Saturday, 19 July 2008

"Los tristes mas tristes del mundo"



Pode parecer ridiculo o fato de que em apenas pouco mais de dois meses este blog ja tera sua atual natureza, recem atualizada, defasada.


A ordem virtual nao seguiu a logica real no que toca minhas experiencias de redacao pessoal na rede. Vivendo em El Salvador desde fevereiro deste ano, deixando-o em outubro e apenas agora mudando o perfil deste sitio para logo mudar-lo outra vez. De fato, do ponto de vista do objetivo inicial deste exercicio "blogspherico", o sentido foi mantido coerentemente, pois em primeira instancia a questao era a pratica da redacao em ingles a partir da vivencia from inside em um pais de lingua inglesa. No entanto, a brincadeira tambem serve para registrar impressoes dessa oportunidade de conhecer o que as decisoes peregrinatorias da vida proporcionam. E dado que outras rotas foram e seguem sendo tomadas, vale portanto, embora nao seja original, remarcar lugares onde a estada foi longa o suficiente (como diz um amigo) para comprar uma escova de dente nova.


O primeiro aponte desse contexto eh simbolico. A producao de um dos meus alunos no ITCA (Instituto Tecnologico CentroAmericano) que, aleatoria e inesperadamente, um dia me entregou no final da aula o texto abaixo pedindo que eu lhe desse minha opiniao no seguinte encontro. Vindo de alguem que ainda nao completou vinte e que esta metido numa carreira tecnica num pais onde a literatura eh uma questao de tamanha peculiaridade, digamos assim, (como descreve um pouco Ju Vitorino num texto aqui) era demandante iniciar por ele. A assinatura eh um pseudonimo.


La revancha del mundo


Cada vez que amanece veo que todo pinta del mismo color, gris el camino y oscuro el cielo, todo mi mundo rodeado de una espesa neblina, cada rincon sobre la tierra sin ningun sabor, amargo el panorama que envuelve cada dia, no anochece porque no es necesario, el sol ha muerto de tristeza, paralizado esta la rotacion de los mundos, una estrella gigante estalla sacrificandose para dar un poco de luz, inutil su hazana ya que su resplendor dura por pocos instantes, el espacio en silencio mortal, su sangre es un meteoro que choca volviendose pedazos de polvo espacial, la conexion de los planetas en sentido aleatorio, el revuelvo de un pensar que no cambiara, la vida injusta que se rosa con las manchas del pecado, un castigo que se paga en general dondo no hay culpable absoluto, es una cadena que se debe llevar por la eternidad, por todo el mal que se ha hecho, por toda la destruccion, como pudimos pervertir esto que se nos fue dado para cuidar, que miserables viviremos y todo por el egoismo y la ambicion de creernos duenos de un universo que nada mas se nos presto por unos momentos, que haremos si la muerte nos persigue, como pedir ayuda a un mundo al que hemos destruido por completo, el mismo nos dara la espalda, oscuro volvimos este lugar que nos vio nacer, que nos brindo su calido entorno, en pedazos se ven caer partes del cielo, muertos y sin aquel color con que el fue creado, un sol que aparece y resucita para cobrar venganza, un eclipse como golpe final que nos entumira la mirada fria que tendremos ese dias, mil anos despues las estrellas volveran a nacer y un nuevo y resplandezco sol volvera a salir pero del cual no disfrutaremos ni el mas minimo de su resplendor, los dias tendran color y vida eterna.

(Bohemy Nakaru)

Monday, 7 July 2008

Liberdade e Avendano. Spread the word!!




Embora fora de contexto das tematicas deste blog, esta novidade eh preciso registrar. Acabo de conhecer, atraves da blogsphere, o blog da produtora de cinema independente de Pelotas, Moviola. Entre varios projetos bons que tenho certeza estao sendo desenvolvidos, ha o anuncio na pipeline de um documentario sobre o bar Liberdade e sobre o mestre Avendano e seu grupo regional (na foto acima apareco "todo-bobo" ao lado do professor, e meia cabeca da Duca). O tema em si ja faz com que a iniciativa mereca os melhores elogios! Nostalgia e orgulho a flor da pele.
Um pouquinho do trabalho que a Moviola esta preparando sobre Avendano pode ser visto
aqui.

Saturday, 5 July 2008

Sobre Tutankhamun e Spice Girls

Elas estavam juntas. A mumia mais famosa e as britanicas mais irritantes do mundo. Juntas, esclareca-se, por metonimia. Estavam compartindo o mesmo espaco de exposicao. Em janeiro deste ano, a Millenium Dome, tambem conhecida como O2 Arena, sediava paralelamente a exibicao com as riquezas da tumba do farao Tuthankhamun e o show revival do grupo pop Spice Girls. Particularmente, um revival mais interessante e menos aborrecedor seria o das mumias. Imagino que estas saberiam dar-se o respeito e nao arruinariam nossa pacienca com nenhuma estupida cancao da epoca do apogeu nem do Egito nem da boys’-girls’ band...


Visitei a exibicao sobre Tuthankhamun na mesma noite em que as “garotas apimentadas” realizavam seu grande retorno. Foi nessa curiosa coincidencia, apos mais de dois anos vivendo em Londres, que tive a oportunidade de ver a maior concentracao de ingleses que jamais tinha visto. Eles, principalmente elas, chegavam em centenas, aos bandos, a maioria adolescentes, vestidos e falando e agindo como “chavs”, alguns com roupas com motivos da bandeira da Gra-Bretanha, e passavam reto e rapido em direcao a entrada da arena de espetaculos sem nem olhar para o pavilhao do pobre farao.


Muitos ingleses ainda gostam de Spice Girls. Tambem muitos, felizmente, odeiam. Este post trata de encerrar a fase “londoner” deste blog. Ja tenho quatro meses de estar fora da Inglaterra, vivendo na America Central, mas devido a extrema intensidade do ritmo que estabeleci aqui para a execucao de projetos pessoais, as historias salvadorenhas encheram blocos de anotacoes e folhas soltas enquanto eu registrava na blogsphere (com assumida defasagem) algumas ultimas lembrancas e informacoes importantes sobre a Inglaterra.


