Lula, amigo e
conselheiro, permitindo uma aproximação inédita também do Brasil no istmo.
Funes foi muito criticado por não ter
atendido com intensidade as expectativas de “cambio” proposto por sua campanha, pese ter feito um governo mais
socialmente avançado do que as duas décadas de neoliberalismo arenista que o
antecederam. O atual candidato da FMLN,
Salvador Sanchez Ceren, é um líder histórico da Frente, foi um dos comandantes
da guerrilha, e trabalha uma proposta de governo em três eixos: aprofundar as
mudanças iniciadas por Funes, consolidar a democracia e o Estado
constitucional, social, democrático e de direito, e acelerar a integração
regional para avançar a união centro-americana.
Na Costa Rica as forças progressistas
também levam vantagem, pequena, nas pesquisas eleitorais. A disputa se dá entre
um modelo neoliberal representado pelos partidos de direita, Partido Liberación Nacional, e Movimiento Libertario, e uma proposta
mais socialmente orientada, preocupada em combater a pobreza e a desigualdade
social, representada pelo Frente Amplio,
e Partido Acción Ciudadana, tendo à
frente o jovem candidato José María Villalta.
O clima nos dois países é de
incertezas e os cenários estão abertos. Centroamérica necessita justiça social,
já que as características mais tristes e evidentes da região, como migrações,
pobreza, desigualdades e violência são consequências da injustiça vigente.
Muitas instituições dos países do istmo funcionam a serviço de elites, e não a
serviço de todos e todas, menos ainda preocupados com os mais vulneráveis. O
crescimento econômico é importante para se obter recursos para investimentos sociais,
mas quando este não vai acompanhado de um desenvolvimento inclusivo, os
problemas aprofundam-se. Centroamérica merece um desenvolvimento social
equitativo que ofereça possiblidades de cultivar plenamente suas capacidades
humanas e políticas."
* * * * * * *
Aleksander Aguilar é jornalista, doutorando em Ciência Política e Relações Internacionais, e coordenador do Grupo de Estudos América Central (GEAC) do Núcleo de Pesquisas Desenvolvimento e Região (D&R), da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)
Thursday, 30 January 2014
Bruno Maranhão, presente!
Novo texto meu no NOTA DE RODAPÉ, onde publicamos uma homenagem ao lutador social Bruno Maranhão, que faleceu no dia 25 de janeiro deste ano.
Pode também ser acessado aqui
Teimoso, polêmico, dedicado, afetuoso,
louco, aberração. De todos os muitos adjetivos usados para descrever Bruno
Maranhão esse último, que pode ser visto como o mais curioso e pesado, é paradoxalmente
o que dá o melhor sentido para justificar a celebração da sua vida, pela
qual lutou, como fez em toda sua trajetória política, até o dia 25 de janeiro
deste ano.
Bruno, filho de usineiros de açúcar
por parte de mãe e de pai, um herdeiro típico da alta burguesia tradicional
pernambucana, legada diretamente da relação Casa Grande/Senzala, fez-se
aberração suficiente para deixar o chicote opressor e lutar pelas emancipações
dos oprimidos ao lado dos mais destacados comunistas da época das revoluções
guerrilheiras no Brasil, e seguir lutando ao longo de toda sua existência. De
sucessor da estrutura de dominação social pela terra, passou a vida em
militância por reforma agrária.
“Origem de classe não tem a ver com
consciência de classe”, me disse em uma das inúmeras reuniões que tivemos no
seu escritório no bairro Casa Amarela, em Recife. Bruno fez muitos amigos e
amigas em sua história política, de tão longa data como da clandestinidade na
ditadura e do exilio no exterior. Eu, porém, tive apenas a oportunidade de
conviver com ele durante os últimos seis meses do vigor da sua militância, em
2011, quando nos reuníamos quase que diariamente, em Pernambuco e outros
estados, para organizar a “Marcha da Reforma Agrária do Século XXI”, do
Movimento de Libertação do Sem Terra (MLST), do qual ele foi um dos principais
coordenadores.
Bruno tinha uma inquietude otimista
motivadora, e gostava muitas vezes de desafiar as “condições objetivas”, acreditava
que só lançando-se aos projetos poderia faze-los realidade.
- Vai ser muito difícil conseguir a condição
ideal pra caminhar 250 km com quase 1000 militantes, Bruno, em tão pouco tempo,
argumentava-se.
-
Nem sempre há tempo para conseguir o ideal, companheiro, mas ao fazermos
já vencemos, respondia.
