Tuesday, 5 October 2010

Nuevo texto mío en Panorámica Social

El sitio español Panorámica Social, un proyecto de la Fundación Cultura y Comunicación (Madrid), publica mi sexta contribución.


El texto fue previamente utilizado aquí en mi blog, y luego enviado a la publicación.


“Los 72 inmigrantes masacrados en Tamaulipas en el norte de México el pasado agosto, cerca de la frontera con los Estados Unidos, no es el primer crimen de este tipo, pero (…)“es un grito, parte de un coro reiterado que por fin llegó a los oídos de todos. (…) el más reciente de un largo eslabón de secuestros y asesinatos de migrantes por parte de grupos de crimen organizado en México”.

La apatía y comportamiento blazé de Brasil ante el caso es triste y sintomática de un país que, al fin y al cabo, está apartado del contexto, stricto sensu, latinoamericano. Sin embargo, en Centroamérica, la situación es bien distinta.”


Lea el texto completo en el website de Panoramica Social.

Monday, 4 October 2010

Quem subestimou a Marina? Quem tem medo da Marina?

Ok, não foi no primeiro turno. A verdade é que a tal “onda verde” (?) surpreendeu mesmo. Desde ortodoxos até cristãos novos.


Essencialmente, isso não muda o quadro. Dilma será a primeira mulher na presidência do Brasil. E tem quem ser. Não há como, sejamos sensatos, não votar na Dilma agora. Tudo o que o Brasil não precisa é de um retrocesso e de uma política exterior submissa que a “social-neoliberal-democracia” de Serra & Cia representariam – e executariam - se chegassem ao governo.

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Agora, antes sentar no Planalto no dia 1 de janeiro, Dilma terá que ter uma conversa de mulher pra mulher (coloco nesses termos apenas para destacar que essa é uma eleição feminina) com a Marina. Sim, a Marina é, como todos sabem, para utilizar uma expressão inglesa, a “king maker (neste caso, a “queen maker”). Os votos dos seus eleitores, agora postos entre aquela típica Cruz e Espada de segundo turno, definirão a eleição.


Houve uma subestimação do poder de voto da ex-ministra do Meio Ambiente, da ex-lutadora ecológica ao lado de Chico Mendes. Inclusive da minha parte, porque me parecia exagerado o medo dos petistas (vide várias analises na mídia de esquerda nos dias prévios da eleição) da aposta da grande imprensa em dar um gás para Marina como estratégia de levar a coisa pro segundo turno. Achei que o PV não tinha essa bola toda.


E não tem mesmo. Mas a estratégia tucana deu certo. Mas não por causa do PV e sim, obviamente da Marina. Sim - “petistas tremam” - foi a Marina quem bombou. E por isso não cola a tentativa de alguns analistas de “esquerda” de tentar vender a idéia de que a onda verde é produto do Partido Verde.


Ora, o editorial do Carta Maior de hoje, por exemplo, escrito por Vladimir Safatle, se passou:


"Wall Street" (o filme) foi feliz em descrever esta nova rearticulação entre agenda ecológica e mundo financeiro. Ela talvez nos explique um fenômeno político mundial que apareceu com toda força no Brasil: a transformação dos partidos verdes em novos partidos de centro e o abandono de suas antigas pautas de esquerda.

No Brasil, vimos a candidatura de Marina Silva impor-se como terceira via na política. Ela foi capaz de pegar um partido composto por personalidades do calibre de Zequinha Sarney e fazer acreditar que, com eles, um novo modo de fazer política está em vias de aparecer. Cobrando os outros candidatos por não ter um programa, ela conseguiu esconder que, de todos, seu programa era o economicamente mais liberal.”


Por favor... Quer me dizer agora que o fenômeno Marina é o resultado da suposta “onda verde mundial”?


Pra começo de conversa, resgatar a discussão sobre a “terceira via”, nessa altura do campeonato, é de lascar. Soa mais como uma tentativa de tentar esvaziar a importância e o êxito pessoal da Marina. E, falando sério, se a coisa vai desbandar pra esse nível, quem pode ser mais terceira via que o PT? Que partido de relevância hoje no espectro político, talvez até mundial, pode ser apontado como o mais próprio exemplo de transformação em direção ao centro senão o próprio PT? E (será que li bem?) há uma critica ao fato de que Zequinha Sarney está no PV? Mas até onde vai a cara de pau das pessoas... E o Collor não foi votar todo faceiro com um adesivo da Dilma? E a Executiva Nacional do PT não tocou o “foda-se” para a greve de fome do militante histórico Manoel da Conceição, no Maranhão, quando esse se indignou com a aliança goela abaixo nesse estado com a família Sarney?