Assim, a coisa aqui trata de tentar apontar algumas generalizacoes sobre os ingleses, num exercicio de analise e sintese, como parte do processo de aprendizagem e valorizacao da experiencia vivida atraves da distancia fisica e temporal que muitas vezes nos permite refletir com menos parcialidade e mais exatidao. Ou nao...Alem das Spice Girls, os britanicos compartem gostos e desgostos referentes a elementos do cotidiano que, embora filtrados pela permanente obsessao das divisoes sociais, podem ser bastante peculiares. Eis alguns exemplos:

  • Britanicos adoram listas. Especialmente as de “1000 coisas (a ver, escutar, ler, fazer, ir, etc) antes que voce morra”. Alias o tema morte tem uma representacao curiosa na “britanicidade” porque eles tambem tem um interesse digno de nota (pela existencia de um mercado e publicidade) por diferentes maneiras de preparar seu funeral, enterro, ritos de morte, etc – justificado, claro, por nao deixar nenhum parente em apertos financeiros ao morrer sem aviso previo e sem plano de pagamento.
  • Os britanicos tambem adoram Marks & Spencer e o HMV. Sao lojas de departamento inglesas que, sempre com as distincoes sociais presentes na analise, sao bastante frequentadas pela sempre polemica e mal-definida classe media. Ha tambem a popular (mas nao estou certo se esta eh originalmente inglesa) Primark. Nesse aspecto, do habito de consumo, poderiamos fazer varias relacoes, mas vamos nos deter em grosseiramente comparar HMV e Marks & Spencer com a Renner e a C&A e a Primark com a Pompeia, talvez (para leitores pelotenses que sabem o que eh a Pompeia).
  • E sim, o estereotipo, no aspecto alcool, reflete consideralvemente a realidade. O jornal The London Paper, popular tabloide que possui grande fatia do mercado dos free paper da cidade, publicou uma nota em outubro do ano passado sobre uma pesquisa intitulada Health Profile of England. Os dados mostram que 18% da populacao masculina e 8% da populacao feminina do Reino Unido sao considerados bebedores excessivos, onde o consumo medio de alcool de um adulto equivale a 37 garrafas de whisky por ano. Os ingleses nao se orgulham disso, mas a estranha cerveja Ale continua sendo uma especie de orgulho nacional, cujo habito de consumo segue sendo cultivado, pelo menos entre os mais velhos, em qualquer local pub.
  • O tema bebida segue sendo associado com cigarro. E pensar nessa equacao atualmente na Inglaterra deixa de ser obvio. O pais, em julho do ano passado, adotou a politica de smoke-free, ou seja, eh proibido e ilegal fumar em qualquer espaco fechado do territorio nacional incluindo pubs, restaurantes, locais de trabalho, bares e discos. Tema de alta polemica em toda a Inglaterra, em Londres as opinioes divergiam e eram debatidas com paixao entre grupos de amigos. Com a introducao da lei, era engracadissimo ( para nos nao-fumantes) ver grupos de pessoas na porta da frente dos pubs, encolhidos de frio, acendendo seus miseraveis cigarros proibidos indoor. Nos night clubs, as cenas eram ainda mais bizarras. Areas outdoor foram adaptadas em varios clubes para prover alternativas aos viciados que chegavam a ficar mais de uma hora em longas filas esperando sua vez de alcancar o patio e dar dois ou tres tragadas. No aniversario de um ano da lei, o tema segue sendo controverso, mas ja melhor assimilado por uma cultura abertamente fa do cigarro e do alcool.
  • Em conversas casuais com nativos, nao era raro o tema da imagem internacional do britanico surgir. Muitas vezes eles reconhecem a fama de secos, pretensiosos, falsos e sarcasticos que lhes vale o estereotipo. Os britanicos, verdade seja dita, tem suas fronteiras de relacao com o outro demarcadas em limites bem menos extensos que os latinos, por exemplo (exceto quando estao bebados). Nao saem dando tapinhas nas costas na primeira conversa e quizas nem depois de muitas. Prezam por discricao e respeitam muito a privacidade do outro e a sua. Eh rarissimo gente que te encare, que te olhe fixamente, de maneira pejorada ou nao, em espacos publicos por mais estranho que voce possa estar agindo ou vestido, por exemplo – coisa que na America Latina, ao contrario, eh bastante comum. Esses limites tacitos pessoais lhes valem a fama de frios e falsos e alimentam seu sarcasmo. Britanicos usam indiscriminadamente - levando a banalizacao - palavras como sorry, lovely, please. Esse eh um comportamento que se poderia dizer tipico, quase folclorizado, manifestado muitas vezes no cinema, onde os americanos aproveitam para tirar uma onda dessa "britanicidade". Eles, de fato, sao otimos em sarcasmo e numa relacao simbiotica, onde eh dificil definir se quem veio primeiro foi o ovo ou a galinha, desenvolvem a falsidade. E quando esse sarcasmo nao eh muito sofisiticado, eh irritante ver a artificialidade de certos comportamentos que passam a, de certa forma, defini-los.
  • Nisso ha muito – quero acreditar – da relacao com as migracoes, com as invasoes cometidas pela Gra-Bretanha, com o papel do pais com suas antigas colonias, o abrir ou o fechar de fronteiras e as politicas compensatorias para populacao de paises antes dominados, minorias etnicas que passaram a consitituir o povo britanico – fisica e culturalmente – para muito alem de certos tracos fisicos: India, Bangladesh, Paquistao, Jamaica, Irlanda, Turquia, Egito, Escocia, o povo Judeu e varios mais. Debater formacao cultural em um lugar como a Gra-Bretanha inclui elementos que sao dificieis, em termos medios, para uma mente latina acompanhar. Um exemplo: como apontou o articulista do jornal The Guardian, Timothy Garton Ash (escrevendo de Porto Alegre) em coluna publicada em cinco de julho do ano passado, “falar sobre o crescimento domestico do Jihad na Europa significa tanto quanto eu imagino que significaria dar uma palestra academica em Brixton (bairro londrino de ampla conformacao negra) sobre os povos Yanomami do Brasil e da Venezuela”. O orgulho do cosmopolitismo de Londres e da multiculturalidade de todo o Reino Unido se mistura com o entender-se, desde o berco, como nativo de um lugar que tambem eh dos outros, mesmo quando esses nao falam ingles direito, ou falam com um acento estranho, porque deve-se respeitar as diferentes etnias, as diferentes migracoes, as diferentes culturas. Um dilema que muitos paises vivem, mas que no Reino Unido eh marcado pela historia imperialista do pais e gera uma complexa equacao de identidade.
  • Em Londres, uma caracteristica singular soma-se a “britanicidade”. Uma pesquisa da empresa Combined Insurance, publicada em maio do ano passado, afirma que os londrinos consideram eles proprios as pessoas menos sociaveis e mais mau-humoradas de todo o Reino Unido. Cerca de 44% dos residentes em Londres se definem como nao prestativos. Os estressantes deslocamentos diarios ao trabalho (commute), o altissimo custo de vida, o ritmo enlouquecedor e superlotacao da capital inglesa sao os elementos considerados responsaveis pelo titulo de mais ranzinzas da Inglaterra.
  • Numa secao tipo “carta do leitor” de sete de dezembro do ano passado tambem do The London Paper, a colunista Lucy Calderwood expressava com bom-humor justamente como esse frenetico ritmo de Londres acaba configurando o perfil dos residentes. Os ingleses que nao sao de Londres geralmente tendem a pensar que a capital eh uma especie de diabolica, perigosa e irritante cidade. Para o visitante, especialmente o ingles nao-londrino, a capital eh muito estricta com com as suas proprias exigentes e tacitas regras sociais. De fato ela eh. Mas os turistas, ingleses ou nao, em geral nao da a minima para essas “leis”. Quem acaba por se irritar sao mesmo os moradores de Londres que precisam enfrentar hordas de turistas que nao sabem que precisam ficar do lado direito da escada rolante em lojas e, principalmente, metros para que os que nao querem esperar a escadinha chegar ate seu destino possam passar pela tangente. Parar no final da escada para decidir para que lado seguir tambem eh fatal, pois acabar gerando um efeito domino na eterna fila de gente que vem logo atras. O ritmo do andar nas ruas eh outro ponto fundamental, pois os londrinos nao ficam exatamente contentes, para dizer o minimo, com aqueles que nao mantem o fluxo peatonal.
