Wednesday, 6 July 2011

Não, mestre. O senhor é um homem transcendental


O crítico literário, professor, mestre de todos nós, Antonio Candido, faz nesta quarta-feira a conferência de abertura da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty). Foi sua amizade com Oswald de Andrade que o fez aceitar o convite para participar do encontro.


A nona edição da festa literária homenageia Oswald (1890-1954), intelectual ícone do modernismo brasileiro, a quem o mestre chamava de "Oswaldo".


(Entrevista completa do mestre na Folha Ilustrada aqui.)


"Considero minha vida intelectual completamente encerrada. Sou um sobrevivente. Não dou entrevista, não dou curso, não publico mais nada. Revelo aqui se vocês não contarem para ninguém, mas ainda escrevo a máquina. Sou um homem do passado, encalhado no passado. Não tenho computador, não tenho e-mail”, declarou.



Eis um brevíssimo exemplo das reflexões que provoca esse “homem do passado”, entre o lógico e o mágico:


“Nos quatro ou cinco séculos que decorreram da entrada mais ou menos direta dos povos primitivos para o convívio dos povos civilizados, eles têm sidos considerados pendularmente como brutos e como seres privilegiado, através de concepções que assumem diversos matizes. Há cerca de meio século apareceu um modo renovado de encará-los como bichos, com todas as ressalvas da ciência e da filosofia. É a teoria famosa de Lévy-Bruhl, segundo a qual a mentalidade do primitivo seria, por assim dizer, qualitativamente diversa, na medida em que subordina a visão do mundo, não princípios lógicos, como nós, mas a uma espécie de indiferenciaçao entre sujeito e objeto, entre as categorias e os corpos, de modo a definir um espírito “pré-lógico”, incapaz de abstrair e de observar o princípio da contradição.


Esta concepção é sedutora. Permite interpretar fenômenos aparentemente obscuros, conserva em torno do primitivo um halo de mistério, e não há dúvida que contribuiu para investigar os aspectos alógicos da mente humana. Mas, pouco depois do seu êxito, Malinowksi, ao invés de compulsar relatos de viagem ou repositórios de folclore, foi viver dois anos numa aldeia de melanésios, e os seus trabalhos fizeram ver que, relacionada ao quotidiano, a bela construção era falaciosa. Os povos primitivos distinguem, essencialmente como nós, o lógico e o mágico, embora na sua mente ambos formem configurações diversas, e o mágico sobressaia proporcionalmente mais do que o lógico no tecido da sua existência.


Quando lança ao mar uma canoa, como toda sorte de esconjuros para que os espíritos da flutuação a façam sobrenadar contra os espíritos da submersão, o artesão de Sinaketa não supõe que ela navegue por obra e graça deles. Conhecendo empiricamente os princípios da flutuação e os processos adequados para os utilizar, jamais lhe passaria pela cabeça pegar um tronco e jogá-lo na água, confiado em que apenas a força dos espíritos o manteria emerso. Ele aplica rigorosamente a técnica, mas crê também na eficácia indispensável do ritual mágico. Forçando a nota, diríamos que, de modo parecido, o engenheiro moderno levanta cientificamente a sua ponte e pede a um santo que a mantenha de pé. E talvez (como já foi lembrado), o historiador do ano 3000 venha a dizer que os civilizados do século XX lançavam os seus navios com a bênção de um sacerdote e a quebra ritual duma garrafa de vinho, acreditando que boiavam graças a estas práticas. No homem de hoje, perduram lado a lado o mágico e o lógico, fazendo ver que, ao menos sob este aspecto, as mentalidades de todos os homens têm a mesma base essencial. Num livro recente, diz Lévi-Strauss, com exemplos sugestivos, que em muitos casos o primitivo revela uma capacidade de racionalização e de observação sistemática maior do que a do civilizado. O que a muitos pareceu incapacidade de generalizar pode ser requinte analítico, e certas formas em que realmente ele dissolve o particular numa aparente indiferenciaçao manifestam a capacidade generalizadora de cunho ideológico, que lhe foi contestada.