Tá bem, o programa econômico do PV é liberal. Sim. E desde quando o programa do PV, na economia ou em qualquer outro setor, preocupa o PT? Resposta: desde quando uma personalidade aglutinadora e competente como a Marina decide chutar o pau da barraca e disputar a eleição presidencial!


A verdade: os petistas estavam com medo e seguem estando. Nem de longe a votação do PV se trata de onda ecológica no Brasil – as outras votações dos verdes foram inexpressivas. É um êxito pessoal da Marina e uma pedra no sapato do PT.


E que paradoxo! Marina poderia – talvez até deveria – ser a candidata do PT a presidência nestas eleições. Mas o Lulismo não tem limites e porque ela “saiu da linha”, no entendimento da cúpula do partido do Lula, digo, do PT, ela acabou indo fazer barulho em outros quintais, com alguma incorecencia, é verdade, (afinal, o PV sempre foi o PV...) mas conseguiu dar a Lula & Cia (sim, assim como Serra, Lula também tem sua companhia...) o seu recado.


E agora, quando a porca torce o rabo, começa o “chamamento a militância”. Agora vem todo o apelo emocional petista que de fato funcionava quando o PT não era apenas mais um (Alias, essa frase foi slogan do PT em um tempo perdido...). Agora vem Lula com todo o pau na campanha, vem comícios de massa, vem o discurso da “revolução democrática”, vem a tentativa de resgatar uma idéia do PT que está enraizada no imaginário popular mas que de fato já não existe. E vão fazer isso na cara-dura, sem escrúpulos.


Contudo, é a estratégia correta. Vou votar, como todo brasileiro de bom-senso, na Dilma. Em segundo turno não se brinca, e o presente e futuro do Brasil é coisa séria. É melhor um pássaro na mão do que dois voando...

Saturday, 2 October 2010

Às urnas! Mas, definitivamente, já temos PRESIDENTA

Dilma Roussef será a primeira mulher na presidência do Brasil. No primeiro turno será sua vitória nas eleiçoes de amanha. Sim, está consumado. Todos nós brasileiros já sabemos.


Não fiz deste blog um espaço de opinião sobre as eleições gerais brasileiras porque já há mais do que suficiente gente tratando do tema na mídia e na internet de todo o mundo. Mas na véspera da votação, da qual eu também participarei desde aqui de Londres, faço minha nota.


Lula, pese todos os pesares, é de fato um fenômeno. Conseguiu definitivamente ser maior que o PT, conseguiu entrar definitivamente para a história não só nacional como mundial, conseguiu definitivamente transferir sua popularidade para a “tecnocrata sem-graça” (de acordo com a revista The Economist -UK desta semana) que era a Dilma e a mulher será a primeira presidenta brasileira. Todo mundo sabia que o desafio do Lula (e do PT neste caso) era esse: transferir sua popularidade para seu candidato sucessor. Lembro de conversar sobre isso em El Salvador, em 2008, quando me perguntavam sobre o que passaria no Brasil depois da Era Lula. E ai está.


Agora, também é digno de nota o editorial do site Carta Maior do dia 29 de setembro sobre as últimas horas antes da eleição no qual faço breves comentários sobre alguns trechos selecionados:


“Objetivamente, o conservadorismo nativo não tem nenhuma proposta, nenhum projeto capaz de mobilizar uma virada estatisticamente colossal, que envolveria a migração oito milhões de votos.


Resta-lhe, porém, uma endogamia publicitária apoiada em duas frentes, cujo desfrute mútuo produz efeitos não subestimáveis; a saber:

I) soterrar os avanços sociais e econômicos dos últimos oito anos num 'mar de lama' cenográfico, anabolizado pelo dispositivo midiático até o dia da votação;


É fato. Única estratégia mais ou menos viável para uma oposição perdida e sem projeto. Mas deslegitimar um fenômeno mundial, Lula, não é fácil. O cara pode ser inclusive o primeiro brasileiro a ganhar um prêmio Nobel!