  • Falando em metro, vale a pena tambem comentar sobre o Tube, ah, o Tube! Este eh outro dos parodoxos mixtos de orgulho e asco britanico. O metro de Londres, cuja primeira linha entre Paddington e Farringdon inaugurou-se em 10 de julho de 1863, foi o primeiro transporte ferreo subterraneo do mundo e hoje eh muitas vezes considerado um pesadelo para os londrinos. A queixa generalizada reside principalmente num ponto: superlotacao. Os metros de Londres sao muito, exageradamente, cheios. Novamente, nao tanto para os turistas que raramente tomam os trens nas horas de rush. Mas para os commuters (que de uma forma ou outra inclui todos os que trabalham em Londres) tomar o metro – ou o tranporte publico em geral, pois onibus e DLR nao ficam para tras – eh uma batalha diaria. Com seus passageiros abarrotados, empilhados e esprimidos, os trens correm quase a cada minuto, literalmente, nos horarios de pico e mesmo assim nao dao conta de desafogar o fluxo. E qundo alguma linha nao funciona, ou apresenta delay (o que nao eh raro) por conta de um defeito tecnico ou de um suicida que pulou nos trihos, dai sim voce pode vivenciar um pouco do inferno na terra. Para fazer justica eh importante mencionar que essa experiencia nao eh um “privilegio” dos londrinos de hoje. Por ocasiao da reabertura do Museu do Transporte de Londres, em novembro do ano passado, a imprensa da capital publicou algumas fotos que mostram, ja em 1922, as estacoes entupidas de gente que da uma sensacao de que o problema das multidoes eh realmente uma caracteristica da cidade. Ainda assim, apenas para piorar o humor dos londrinos, nos vagoes do Tube (apelido do metro) eh constante a presenca de gente que trata o trem como uma extensao da sua cozinha e durante a viagem come os mais mau-cheirosos lanches e pratos. Kebabs, burgers, sopas e massas pre-prontas, caixas de restaurante fast-food de galinha frita... O abuso eh tanto que existe ate campanha para desincentivar o consumo de comida no metro. Ressalve-se que, ainda hoje, os metros nao tem ar-condicionado e as estacoes nao tem banheiros. E, evidentemente, sempre mind the gap!
  • A questao verde eh outro ponto bastante caro para os britanicos. A coleta seletiva de lixo eh bastante eficiente em varios boroughs e, embora nao seja obrigatorio por lei em todos, as prefeituras locais incentivam e desenvolvem varias politicas para seus moradores assimilarem a ideia de “go green” que incluem desde descontos no council tax (uma especie de IPTU), ate eventos especificos em parcerias com escolas, distribuicao gratuita de recepientes para reciclagem, folhetos informativos com os programas especificos e linhas telefonicas para informacao. O debate eh tao presente na Inglaterra que mesmo o controverso Congestion Charge, imposto de oito libras diario e permanentemente cobrado para qualquer veiculo circular na area central da cidade para prevenir congestionamentos, foi associado a uma nova taxa chamada Low Emission Zone. Este tambem sao impostos para a circulacao diaria, mas que afetam apenas veiculos pesados como onibus, minibus, vans, caminhoes. Se esses veiculos nao atendem os padroes europeus para baixa emissao de gases, ou seja, nao estao adaptados ou modificados para poluir menos, terao que pagar taxas que estao entre 100 e 200 libras para um unico dia de circulacao na capital inglesa. Como toda a congestion charge zone esta incluinda na low emission zone, os proprietarios dos tipos de veiculos afetados devem pagar os dois impostos. Um ultimo ponto nesse aspecto das green policies do Reino Unido, ainda sobre reciclagem, eh que muitos ingleses quando comparam as politicas do seu pais com os da Alemanha ou da Suica acham que a Inglaterra eh imunda – e muitos europeus de outras partes pensam o mesmo. As sacolas plasticas distribuidas gratuitamente nos supermercados estao na mira dessas politicas e devem em breve sair de circulacao.
  • Terrorismo e paranoia sao topicos ja abordados em outros posts nesse blog, incluindo a surpreendente historia de Jean Charles de Menezes que nao poderia ter tido outro destino alem de virar filme. Migracao eh um assunto diretamente relacionado com esse recente e latente dilema no Reino Unido e motivou no ano passado o polemico plano para a criacao de um teste de cidadania para os imigrantes que desejam obter o passaporte vermelho-escuro. O articulista do The Guardian Jonathan Freedland, em artigo de seis de junho do ano passado, opinava que a ideia “viola dois aspectos da britanicidade cuja existencia nos (os britanicos) podemos provavelmente todos concordar: nossa vaguedade sobre identidade nacional e nossa aversao sobre o patriotismo-de-bater-no-peito”. O Reino Unido, em realidade, nao esconde sua preocupacao com o boom migratorio que vive nos ultimos cinco anos, especialmente dos paises do Leste Europeu que recentemente ingressaram na Uniao Europeia. Poloneses e Hungaros sao os mais notorios, mas ha tambem um grande fluxo de latinoamericanos. A preocupacao do governo – alem da obvia questao economica que deriva da insatisfacao dos britanicos com o fato de que os estrangeiros utilizem o servico social ingles, o sistema de saude publico e outras estruturas pagas pelos taxpayers nativos – eh com a possiblidade de tensoes raciais. Essa alarmada tensao ocorreria pela falta de entendimento cultural em aspectos minimos do cotidiano. Assim, o governo teve a brilhante ideia de preparar em junho do ano passado “pacotes culturais” (cultural briefing packs) distribuidos aos imigrantes recem-chegados com dicas de como eles devem “portar-se” no Reino Unido. Os pontos mais interessantes, por assim dizer, sao as recomendacoes de: nao cuspir nas ruas, apertar a mao de alguem que voce conhece pela primeira vez, pedir desculpas se voce trombar por acidente com alguem na rua, nao encarar as pessoas em publico, e fazer filas em locais como paradas de onibus e agencias de correio.
  • Outras obssessoes britanicas como o clima, as celebridades e, especialmente, o NHS (National Healh System, o SUS ingles) tambem ja foram comentadas em posts anteriores. Por haver trabalhado num escritorio administrativo do NHS foi possivel perceber o quao presente, de fato, a gratuidade e o acesso ao sistema esta no cotidiano dos britanicos. E da experiencia em escritorios ingleses, incluindo a Broadcast Date System e a One World Action, conheci o peculiar habito das rodadas de cha embora nunca tenha participado do processo. Ocorreu que duas ou tres vezes ofereceram-se para fazer cup of tea pra mim, o que aceitei mas como “a mug of coffe”, em lugar de cha, entretanto, nao tinha paciencia para esse costume que eles adoram, isto eh, de me oferecer para preperar para todos os outros. Numa ilha de quatro computadores, por exemplo, cada um dos membros, pelo menos uma vez durante a jornada de trabalho, se levanta e pergunta se seus companheiros querem um cha. Em geral, todos dizem sim, entao o gentil colega vai a cozinha e volta com quatro ou cinco xicaras. Assim, esse processo soma no minimo quatro xicaras de cha por dia consumidas por cada ingles, fora as que eles preparam individualmente para si mesmos.

