Saturday, 6 July 2013

Textos Curtos para Ítaca XXIX

Um futuro-presente projeto literário. “Textos curtos para Ítaca” é a primeira materialização de uma das várias e extensas ideias em literatura, essencialmente em prosa, mas com flertes em verso, colecionadas ao longo da jornada até Ítaca. Em fato, os projetos para contos e novelas e outras literaturas de longo fôlego, ainda estão em fase sketch, talvez nem maquete, e irão tomando forma ao ritmo das circunstâncias que, sim, podem tardar como já tardam, mas ainda virão. Enquanto isso, num dia e momento aleatório, curiosamente com menos atraso, vão tendo agenda as mini-experiências em poesia e verso, do qual, lenta e despretensiosamente, faço um laboratório neste blog (único espaço onde o critério editorial é totalmente meu... ). Algum dia também ganharão forma impressa, sempre ao ritmo das possibilidades e, no dizer de Konstantinos Kavafis, do rogar por uma rota longa. Mas em textos curtos.

Já chegou o momento

criamos emoções

conseguimos.

Despedir-nos fará com que tudo seja mais intenso

sonhar fará com que vida não rime com tranquila.

Nós, como almas vagabundas e companheiras, que compartilham, que intercambiam

sempre perguntando-nos a hora, e olhando, na parede escrita

“la belleza es tu cabeza”

Somos música, somos filme.

Thursday, 27 June 2013

Mientras tanto, en Chiapas, ¡los NO invitados de las escuelitas zapatistas!

"A l@s adherentes a la Sexta en México y el Mundo:
A l@s estudiantes de la Escuelita Zapatista:

Compañeros, compañeroas, compañeras:









No serán sus compañer@s de clase en la escuelita, porque no los invitamos, los siguientes:

Los legisladores que formaron la Comisión de Concordia y Pacificación (COCOPA) en el período 1996-1997.  Aunque les hubiera servido darse cuenta de que no se equivocaron con su iniciativa para el reconocimiento constitucional de los derechos y la cultura indígenas, misma que fue traicionada por todos los partidos políticos, el poder legislativo, el ejecutivo y el judicial.

Los legisladores de la COCOPA actual.  Aunque les hubiera ayudado a conocer por dónde está la puerta para la reactivación del diálogo con el EZLN.

Los presidentes de los partidos políticos con registro (PRI, PAN, PRD, PVEM, PT, MC y NA).  Porque no tenemos antiácidos suficientes para aliviar el coraje que les daría al ponerse en evidencia lo que se puede hacer, no sólo sin los partidos políticos, sino a pesar de ellos.

Los presidentes de las mesas directivas de las cámaras legislativas y los coordinadores de las fracciones parlamentarias.  Aunque les hubiera servido constatar lo que la contrarreforma de ley indígena que mantienen no pudo impedir.

La Secretaría de la Defensa Nacional, La Secretaría de Marina, el CISEN, la PGR, la Comisión Nacional de Seguridad, la Secretaría de Desarrollo Social, la Suprema Corte de Justicia de la Nación.  Aunque hubieran podido confirmar sus informes de inteligencia que les dicen que se está mejorando significativamente el nivel de vida de las comunidades indígenas zapatistas a pesar de sus labores contrainsurgentes, su apoyo a grupos paramilitares y el tratamiento policíaco que dan a una lucha justa y legítima.  Y, además, hubieran podido constatar, de primera mano, la persistencia de lo que con tanto empeño han tratado de destruir: la autonomía indígena.

El Departamento de Estado Norteamericano, la CIA, el FBI.  Aunque les hubiera ayudado a entender sus reiterados fracasos… y los que les faltan.

Las distintas agencias de espionaje que languidecen de aburrimiento en San Cristóbal de Las Casas, Chiapas, y cuya única ocupación es alentar los chismes que pululan entre las ONG´s coletas.

El Mandón, el que realmente los dirige a todos ellos, ante quien se inclinan y a quien adulan.  Aunque sólo se hubiera estremecido al ver que esa pesadilla recurrente que padece, tiene visos de realidad.

No han estado, ni están, ni estarán como nuestros huéspedes.

En cambio, han estado, están y estarán como nuestros perseguidores, como quienes buscan la forma de destruirnos, de doblegarnos, de comprarnos, de rendirnos.