Isso retifica as teorias da mentalidade pré-lógica, mas pode reconduzir de maneira algo simples ao velho postulado do espírito humano igual em toda parte. Ora, ambas as posições são modalidades da falácia antropocêntrica – seja por verem no primitivo um bicho quase de outra espécie, seja por quererem reduzi-lo mecanicamente à nossa imagem, dispensando o esforço de penetrar nas suas singularidades. A verificação de que as culturas são relativas leva a meditar em tais singularidades, que seriam explicadas, não à luz de diferenças ontológicas, mas das maneiras peculiares com que cada contexto geral interfere no significado dos traços particulares, e reciprocamente, - determinando configurações diversas. Assim, a atitude correta seria investigar a atuação variável dos estímulos condicionantes, pois se a mentalidade do homem é basicamente a mesma, e as diferenças ocorrem sobretudo nas suas manifestações, estas devem ser relacionadas às condições do meio social e cultural. Isso explicaria por que os comportamentos, as soluções, as criações variam tanto no primitivo e no civilizado, sem que se possa falar em mentalidade pré-lógica.”


Trecho de “Estímulos da Criação Literária”, páginas 51-53, em Literatura e Sociedade, de Antonio Candido

Monday, 4 July 2011

Hacia una Centroamérica Segura


THE Central American isthmus is smaller than Texas. But the seven countries crammed onto the bridge between the Americas seize nearly 100 tonnes of cocaine a year, more than all of Europe does. Another 200 tonnes or so make it through undetected, supplying 90% of consumer demand in the United States.


The drug trade, combined with mainly weak states, brings a grim human harvest. In 2009 the isthmus saw nearly 19,000 murders—or 45 per 100,000 people, making it the most violent place in the world.


While the mafias are untroubled by national boundaries, Central America’s governments bicker over them. Last year Nicaragua and Costa Rica almost came to blows over a border incursion by a Nicaraguan river-dredging party. A coup in Honduras in 2009 caused a regional rift that was only patched up last month. Co-operation has been woolly. A first effort to produce a joint-security strategy last year came up with more than 200 “priorities”. In contrast, the drug mobs (who also traffic everything from people to historical artefacts) are experts at regional integration. Last month 27 farmworkers were beheaded in Guatemala’s northern Petén province by a Mexican gang.


Central America’s leaders and their foreign allies are now trying to catch up. Seven Central American presidents, plus those from Mexico and Colombia, as well as Hillary Clinton, the American secretary of state, and other foreign ministers gathered this week (my note: last week of June) for a conference in Guatemala City, replete with promises of more co-operation and more cash. “We haven’t seen this level of interest in Central America since the cold war ended,” says Ennio Rodríguez of the Inter-American Development Bank (IDB).


Read the full article on The Economist

Saturday, 2 July 2011

IMA: 10 anos de lutas, momento estratégico




O Instituto Mário Alves (IMA) completou, neste mês de maio, 10 anos de atividades. E eu faço parte dessa história.


O debate sobre a ululante necessidade de se pensar e de se efetivar estrategicamente o Instituto de Estudos Políticos Mario Alves, no Rio Grande do Sul, ganhou espaço entre a direção e simpatizantes da organização a partir de 2008 e desde então vem gradativamente tomando corpo na agenda da entidade. Conversas informais sobre questões estruturais e estratégicas urgentes passaram a ter mais presença a partir daquele ano em face dos desgastes e das dificuldades organizativas que se enfrentavam.


Diante disso uma longa, lenta, mas assertiva discussão sobre a possibilidade de se realizar um Planejamento Estratégico, divisor de águas na história do Instituto, foi pautada e paulatinamente construída.


E esse momento, finalmente, chegou! Neste fim de semana certamente muito frio nos pampas gaúchos, na cidade de Pelotas, um valoroso coletivo, de antigos e novos militantes, está reunido para pensar e construir estrategicamente o Instituto Mário Alves. O Seminário de Planejamento Estratégico do IMA está sendo facilitado pela companheira Juliana Vitorino, que se jogou nesta empreitada para compartilhar sua experiência de gestão no Terceiro Setor e foi enfrentar o Minuano!


10 anos de lutas...


Um grupo de pouco mais de uma dezena de nomes, no final dos anos 90, num grupo do qual eu fazia parte, que pertencia a uma corrente política de um partido situado no dito âmbito da esquerda da política brasileira, veio a fundar em maio de 2001 uma organização denominada Instituto de Estudos Políticos Mario Alves, em homenagem ao intelectual e militante comunista brasileiro assassinado pela ditadura militar brasileira em 1970.


Nestes 10 anos, vários foram os desafios enfrentados para transformar o Instituto em referência para os movimentos sociais de Pelotas, do Rio Grande do Sul e viabilizá-lo financeiramente.