Levamos 20 dias naquele ano, de
agosto até o 7 de setembro, para caminhar da capital do Estado de Goiás, até
Brasília. “Aperte a mão de quem o alimenta!” foi o lema, e a Marcha promoveu
pelas cidades onde passou seminários para evidenciar a importância e a
necessidade da reforma agrária para a superação da pobreza no Brasil. Essa
atividade idealizada pelo Bruno foi sua última grande articulação de movimentos
populares. Ele infelizmente não pode conclui-la, pois justamente ali se iniciou
a manifestação da doença que levou o lutador. As fotos que fiz durante a Marcha
(http://picasaweb.google.com/107212933358361519768)
são suas últimas imagens em plena militância, no ato de lançamento da jornada,
em que o vimos pela em punho levantado e de microfone à mão, como o foi na sua
história de lutas por emancipação.
Em plena ditadura militar brasileira,
aos 20 e poucos anos ingressou no Partido Comunista Brasileiro Revolucionário
(PCBR) e integrou o Comitê Central ao lado de lendas como Apolônio de Carvalho,
Jacob Gorender e Mário Alves. Foi exilado político, e no retorno ao país ajudou
a fundar o PT, tendo sido membro da Executiva nacional, e já com mais de 50
anos fui fundador do MLST, onde militou até a sua morte, aos 74 anos de idade.
Sua capacidade de liderança era
inegável e era tão destacada quanto o seu carisma. Bruno ensinou gerações de
militantes, do campo e da cidade, de movimentos sociais e de partido, aquelas
particularidades do comportamento político, do trato com o adversário, da hora
de ser firme, de negociar, de flexibilizar, que só a experiência forjada em
muitos anos de prática podem dar. Desde
a roda de camponeses em um galpão de pouca cobertura no interior do Nordeste até
o gabinete do governador do Estado, pelos assentamentos e acampamentos
sem-terra à reuniões ministeriais no Distrito Federal, via-se aquela postura e
leitura sociopolítica inabalável da realidade. Era o que lhe motivava a apostar
e entregar-se a necessidade de transformações estruturais no país que, vista
como uma grande excentricidade por parte de muitos, foi justamente o que lhe
garantiu o respeito e um lugar certeiro na história da esquerda brasileira; uma
coerência e chama sempre acesa por justiça social que fez de Bruno um militante
revolucionário na juventude, na idade adulta e mesmo na terceira idade.
Bruno Maranhão foi um brasileiro que
teve uma história particular. Na dedicatória do livro Os Colares e as Contas
(2012), a síntese poética de uma experiência política, segundo seu próprio autor,
o jornalista Marcelo Mario de Melo, que também foi militante do PCBR, aparece a
homenagem a Bruno entre aqueles “que se mantém socialistas e de esquerda depois
dos 60 anos”. E Bruno ainda depois dessa idade não apenas manteve suas ideias
como as expressou constantemente desde caixotes improvisados em assembleias e
reuniões camponesas nos campos desse Brasil.
Só se pode respeitar uma trajetória assim. O sonho e a luta por reforma
agrária permanecem vivos na memória de Bruno Maranhão.
*Aleksander Aguilar é
jornalista, doutorando em Ciência Política e Relações Internacionais, candidato
a escritor, e viajante à Ítaca, especial para o Nota de Rodapé
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Tuesday, 24 December 2013
Textos curtos para Ítaca XXXI
.....h0000--------h0000.........h00000
Eu queria que não estivessem tão frios os meus pés, tão seco e pesado o meu espírito, tão quente e abrasante as rotações por minuto das minhas ideias deslocadas, tão carregada a minha postura e os meus gestos, engasgadas de inseguranças, excedentes de certezas, desmerecidas de realidade; mas o que eu queria não importa, eu tracejo fora do contorno, marco fora da medida, perfuro pungente minha própria pele até fluir a essência com que encho minha taça. Lacinante, e incalável.
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Thursday, 7 November 2013
Sunday, 27 October 2013
Textos Curtos para Ítaca XXX (!)
Um futuro-presente projeto literário. “Textos curtos para Ítaca” é a primeira materialização de uma das várias e extensas ideias em literatura, essencialmente em prosa, mas com flertes em verso, colecionadas ao longo da jornada até Ítaca. Em fato, os projetos para contos e novelas e outras literaturas de longo fôlego, ainda estão em fase sketch, talvez nem maquete, e irão tomando forma ao ritmo das circunstâncias que, sim, podem tardar como já tardam, mas ainda virão. Enquanto isso, num dia e momento aleatório, curiosamente com menos atraso, vão tendo agenda as mini-experiências em poesia e verso, do qual, lenta e despretensiosamente, faço um laboratório neste blog (único espaço onde o critério editorial é totalmente meu... ). Algum dia também ganharão forma impressa, sempre ao ritmo das possibilidades e, no dizer de Konstantinos Kavafis, do rogar por uma rota longa. Mas em textos curtos.