Estarán espiándonos, vigilándonos, maldiciéndonos siempre, como hoy, como ayer, como hace 10, 20, 30, 500 años.

No los invitamos no sólo porque nuestro plan de estudios no incluye grupos de nulo aprendizaje, o para no alentar el “bullying” del que serían objeto por parte de los demás estudiantes (lo sé, eso sí es una lástima), o porque tenemos mejores formas de perder el tiempo.

No los invitamos porque, así como nosotros, nosotras, no vamos a dejar de resistir y de luchar, ellos no van a dejar de despreciarnos, de tratar de explotarnos, de reprimirnos, de intentar despojarnos de lo que es nuestro, de desaparecernos.

Así como nosotras, nosotros, nunca vamos a aprender la lengua del dinero, ellos nunca van a aprender a respetar al diferente.

Y, sobre todo no los invitamos, porque ellos y quien en realidad los manda, nunca van a entender por qué, en lugar de morir, vivimos.

-*-

  Así que, ni modos, no contarán, entre sus condiscípulos, a tan “ilustres” personas.  Por lo tanto, no saldrán en los noticieros de la prensa escrita, radio y televisión, ni habrá mesas de debate, ni sesudos análisis.  O sea que, como quien dice, el aire estará limpio.  Y la tierra, la que nos vio nacer y nos alimentó hasta crecer, agradecerá el digno paso que la anda: el de ustedes.

Vale.  Salud y libertad, que el paso de l@s de abajo es bienvenido, como es bienvenido su corazón.

Desde las montañas del Sureste Mexicano.


México, Junio del 2013."

Saturday, 22 June 2013

Um retorno a Lênin? Organizaçao e espontaneismo em tempos de “tecnopolítica”

  • foto: fanpage "Manifesto Recife" - 20/06/2013

  • Por Aleksander Aguilar
Repetição, de acordo com Hegel, joga um papel crucial na história: quando alguma coisa acontece apenas uma vez, isso pode ser desdenhado como um acidente – algo que poderia ter sido evitado se tivéssemos tratado diferentemente a situação; mas quando o mesmo evento se repete, isso é um sinal de que um processo histórico mais profundo se desdobra. 
(Slavoj Zizek[1])

Desde 2011, com a surpresa da Primavera Árabe e subsequentes séries de revoltas e manifestações que atravessam vários e distintos países, o tema da organização popular, ou de massa, ou militante, tem estado na ordem do dia em inúmeros debates e produção intelectual. Há na era da Web 2.0 um momento de reconfigurações sociopolíticas, intimamente ligada à essa influência da incontrolável velocidade das novas tecnologias, que geram ondas de impacto em reverberação. Ocorrem no contexto europeu, em contra de medidas de austeridade fiscal; ou levantes, no contexto do Oriente Médio, em oposição aos velhos regimes de governos autoritários, e agora no Brasil, com uma indignação latente nas ruas por demandas de justiça social que ainda se buscam compreender e ter formato.  Há lutas que elencam muitas dúvidas e inúmeras posições de um suposto dualismo entre novas e antigas formas de organização.

Entre essas perguntas estão: Como remediar, ou prevenir, que níveis de massa de mobilização se dissipem ou sejam subaproveitadas?  Como canalizar a força difusa do desejo por mudanças sociopolíticas em uma luta efetivamente capaz de proporcionar transformações sociais emancipatórias?  Os temas da organização e do espontaneismo são centrais no corrente cenário e a reflexão conceitual na busca de respostas envolve nomes contemporâneos do pensamento social e político com renomado trabalho nesses assuntos e merecem ser citados.

O mais popular entre esses por enquanto, Slavoj Zizek, em diferentes ocasiões enfatiza que para a reorganização da vida social é preciso um corpo político firme o suficiente para realizar decisões rápidas que sejam implementadas também com a firmeza necessária.[2] No atual ambiente de despolitização das administrações pós-ideológicas – que, para Zizek, conforma uma dinâmica perigosa; humaniza e naturaliza o capitalismo e dá espaço para a organização de uma superdireita – o filósofo afirma que a democracia liberal não é suficiente e restabelece o horizonte do comunismo interpretado: “Quando debatemos com os liberais, não deveríamos dizer: 'ah, vocês são os inimigos burgueses, não discutimos como vocês!' Deveríamos, sim, alertá-los. 'Sim, nós também gostamos das suas liberdades, mas apenas uma esquerda bem estabelecida em longo prazo irá ajudar a salvar os aspectos dessas liberdades que valem a pena. Se não for assim se perderá cada vez mais espaço para a extrema direita'”.[3]