Conheci um pouco da cultura inglesa que, como ja disse uma vez e repito, nao se reproduz exatamente na cultura de Londres. A capital tem suas proprias peculiaridades e ritmos marcados pelo cliche da multiculturalidade e essa, mais do que conhecer, aprendi a gostar. Conheco hoje, honesta e praticamente falando, mais Londres do que Porto Alegre (mas nao mais do que Pelotas. Nao mesmo...). No periodo vivido lah, estranhei, desgostei e reclamei da cidade que, ao final, aprendi a gostar. Amo Londres, como lugar, como lembranca, como experiencia, como aprendizado, como oportunidade, como batalha e como criacao de sinceras e fortes amizades.

Monday, 9 June 2008

Girls Power


I was the Jean Charles de Menezes Whistleblower







No dia 7 de julho de 2005 eu estava na casa de uma incrivel e muito querida amiga em Canasvieras, Florianopolis, num breve periodo de ferias ( e de fato a ultima vez que fui a Floripa desde entao) que me permitia algum tempo para despedidas e preparativos antes da minha partida do Brasil, em setembro daquele mesmo ano.

"P*** q'pariu!" Foi minha reacao ao ligar a TV naquela manha e assistir impactado os noticiarios que mostravam incessantemente os headlines dos ataques terroristas em Londres. Onibus e linhas de metro aos pedacos, quase 60 mortos, muitos feridos e, deste lado do Atlantico, uma passagem para a capital inglesa ja comprada me esperando na minha gaveta.

Muita gente lembra o que fazia na emblematica manha do dia 11 de setembro de 2001, mas talvez poucos tenham arquivado com a mesma relevancia as memorias dos ataques a Londres. Eu, por razoes obvias, tenho muito clara a lembranca daquele dia cuja consternacao durou ate a hora do almoco, quando minha amiga e eu saimos a buscar um restaurante de buffet a quilo. Acho que foi nesse mesmo dia que arrebentei o carro do marido da minha tia num onibus de linha de Canasvieras, mas essa eh uma outra historia.

A paranoia terrorista chegava ate Londres, entretanto meu entendimento sobre o terror, a guerra contra o terror, as reacoes da populcao e a atmosfera que se gera na cidade atacada nao eram muito diferentes das que os ingleses tem, por exemplo, das lutas indigenas por demarcacao de terra no Brasil. Realidades muito distantes, dificil empatizar, compreender.

Num periodo de tamanho significado e mudancas na Inglaterra, nada menos que o proprio Brasil se mistura a sua historia. Menos de 20 dias depois, a ate entao refinadissima e altamente confiavel Metropolitan Police, assassina o mineiro Jean Charles de Menezes com 7 tiros na cabeca, dentro de um vagao de metro em Londres, configurando o mais grotesco e vergonhoso erro (porque ate que se prove um contrario a estupidez foi mesmo apenas um erro) da policia britanica.

A policia, como todos sabem, tenta enganar o pais e o mundo. Ja havia sido um erro executar sumariamente um cidadao inocente, porem era um erro supostamente justificado porque o inocente havia se comportado como culpado e isso, em tempos de paranoia, eh inadmissivel. Pouco tempo depois toda a farsa da policia vem a tona gracas a uma secretaria do IPCC, Lana Vandenberghe, que possuia documentos da propria policia com a versao real do que havia ocorrido.

O resto da historia todos sabem. Julgamentos, descredito da outrora tida como uma das melhores policias do mundo, acalorados debates internacionais, protestos, luta da familia, ninguem individualmente condenado.

A historia virou filme, rodado por diretor brasileiro radicado em Londres, e que eu acabei entrevistando quando trabalhei para a JungleDrums cujo texto (aqui) foi publicado tambem pela Caros Amigos.

Contudo, o papel principal nesse enredo quem desempenhou foi a secretaria. Gracas a ela a historia, ainda que nao possa ser remediada, foi verdadeiramente conhecida.

O The Guardian publicou a versao da propria Lana na sua revista semanal do dia 22 de julho de 2006, que pode ser lida abaixo. Dentro de um mes, o assassinato de Jean Charles, um brasileiro em Londres, faz tres anos. E sua historia segue viva. Gracas a Lana.


* Na minha primeira semana em Londres, quando a paranoia terrorista ainda era bastante presente na cidade, principalmente no transporte publico, sofri um stop searching da policia na estacao de WhiteChapell, pois eu encaixava no perfil suspeito: jovem, tracos fisicos (quizas a barba a-la-arabe?!!) e carregando mochila. Mas ao dizer para o guardinha que eu era brasileiro, e do Rio Grande do Sul, ele perguntou se eu torcia para o Gremio. E da-lhe Ronaldinho!


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I grew up in Alberta, Canada. My grandmother was a strong woman who always spoke her mind, but I was encouraged by my parents to keep quiet about things. In fact, they were so wary about bringing things out into the open that the first I knew of their marriage being in trouble was when my mother moved out of the family home to live with another man.

At 18, I gave birth to my daughter, Jacqueline. I wanted her to feel she could say anything she wanted to me. I believed strongly, and still do, that people should be able to say what’s on their mind. I had no idea that, years later, this conviction would result in me hitting the headlines, put me at risk of going to jail and cause huge embarrassment to the Metropolitan Police.



When my daughter grew up, I moved to the UK to work. I’d taken a job as a secretary at the Independent Police Complaints Commission and had been there for more than a year when, on july 22 last year, Brazilian electrician Jean Charles de Menezes was shot in the head seven times by police at Stockwell tube station after he was mistaken for a suicide bomber. When I heard the news, two thoughts went through my mind. First, that if this guy was a terrorist it was a shame he had been killed, but it had been warranted. Second, that the IPCC would be conducting an investigation into the shooting.



The IPCC was a passed police documents relating to the shooting a few days later. I thought that Jean Charles de Menezes’ suspicious behaviour was the reason he was shot. Then we were given a bomb-shell briefing at work. We were told he hadn’t vaulted over a ticket barrier and run down an escalator to escape firearms officers, and that he hadn’t been wearing a bulky coat that would have concealed explosives. In fact, he had strolled into Stockwell tube wearing a denim jacket, picked up a free newspaper, then made his way down the escalator to catch his train.



The room went quiet. I thought it was terrible the police, who we were supposed to trust and who we paid to protect us, couldn’t tell the truth.



I saw where Jean Charles was shot. I saw the conditions of the seats, I saw the blood, and from what I have seen I can speculate about what happened to him. Whenever I sit on a Victoria Line tube, that’s what I think about. It will never leave me. The police should have come out at the beginning and said they had made a mistake.