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Textos curtos para Ítaca
Monday, 16 September 2013
Oito anos de jornada à Ítaca
Hoje faz oito anos que iniciei a "jornada a Ítaca", chegando a Londres num curioso e aventureiro setembro de 2005, logo após os atentados do metrô. Nesse caminho desde então as paradas tem sido além de Londres, Barcelona, San Salvador e Recife. "A viagem não acaba nunca". Deixo o poema-lema inspirador de Kavafis.
ÍTACA (Konstantinos Kavafis)
Cuando salgas en el viaje, hacia Ítaca
desea que el camino sea largo,
pleno de aventuras, pleno de conocimientos.
A los Lestrigones y a los Cíclopes, al irritado Poseidón no temas,
tales cosas en tu ruta nunca hallarás,
si elevado se mantiene tu pensamiento,
si una selecta emoción tu espíritu y tu cuerpo embarga.
A los Lestrigones y a los Cíclopes ,y al feroz Poseidón no encontrarás,
si dentro de tu alma no los llevas, si tu alma no los yergue delante de ti.
Desea que el camino sea largo.
Que sean muchas las mañanas estivales en
que con cuánta dicha, con cuánta alegría entres a puertos nunca vistos:
detente en mercados fenicios, y adquiere las bellas mercancías,
ámbares y ébanos, marfiles y corales, y perfumes voluptuosos de toda clase,
cuanto más abundantes puedas perfumes voluptuosos;
anda a muchas ciudades Egipcias a aprender y aprender de los sabios.
Siempre en tu pensamiento ten a Ítaca.
Llegar hasta allí es tu destino. Pero no apures tu viaje en absoluto.
Mejor que muchos años dure: y viejo ya ancles en la isla,
rico con cuanto ganaste en el camino, sin esperar que riquezas te dé Ítaca.
Ítaca te dio el bello viaje.
Sin ella no hubieras salido al camino.
Otras cosas no tiene ya que darte.
Y si pobre la encuentras, Ítaca no te ha engañado.
Sabio así como llegaste a ser, con experiencia tanta,
ya habrás comprendido las Ítacas qué es lo que significan.
ÍTACA (Konstantinos Kavafis)
Cuando salgas en el viaje, hacia Ítaca
desea que el camino sea largo,
pleno de aventuras, pleno de conocimientos.
A los Lestrigones y a los Cíclopes, al irritado Poseidón no temas,
tales cosas en tu ruta nunca hallarás,
si elevado se mantiene tu pensamiento,
si una selecta emoción tu espíritu y tu cuerpo embarga.
A los Lestrigones y a los Cíclopes ,y al feroz Poseidón no encontrarás,
si dentro de tu alma no los llevas, si tu alma no los yergue delante de ti.
Desea que el camino sea largo.
Que sean muchas las mañanas estivales en
que con cuánta dicha, con cuánta alegría entres a puertos nunca vistos:
detente en mercados fenicios, y adquiere las bellas mercancías,
ámbares y ébanos, marfiles y corales, y perfumes voluptuosos de toda clase,
cuanto más abundantes puedas perfumes voluptuosos;
anda a muchas ciudades Egipcias a aprender y aprender de los sabios.
Siempre en tu pensamiento ten a Ítaca.
Llegar hasta allí es tu destino. Pero no apures tu viaje en absoluto.
Mejor que muchos años dure: y viejo ya ancles en la isla,
rico con cuanto ganaste en el camino, sin esperar que riquezas te dé Ítaca.
Ítaca te dio el bello viaje.
Sin ella no hubieras salido al camino.
Otras cosas no tiene ya que darte.
Y si pobre la encuentras, Ítaca no te ha engañado.
Sabio así como llegaste a ser, con experiencia tanta,
ya habrás comprendido las Ítacas qué es lo que significan.
Friday, 23 August 2013
10 anos de autonomia Zapatista
* Texto meu originalmente publicado no website do qual sou colaborador, NOTA DE RODAPÉ
*Foto: José Andrés Solorzano
Poucos questionaram o direito deles à indignação.
