Friday, 17 August 2012

Textos curtos para Ítaca XXVI


Um futuro-presente projeto literário. “Textos curtos para Ítaca” é a primeira materialização de uma das várias e extensas ideias em literatura, essencialmente em prosa, mas com flertes em verso, colecionadas ao longo da jornada até Ítaca. Em fato, os projetos para contos e novelas e outras literaturas de longo fôlego, ainda estão em fase sketch, talvez nem maquete, e irão tomando forma ao ritmo das circunstâncias que, sim, podem tardar como já tardam, mas ainda virão. Enquanto isso, num dia e momento aleatório, curiosamente com menos atraso, vão tendo agenda as mini-experiências em poesia e verso, do qual, lenta e despretensiosamente, faço um laboratório neste blog (único espaço onde o critério editorial é totalmente meu... ). Algum dia também ganharão forma impressa, sempre ao ritmo das possibilidades e, no dizer de Konstantinos Kavafis, do rogar por uma rota longa. Mas em textos curtos.


Fato lírico

Minha casa fica entre a Rua da Aurora e a Rua da Saudade.

E isso não é poesia.

Tuesday, 14 August 2012

Give it a read: Latin American Bureau

Latin America Bureau (LAB) is a London-based independent research and publishing organisation. We work to broaden public understanding of issues of human rights, development, culture and social and economic justice in Latin America and the Caribbean. LAB has been publishing original books and running education programmes, workshops and events for more than 30 years.

I am a supporter and a collaborator of it. And a reader! :)



Latin Americans living in London and the UK have long been a largely invisible and unrecognised community. The ethnicity box In the UK census form does not include ‘Latin American’, let alone any of the range of ethnicities that comprise being Latin American. It’s not surprising that there is no accurate information available on the number of Latin Americans living in the UK (estimates range up to a million) and that this community has been largely ignored by the government and mainstream society.

This situation is slowly changing and as Latin American culture is becomes more visible, communities are starting to fight for their right to be recognised alongside other minority groups in the UK. Alianza Iberoamericana promotes a campaign of the Thee Rs: Recognition, Respect and Regularization for the Latin American and Spanish- and Portuguese- speaking communities living in the UK. They highlight some very interesting facts: for example in the borough of Lambeth, Portuguese is not taught in any secondary school despite the fact it is by far the largest minority language spoken there.

The first wave of Latin Americans came to the UK as exiles from the Southern Cone dictatorships. Subsequent waves of migration have included Colombians and Ecuadorians in the 1980s and 1990s, with many of them claiming asylum, although this is rarely granted. In recent years the majority of new arrivals have been economic migrants, with Brazilians forming the largest nationality group, with secondary migration from other European Union countries, especially Spain, adding to the numbers.

Pioneer in supporting this significant, although legally unrecognised, ethnic minority group in British society is IRMO, a charity based in South London that works with Indo-american refugees and migrants. John Perez, one of their directors, explains the issues to LAB’s Nayana Fernandez (Listen here).

Latin American women in the UK face multiple discrimination. The Latin American Women’s Rights Service spoke to LAB (read more) about their work and their report “No Longer Invisible” (The full report can be downloaded here), which is the most comprehensive research on London’s Latin American community undertaken to date providing a picture of considerable hardship, discrimination and social exclusion.

La Casa Latina offers legal and advisory services, training, childcare and cultural activities to the Latin American community. Their online magazine, Ventana Latina, is dedicated to reinforcing Latin American identity in the Diaspora. Read more.

Lucila Granada, a long term LAB collaborator and PHD student has researched the links between language, identity and integration among the members of the Latin American community of London. She explores the problem of language as an obstacle for the integration of many Latin Americans in British society. Read more.

Braziliality, a non-profit organization, promotes Brazilian artists and others inspired by Brazil. Alicia Bastos, its founder, artistic and management director talks about about how culture becomes part of the identity of the Brazilian diaspora. Read more.

Latin American culture and music in London are constantly transforming and adapting to new influences. Movimientos combines live music with documentary film to raise awareness about social and political issues in the region . The bands signed to their label are represent a fusion of Latin American, London-based and other global sounds Read more.

A short video produced by LAB’s Nayana Fernandez  contains brief interviews  with11 Latin American immigrants based in London. From different backgrounds and from various countries in the region, including Argentina, Brazil, Colombia, Ecuador, Honduras and Peru, they tell us about their reasons for moving from their home country and their impressions and experiences of living in the UK. Watch here.