That evening, I told a friend what had happened. “Oh my God, this is a big story”, she said. I brooded over the information I had. My friend told her boyfriend, who worked as a producer at ITN, and two weeks later I handed over the documents. I felt very strongly that this was such a big lie it warranted telling the truth. I thought the information would cause a few ripples in the media. It turned out to be more of a tidal wave, undermining the position of Sir Ian Blair, the UK’s top police officer, and eroding public confidence in the police.


When the story broke I was questioned by my bosses and, although I said nothing, suspended. I then resigned from my job. On September 24 last year, police raided my flat and arrested me. When I was taken to the police station for questioning, I was treated very harshly.



I was released on bail and dreaded at any moment being charged. I took on a series of temping jobs and it was through work I stayed sane over the next few months. But when I wasn’t at work, I went from being sociable to being recluse. I was afraid to go out in case I was followed by police and no longer knew who to trust.



When I was finally told in May that no charges would be levelled against me, I felt an incredible sense of relief. But I was still plagued with negative memories about my decision to speak out. From the day I decided to leak the documents, I had wanted to meet the De Menezes family to convey my condolences and talk to them about my decision. Finally, a couple of weeks ago, I did meet three members of the family. It was very emotional meeting with hugs and tears on all sides. When his cousin Patricia told me how important it was to the family that I had helped them to discover the truth, I felt so much better.



It’s extraordinary that this man whom I never met has had such an impact of my life. I spoke out for him and for his family, to make sure the truth wasn’t covered up I don’t see myself as brave for doing that. I know if my grandmother were still alive, she’d be proud of me for what I did.

Friday, 16 May 2008

Pedalando Pelado pelo Mundo






Mais de 50 cidades ao redor do mundo estao na contagem regressiva para mais uma edicao anual do World Naked Bike Ride, cuja traducao oficial para para o portugues soa um tanto estranho com “Pedalando Pelado pelo Mundo”. Trata-se de um dos mais criativos e exitosos protestos utilizando a nudez, convertido num movimento social em rede em diversos pontos do planeta, e que a cada ano bate novos recordes de participacao. A pagina oficial do evento com informacoes detalhadas sobre a historia do evento e as razoes da radicalizacao da iniciativa voce encontra aqui.
O evento pode ser resumido como um protesto a favor de Direitos Reais para Ciclistas e contra a dependencia mundial de combustiveis. uma manifestacao da importancia de estimular o uso de bicicletas como meio de transporte e da falta de estrutura das cidades para a pratica do ciclismo colocando em evidencia a vulnerabilidade dos ciclistas nas ruas atraves da metafora da nudez. Porem nao eh obrigatorio ir pelado! Os participantes sao encorajados a ir “as bare as you dare”, cuja traducao nao rima em portugues, mas seria algo como “tao nu quanto voce se atreve”.
Tambem pedalei
Participei do protesto no ano passado em Londres. Foram mais de 1000 ciclistas pelados num passeio de quase dez quilometros pelas principais e mais movimentadas ruas da capital britanica. Na primeira edicao londrina do evento, em 2004, apenas 60 pessoas participaram. Em 2007 uma massa de pelados, num sabado ensolarado e agradavel, seguiu a rota saindo do Hyde Park em direcao a Piccadilly Circus, passando por Convent Garden, Parliament Square (onde esta o Big Ben), Waterloo Bridge, Oxford Street e Park Lane. Apenas as mais turisiticas e conhecidas areas de Londres! As pessoas se amontoavam para ver a horda de pelados de todas as idades, sexos, tamanhos e estilos em suas bicicletas e aplaudiam e se matavam de rir da inusitada cena. Os onibus de sightseeing dos turistas eram os mais engracados pois as reacoes, caras e bocas divertiam os participantes do protesto tambem. Ninguem foi preso. O protesto tem o direito a livre expressao e recebe apoio estrutural da prefeitura de Londres.

Pelados, mas serios
A campanha tem suas demandas especificas: zonas de circulacao apenas para ciclistas nas cidades, ruas mais seguras para o transito de bicicletas, faixas de ciclistas de duas maos com muro de separacao entre a via para veiculos motorizados e extincao de propagandas de carros.
Foi uma dos mais animadas, impactantes e divertidas manifestacoes que ja participei e definitivamente estarei junto a massa de pelados novamente quando estiver na epoca devida numa das cidades onde o evento ocorra.
O passeio eh divertido, mas eh parte de uma seria discussao. Eh necessario que cada um de nos mude a maneira que pensamos sobre transporte e comecemos a exigir o mesmo do governo. Eh preciso assumir a toma de responsabilidade, subir em nossas bicicletas e exigir uma real e pratica acao na luta contra a mudanca climatica.
Para saber mais detalhes sobre o evento em Londres, que ocorre em menos de um mes no dia 14 de junho e eh o que tem hoje o maior numero de participantes, acesse o site do World Naked Bike Ride UK.
No Brasil ainda nao ha um movimento forte, apesar de Sao Paulo ter tomado parte em edicoes anteriores, mas com um numero bem limitado (se nao me engano, houve um ano em que apenas um casal saiu pelado pelas ruas paulistas). Encontrei uma pagina de um grupo de discussao on-line, mas infelizmente parece que nao esta funcionando.Fica a sugestao para a mesma iniciativa pelos pampas gauchos

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Riding under the slogan “real rights for bikes”, participants cycle naked to highlight their vulnerability on city streets and draw attention to the destructive effects of car culture. The ride is a body-positive event where nudity is optional – riders are encouraged to go “as bare as you dare”.

. Last year’s event in London was the largest naked protest in British history, with over 1000 people riding through the streets of the capital for two hours. Ride routes offer participants an enjoyable “naked sightseeing experience”, and go past a number of city centre landmarks. Cycle-mounted police facilitate the ride and provide traffic control.


The campaign is part of a growing international awareness of the destructive effects of climate change and unsustainable oil dependency. For many people, these issues are prompting a choice of greener lifestyles and reconsideration of how our actions impact the planet. The London Naked Bike Ride is making specific demands: cycle-only zones in cities, real rights for cyclists, safer streets, separate two-way cycle lanes and a ban on car advertising.

Those wishing to participate can find more details at official website of the event.

Sunday, 11 May 2008

Maio de 68 quarenta anos depois


"The sound engineer in the hall (in an US lecture tour), a Mexican-American, whispered proudly in my ear that his son, a 25-year-old marine, had just returned from a tour of duty in the besieged Iraqi city of Fallujah, the scene of horrific massacres by US soldiers, and may show up at the meeting. He didn’t, but joined us later with a couple of civilian friends. He could see the room was packed with antiwar, anti-Bush activists.
The young, crewcut marine, G, recounted tales of duty and valour. I asked why he had joined the marine corps. “There was no choice for people like me. If I’d stayed here, I’d have been killed on the streets or ended up in the penitentiary serving life. The marine corps saved my life. They trained me, looked after me and changed me completely. If I die in Iraq, at least it would be the enemy that killed me. In Fallujah, all I could think of was how to make sure that the men under my command were kept safe. That’s all. Most of the kids demonstrating for peace have no problems here. They go to college, they demonstrate and soon they forget it all as they move into well-paid jobs. It’s not so easy for people like me. I think there should be a draft. Why should poor kids be the only ones out there? Out of all the marines I work with, perhaps four or five percent are gung-ho flag-wavers. The rest of us are doing a job, we do it well and hop we get out without being KIA (killed in action) or wounded”.