Tentou- se tanto por ai que a coisa atingiu níveis incríveis: a grande mídia brasileira abriu seu voto, revelou suas posições, deixou de lado o discurso hipócrita da imparcialidade. A Folha de São Paulo e o Estadao fizeram história com seus editorias de setembro abrindo voto para José Serra e criticando o PT.


II) usar --o termo é tristemente esse-- 'usar' Marina Silva como glacê verde do udenismo lacerdista, emprestando-lhe um frescor de photoshop que a direita nunca teve neste país e Serra, naturalmente, foi incapaz de suprir.


Sim, a aliança de forças pró-Dilma também inclui remanescentes da direita e centro direita abrigados em partidos aliados. A diferença na história é sempre quem detém a hegemonia do processo.


Do lado de Dilma, em última instancia, são os sindicatos operários e os movimentos sociais que concentram uma capacidade de mobilização capaz de fazer a diferença no prato da balança política."


Tchê, essa é difícil. Tá certo que a Carta Maior é pró-governo. Agora, o PT, companheiros e companheiras, tem como “diferença no prato da balança política”, não a generalidade dos movimentos sociais do país. Os combativos não esta lá porque não toleram alianças com gentes ou forças políticas degradantes como José Sarney, Renan Calheiros e Fernando Collor.


Ok, Lula é um fenômeno, bla-bla-bla. Mas a falta de escrúpulos petistas em nome da famigerada governabilidade – palavra que esteve tão na moda logo antes da primeira eleição do Lula – atingiu níveis inacreditáveis.


A esquerda brasileira ainda terá muita estrada pela frente até se entender, até encontrar o sentido profundo do "lulismo" no espectro político e saber o que fazer com ele. Há várias reinvenções políticas em curso no mundo e o Brasil faz parte dos papeis principais nesse jogo. No dizer do filósofo Slavoj Zizek, “o espaço da sociedade como conhecemos está para terminar e é tempo para interpretações mais radicais”. Isso, também definitivamente, se aplica ao Brasil e a esquerda nacional.

Thursday, 30 September 2010

Alguém pra chamar de mestra – Réquiem para Edith Barreto

“Aleksander, como definimos a representação da base categorial que conformam as relações gramaticais entre as estruturas profundas?”


Lembro do jeito firme, seguro e – sempre – elegante que ela tinha de pronunciar meu nome. Esqueçamos o medíocre sujeito e predicado. Fui apresentado, por ela, embasbacado, ao Sintagma e ao conceito de unidade sintática. Dai veio o cosmos... a Gramática Gerativa, criticas aos modelos distribucionistas, o próprio Noam Chomsky (e o conheci assim, um lingüista divisor de águas, muitos antes de saber de sua versão política), diagramas arbóreos: era a Língua, a Lingüística; era um universo inteiro que se revelava, passava a fazer sentido. Graças a ela.


Foram várias vezes em que ela teve que fazer com que eu voltasse à Terra quando viajava demasiadamente empolgado em discussões nas salas da Faculdade de Letras da UFPel pelo universo da Pragmática e da Estilística. Cada aula era um orgulho, uma realização, um arrebatamento. Que sensação poderosa eram os insights, a percepção de descoberta e de compreensão que ela gerava! Era um desafio e um privilégio acompanhar sua irrepreensível atuação. Sim, porque ela não dava aula, mas performava. Já era uma lenda viva naquele tempo. Edith Barreto era o nome que transpirava respeito e admiração e inclusive medo. Ser aprovado nas cadeiras ministradas por ela era sinônimo de superação, valor. Se fosse com uma boa nota, a coroação do êxito.


Edith não era apenas brilhante, mas instigante, dona de uma finíssima ironia além de paciente e sofisticadamente educada. Ao mesmo tempo um mistério. Ate hoje, um Google com o seu nome traz como resultado quase nada e imagens dela na web parece ser algo impossível de se encontrar. Pouco sabia da sua vida pessoal, da sua trajetória humana. Aparentemente vinha de uma família abastada, mas nos permitia ver que suas posições políticas não eram conservadoras, como naturalmente se pensaria, mas progressistas.