O IMA fez-se uma organização regional consolidada no Rio Grande do Sul, promovendo atividades como: seminários de pensamento político e de memória de eventos políticos latino-americanos, ministrando cursos em temas sociológicos e filosóficos, proporcionando espaços de reunião para movimentos sociais, apoiando iniciativas ativistas anticapitalistas, construindo arquivos de documentos audiovisuais e de livros de memória política latino-americana (essencialmente sobre ditaduras sul-americanas do século XX e de literatura de esquerda), organizando video-debates sobre conjuntura política nacional e latino-americana e gestionando uma pequena livraria especializada em literatura sócio-política.


O IMA construiu um patrimônio cultural e político bastante importante e como resultado de tudo isto há um reconhecimento dos movimentos sociais e a conquista, no final do ano passado, do Projeto Pontos de Cultura do Ministério da Cultura, em parceria com a FURG. Nele se está reconstituindo as memórias do Movimento Estudantil gaúcho na luta contra a ditadura militar e pela redemocratização do país.


... momento estratégico!


Porém, várias são as dificuldades que persistem na trajetória do IMA, podendo-se destacar principalmente as relativas às questões organizacionais e financeiras, sendo que esta última por várias vezes praticamente colocou a necessidade de encerramento das atividades. Em temos organizacionais o Instituto tem problemas graves, o que limita enormemente as possibilidades de efetivação de suas propostas.


É absolutamente fundamental uma profunda mudança na forma de organização do IMA, bem como a atualização do debate sobre nossos objetivos e nossa vocação.


É nesse contexto que se dá o processo de debates internos e a realização de Seminário de Planejamento Estratégico, nos dias 2 e 3 de julho, que busca uma organização e sustentabilidade trabalhadas na institucionalidade e identidade, profissionalização e mobilização de recursos.


O IMA ao longo de sua trajetória, da qual com muito orgulho faço parte, com mais ou menos consciência, se especializou em recuperar e promover memória política, notória e especificamente dos países do entorno Cone Sul. O aprofundamento da delimitação do seu campo de atividades é condição sine qua non para sua profissionalização. Com missão e objetivos próprios construídos com base na sua própria experiência, o IMA deverá ser primordialmente um empreendedor de Memória Histórica e um Centro de Referências de Lutas Políticas no Extremo Sul.


Parabéns ao Instituto de Estudos Políticos Mário Alves, seus membros e militantes!


Companheiro Mário Alves, presente!

Friday, 1 July 2011

Brasília receberá marcha nacional pela “reforma agrária do século XXI”

(foto: Fabricio Arruda -Gab Deputada Marina Santana)


Ontem, 30 de junho de 2011, às 19 horas, trabalhadores rurais, especialistas, militantes da reforma agrária e organizações da sociedade civil participaram, no Plenário da Assembléia Legislativa do Estado de Goiás, na cidade de Goiânia, do lançamento da Marcha da Reforma Agrária do Século XXI: Aperte a mão de que o alimenta!


Uma iniciativa do Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST) para promover o necessário resgate do debate da reforma agrária na agenda política brasileira.


O MLST inicia o diálogo com a sociedade sobre os temas centrais de um projeto político que defende a concepção de um novo modelo de Reforma Agrária para o Brasil, onde as Empresas Agrícolas Comunitárias (EAC) figuram como alternativa econômica, social e cultural ao modelo de agricultura convencional desenvolvido pelo agronegócio. Sem qualquer receio da apropriação do termo “empresa”, comumente rotulado como um modelo ideológico de desenvolvimento, a experiência das EAC vem sendo encarada como a solução para combater o processo de favelização dos assentamentos pelo Brasil.


A Marcha da Reforma Agrária do século XXI é de todas as pessoas que lutam para acabar com a fome e a miséria no Brasil. É a Marcha da confraternização dos que trabalham e lutam no campo e na cidade pela democratização da terra para produzir alimentos saudáveis livres de agrotóxicos.


  • Marchamos pela Soberania Alimentar: sementes crioulas; autonomia da produção; quintais produtivos; economia solidária; praticas conservadoras do solo e manejo ecológico dos recursos naturais e o circuito curto de comercialização. A agricultura familiar-comunitária é a guardiã da genética animal e vegetal. Quem tem a semente tem a vida.