Outro filósofo caro a esse debate, Alain Badiou, na sua posição de reinventar a “ideia comunista” recebe críticas por parecer querer restringir à filosofia a tarefa de prover respostas que na verdade só podem ser construídas na prática. Um novo militante, uma nova organização e uma nova disciplina não são propostas necessariamente ligadas a uma nova hipótese comunista, nem a que o problema seja o de substituir os partidos, e corre o risco de pautar redefinições mais abstratas do que soluções.[4]

Teríamos assim uma divergência entre Zizek e Badiou, este cuja preferência seria a de uma política sem partido, organizada através da disciplina intelectual do processo político, e não de acordo a forma correlata à exercida no Estado. Mas há ao mesmo tempo um diálogo sobre os conceitos que permeiam o debate – como disciplina e capacidade de decidir e de agir de forma unificada, bem como estrutura e centralização – em relação direta com a forma do ativismo que se vê hoje.

Quando consideramos, então, o momento de manifestações de massa que se desenvolvem e se espalham desde 2011, as incertezas e inseguranças manifestam-se ao lado, porque sua natureza indeterminada, de significar qualquer coisa para quaisquer pessoas, pode atrair enormes contingentes de pessoas às ruas ao mesmo tempo que torna ações concertadas cada vez mais difíceis: qualquer intervenção decisória pode provocar dispersões e divisões e, logo, é no fazer as coisas acontecerem que se determinará quem está dentro e quem está fora.

Há, sobretudo, mesmo que se busque ser neutro sobre os significados desse novo militante, dessa nova organização e, portanto, dessa nova política, uma avaliação negativa do que existe hoje. O declínio da organização leninista não representou o seu desaparecimento; as ideias dos partidos não necessariamente representam sentido completo, mas a prática partidária sim, tal qual os Bolcheviques foram copiados, em termos pragmáticos, porque o formato funcionou. Dito isso, há certamente um espaço hoje para uma reavaliação teórica da noção de vanguarda da esquerda que deve se guiar pelo empenho em encontrar e sistematizar (o que seria bastante útil) noções não-vanguardistas de política ainda assim entendidas como radicais ou revolucionárias. Com isso seriamos capazes de pensar o problema do militante e da organização através do presente, da tecnopolítica (o uso tácito e estratégico das redes digitais para a organização, comunicação e ação política coletiva, que implica também em utilizar a rede para tomar o espaço urbano[5]) e combinar propositivamente a questão do “o que é” com o da “o que é preciso”.

Há espaço para que nos movamos mais adiante da polarização conceitual entre partidos vanguardistas, vistos como muito rígidos, e redes de articulação virtual, vistas como muito frouxas? É possível que os movimentos contemporâneos transcendam o espontaneismo pejorativo e sejam articulados como novas formas de criação e de organização?

A evolução desse debate, hoje mais do que nunca enraizado no prático, deve estar pautado num horizonte de emancipação social. O esvaziamento político daquilo que começou como atos propositivos, e agora tem como tom predominante o de paradas cívicas moralistas e conservadoras, precisa ser preenchido, com a construção de uma identidade coletiva que marque distância da direita e tenha uma projeção mais estratégica.  Propostas emancipatórias radicais precisam ser desenhadas, debatidas e massificadas de modo a se ter um objetivo sociopolítico estruturalmente transformador. Eis a reflexão chave, segundo Zizek: o espaço da sociedade como conhecemos está para terminar e é tempo para interpretações mais radicais.

*Aleksander Aguilar é jornalista e doutorando em Ciência Política e Relações Internacionais



[1] ŽIŽEK, Slavoj. “Shoplifters of the World Unite”. In: London Review of Books, 19/08/2011. http://www.lrb.co.uk/2011/08/19/slavoj-zizek/shoplifters-of-the-world-unite
[2] IDEM
[3] AGUILAR, Aleksander. “O fim dos tempos, segundo Zizek” In: Jornal Brasil de Fato, 15/09/2010. http://www.brasildefato.com.br/node/258
[4] Rodrigo Nunes, "Rethinking the Militant", in Shannon Brincat (Ed.). Volume III: The Future of Communism, Third volume of Communism in the 21st Century, 3 Volumes, Santa Barbara, CA: Praeger, (in-press, 2013).
[5] Ander Iñaki Oliden entrevista a JAVIER TORET. "La acción política va a estar cada vez más mediada por la tecnología" In: eldiario.es 21/06/2013. http://www.eldiario.es/turing/accion-politica-vez-mediada-tecnologia_0_145586203.html