A second video we recommend to LAB readers is called  “La Gran Historia” - episode 9, produced in Spanish by HispanTV and presented by Javier Farje, from LAB. It is a 24-minute programme on the effects of Latin American culture in the UK and its interaction with British culture.

Finally, in this cornucopia of cultural riches, LAB has drawn together a brief directory of organisations, events and their web-links Read more.

Monday, 30 July 2012

A viagem não acaba nunca


« A viagem não acaba nunca. Só os viajantes acabam. E mesmo estes podem prolongar-se em memória, em lembrança, em narrativa. Quando o viajante se sentou na areia da praia e disse: “Não há mais que ver”, sabia que não era assim. O fim da viagem é apenas o começo doutra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na Primavera o que se vira no Verão, ver de dia o que se viu de noite, com sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados, para os repetir, e para traçar caminhos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre. O viajante volta já.»
(José Saramago)

Wednesday, 27 June 2012

Cinco anos de blog "livre porque vivo fugindo"

Hoje é dia 27 de junho. De 2012. Há cinco anos, num dia mais cinzento e chuvoso que hoje em Recife, pese ser primavera por lá, iniciava este blog em Londres. Faz um ano e quase meio que estou no Brasil agora, depois de quase seis anos fora entre Catalunya, UK e Centroamérica, e esse Brasil de hoje  não é o meu de origem, senão um que fica uns vários mil quilômetros de distância da cidade natal. Quero escrever neste "aniversário" sobre voltar, não-voltar, rejeições, impressões, violações, hipertensões, de forma avaliativa e reflexiva, e enquanto isso,  pra não deixar passar em branco, apenas lembro:

"Sou livre, porque vivo fugindo".



Wednesday, 6 June 2012

O "cheiro", carícia nordestina


Ainda é vulgar entre o povo do Nordeste brasileiro dizer-se cheiro em vez de beijo. O “cheiro” é uma aspiração delicada junto à epiderme da pessoa amada, crianças em maioria. As narinas sorvem o odor que parece ao enamorado perfume indizível. As mães humildes pedem sempre aos filhinhos o “cheiro” tradicional. Dê cá um cheirinho pra mamãe!… Um cheiro, filhinho, para mamãe.

Naturalmente, gente grande não desaprende a técnica e apenas muda a orientação. Eu ainda dou um cheiro no cangote daquela malvada…

Pereira da Costa, Vocabulário pernambucano, explica no verbete “Cheiro”: – “Cheirar carinhosamente alguém: Dar um cheiro. “Recebe somente um cheiro/ No cogote extraordinário,/ Pelo teu aniversário.” (Jornal do Recife, nº 205, 1912). “Deram um punhado de abraços e cheirosem Arlequim, e se foram na maciota.” (idem, nº50, 1914).

Moraes não registrou. No Pequeno dicionário brasileiro da língua portuguesa, 2ª edição, 1939, está: “Cheiro (Bras. Nordeste) – Aspiração voluptuosa.” Qual será a origem desse cheiro popular no nordeste brasileiro?

O beijo é asiático. Veio com os cultos orgiásticos de Vênus. Da Fenícia para Pafos e Citera. Chipre e Citera foram os santuários irradiadores para a Grécia. A Fenícia espalhara a sua Astarte lunar para as ilhas, Ásia Menor, Mar Negro. O beijo popularizou-se devagar. Como cortesia ou homenagem, divulgou-se com a conquista macedônica. Os macedônios de Alexandre Magno estavam devotos do cerimonial persa.
Da Grécia o beijo viajou para Roma, onde foi um soberano. Maior documentação poética despertou o beijo entre os romanos do que entre os gregos. Não existe poema na Grécia, como este Ad Lesbian, de Caio Valério Catulo, nascido em Verona no ano de 87 antes de Cristo e falecido depois em 47:


Da mi basia mille, deinde centum;
Dein mille altera, dein secunda centum;
Dein usque altera mille, deinde centum;
Dein cum milia multa fecerimus;
Conturbabimus illa, ne sciamus,
Aut ne quis malus invidere possit,
Cum tantum sciat esse basiorum.