Edith Barreto era para mim, e sempre será, um nome mítico. Era e é ainda o nome do Diretório Acadêmico da Faculdade de Letras da UFPel, nome escolhido pelos próprios estudantes em algum momento de epifania. (** Depois de ter publicado este poste fui informado que o nome do D.A havia mudado nos anos 2000 sob o argumento de que Edith ainda estava viva. Como se homenagens fossem apenas para os mortos...). Fiz parte, também com orgulho, da Coordenação Geral da entidade em 2000-2001 numa época em que travamos grandes lutas estudantis. Mas lamento não ter nenhuma foto da Edith, nem com ela. Seria como guardar aquelas lembranças de objetos queridos e representativos que são mantidos como um componente do que se é. Tenho dois livros que ela me presenteou em uma das duas vezes que fui até sua casa, tímido e orgulhoso, para discutir um projeto lingüístico. Um desses livros foi também um marco na minha formação e paixão por política e semiótica, lingüística e comunicação. Edith foi uma das responsáveis, entre pouquíssimas em tão decisiva lista, por me apresentar um mundo. E a isso sou grato e por isso seu declarado admirador. Obrigado, Edith.


O mundo perdeu Edith Barreto na segunda-feira, dia 27 de setembro. Entre as várias coisas que não sei sobre ela, deduzo que a sua idade era mais de 60 e menos de 80. Quando recebi a noticia através de amigos da época da Faculdade, ela já havia sido enterrada. Ao que parece, ela travava a algum tempo uma luta contra um câncer, mas eu pouco sabia do que lhe passava nos últimos anos. Senti uma particular tristeza por haver estado na cidade, Pelotas, este ano e ter perdido a oportunidade de ver-la, mas registro, entre tanto que acontece no mundo nesta semana e tanto que tenho para escrever, minha homenagem a alguém que de fato a merece. Edith Barreto é alguém pra chamar de mestra.


P.S: Dêiticos também é um conceito que me foi apresentado por Edith Barreto e que dá nome e sentido a este blog.


P.S 2: A conhecida professora Paula Mascarenhas, da Faculdade de Letras da UFPel, que de alguma maneira encontrou esta homenagem a Edith na rede, deixou gentil comentário neste post, compartindo respeito por Edith, e re-corrigindo o dito anteriomente: o nome do D.A da Letras segue, sim, tendo o nome de Edith Barreto.

Saturday, 18 September 2010

Saludos com mate para Marx






Karl Marx, a quem todos conhecemos, nasceu no antigo reino da Prússia, em 1818, mas foi aqui na capital britânica, onde viveu por mais de 30 anos, que ele se dedicou inteiramente a duas atividades que o fizeram uma das personalidades mais importantes da história: organização revolucionária e compreensão do capitalismo.


Pesquisou na British Library, escreveu “O Capital” e o “Manifesto Comunista”, ajudou a formar a Primeira Internacional em reuniões em Clerkenwell, morou nas localidades de Kentish Town e no Soho e foi enterrado em Highgate, no norte de Londres, em 1883, que possui um tranqüilo e aprazível cemitério localizado a menos 30 minutos de onde moro.


No seu funeral havia apenas 11 pessoas, mas hoje o Highgate Cemetery é um ponto turístico visitado justamente porque guarda a tumba de Marx, onde recebe inclusive saludos com mate nos escassos dias de sol londrinos.


P.S: Para nao dizer que nao falei "de flores", dia 20 de setembro se comemora no estado Rio Grande do Sul o aniversário da Revoluçao Farroupilha, o que faz com que por lá, durante todo este mês , as tradiçoes e os sentimentos do "famoso" orgulho gaúcho sejam exacerbadas. Sendo o chimarrao um simbolo estadual, digamos que este post também saluda meus regionalismos (que atire a primeira pedra...) arraigados, lembrados mesmo desde a distância.

Thursday, 16 September 2010

Brasil de Fato tem novo website

Algumas mudanças inusitadas de última hora, ao que tudo indica, tendem a alterar rumos pré-definidos para o resto desse ano e, como uma das conseqüências, minha disciplina e regularidade na produção de textos jornalísticos e literários postados aqui – publicados em veículos de comunicação ou não – será flexibilizada. Nas ultimas semanas tinha estado praticamente mantendo um blog como ele deve ser, com uma ou mais atualizações diárias, mas suponho que diante do quadro que enfrento nos próximos meses vão faltar condições de segurar o ritmo.