  • Marchamos pela construção de Acampamentos Produtivos, Assentamentos Inteligentes e a Empresa Agrícola Comunitária, pela criação de Pólos de Desenvolvimento do campo brasileiro, gerando milhões de postos de trabalho, onde o ser humano será o empreendedor comunitário e não apenas um vendedor de sua força de trabalho.


Por tudo isso, Aperte a Mão de Quem o Alimenta porque os trabalhadores e trabalhadoras rurais são responsáveis por 70% da produção de alimentos básicos da mesa do brasileiro; porque representa 74,4% da mão-de-obra do campo; porque desenvolve o comércio local; porque produz alimentos preservando o meio ambiente; porque diversifica sua produção; porque democratiza o acesso a terra.


Movimento de Libertação dos Sem Terra – MLST

Marchamos pela Reforma Agrária do Século XXI com companheiros e companheiras de todo o país.

Saída: 21 de Agosto de 2011

Cidade de Goiânia rumo à Brasília


Noticias na internet do lançamento da Marcha disponiveis Aqui e Aqui

Wednesday, 29 June 2011

"grená foncé tipo Château Pétrus e azul cerúleo equatorial" - Ivan Lessa pra quem pode!

Eu já falei aqui antes – já há algum bom tempo, na verdade – que sou fã do Ivan Lessa. E reitero a afirmação, não porque o velho mereça a minha particular opinião, pois acredito que ainda que soubesse desse viajante ele não se importaria muito nem faria caso da minha “fanzice”, mas simplesmente porque aquilo que é bom, data venia, merece ser celebrado.


E aqueles que reconhecem o que é bom poderão dizer que é fácil gostar do Ivan Lessa, do mesmo modo que um dia ouvi que era fácil torcer pro Barcelona (sim, internacionalmente eu sou Barcelona!), e sem querer comparar o texto de Lessa com o toque de bola do Barça, digo que bom- gosto de fato não se discute.


Lessa é a personificação sofisticada daquela expressão vulgarizada, quase clichê, da fina ironia. Aquela que muitos buscam e poucos alcançam. Claro, foi o editor do historicamente-histórico jornal O Pasquim e só isso explicaria sua importância e qualidade. Mas ele também mora há uns 40 anos na Inglaterra, e de lá é colunista da BBC (“pago para dar palpite”, como define) e isso também deve tê-lo ajudado a desenvolver essa certa característica de motejo, digamos assim...


Enfim, li sua coluna hoje e não resisti compartilhar aqui no blog, não porque esse seja seu melhor texto, senao porque é sempre bom aprender.


ENTREVISTA EXCLUSIVA COM UM ILEGAL


“Blam! Não sei se essa é a onomatopeia correta para o fechar das seculares portas da União Europeia para estrangeiros desqualificados, ou seja, que não pertençam à UE. Fato é que seja com “Blam!”, “Kaboom!”, “ou “Plaft”, a entidade não está mais aceitando essa “gentinha à toa”, conforme dizem os burocratas da Comunidade à boca pequena, sub rosa e sobre cravo.


Fiquei sabendo do fato, pouco divulgado nos meios de comunicação britânicos devido ao advento de Wimbledon e de fotos e videoclipes ousados de Beyoncé, aqui mesmo neste site, que eu continuo cismando de chamar de sítio, em homenagem ao conhecido racista, o mulato Monteiro Lobato, e algumas de suas criações, tais como Emília, o Visconde de Sabugosa, Narizinho Arrebitado, Pedrinho e a afro-descendente Tia Nastácia.


Lá estava, e o leitor curioso poderá encontrar fácil, uma bela reportagem sobre o evento em questão. Dou um pequeno resumo dos fatos mais salientes e assanhados antes de prosseguir com meu furo jornalístico.


Consta, e não há motivo para se duvidar, que 6.072 brasileiros foram barrados no bloco ou entrudo da UE em 2010. E isso só em aeroportos. Pesquisas por mim levantadas revelaram que outros meios de transporte são mal vistos por nossos conterrâneos ou por eles desconhecidos.


O navio é um exemplo maior. A jangada, um bem menor. Um entrevistado (aguentem, ele vem aí) garantiu que não sabe montar uma jangada, mostrando até desconhecimento da existência do romântico e letal meio de transporte e vida imortalizado pelo nosso grande Dorival Caymmi em várias de suas românticas obras-primas.