Tuesday, 4 June 2013

Doutorandos do DCP/PPGCP publicam na Revista Jurídica da Presidência da República


*NOTICIA NO SITE DO PROGRAMA EM PÓS GRADUAÇÃO EM CIÊNCIA POLÍTICA DA UFPE (em 03/06/13): aqui


"Os doutorandos no Programa em Pós Graduação em Ciência Política da UFPE,  Aleksander Aguilar e Juliana Vitorino, publicam artigo na Revista Jurídica da Presidência da República, no atual número 105, que tem edição temática sobre a Comissão Nacional da Verdade (CNV).

No momento em que a CNV completa um ano de trabalhos realizados, a Revista Jurídica da Presidência contribui para os debates sobre a justiça de transição brasileira. No trabalho com o titulo “Retos y límites de las Comisiones de la Verdad de Brasil y El Salvador” Aleksander e Juliana fizeram interessante cotejo entre as comissões da verdade do Brasil e de El Salvador. Ambos alunos são pesquisadores do Núcleo de Estudos Desenvolvimento e Região (D&R), coordenado pelo professor Marcos Costa Lima, e organizam o Grupo de Estudos Centro-americanos junto a esse Núcleo.


A Revista Jurídica da Presidência é um periódico do Centro de Estudos Jurídicos da Presidência, com publicação quadrimestral, voltado à publicação de artigos científicos inéditos, resultantes de pesquisas e estudos sobre a atuação do Poder Público que forneçam subsídios para reflexões sobre a legislação nacional e as políticas públicas desenvolvidas na esfera federal."

acesso a integra da revista aqui
e
acesso ao artigo em particular aqui

Wednesday, 22 May 2013

Reais-ficções de carnaval


Estreia no blog NOTA DE RODAPÉ!
"Fernando perdeu, e a faca, os seus longos dreads. Cortaram só de maldade – como parte da punição que a autoridade sentenciou e executou sem julgamento (...)".

acesse lá em:
http://www.notaderodape.com.br/2013/05/reais-ficcoes-de-carnaval.html

Thursday, 16 May 2013

Whoever has travelled is jealous of Ithaka


"all those on land are eaten up by the vrilletes 
but whoever has travelled is jealous of ithaka

to you i will always return
and if it is not enough
become a boat
so that i can become a port

let us see who will last
and who will play his role best

since you never understood
that you have always been my shield, my bow and my arrow"

Thursday, 9 May 2013

Minha entrevista com Slavoj Zizek na Retrato do Brasil

Nesta ediçao de maio da Retrato do Brasil, a entrevista que Slavoj Zizek (chamada na capa) me concedeu em Recife. Nas melhores bancas! Quando possível disponibilizarei o texto.


Friday, 19 April 2013

Fazendo a cachola trabalhar, de derivações pra outros fins, extrai:


ENTRE PERNAMBUCO E RIO GRANDE DO SUL – CONSIDERAÇÕES SOBRE O “MULTICULTURAL” QUE NÃO SE CONHECE

Uma das características mais celebradas do Brasil que se orgulha de ter em si mesmo tantos Brasis, no limiar de ser estereotipada, é “a imensa diversidade multicultural da nação”. É já quase uma marca em sim mesma, um rótulo, a linha-mestra de um discurso cada vez mais introjetado e repetido para definir o país de uma forma que soe ampla e conectada, da qual muitos governos se servem fartamente, ainda que nem sempre esteja acompanhado da reflexão, e da ação, que o legitime.

Apontar o Brasil assim, celebrando seus universos multiculturais, busca abranger um todo que, paradoxalmente, ainda define pouco. Em entrevista recente a um website brasileiro de notícias, o professor pernambucano de sociologia Fábio Medeiros, falando sobre a pluralidade cultural de Recife, afirma que um dos méritos do multiculturalismo é provocar a interação e gerar a tolerância e o respeito na sociedade.