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"El ingeniero de sonido de la sala, un mexicano-americano, me susurró al oído, orgulloso, que su hijo, un marine de 25 de años, acababa de regresar de su servicio como soldado en la ciudad sitiada de Fallujah en Irak, escenario de horribles masacres de soldados estadounidenses, y que aparecería en el mítin. No lo hizo, pero apareció después con un par de amigos, ambos civiles. Pudo ver como la sala estaba llena de activistas antiguerra y antibush.
El joven marine de pelo rapado, G, narró historias de entrega y coraje. Le pregunté por qué se había unido al cuerpo de marines. "Para la gente como yo no hay otra elección. Si me hubiera quedado aquí, me hubieran matado en las calles o hubiera terminado en la cárcel cumpliendo condena de por vida. El cuerpo de marines salvó mi vida. Me entrenaron, se preocuparon por mí y me cambiaron completamente. Si hubiera muerto en Irak, al menos sería el enemigo quien me hubiera matado. En Fallujah todo en lo que podía pensar era en cómo mantener a los hombres bajo mi mando a salvo. Eso era todo. Muchos de los chavales que se manifiestan por la paz aquí no tienen problemas. Van a la universidad, se manifiestan y pronto se olvidan de todo en cuanto consiguen un trabajo bien pagado. Para la gente como yo no es tan fácil. Creo que debería existir una leva. ¿Por qué sólo los jóvenes pobres tienen que estar allí? De todos los marines con los que he trabajado, quizá sólo un cuatro o cinco por ciento eran verdaderos fanáticos amantes de la bandera. El resto de nosotros está haciendo un trabajo, lo está haciendo bien y esperando volver sin ser KIA [killed in action, asesinado en combate] o herido."



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Pra onde foi toda a raiva?

A guerra contra o Iraque eh uma estupidez. Ninguem com um minimo de bom senso ha de pensar diferente. Mas eh uma estupidez sobretudo do governo Bush, que com a insistencia no erro, segue atentando contra, inclusive, o seu proprio povo.
Tariq Ali, o renomado historiador, ativista e escritor paquistanes-britanico, radicado em Londres, escreveu para a revista semanal do bom jornal ingles The Guardian, do dia 22 de marco, um artigo intitulado “Where has all the rage gone?” (Pra onde foi toda a raiva?) analisando o legado de maio de 1968. Ali foi um dos intelectuais do "Grupo dos 19" que assinou o manifesto de Porto Alegre no Forum Social Mundial de 2005 e um dos organizadores dos protestos na Inglaterra contra a guerra do Vietna durante a onda de manifestacoes e revoltas no "ano que mudou o mundo”.

O pequeno relato em italico (ingles e espanhol) acima eh um trecho do artigo de Ali. Foi a resposta que ele obteve de um soldado americano sobre as razoes para haver decidido tomar parte na guerra. “A historia raramente se repete, mas seu eco nunca desaparece. Iraque quer dizer Vietnam em arabe”.


Friday, 9 May 2008

A little reminder



Como se sabe, o Reino Unido permanece como um dos grande aliados incondicionais dos Estados Unidos apesar da descarada e comprovada farsa que conformaram as supostas razoes para a invasao do Iraque em 2003.
É dessa triste submissao britanica que se justifica o pequeno lembrete, em forma de banner, sobre os custos da guerra. Sao inacreditaveis 720 milhoes de dólares por dia desperdiçados para humilhar, desprezar e fazer sofrer o povo iraquiano já farto de dor.
Como afirma Georges Bourdoukan no seu blog, os números nao comovem, mas tomo parte no registro, como em varios outros blogs do mundo, para ajudar a humanidade a nunca esquecer essa vergonha promovida pela arrogancia e irresponsabilidade americana.
Os dados sao do Tribunal de Bruxelas.

Monday, 14 April 2008

Archaeological paths to the afterlife







(*By Evanthia Tselika)


This text was originally written in English but first published in Portuguese at the Brazilian newspaper Diario Popular (www.diariopopular.com.br) Sunday issue, 13/04/2008. Translation from English to Portuguese by Aleksander Aguilar.


With roots like many academic principles in the re insurgence of enlightenment archaeology’s discoveries are gloriously presented at the moment in London, Great Britain, reaffirming yet once again how embedded afterlife and mass upheavals have become in the everyday existence as seen from the specified perspective.


Archaeology is the science that studies human cultures through the recovery, documentation, analysis and interpretation of material remains and environmental data. Archaeology’s objectives vary, and there is debate as to what its aims, and responsibilities are. Amongst its goals is the documentation and explanation of the origins and development of human cultures, understanding cultural history, and studying human behaviour, for both prehistoric and historic societies. The process involves a series of surveying areas in order to find new sites, excavating sites in order to recover cultural remains presenting processes of classification, analysis, and preservation. The two major headlines feature in the cultural setting of London The First Emperor: China’s Terracotta Army coming to the British Museum in late 2007 (ending on the 6th of April 2008) and Tutankhamun and the Golden age of the Pharaohs in the Millennium Dome on the Greenwich peninsula (a structure originally built to house the Millennium Exhibition). Thus we are presented by artefacts of a defining moment in archaeology in 1922 side by side (albeit within a 15 kilometre radius) with what could prove to be as one of the most important archaeological discoveries to date intact underneath the ground (accidentally discovered by Chinese farmers in 1974).


The renowned archaeologist Howard Carter discovered the tomb of the then unknown Pharaoh Tutankhamun in November 1922. The young pharaoh was one of the last kings of Egypt’s 18th Dynasty. Despite his modest contributions to the Egyptian empire and his minor role as a king his name will shine a strong light in the sphere of modern archaeology and history. Little is known about his life. Born in 1343BC in the city of Akhetan, he was crowned Pharaoh by the age of 9 or 10, married by the age of 12 and died under mysterious circumstances by the age of approximately 19/20. Many conspiracy theories have been webbed by historians as to the exact causes of his death. A vast collection of treasures was discovered within his tomb. The exhibition includes more than 130 artefacts, some of which have never been previously seen by the British public and it is divided in eleven galleries that have been constructed focusing on a particular theme such as ’Daily life in ancient Egypt’. This leads on to the treasures within the final galleries with which the boy king was buried. A gallery is dedicated to the five items that were found on the Pharaoh’s body when Howard Carter entered the tomb in 1922. The exhibition after touring the US arrived to London, the home town of the man responsible for this discovery. As a special tribute the organisers Arts and Exhibitions International collaborated with the British Museum and created a special exhibit that showcased the life of the archaeologists at that time in Egypt.