Os dados foram adiantados pela Frontex, que, assim mesmo, com nome de traje de banho ousado feminino, cuida do controle de fronteiras da UE. Os brasileiros constituem, ainda, o 6º grupo com permanências ilegais flagradas. Trinta por cento dos “brazucas” (sejamos docemente íntimos e vulgares) preferem a Espanha, onde, acreditam, a língua não chega a ser problemas, pois a maior parte de nossos imigrantes considera o espanhol uma vil corruptela do nosso nobre português.


Por falar em Espanha, 1.813 compatriotas nossos são enviados de volta para o Brasil, coitados, coitado. Um dado de que a BBC Brasil não se ocupou muito: a diferença entre “estada” e “estadia”. Ao que parece uma é coisa de marinha mercante, outra de permanência. Mas não me perguntem qual. Nem a qualquer entrevistado, com destaque para (calma, ele está tomando um caipirinha).


E à França, nada? Um pouco. Apenas 673 barrados e enviados de volta. O entrevistador perguntará ao entrevistado se ele acha que a crise econômica não tem mais o mesmo encanto para aqueles que querem, ao menos, uma mesa de restaurante para limpar. E já adivinho a resposta: “Ahn...Hem? O quê?!”


Voltando a 2010, embora o passadismo não esteja com nada, 13.669 brasileiros vivem, ou “vivem”, ilegalmente em algum país da UE. A maioria, rolando no chão de achar graça, prefere Portugal e seus habitantes, para eles “uns... ahn...pândegos”, Espanha e França. Afeganistão, Albânia, Sérvia e Argélia estão na nossa frente em matéria de se mandar para cá no peito e na marra, com muito lenço e sem nenhum documento.


Da América Latina, nenhum outro país têm barrado em aeroportos, ou onde quer que seja, imigrantes ilegais. Nem mesmo o Paraguai, país que teve a gentileza de nos ceder às cores de sua bandeira (grená foncé tipo Château Pétrus e azul cerúleo equatorial) para ilustrar este sítio que V.Sa. tem diante dos olhos.


E que ainda não entrevistou o brasileiro ilegal sediado e residente em Londres, pombas! Ambos, entrevistador e entrevistado, deverão se quedar no anonimato por motivos óbvios. Lá vão as perguntas (P) e respostas(R):


P – Como é que você se sente vivendo na ilegalidade?

R - É, ahn, mais ou menos, assim, sacumé, tem, ahn, seus momentos.

P - Você tem saudades do Brasil?

R - Depende, ahn, assim, do, quer dizer, ahn, ponto de vista, né?

P - Quais os seus planos imediatos?

R - Ahn, que quer dizer, ahn, “emediato”?

P - Solta minha mão.

R - Não. Me dá um beijim.

P - Solta minha mão, eu estou pedindo com modos.

R - Não solto. Só um beijim.

P - Você quer que eu chame a polícia?

R - Ahn, não.


(Esta entrevista tem direitos exclusivos reservados. Proibida sua reprodução, in Totó ou parcial, sob qualquer forma ou espectro. Muito obrigado.)”

Tuesday, 28 June 2011

Matriarca salvadoreña


¡Que “chivo” ver en la foto la bandera de Gran Bretaña, al fondo, que se la di, a pedido de ella (la abuela colecciona banderas de los diferentes países donde viven los miembros de la familia) cuando me fui de Londres a vivir en San Salvador!


Mi abuela Elisa cumplió el pasado domingo los 88 años y los celebró, allá en la histórica casita de Santa Tecla, con parte de la familia Aguilar. Ahí se ven la abuela, tía Arely, tío Fredy, tia Irma, Paola, y seguro que Arely Sofia es quien sacó la foto J


Sepa abuela, y familia en todos los rincones de este mundo, que los llevo siempre muy cerca y ojala pronto los pueda reencontrar nuevamente. ¡Felicidades abuela!


Saludos guanacos

Thursday, 23 June 2011

Textos curtos para Ítaca XIX

Um futuro-presente projeto literário. “Textos curtos para Ítaca” é a primeira materialização de uma das várias e extensas idéias em literatura, essencialmente em prosa, mas com flertes em verso, colecionadas ao longo da jornada até Ítaca. Em fato, os projetos para contos e novelas e outras literaturas de longo fôlego, ainda estão em fase sketch, talvez nem maquete, e irão tomando forma ao ritmo das circunstâncias que, sim, podem tardar como já tardam, mas ainda virão. Enquanto isso, num dia e momento aleatório, curiosamente com menos atraso, vão tendo agenda as mini-experiências em poesia e verso, do qual, lenta e despretensiosamente, faço um laboratório neste blog (único espaço onde o critério editorial é totalmente meu... ). Algum dia também ganharão forma impressa, sempre ao ritmo das possibilidades e, no dizer de Konstantinos Kavafis, do rogar por uma rota longa. Mas em textos curtos.