A pobreza na região chegava a quase 60% da população, nas comunidades rurais
cerca de 20% das crianças morriam antes de completarem cinco anos de idade e a
maioria das famílias não tinha acesso a saúde básica e educação enquanto uma
pequena elite controlava as terras agricultáveis em condições semi-feudais.
Nesse contexto, no primeiro dia de 1994 cerca de
três mil indígenas, precariamente armados, deram inicio a uma rebelião e
tomaram seis cidades em Chiapas, o estado mais ao sul do México. Nos dias
seguintes, quase 100 mil pessoas marcharam na capital, Ciudad de Mexico,
gritando “¡Somos todos zapatistas”!
Eles fizeram a data da rebelião coincidir com a
implementação do NAFTA, o Acordo de Livre Comércio da América do Norte, entre
Canadá, Estados Unidos e México, chamado pelos Zapatistas de “uma sentença de
morte”. A estridente oposição ao NAFTA deu aos rebeldes o apoio de organizações
da sociedade civil, sindicatos e movimentos sociais de diversas partes do
mundo.
São quase 20 anos desde que as marchas
por terra e liberdade dos Zapatistas tomaram as montanhas de Chiapas, numa luta
de um povo indígena longamente negligenciado na região. São dez anos, desde
2003, de construção de autonomia Zapatista, “sem pedir a permissão de ninguém”,
quando os rebeldes cansaram do diálogo surdo com as autoridades mexicanas e
abandonaram a política de demandas, e com isso todo o contato com o Estado. No
lugar disso, eles preferiram concentrar-se na construção de formas horizontais
de auto-governo dentro dos seus próprios territórios e com seus próprios meios, los Caracoles.
Esses dez anos de atividades emancipatórias do projeto Zapatista, que não ignoram o peso das críticas que tem recebido com essa experiência, foram celebrados neste mês de agosto na Escuelita para la Libertad según los Zapatista, em Chiapas.
Esses dez anos de atividades emancipatórias do projeto Zapatista, que não ignoram o peso das críticas que tem recebido com essa experiência, foram celebrados neste mês de agosto na Escuelita para la Libertad según los Zapatista, em Chiapas.
ESCOLA PARA A LIBERDADE
No dia 9 de agosto de 2003, os Zapatistas anunciaram o nascimento dos
seus Caracóis, em número de cinco, cada um com sua própria Junta de Buen
Gobierno (JBG) e tendo, assim, responsabilidade pela sua própria Zona Municipal
Rebelde de Autonomia Zapatista, que ao total englobam quase 100 mil pessoas.
Cada Caracol possui seu próprio posto de saúde autônomo, escola primaria e
secundária e envolve-se em pelo menos um dos cinco grandes projetos Zapatistas:
saúde, educação, agroecologia, política, e tecnologia da informação.
No ano que a rebelião iniciou, em 1994, o jornal New York Timesdenominou-a como a “primeira revolução pós-moderna latino-americana”. Muito dessa ideia era marcada pela sua maneira de falar, particularmente nas palavras do rosto-público-fumando-cachimbo da organização, Subcomandante Marcos, que expressava uma postura nova e entusiasta para um grupo insurgente. Diferentemente dos marxistas revolucionários que os precederam, os Zapatistas não falavam com imposições e determinismos, suas mensagens eram mais poesia do que bravatas. Eles apresentavam uma imensa imaginação política e usam desde o inicio da rebelião a internet e as novas tecnologias da comunicação com satisfatório êxito.
Mas desde La Sexta Declaración de la Selva Lacandona, em junho de 2005 (La Sexta), e do começo da La otra campaña, em janeiro de 2006, os Zapatistas estiveram afastados da mídia, numa, denominada pela imprensa, “tática do silêncio” e interpretada por muitos como um enfraquecimento dos rebeldes. Ainda há muita pobreza nas comunidades zapatistas. No entanto, há também conquistas materiais, tangíveis, e não apenas avanços em dignidade e conceitos abstratos.
Os cerca de 1500 ativistas convidados para visitar Chiapas observaram o que foi dedicado neste tempo de distancia dos holofotes. Estudaram e receberam aulas dos próprios indígenas Zapatistas, de três equipes de professores e professoras que contaram com material didático, quatro livros e dois dvd´s, sobre Governo autônomo, participação de mulheres e liberdade, sobre sua experiência com autonomia. Os estudantes foram hospedados pelas próprias famílias nas suas terras e casas para aprenderem como é ser membro de uma base de apoio Zapatista.