An underground Empire
The Terracotta Army: Terracotta Warriors and Horses is a collection of 8,099 larger-than-life Chinese terra cotta figures of warriors, horses, acrobats and other figures located near the Mausoleum of the First Qin Emperor. The figures vary in height, according to their role, the tallest being the Generals (above 184 cm).The Terracotta Army was buried with the Emperor of Qin; Qin Shi Huangdi in 210 BC. He reigned over Qin for twenty six years and unified China in the last eleven years of his life. In addition to the warriors, an entire man-made necropolis for the emperor has been excavated. Construction began in 246 BC and is believed to have taken seven hundred thousand workers and craftsmen thirty years to complete. The First Emperor was buried alongside great amounts of treasure and objects of craftsmanship, as well as a scale replica of the universe complete with gemmed ceilings representing the cosmos, and flowing mercury representing the great earthly bodies of water. The tomb presently remains unopened. The Emperor’s necropolis complex was constructed to serve as an imperial compound or palace. The remains of the craftsmen working in the tomb may also be found within it, as it is believed they were sealed inside alive to keep them from sharing any secrets about its riches or entrance. In July 2007 it was determined, using remote sensing technology, that the mausoleum contains a huge construction built above the tomb, with four stepped walls, each having nine steps. Researchers theorized it was built for the purpose of the soul of the emperor (the dead) to depart, much like the tombs of the Pharaohs’ guided their souls to the afterlife. The ground of the site contains high levels of mercury which has proved a great aid for its preservation and proves the theories of past historians and researchers.

These two great archaeological discoveries face the public in London, both highlighting the circulation of artefacts and cultural information in the contemporary times. The Tutankhamun’s exhibition is a landmark in history of modern archeology looked at in conjunction with a very exciting discovery of the later half of the twentieth century. It will take years to unearth and discover the splendours of the Chinese emperor’s impressive endeavours to be accompanied into afterlife. The discovery by the farmers serves as a reminder to never underestimate the history that we might be treading over. Because through these discoveries and interpretations that we are presented with the reoccurring nature of history.


*Evanthia Tselika is an art critic born in Athens, Greece and currently living in London. She holds a degree in Visual Art from Goldsmith University, in London and a Master in History of Art from SOAS, University of London.

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Caminhos Arqueologicos para a vida apos a morte


(*por Evanthia Tselika)

Este texto foi originalmente escrito em ingles, mas sua primeira versao para publicacao foi em portugues, na edicao de domingo, 13/04/2008, do jornal Diario Popular (http://www.diariopopular.com.br/). Traducao do ingles para portugues por Aleksander Aguilar.



Como muitos outros principios academicos com raizes na insurgencia da elucidacacao, descobertas arqueologicas referenciais que atualmente estao em exibicao em Londres ajudam uma vez mais a reafirmar o quao enraizado no cotidiano da existencia tornaram-se temas como vida apos a morte e convulsoes de massa quando vistos de uma perspectiva especifica.

Arqueologia eh a ciencia que estuda culturas humas atraves da recuperacao de documentos, analise e intepretacao de material remanescente e dados ambientais. O processo envolve uma serie de areas de pesquisas com o objetivo de encontrar novos sitios e excava-los para recuperar processos remanescentes. Mostras de dois dos mais importantes sitios arqueologicos do mundo estao em exibicao na cena cultural de Londres. O Primeiro Imperador: O Exercito de Terracota da China e Tutankhamun e a Idade de Ouro dos Faraos. O primeiro esta em exposicao ate o dia seis de abril no Museu Britanico e o segundo na Millenium Dome, na peninsula de Greenwich. Eh atraves dos artefatos expostos nesses dois imponentes espacos culturais da capital britanica que somos apresentados a um momento definitivo na arqueología, em 1922, e ao que tem provado ser uma das mais importantes descobertas arqueologicas que ainda permanecem intactas abaixo do solo, acidentalmente encontrada por um agricultor chines em 1974.


O renomado arqueologista Howard Carter descobriu a tomba do entao desconhecido farao Tutankhamun em novembro de 1922. O jovem farao era um dos ultimos reis da 18ª dinastia do Egito. Apesar da sua modesta contribuicao para o imperio egipcio e do seu papel secundario como rei, seu nome brilhara na esfera da moderna arqueologia e historia. Pouco eh conhecido sobre sua vida. Nascido in 1343 BC na cidade de Akhetan, ele foi coroado farao quando tinha 9 ou 10 anos de idade, casou aos 12 anos e morreu sob circunstancias misteriosas aproximadamente aos 20 anos. Muitas teorias da conspiracao tem sido levantadas por historiadores como a causa exata de sua morte. Uma vasta colecao de tesouros foi descoberta dentro do sua tumba. A exibicao inclui mais de 130 artefatos, alguns dos quais nunca foram vistas antes pelo publico Britanico, e eh divida em onze galerias cada uma elaborada com foco em um tema particular como “a vida diaria no antigo Egito”. Elas conduzem o visitante a galeria final onde se ve os tesouros com os quais o garoto foi enterrado. A galeria eh dedicada aos cinco itens que foram encontrados sobre o corpo do farao quando Howard Carter entrou na tumba. Em uma homenagem especial ao homem responsavel pela descoberta os organizadores, Arts and Exhibitions International em colaboracao com o Museu Britanico criaram uma exibicao especial que destacou a vida do arqueologista naquele tempo no Egito.

Um Imperio subterraneo
O exercito de Terracotta: Guerreiros e Cavalos Terracotta eh uma colecao de 8099 figuras de tamanho real de guerreiros, cavalos, acrobatas e outras esculturas localizadas perto do Maousoleu do primeiro imperador da China. As figuras variam em altura, de acordo com o seu papel, sendo os generais os mais altos (acima de 1, 84m). O Exercito de Terracotta foi enterrado com o imperador de “Qin”, Qin Shi Huangdi, em 210 A.C . Ele reinou por 26 anos e unificou a regiao nos ultimos onze anos da sua vida configurando o que hoje se conhece por China. Alem dos guerreiros, uma inteira reproducao do imperio foi escavada. A construcao comecou no ano 246 AC e acredita-se ter exigido o trabalho de 700 mil homens durante 30 anos para ser completado. O primeiro imperador foi enterrado junto com uma enorme quantidade de tesouros e objetos de arte assim como uma replica em escala do universo com o teto forrado com pedras preciosas representando o cosmos e uma corrente de mercurio representando os corpos terrestres de agua. A tumba ainda permanece fechada. O complexo de necropole do imperador foi construido para funcionar como um recinto imperial ou um palacio. Os restos mortais dos artesaos que trabalharam na tumba tambem devem ser encontrados porque acredita-se que eles foram selados vivos na sala da tumba para assegurar que nenhum segredo sobre suas riquezas ou entrada seria divulgado. Em julho do ano passado foi determinado que o maousoleu contem uma imensa estrutura construida sobre a tumba, com quatro muros cada um com nove degraus. Pesquisadores teorizam que isso foi feito com o proposito de que a alma do imperador pudesse partir, semelhantemente a tumba dos faraos guiados para a vida apos a morte. O subsolo do local contem alto level de mercurio que tem provado ser de grande auxilio para sua preservacao e prova a teoria de pesquisadores e historiadores do passado.