De todo modo, em termos profissionais, há três colaborações agendadas com o Brasil de Fato e a coluna mensal no website espanhol Panorámica Social que também sempre registro aqui quando são publicados. Seguirei postando o material do projeto “Textos Curtos para Ítaca”, artigos acadêmicos, alguns eventuais registros de fotos (que finalmente tenho estado organizando), e suponho que algumas outras passagens rápidas pra não me perder dos movimentos de rotação e translação da blogsphere.


Mas a grata surpresa digna de nota é o novo site do jornal Brasil de Fato que entrou no ar hoje. Realmente muitíssimo melhor, embora ainda não seja genial, mas está muito mais fácil e dá muito mais prazer em ler. Também acionaram, finalmente, a zona de comentários para cada matéria, o que é essencial nesses tempos de jornalismo digital.


Dois dos meus textos que tinham sido publicados até aqui apenas na versão impressa, podem agora também ser acessados no website do jornal: “O fim dos tempos segundo Zizek” , sobre o novo livro do filósofo esloveno Slavoj Zizek e quem assisti pessoalmente aqui em Londres, está em destaque na abertura do site.

“O delírio salvadorenho”, sobre as maras (gangs) de El Salvador também pode ser lido online agora.

"Para inglês ver”, sobre o Festival Brazil aqui em Londres, segue disponivel no website do jornal.

“A maldição de Marcos Diaz", sobre o massacre salvadorenho em El Mozote, estava na página antiga e agora não está disponível, mas segue aqui.

E “Perdas e Danos no Reino (des)Unido", sobre o novo governo britânico, foi publicado apenas na versão impressa, além de obviamente aqui neste blog, como todas as minhas principais publicações em diferentes veículos, disponíveis nos links ao lado.

Monday, 13 September 2010

Mais de 40 mil casos de desaparecidos permanecem impunes no mundo

No Dia Internacional dos Desaparecidos, 30 de agosto, a Anistia Internacional e a ONU lembram os desaparecidos por razões políticas e pedem que os casos sejam investigados. Nos últimos 30 anos, foram registrados 53.232 desaparecimentos forçados. Em 42.600 desses, o paradeiro da vítima ainda é desconhecido.


Os "desaparecidos" são pessoas detidas por agentes do estado, mas cuja identidade e destino final é escondido, e a custódia negada posteriormente. Segundo a Anistia, um "desaparecimento" geralmente ocorre com a autorização, apoio ou consentimento do estado, porém, autoridades negam que a vítima esteja sob sua custódia. Assim, não é possível saber o destino final da vítima, e a pessoa fica fora da proteção da lei. Há casos registrados em 80 países.


Em 2009, foram registrados centenas de casos relacionados a 25 governos de todos os continentes. Segundo a ONU e a Anistia, a maior parte dos países que utilizam a prática ilegal de desaparecimento forçado usam como justificativa a defesa da segurança nacional ou o combate ao terrorismo.


Vítimas no Estado espanhol


No relatório divulgado no domingo dia 29 de agosto, a Anistia deu atenção especial ao governo espanhol. A organização afirma que 114 mil famílias desconhecem o paradeiro de parentes desaparecidos durante a guerra civil (1936-1939) e da ditadura franquista (1936-1975) e pede que o governo assuma seu compromisso diante dos desaparecimentos, facilitando acesso aos documentos que contém informações sobre o período.


No Estado espanhol, a lei geral de Anistia de 1977 impede que sejam investigados todos os crimes com intenção política cometidos antes de dezembro de 1976 – dois anos após a morte de Franco.


O governo é acusado de não contribuir para a solução desses crimes.


Outros países


Segundo o documento, no Iraque, há 16.409 casos pendentes de desaparecimentos.


Quinze anos após o fim da guerra da Bósnia, estima-se que entre 10 mil e 12 mil pessoas ainda têm paradeiro desconhecido e os responsáveis continuam impunes.


No Nepal, continuam sem investigação os casos de mais de 1.300 pessoas que foram presas e depois desapareceram durante o conflito de 1996 e 2006.


El Salvador também não resolveu o caso dos 2.270 desaparecidos durante a guerra civil nos anos 1980.


No México, há pelo menos 700 casos de desaparecidos nas décadas de 1970 e 1980 que continuam sem informações.


Hoje no Brasil há oficialmente 144 desaparecidos políticos.