Como discurso, a importância da expansão do reconhecimento do viés multidentitário brasileiro é fundamental para a consolidação de um projeto de país que se veja, se questione, se respeite. As políticas federais brasileiras nos últimos anos, de fato, tem buscado promover a percepção da multiculturalidade através da afirmação do “local” em relação e com conexão ao “global”.  O estabelecimento de ações como os Pontos de Cultura, valorizando experiências dos mais inusitados recônditos do país e que neste momento está em plena execução, permitiu a potencialização de iniciativas culturais existentes através de redes orgânicas de gestão.

 Mas se hoje somos capazes de começar a perceber os brasis dentro desse universo, não entendemos, por outro lado, sua emergência e sua condição. Prevalece entre os extremos de um país de dimensão continental a observação de sua simples existência e não-raro a isso limita-se e, portanto, se faz  tão exótica do norte para o sul quanto vice-versa.

As pontes entre esses brasis ainda são escassas. O uso da expressão “diversidade multicultural brasileira” parece apresentar-se como um conceito suficiente para muitos e, assim, ignora-se que essa condição deveria servir como provocação para que essa pluralidade de brasis se conheça. Algo que pode se dar a partir de conexões de redes de ativistas e grupos culturais, sim, mas também de política pública formulada e com recurso e estrutura alocada para que o paradigma também seja o das trocas local-local. Hoje, ao mesmo tempo que começamos a nos ver multicultural, não enxergamos os significados e as possibilidades disso.

Quem percebe a importância de, concomitantemente ao discurso, avançar também em iniciativas que efetivamente façam tais conexões? Por que falar em cultura negra do Rio Grande do Sul é vista com olhos de surpresa pela a maioria do cidadão médio pernambucano? O que é o sopapo em Pernambuco? O que é a alfaia no Rio Grande do Sul? As culturas locais são entendidas como nacionais? As singularidades de um país de diversidade cultural devem ser tão particulares ao ponto de gerar em um gaúcho tanto estranhamento ao ritmo e a dança do coco quanto um pernambucano à música nativista? O que é meu como Brasil-local não pode também ser compartilhado e entendido pelo Brasil-nacional?

 Há muito esforço para o reconhecimento e valorização do local e pouca reflexão e ação sobre o que fazer com isso. Entender a si mesmo é entender sua posição em relação ao outro. Hoje, o outro, no mesmo solo nacional, é distante.

No Rio Grande do Sul faz frio, em Pernambuco faz calor. O Brasil que se projeta globalmente limita, entre seus próprios nacionais, sua noção de si mesmo tanto quanto o faria um estrangeiro; que tem o álibi de ser, justamente, um estrangeiro. Entender-se brasileiro não é só entender o Brasil-local, senão imprescindivelmente este local e sua interação, coincidências e diferenças com o Brasil-nacional. Analogamente, trata-se de uma espécie de reprodução em escala nacional interna da posição do país ao continente, pois somos da América Latina, mas grosso modo na consciência identitária brasileira latinos são os outros. Para que os locais assumam sua condição de global não basta apenas valorizar-me pernambucano ou gaúcho e ESTAR, desse modo, brasileiro. É necessário o SER brasileiro, apoiado no espaço local, mas projetado num fim de compreensão integral que só pode se realizar através da experiência concreta, estendendo-se pontes, promovendo trocas e entendimentos das relações de poder e socioculturais.

Se o trinômio sol-samba-futebol ainda é o que povoa o imaginário da percepção cultural-identitária estrangeira sobre o Brasil, qual seria a equação pela qual o próprio país se entende? Ou essa conforma um clichê do qual muitas vezes o próprio país não quer se afastar? Como se procuram, se trocam e se relacionam, por exemplo, o rural, o sertanejo, o bucólico, os pampas e o litoral? Assim como o Brasil de fronteira se caracteriza em sua realidade, (por exemplo, o Brasil sulista com os povos castelhanos do Rio Del Plata) quais são as intersecções e intercâmbios que o Brasil faz ou quer fazer consigo mesmo?

Pensar o mundo não é uma abstração, e deve iniciar-se pela compreensão da pertença a uma unidade nacional, isto é, um todo que se estabelece pela interação das partes; abrir-se para o mundo e dialogar com o global começa trazer o Brasil para cada parte que o compõem e tornar-se cada vez mais parte dele.