“Dá-me mil beijos, em seguida cem, depois mil outros, depois outros cem, ainda mil, ainda cem; então, depois de milhares de beijos dados e recebidos, confundimos tão em o número que, ignorada dos invejosos e de nós mesmo a conta exata dos beijos, não possa excitar a sua inveja”.
Não teve o philhema grego o prestígio do osculum romano.
De sua velhice como saudação, há o gesto de Judas beijando Jesus Cristo no horto de Getsemani.
Não sei se os negros africanos conheciam o beijo. Creio que não antes dos árabes ou os negros setentrionais, pela expansão de Cartago e das águias de Roma.
O indígena brasileiro não beijava. Langsdorff ensinava que o tambetá, o adorno labial, impossibilitava o ósculo. Dezenas e dezenas de povos não sabiam o que era o beijo, no Taite, Nova Zelândia; papuas, tasmanianos, os aranda do centro da Austrália, os semangda península malaia, os hotentotes namáquas da África sul-ocidental. O maori da Nova Zelândia esfrega o nariz no nariz da namorada. A moça aino do norte do Japão dá dentadinhas amorosas nos dedos, braço, orelha e lábios do seu noivo ou candidato.

No nheengatu não há correspondência verbal para o beijo. Stradelli escreveu Piteresaua, que é verdadeiramente chupamento, ato, ação de sorver, chupar, de pitera, chupar (Batista Caetano de Almeida Nogueira). Nos vocabulários recentes há Pitera nas duas acepções, chupar e beijar (Tastevin). Podia existir o cheiro entre os tupis mas não encontro rasto em livro e conversa. A sinonímia da “boa-língua” não permite a suposição. O tupi conhecia como sinônimos de cheirar ou especificações do cheiro, odor, ocetum, sakena, genéricos, a catinga, cheiro de seres animados, o pixê, dando a sensação enjoativa, repugnante, o inema, o mau olor, o fedor, de podre. Como afago, nada diz.

Se não tivemos o cheiro cariciante dos indígenas nem dos negros africanos (ignorando se usavam o beijo antes dos árabes), resta o português como portador do mimo.
Há, entretanto, dois povos que empregam o cheiro, a aspiração, como uma meiguice. Há o esquimó, cheirando a moça e vice-versa, como carícia. Assim registrou Mrs. R. E. Peary no My Artic journal (New York, 1893). E há o chinês.
Não traria o português o uso desse dengue dos inuit das margens da América ártica ou da Groenlândia. Lógico é que o fizesse dos chineses, povo muito seu conhecido e freqüentado, desde o século XVI.
Há um depoimento vivo do velho Venceslau de Morais, o solitário de Tokushima, apaixonado pelo Japão, devoto do Oriente, onde ficou e morreu. Venceslau de Morais foi o Lafcadio Hearn de Portugal.
Venceslau de Morais registra em Traços do Oriente (19-21, Lisboa, 1895) a origem do “cheiro”: – “os chineses não dão beijos… Não dão beijos, ou dão-nos de uma maneira muito diferente da nossa, sem o uso dos lábios, mas aproximando a fronte, o nariz, do objeto amado, e aspirando detidamente… O china beija o filhinho tenro, beija a face pálida da esposa, como ele é nós beijamos as flores, aspirando-lhes o perfume; a assimilação é graciosa… Tendo agora por conhecida, e é coisa que não se contesta, a extrema agudeza olfativa dos chineses (os negociantes cheiram as moedas de ouro que julgam falsas, e assim conhecem o grau maior ou menor da liga de cobre), podemos talvez conceber uma vaga idéia do prazer da mãe, respirando sobre a carne fresca do filho um ambiente que ela não confunde como outro; o prazer do mandarim apaixonado, conquistando à brisa o perfume de uns cabelos negros, que ele aprendeu a adorar.”

Não sei de outra fonte e de outro povo para a presença do cheiro dengoso do nordeste. Não creio forçar a lógica etnográfica imaginar que o português, tradicional sabedor e vivedor na terra sagrada da China mandarina, tenha reunido aos múltiplos e sabidos processos de acariciar mais esta forma delicada e voluptuosa do beijo sem lábios.
Resta-me saber é se o português, que trouxe esta carícia chinesa para o nordeste do Brasil, deixou o cheiro nalgum recanto de Portugal.