Esgarço


E em trocadilhos emendo, te digo protestos, recobro com redes meus eternos projetos, tino trombones, tímpanos, alfaias, incólumes golpes de rabo de arraia, resgato pedaços de moleskine, notas sobre baleia, livros de contos peregrinos, e velhas bruxas ouvindo cânticos na varanda – tudo tristemente jogado, pra quando logo perdido, numa sacola plástica azul.

Friday, 17 June 2011

I am having my work exhibited in Cyprus: See Memory



I am delighted to have been invited to release some of my work – which is the result of my academic and artistic research in the field of one of my main interests – to take part in such symbolic and interesting exhibition in the cultural institute Apotheke, in Cyprus, curated by Demetris Taliotis and Evi Tselika.


Being given this opportunity to showcase a few results of my efforts in researching historical memory and conflict transformation in that fascinating and exciting “Eurasian” island was both a surprise and a honour - especially coming alongside the renowned artist Victor Cartagena.


Thank you very much.


SEE, MEMORY

Victor Cartagena / Aleksander Aguilar

16-25th June 2011



...As a first instalment of a programme of exchange and collaboration between APOTHEKE and The Museum of Art of El Salvador (MARTE), APOTHEKE presents 'See, Memory', an exhibition of works by the Salvadorian artist Victor Cartagena and the Brazilian-Salvadorian media artist-activist Aleksander Aguilar.


Exploring notions which have an ever-present and privileged position in Cypriot discourses, such as that of political memory, of the iconography of the traumatic, as well as that of the aesthetic and visual configuration of post-traumatic elucidations of the personal and the local, 'See, Memory', more than an exhibition is also the inauguration of an extensive research process into all the above, amongst artists, cultural agents, collective and organisations from Cyprus and El Salvador.


  • Victor Cartagena, one of the most important Central American contemporary artists, was born in El Salvador but abandoned it in the late 1980's, in the midst of the country's long running civil war (1980-1992) to move to San Francisco. Through this highlighted spatial distance, Cartagena's multifaceted artistic practise has been shaped into a continuous commentary on the past, a critical re-appraisal of memory as a violent absence, of remembrance as the present relic.

  • Aleksander Aguilar is a Brazilian-Salvadorian artist-activist who creatively researches and actively participates in social conflict resolution processes in both countries. At ‘See, Memory’ Aquilar presents a series of images, which are the result of his collaboration with Salvadorian ex-guerrilla fighters as well as of his research at the historical memory archive at the Museo de la Palabra y la Imagen (MUPI). In acute awareness of the political significance of montage, Aquilar's work exposes and juxtaposes various images that playfully probe the memory of civil war and explore how the visual narrates the procedure of conflict and remembrance. Aquilar's work has been exhibited in Brazil, Spain, the U.K. and, of course, El Salvador.


SEE, MEMORY


Victor Cartagena / Aleksander Aguilar

Opening Hours: 17:00-21:00, Monday-Saturday,17-25th June 2011 or by appointment

Info: 99764816 / www.apothekecontemporaryarts.com

APOTHEKE, 23 Kleanthis Christofides Street, Nicosia, 1011, Cyprus

Friday, 10 June 2011

Aprendizados de São João

Na “Caminhada do Forró” na noite desta quinta, abertura oficial das festividades de São João em Recife, ouvi esses versos declamados no meio de um dos forrós que animava a Praça do Arsenal. Não sabia de quem eram, mas fui atrás. E descobri Rogaciano Leite.


Sorrir e Cantar


Cantar é sempre o que a fazer eu ando

Sorrir é sempre o meu prazer infíndo

Se canto e rio, é porque vivo amando

se amo e canto e porque vivo rindo

Se o pranto morre quando nasce o canto

Eu canto e rio pra matar o pranto

E gosto muito de quem canta e rí

Logo bem vês por esses dotes meus

Que quando canto estou pensando em Deus

E quando rio estou pensando em ti