Há a necessidade urgente de explicitar o espírito do Brasil através do engajamento em um processo de conhecimento mutuo dos diferentes espíritos dos vários “brasis” – que coexistem no mesmo corpo territorial – e que a partir de permanentes sessões de sincretismo cultural fazem dessas partes um todo consolidado. 

Tuesday, 19 March 2013

Una reproducción *


"Tu “falas” lo mismo amigo.

Es bueno abrir su corazón, es bueno pensar y preguntar pero si nunca sabes contestarte quizás es mejor hacerte otras preguntas.

Un eterno océano de sueños y las coincidencias paralelas: al momento que concluyes con Lubitsch termino de mirar la 38ta Ceremonia de los Cesar.

¿Y sabes que me digo viendo esta gente tan bien vestida que sube y baja para recoger sus premios?

Que un día estaré ahí. Si en dirección! Y tu Clarisse de guionista y tu Zoé en fotografía.

Te sorprenderé quizás, pero ahora como Tiempo y Calma han entrado en mi vida, no me presiono corazón y me pongo una fecha bien lejana: la 52da ceremonia!

En 14 años talvez…

Luego te leo y me pregunto ¿por qué necesito desafiarme así? Así como te preguntas porque necesitas moverte siempre.

Tomo en serio tu reflexión sé que el no entender te vuelve aún más loco pero no puedo impedirme sonreir al leer que tienes saudade del frío cuando yo cada mañana sufro de los – x grados que acompañan mis pasos.

Una vez si, una vez no, así que…¿nos sentamos para tomar un açaí?



Despedirse hará que todo sea más intenso,

Soñar y/o fugar hará que vida no rima con tranquila.

Un tiempo… luego llegarán Nostalgia y quizás su prima la jodida Insatisfacción, ambas empujando y empujando en un callejón sin salida

Y ahí escrito en la pared a bajo de La belleza es tu cabeza

Podremos quizás añadir con nuestra bira, nuestra sangre o nuestra mierda “¿y que mal tenía la normalidad?”"

* que será contestada :)

Tuesday, 12 March 2013

Comunicado de las pandillas salvadoreñas

EN EL DÍA DE MI CUMPLEAÑOS, PASADO NUEVE DE MARZO, INTERESANTE EVENTO EN EL PULGARCITO:

[Al igual que sucedió con los tres anteriores, este comunicado fue rubricado no solo por las pandillas Mara Salvatrucha 13 y Barrio 18, sino también por otras tres de menor incidencia que operan en El Salvador: Mao-Mao, Mara Máquina y La Mirada Lokotes 13. En esta ocasión se sumaron “los privados y privadas de libertad de origen común”. El texto fue leído en una conferencia de prensa que tuvo lugar en el Centro Penitenciario La Esperanza (más conocido como Mariona) el sábado 9 de marzo de 2013, cuando se cumplía el primer aniversario desde que el Gobierno de El Salvador sacó de Zacatraz a las estructuras de las dos principales pandillas, y con ello se activó la tregua.] 
  