Cascudo, Luís da Câmara. Superstição no Brasil. São Paulo, Editorada Universidade de São Paulo, 1985, p. 208

Friday, 18 May 2012

El Salvador gangs celebrate a day without murders - in pictures

Two of the largest rival gangs in El Salvador have recently called a truce, leading to its first murder-free day for years.

In "The Guardian" - http://www.guardian.co.uk/world/gallery/2012/may/09/el-salvador-gangs-in-pictures


Wednesday, 16 May 2012

Textos Curtos para Ítaca XXV


Um futuro-presente projeto literário. “Textos curtos para Ítaca” é a primeira materialização de uma das várias e extensas idéias em literatura, essencialmente em prosa, mas com flertes em verso, colecionadas ao longo da jornada até Ítaca. Em fato, os projetos para contos e novelas e outras literaturas de longo fôlego, ainda estão em fase sketch, talvez nem maquete, e irão tomando forma ao ritmo das circunstâncias que, sim, podem tardar como já tardam, mas ainda virão. Enquanto isso, num dia e momento aleatório, curiosamente com menos atraso, vão tendo agenda as mini-experiências em poesia e verso, do qual, lenta e despretensiosamente, faço um laboratório neste blog (único espaço onde o critério editorial é totalmente meu... ). Algum dia também ganharão forma impressa, sempre ao ritmo das possibilidades e, no dizer de Konstantinos Kavafis, do rogar por uma rota longa. Mas em textos curtos.


A passeio

Sempre no andar de cima quando cruzar a Waterloo Bridge,

olhos cheios dos dois lados do rio.

Antes outro letreiro de fast-food

prometendo carne 100% Halal

outro grafiti do Banksy, emoldurado em rua escura,

a larga janela do ônibus também parece uma moldura

com tanto vermelho infernal.

E abaixo, o mundo,

 e todos seus guarda-chuvas.

Sunday, 13 May 2012

Mae, nao há tempo...

Mothers´s day in Brazil today, and always in my heart.





Monday, 16 April 2012

Una cumbre para evidenciar distancia entre Norte y el Sur

En ContraPunto - El continente americano está dividido entre norte y sur, entre la América anglosajona y la América Latina. Y no solo es una división geográfica y cultural; también las visiones políticas sobe asuntos cruciales marcan una distancia entre ambas regiones que, lejos de disminuir, se va acrecentando con el tiempo.


La posición ante Cuba, las políticas económicas y de desarrollo, el conflicto entre Argentina y Reino Unido por las islas Malvinas y la estrategia de lucha contra el narcotráfico son algunos de los temas polémicos que se han tratado en la VI Cumbre de las Américas que se celebró este fin de semana en Cartagena de Indias, Colombia.


Es un paso más en un proceso que viene desarrollándose en la última década, que presenta una América Latina menos influenciable por los designios del gobierno de la primera potencia mundial.


Los países buscan otras relaciones más equitativas e incluso algunos se declaran abiertamente como opositores de la mayoría de políticas impulsadas desde Washington.


Oficialmente, la reunión estaba planteada sobre cinco ejes temáticos que tienen que ver con el desarrollo económico, la equidad, el acceso a la tecnología y la integración, bajo el lema “Las Américas interconectadas como socios para la prosperidad”.


Tras los foros y reuniones previas, las sesiones de comparecencias de los jefes de Estado fueron privadas. En un hecho sin precedentes, los mandatarios hablaron a puerta cerrada, sin prensa.


Tras las conversaciones, no fue posible una declaración final conjunta y consensuada, lo cual, según analistas citados en medios internacionales, evidencia una división entre norte y sur del continente que cada vez es mayor, sobre todo empujada por el afán que tiene América Latina de emanciparse del poder estadounidense.


Paradójicamente, fueron dos asuntos que no estaban en esa agenda oficial los que impidieron esa declaración unánime; Cuba y el conflicto entre Argentina y Reino Unido por las islas Malvinas.


En este último caso, la presidenta argentina, Cristina Fernández, dejó claro que no estamparía su firma en ningún documento que no incluyera una mención a la pugna histórica que libran ambos países por el archipiélago del Atlántico Sur, conflicto avivado en los últimos meses por el envío de un barco de guerra británico a la zona.