No ano que a rebelião iniciou, em 1994, o jornal New York Timesdenominou-a como a “primeira revolução pós-moderna latino-americana”. Muito dessa ideia era marcada pela sua maneira de falar, particularmente nas palavras do rosto-público-fumando-cachimbo da organização, Subcomandante Marcos, que expressava uma postura nova e entusiasta para um grupo insurgente. Diferentemente dos marxistas revolucionários que os precederam, os Zapatistas não falavam com imposições e determinismos, suas mensagens eram mais poesia do que bravatas. Eles apresentavam uma imensa imaginação política e usam desde o inicio da rebelião a internet e as novas tecnologias da comunicação com satisfatório êxito.
Mas desde La Sexta Declaración de la Selva Lacandona, em junho de 2005 (La Sexta), e do começo da La otra campaña, em janeiro de 2006, os Zapatistas estiveram afastados da mídia, numa, denominada pela imprensa, “tática do silêncio” e interpretada por muitos como um enfraquecimento dos rebeldes. Ainda há muita pobreza nas comunidades zapatistas. No entanto, há também conquistas materiais, tangíveis, e não apenas avanços em dignidade e conceitos abstratos.
Os cerca de 1500 ativistas convidados para visitar Chiapas observaram o que foi dedicado neste tempo de distancia dos holofotes. Estudaram e receberam aulas dos próprios indígenas Zapatistas, de três equipes de professores e professoras que contaram com material didático, quatro livros e dois dvd´s, sobre Governo autônomo, participação de mulheres e liberdade, sobre sua experiência com autonomia. Os estudantes foram hospedados pelas próprias famílias nas suas terras e casas para aprenderem como é ser membro de uma base de apoio Zapatista.
Por quê tudo isso?
“¿Será porque acaso intuyen, saben, conocen, que la luz no viene de arriba, sino que nace y se crece desde abajo? ¿Que no es producto de un líder, jefe, caudillo, sabio, sino del común de la gente? ¿Será que en sus cuentas lo grande empieza pequeño y lo que sacude al mundo cada tanto, inicia con apenas un murmullo, quedo, bajo, casi imperceptible? O tal vez imaginan cómo es el estruendo de un mundo cuando se desmorona. Tal vez saben que los mundos nuevos se nacen con los más pequeños.”
Algumas críticas ao Zapatismo consideram os rebeldes uma força desgastada, com grande retórica, mas pequena capacidade, incapaz de projetar-se para alem de suas bases rurais: “O exemplo Zapatista não pode ser seguido em todos os lugares, nós não vivemos nas selvas de Chiapas para criar exércitos rebeldes e comunidades autônomas”. A resposta, porém, é simples: os Zapatistas nunca se projetaram como o modelo a ser copiado. Eles construíram um mundo no qual eles realizaram sua própria visão de liberdade e autonomia, e continuam lutando por um mundo onde outros mundos sejam possíveis, e na celebração de suas experiências convidam o mundo para vê-las.
*Aleksander Aguilar é jornalista, doutorando em Ciência Política e Relações Internacionais, candidato a escritor, e viajante à Ítaca, especial para o Nota de Rodapé
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O que vale a pena na midia
Saturday, 6 July 2013
Textos Curtos para Ítaca XXIX
Um futuro-presente projeto literário. “Textos curtos para
Ítaca” é a primeira materialização de uma das várias e extensas ideias em
literatura, essencialmente em prosa, mas com flertes em verso, colecionadas ao
longo da jornada até Ítaca. Em fato, os projetos para contos e novelas e outras
literaturas de longo fôlego, ainda estão em fase sketch, talvez nem maquete, e
irão tomando forma ao ritmo das circunstâncias que, sim, podem tardar como já
tardam, mas ainda virão. Enquanto isso, num dia e momento aleatório,
curiosamente com menos atraso, vão tendo agenda as mini-experiências em poesia
e verso, do qual, lenta e despretensiosamente, faço um laboratório neste blog
(único espaço onde o critério editorial é totalmente meu... ). Algum dia também
ganharão forma impressa, sempre ao ritmo das possibilidades e, no dizer de
Konstantinos Kavafis, do rogar por uma rota longa. Mas em textos curtos.
Já chegou o momento
criamos emoções
conseguimos.
Despedir-nos fará com que tudo seja mais intenso
sonhar fará com que vida não rime com tranquila.
sempre perguntando-nos a hora, e olhando, na parede escrita
“la belleza es tu cabeza”
Somos música, somos filme.
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