***
Los voceros nacionales de las pandillas MS-X3, Barrio 18, Mao-Mao, Máquina, Mirada Locos y los privados y privadas de libertad de origen común al pueblo salvadoreño y demás pueblos del mundo comunicamos: 
  1. Que este día 9 de marzo de 2013 se cumple un año de haber iniciado el proceso de tregua y de paz que tuvo su origen en un acuerdo suscrito entre la MS-13 y el Barrio 18, facilitado por Monseñor Fabio Colindres y el escritor Raúl Mijango; acuerdo al que con posterioridad se fueron sumando los privados y privadas de libertad de origen común y las pandillas Mirada Locos, Mao-Mao y Máquina.
  2. Que el proceso que hoy celebra su primer aniversario, en la medida que se ha ido desarrollando, se ha convertido en la acción más eficaz para la prevención de violencia, situación que ha permitido la transformación de la imagen de El Salvador, pues ya no somos el segundo país más violento de la Tierra, como fuimos calificados a principios del año 2012; en tan solo un año, se ha logrado la disminución en la tasa de homicidios de 68 fallecidos por causas de violencia por cada 100 mil habitantes a una tasa de 25, lo cual representa una disminución que supera el 50%, y nos coloca en el promedio de otros países latinoamericanos.
  3. Entre los hechos más visibles que este proceso destaca podemos citar:
    1. Disminución de más del 50% en la tasa de homicidios, que ha permitido ahorrarle a la sociedad salvadoreña la pérdida de 3,028 vidas, las cuales, si no se hubiese abierto este proceso, se habrían perdido.
    2. Estabilidad en los Centros Penitenciarios, pese al hacinamiento y las condiciones inhumanas en la que los privados de libertad purgan sus penas.
    3. El que hayamos entrado a una segunda fase, en la cual ya se han suscrito Pactos Locales por La Vida y La Paz en 6 municipios, siendo estos: Ilopango, Santa Tecla, Quezaltepeque, Sonsonate, Puerto de La Libertad y hoy Apopa; en los cuales nos hemos comprometido a trabajar por reducir hasta eliminar todo tipo de práctica delictiva que provenga de las estructuras de pandillas que en esos municipios tengan presencia.
  4. Hace un año pedimos perdón a la sociedad por todo el daño y dolor provocado por nuestras acciones y les solicitamos el beneficio de la duda y que nos permitieran reinsertarnos social y productivamente para apartarnos del camino equivocado por el que hemos transitado y así podernos convertir en personas de bien que se ganan el sustento diario de manera lícita con el sudor de su frente, para poder contribuir a la recuperación económica del país. Agradecemos las expresiones sociales que ya se comienzan a manifestar en respuesta a lo solicitado; saludamos y agradecemos la creación de la Iniciativa Pastoral Por La Vida y La Paz, que reúne a Iglesias de diferentes denominaciones, la creación de la Fundación Humanitaria y muy en especial saludamos a los Alcaldes y Concejos Municipales y a las diferentes expresiones de las fuerzas vivas que en cada municipio han tomado la valiente y patriótica decisión de incorporarse a la lucha por recuperar la paz.
  5. Agradecemos a la Organización de Estados Americanos OEA, y en particular a su secretario general, José Miguel Insulza, y al secretario multidimensional, Adam Brackwell, por el acompañamiento que dan al proceso en su rol de observadores y garantes. Así mismo, agradecemos a los organismos multilaterales y agencias de cooperación por la disposición de apoyo al proceso que han manifestado; de igual forma, a los medios de comunicación nacionales e internacionales por la difusión que han dado al proceso; y también a las autoridades, que han facilitado que esta novedosa vía para reducir violencia pueda desarrollarse, a todos mil gracias.
  6. A todos los que nos han proporcionado el beneficio de la duda y han creído en lo virtuoso de este proceso porque de él todos salimos ganando, con excepción de aquellos que se lucran de la violencia, les reiteramos que no les fallaremos. Hemos comprometido lo más valioso que tenemos que es nuestra palabra y no escatimaremos esfuerzos por hacerla cumplir. Reconocemos que el proceso aún presenta imperfecciones, como sucede con toda obra humana, pero nuestro desafío es ir superando esos problemas y hacer que este proceso continúe su marcha hasta alcanzar el más preciado de los anhelos de todos los salvadoreños, que es vivir en paz. Los ataques públicos y privados que los detractores de este proceso realizan para hacerlo fracasar no nos detendrán, nuestra decisión y voluntad de transitar por el camino de la paz es firme e indeclinable, porque estamos convencidos de que el camino de la violencia ya no es una buena opción para nadie.
  7. Con el propósito de materializar hechos que reafirmen nuestra buena voluntad, queremos informar que en próximas horas estaremos haciendo la entrega voluntaria de un total de 267 armas de diferentes tipos y municiones a los facilitadores y a la OEA, para que estos se las entreguen a las autoridades salvadoreñas.
  8. A todos los que han expresado preocupación por la sostenibilidad de este proceso, les queremos expresar que la misma no depende de nosotros, sino del involucramiento de ellos dando su aporte para hacerlo sostenible; en este desafío nacional por alcanzar la paz no hay lugar para espectadores; por tal razón, reiteramos nuestro llamado a todos los que no se han involucrado a que lo hagan. La Paz solo será posible si todos los salvadoreños nos volvemos protagonistas y nos apropiamos del proceso para alcanzarla. Nosotros ya estamos haciendo lo que nos corresponde, la pregunta que todos los demás deben de hacerse es qué están haciendo ellos por la paz.
El Salvador, 9 de marzo de 2013.
http://cronicasguanacas.blogspot.com.es/2013/03/decimo-comunicado-de-las-pandillas.html