En el caso de la no inclusión de Cuba en la cumbre, ello propició la inasistencia de los presidentes de Nicaragua y Ecuador, Daniel Ortega y Rafael Correa, mientras que el presidente venezolano, Hugo Chávez, se excusó por sus problemas de salud. El presidente de Bolivia, Evo Morales, criticó duramente la exclusión de la isla en su comparecencia.


Cuba, tan presente como ausente


La no inclusión de Cuba es una constante en los foros continentales en los que está Estados Unidos, cuyo veto al gobierno caribeño no solo se traduce en un bloqueo económico y comercial que dura medio siglo, sino que se extiende al ámbito de la diplomacia.


Desde la primera Cumbre de las Américas, promovida por el ex presidente de Estados Unidos Bill Clinton en 1994, el gobierno de Cuba ha estado excluido de la misma.


Sin embargo, Latinoamérica no parece dispuesta a que la situación continúe, y ha dejado meridianamente claro al gobierno estadounidense que si quiere organizar reuniones continentales deberá incluir a Cuba.


En su discurso de apertura del evento el sábado, el anfitrión, Juan Manuel Santos, presidente de Colombia, planteó, por un lado, que sería “inaceptable” una próxima Cumbre de las Américas sin Cuba y consideró que “el embargo” de Estados Unidos a la Isla ha demostrado su “ineficacia”, y que “en el mundo de hoy no se justifica ese camino, (…) un anacronismo que nos mantiene anclados a una era de Guerra Fría superada hace varias décadas”.


La respuesta del presidente estadounidense, Barack Obama, se limitó a pedir democracia para la isla. Para Obama, en precampaña para las elecciones presidenciales del próximo mes de noviembre, el tema de Cuba es en este momento completamente inabordable, pues cualquier concesión al diálogo sería utilizada en su contra por sus contrincantes republicanos.


Ese mismo día, un grupo de países integrado por Venezuela, Nicaragua, Ecuador y Bolivia, dejaron claro que no asistirán a más cumbres de este tipo sin la presencia de Cuba,


"Manifestamos nuestra decisión de no participar en las próximas Cumbre de las Américas sin la presencia de Cuba", decía la declaración conjunta de estos países.


El tema ha sido una de las constantes en la cumbre, llegando a calar la sensación al final de la misma de que no habrá otras en el futuro si no se soluciona este punto, es decir, si Estados Unidos y Canadá, principales opositores a la participación del gobierno cubano, no flexibilizan su posición.


Y es que no solo los países de la Alianza Bolivariana para los Pueblos de Nuestra América (ALBA) han mostrado esa posición.


Otros gobiernos poco sospechosos de ser enemigos de Estados Unidos, como el de Colombia, se pronunciaron en ese sentido. En definitiva, quedó claro que el tratamiento que se da a Cuba en el continente marca claramente una escisión profunda entre Norteamérica y América Latina.


Y esto lo ilustra la posición sentada por alguien poco sospechoso de ser enemigo u opositor a los interese de Estados Unidos: el presidente de El Salvador, Mauricio Funes.


En su comparecencia de este domingo ante el resto de mandatarios, Funes se puso en sintonía con Santos al considerar que la exclusión de Cuba de este foro constituye “una deuda histórica” que debe ser subsanada.


“Cuba es parte inescindible del cuerpo y el alma latinoamericanos y miembro pleno por geografía, por derecho y por historia del continente americano”, proclamó el mandatario.


También argumentó que “para contribuir al bienestar del pueblo cubano y a su grandeza debemos promover su integración al proceso de unidad regional y continental”.


Lea también en El Faro: América acuerda crear un centro interamericano contra el crimen organizado



Por tanto, declaró solemnemente Funes, “El Salvador, como ya lo han hecho otras naciones de este hemisferio, aboga por la participación de pleno derecho de Cuba”.


“Aspiramos, entonces, que en la próxima edición de esta Cumbre, la representación del hermano pueblo cubano pueda sumarse al esfuerzo de integración regional con el que todos estamos comprometidos”, añadió.


La próxima Cumbre de las Américas está prevista en Panamá en el año 2015. Quiere decir que, si Obama es reelegido, ya sin presiones electorales, tiene la oportunidad de avanzar hacia un entendimiento diplomático mínimo con Cuba que al menos permita algo en este momento imposible; que él y el jefe de Estado cubano puedan hacerse una foto juntos, aunque sea rodeados por otros presidentes.