Estas duas grandes descobertas arqueologicas que se apresentam ao publico em Londres destacam a intensa circulacao de artefatos e informacao cultural em tempos contemporaneos. A exibicao sobre os tesouros do farao Tutankhamuns eh um marco na historia da moderna arqueologia vista conjuntamente com uma excitante descoberta da ultima metade do seculo vinte. Levara anos para desenterrar e descobrir todo o esplendor dos impressionantes esforcos do imperador chines em estar acompanhado para a vida apos a morte. A descoberta feita por fazendeiros serve como um lembrete de que nunca se deve substimar a historia sobre a qual nos talvez estejamos caminhando. Sao atraves dessas descobertas e interpretacoes que somos apresentados a reocorrencia natural da historia.

*Evanthia Tselika é crítica de arte, natural de Atenas e radicada em Londres. Mestra em História da Arte e Arqueologia pela School of Oriental andAfrican Studies (Soas - University of London).

Tuesday, 8 April 2008

Mil peruanos equivalem a dez franceses

Nao sou um blogueiro "profissional". Ja mencionei isso mais de uma vez desde a decisao de me atrever a escrever esporadicamente, por fruicao ou por exercicio, na blogsphere. A motivacao central foi praticar a redacao em ingles, unindo assim o util ao util, pois estaria tambem registrando as vivencias desse processo de aprendizagem na Inglaterra.
Agora, fora terra dos "Brits" (ao menos por enquanto) e em andancas centroamericanas, ja deveria ter mudado o carater desse blog, mea culpa, mantendo a proposta de pratica de redacao, mas em espanhol e com historias bem mais latinas. Alias, ja tinha dito que isso seria adotado. E sera. Mas como nao sou um blogueiro que se preze, as historias salvadorenhas se atrasam, se acumulam na memoria e no meu ultimo Moleskine e ainda cedem lugar a tres ou quatro posts que tenho que escrever (quando houver tempo) sobre Londres. Eh soh entao que praticarei meu espanhol escrito enquanto registro a emocao de experiencias como a de haver escalado o vulcao Pakaya na Guatemala, o carater da Antigua, a insanidade dos onibus salvadorenhos, as historias dos ex-combatentes da FMLN, o charme de Suchitoto, a visita historica (e vista por mim ao vivo) de Silvio Rodriguez a El Salvador ,e a imponencia do vulcao de San Salvador todos os dias bem diante da minha janela.
Mientras tanto, ainda que os blogueiros de carteirinha tenham asco do post de textos de terceiros porque seria uma estrategia rala de manter o blog vivo, vale muito a pena ler a cronica da Natalia Viana, reporter da Caros Amigos a quem eu conheci na redacao da JungleDrums, em Londres, quando ambos colaboravam com a revista. Falei poucas vezes e poucos minutos com ela, mas por textos como esse se percebe que foi uma pena nao ter conversado mais.
Aproveitem.
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Cem Marias para cada Madeleine - por Natalia Viana
Esse texto poderia começar de muitos jeitos, mas acho que o melhor é começarpelo sábado, 26 de janeiro de 2008. Eu, sentada ao lado do editor do jornal britânico Independent, onde trabalhei durante alguns meses, anunciava minhasaída e aproveitava para perguntar se a eles interessariam reportagens free-lancer sobre a América do Sul, que eu poderia fazer quando voltasse. A resposta:- Olha, ainda vale a velha regra: mil peruanos equivalem a 10 franceses. Então é assim, se tiver um acidente, um desastre muito grande...
A frase não me surpreendeu. Não foram poucas às vezes, ao longo desse anoe meio vivendo em Londres, em que ouvi jornalistas me dizendo claramente que à imprensa inglesa não interessa a América Latina. Mas ela apontou parauma coisa seriíssima que está acontecendo com o nosso próprio jornalismo internacional. Explico.
Com a falta de dinheiro na maioria das empresas de mídia no Brasil, e aomesmo tempo com o advento da internet e dos canais de notícias 24 horas,a notícia internacional, se antes era mercadoria, agora virou mercadoriabaratíssima.Para preencher tanto espaço em branco, em tão pouco tempo, os veículos optaram pelos serviços das agências internacionais, um punhado de empresas – todassediadas em países ricos – que dizem ao mundo todo o que é notícia e o quenão é. Assim, a Reuters, de origem alemã e sede em Londres, a CNN americana,a AFP francesa, a BBC inglesa – financiada, não por acaso, pelo Ministério do Exterior britânico – difundem a sua visão de mundo, a sua própria culturae o seu jeito de fazer jornalismo.
Não é negativo o advento das agências de notícias. É fantástico poder ter informações rápidas de vários cantos do globo com um grau razoável de confiabilidade.O problema é como o nosso jornalismo internacional tem cada vez mais se baseado apenas no que dizem essas agências.
Funciona assim: o repórter de uma agência escreve a matéria, entrevistando essa e aquela pessoa que considera relevante. Seu texto então é editado por alguém na sede, invariavelmente em um país do norte, e checado contra as informações de outra dessas agências. Se há um serviço em português, os redatores terão que simplesmente traduzir a notícia, e assim ela chega a nós. Hoje, no caso do Brasil, é cada vez mais comum que as publicações diárias usem esses mesmos relatos, vindos de diferentes agências, para compor a reportagem que virá na edição do dia seguinte. O mesmo acontece com as revistas e comos canais de notícia da TV.
Há exemplos chocantes, como o fato de muitas informações que lemos sobre a América do Sul terem sido coletadas por repórteres americanos, ingleses,franceses, enviados para a Europa e traduzidas antes de serem reescritaspara o nosso consumo.
Estamos, na prática, terceirizando a nossa visão sobre o mundo.Um dos tristes resultados desse novo modelo é a morte lenta e dolorosa dafigura do nosso correspondente internacional. Há ainda ótimos correspondentes,claro, mas cada vez em menor número.Os que ainda sonham testemunhar e reportar coisas significativas que acontecemno mundo têm que se contentar com um pagamento magríssimo. Em conseqüência,sou testemunha da explosão de novos tipos de jornalistas até então inéditos, como a correspondente-e-garçonete, correspondente-e-carregador-de-malas, correspondente-e-babá. Sendo, sempre, o subemprego o trabalho principal eo jornalismo quando se tem tempo.
É o colonialismo noticioso: embora a globalização tenha trazido melhoresrelações internacionais para o Brasil, com negócios, turismo, imigração,etc, estamos aceitando sempre a versão da história que nos está sendo contadapelas agências, condizente com a sua linha editorial, e, mais a fundo, comos seus preconceitos.
Um bom exemplo foi a avidez com que a imprensa brasileira acompanhou o sumiço da menina inglesa Madeleine MCcann, em Portugal, no ano passado. Por aqui,a cobertura foi obsessiva, pra pegar leve. A cada dia novos detalhes, na maioria infundados, apareciam e eram reproduzidos incessantemente por sites brasileiros, canais de TV e até jornais. Engolimos sem refletir que, na balançadas agências globais, a vida de uma linda menininha inglesa sempre vai valer mais do que cem Marias brasileiras.
Foi isso que me veio à cabeça ouvindo a resposta do colega do Independent.Antes de agradecê-lo pela honestidade – e ir embora com o rabinho entre aspernas – respondi:- Claro, mil peruanos valem o mesmo que dez franceses, ou uma Madeleine.Ao que ele consentiu com a cabeça e um sorriso sem-graça.