*Texto tomado de Diario Liberdade

Saturday, 11 September 2010

Historia de un bus que no llega



La capital de El Salvador, este pequeño país centroamericano, amaneció durante esta semana con un inmenso caos: La mara 18 y la mara Salvatrucha, las principales y más actuales pesadillas de Centroamérica, amenazaron con quemar autobuses y negocios que presten servicios. Las maras (gangs) ordernaron un paro de transporte de 72 horas en El Salvador.


La medida de los mareros recuerda los días de la recién pasada guerra civil (1980-1992) cuando las guerrillas ordenaban paros del transporte y del comercio con el fin de sabotear "la economía enemiga".


Las pandillas han respondido de esa manera a la aprobación la semana pasada por el Congreso legislativo de una ley que proscribe y penaliza duramente a los grupos ilegales, como pandillas y maras. La ley igualmente endurece las penas contra aquellos que cooperen con las pandillas, sea económica o logísticamente.


El transporte público en el país, normalmente, es decir, sin “toque de queda” implementado por el crimen organizado, ya es un caos. Y este paro de transporte decidido por los mareros es el retrato de la nueva y persistente guerra que se vive El Salvador que revela los niveles de violencia e incoherencia del Estado que está cada vez mas hundido en el conflicto con el crimen – fruto también de los acuerdos no cumplidos que mantienen el país bajo un sistema de desigualdad social que hace con que más de 40% de la población esté en la pobreza.


El artículo en el periódico salvadoreño ContraPunto, “Historia de un bus que no llega”, es un excelente texto de Joahna Peña que utiliza muchas expresiones locales para relatar con sensibilidad la lucha diaria de un pueblo que de sol a sol busca no más hacerse la vida para traer un magro sustento diario y aun tienen que enfrentar, o someterse, a los grupos dedicados al crimen que son capaces de generar caos y zozobra en todo el país.


“Llegar al trabajo es, por estos días, una tarea casi titánica.


Estoy parada, a buena mañana, a la orilla de la carretera Panamericana, a la entrada de mi pueblo, San Rafael Cedros, Cuscatlán. Siempre estoy aquí a esta hora, el inicio de esa rutina eterna que implica estar aquí, bajo el llamado “Palo de Hule”, en espera del bus que me lleve a San Salvador.


Pero el bus no llega.


Ha calado hondo el paro al transporte que, desde ayer martes, ordenaron pandilleros de la Mara 18, por un periodo de 72 horas."


LEA EL ARTICULO COMPLETO AQUI.

Friday, 10 September 2010

Hoje é aniversário do Vladi

(Arquivo pessoal: 1989)

Parabéns!


Textos curtos para Ítaca V


Um futuro-presente projeto literário. “Textos curtos para Ítaca” é a primeira materialização de uma das várias e extensas idéias em literatura, essencialmente em prosa, mas com flertes em verso, colecionadas ao longo da jornada até Ítaca. Em fato, os projetos para contos e novelas e outras literaturas de longo fôlego, ainda estão em fase sketch, talvez nem maquete, e irão tomando forma ao ritmo das circunstancias, que sim, podem tardar como já tardam, mas ainda virão. Enquanto isso, num dia e momento aleatório, curiosamente com menos atraso, vão tendo agenda as mini-experiências em poesia e verso, do qual, lenta e despretensiosamente, faço um laboratório neste blog (único espaço onde o critério editorial é totalmente meu... ). Algum dia também ganharão forma impressa, sempre ao ritmo das possibilidades e, no dizer de Konstantinos Kavafis, do rogar por uma rota longa. Mas em textos curtos.


Diálogo e-téreo


Adorei teu olhar de contemplação na foto do avião.


Chega de sonhar. Eu te quero agora, já, minha, real e toda.


Eu sei, nunca um mês pareceu tão longe.


Não sei como não te fazer sofrer.


Quinta é sempre uma alegria,


É quando eu tô amorosa que te chamo assim


mas também é falsa esperança.


o que é a pior de todas as crueldades.


Ah, e oh,


E é só quando eu tenho carinho por alguém,


se sabias que ia chover, por que não recolheste a roupa?


então realmente teremos que articular uma maneira de lidar com isso


Em lugar disso, tiraste fotos instantâneas na máquina do metrô.


Acordemos juntos, acorda comigo.


Quero ser presente.